Autor: Átomo

  • Autodestruição

    Autodestruição

    De um lado, cento e trinta e seis policiais mortos em 2017. Do outro, é cada vez maior o número de autos de resistência, foram 102 em 2016, em 2017, antes mesmo do meado do ano esse número já ultrapassava 200.

    O que quero dizer com isso?

    Os policiais são do povo, pobres, que escolheram essa ocupação como meio de subexistência sua e de seus familiares, semelhantemente aos bandidos, que também são do povo, pobres, e escolheram o lado oposto, entre eles estamos nós, os civis, que igualmente morrem cada vez mais.

    Acima de nós estão os governantes, intocáveis, com cordas de marionetes em mãos.

    E ainda nos culpamos!!!

  • O Altruísmo do Contra

    O Altruísmo do Contra

    Tenho notado um novo tipo de altruísmo, o qual batizei de, o “Altruísmo do Contra”. Esta modalidade é motivada pelo desejo [talvez inconsciente] de se buscar equidade entre todos, mas somente quando se reivindica direitos para os pretos.

    Quem nunca viu nas redes sociais a tal frase: “Não precisamos de um dia da consciência negra, mas sim de um dia da consciência humana!”? O curioso é que esse amor pela humanidade é manifesto somente nas proximidades do dia da Consciência Negra.

    Outra, basta alguém se mostrar favorável às cotas raciais que os tais filantropos aparecem com seus corações cheios de empatia para com pobres, nordestinos etc. Dizendo que se deve dividir as cotas com estes.

    A última que ouvi foi relacionada ao fato de os pretos reivindicarem para si a invenção da filosofia. Disseram-me que a mesma filosofia é uma faculdade inerente a todo o ser humano, ué, ela não era grega?

  • Coitada da minha filha

    Coitada da minha filha

    Vejo muitos embates a respeito da “solidão da mulher preta”. Não seriam estes alguns dos motivos para tal?

    01 – Homens pretos [tais quais as mulheres] crescem sem referencial, e geralmente preferem relacionar-se afetivamente com mulheres brancas.
    o2 – Homens brancos não querem compromisso com mulheres pretas.
    03 – Segundo dados do IBGE de 2014 existem 6,3 milhões de mulheres a mais do que homens.
    04 – Segundo a CPI do senado sobre o assassinato de jovens de 2016, morrem 63 jovens pretos por dia no Brasil [entre 15 e 29 anos].
    05 – Segundo o documentário “Olhos Azuis”, da professora e socióloga norte americana Jane Elliot, homens pretos morrem por várias doenças decorrentes do estresse traumático ocasionado pelo racismo.
    06 – Segundo dados do IBGE de 2013 a expectativa de vida das mulheres brasileiras é 7,3 anos maior que a dos homens.

    Ou seja:
    · Nascem mais mulheres que homens e ainda vivem mais.
    · Os efeitos do racismo nos leva a predileção por brancos [as].
    · Além das “mortes naturais” do homem preto causadas pelo racismo, morrem anualmente mais 23.100 assassinados [apenas jovens].

    Daqui a 20 anos haverá 462.000 homens pretos a menos

    Isto explicaria [em parte] a “solidão da mulher preta”, ou não?
    Matematicamente, posso afirmar que daqui a 20 anos [se nada mudar] haverá em média 462.000 homens pretos a menos disponível para um relacionamento.
    Coitada da minha filha que estará com 26 anos!

    Agradecimento as irmãs pretas que opinarão quando eu estava construindo esse texto.

  • Acidente Cósmico

    Acidente Cósmico

    Creio que assim como aconteceu com o samba (outrora marginalizado) o rap, um dia, também terá um “lugar de respeito” na música brasileira. Por enquanto, conta-se nos dedos quem consegue viver integralmente dessa arte.

    Nem os que se enquadram no padrão mercadológico recém-criado do rap garantem visibilidade, o que dizer de um artista como eu que tem uma abordagem menos popular?

    Sendo assim, sei que estou à margem da margem, mas não digo isso como quem se lamenta (de verdade!), pois estou muito satisfeito com minha obra profícua, que já soma (fora coletâneas e participações com outros artistas), dez discos, feitos sob a minha vontade, e não da de terceiros.

    A cada dia firma-se a certeza de que pra eu conseguir viver da minha arte, só mesmo por conta dum acidente cósmico.

  • Incorrigíveis

    Incorrigíveis

    Várias mulheres reclamam com razão dos homens. Entre elas há as que nos consideram incorrigíveis. Ora, se somos de fato, pra que tanto esforço pra tentar desconstruir o nosso machismo?

    Creio que chegou a hora de conscientizar os meninos para que a geração vindoura seja diferente.
    Para isso é preciso fazê-los participar dos seminários e fóruns femininos, pois a presença deles nesses ambientes é incomum.
  • Onipotentes

    Onipotentes

    Não, você não pode ser tudo o que quer ser, seus pais mentiram…

    Você já viu um jóquei de 1,80 de altura vencedor do Grande Prêmio Brasil de turfe? E um ginasta medalhista olímpico com a mesma estatura? E um branco campeão mundial dos 100 metros rasos? E um preto no lugar mais alto do pódio na natação?

    Já perceberam que “geralmente” os que têm vocação para as ciências exatas não a tem para as artes ou esportes? Devo lembrar que “vocação” é tendência ou gosto por algo, pode-se ter “vocação” e não se ter “talento”, que é a habilidade de fazer e vice e versa.

    Quando pararmos de investir o nosso tempo no “tudo” que disseram que podemos ser, e focarmos no que temos vocação e talento, teremos maiores chances de sermos o que podemos ser.

  • Sem ‘P’ Toshiba

    Sem ‘P’ Toshiba

    MC’s, quase todos inofensivos. Inofensivos politicamente e artisticamente. Nessa letra eu falo sobre isso, sobre a falta de poesia no Rap, confira:

    Sem”P” Toshiba

    Linha após linha,
    A pena a toa caminha… Pela pauta mais fácil.
    Não flui das vísceras,
    Rima mi, mi, mísera… Mindinho do Luiz Inácio.
    Papagaios desbocados,
    Como burros empacados… No “lugar comum”.

    Sobre suas BPMS,
    “N”… Remexem o bumbum.

    Aprenda com os “tios”,
    Deixa de verso infantil… Adoleta, adoleta…
    Faz o feitio,
    Mas “N”, “A”, “O’, “til”… É gangsta de espoleta.

    Líricas,
    Não li ricas… Mais pobres que o diabo.
    O papel em que escreves,
    Não serve… Nem pra limpar o rabo.
    Faltam pingos nos “is”,

    Falta o “X”… Da questão.
    Televisor Sem”P”,
    Um “quê”… De poeta não.

    Não mais que Fifth Cent,
    Artisticamente… Pedinte.
    Só lhes resta o “R” e o “A”,
    E crer que a hora “H”… É quatro vinte.

    Ilegítimo,
    Muito ritmo… Poesia pouca.
    Quem só sabe o “R” e o “A”,
    Morrerá ao brincar… De forca.

  • Detesto Funk

    Detesto Funk

    O meu parecer a respeito do funk não é baseado em “achismos”, nem em pesquisas acadêmicas ou através do depoimento de terceiros.

    Sou testemunha ocular da história desse estilo musical. Fui frequentador assíduo de bailes nos anos 80 e 90, e o “acompanho” desde então. Quando comecei a frequentar as matinês do Vasquinho de Morro Agudo, aos nove, dez anos de idade, ainda nem havia funk em português, os pioneiros foram Ademir Lemos, Cidinho Cambalhota, Abdulah, etc.

    O funk já foi inofensivo no que diz respeito ao conteúdo das letras, apesar de “malicioso” nas entrelinhas, era acessível a qualquer faixa etária, puro entretenimento!

    Nos anos 90, no entanto, a coisa mudou, quando o funk [em sua maioria] se politizou [sinal de perigo]. Como era de se esperar, a mídia, na tentativa de desqualificá-lo, focava apenas nas brigas que ocorriam nos bailes. Quando as gravadoras e a própria mídia viram a possibilidade lucro, fizeram o que é de praxe, descaracterizaram e despolitizaram o estilo, até chegarmos onde estamos…

    Sim, o funk faz parte da nossa cultura!

    Mas por esse motivo eu não devo admitir o desserviço que ele tem feito?
    O que ele nos ensina de útil?
    No que ele contribui para nossa autoestima?
    Fora os artistas, empresários etc. Quem lucra com ele?
    Qual o proveito que as nossas periferias tiram do “proibidão”, do “ostentação”?
    O que nossas crianças e adolescentes ganham com a sacanagem que essa gente canta?

    Por esses motivos detesto o que o funk se tornou!

  • Uma mão lava a outra

    Uma mão lava a outra

    “Usamos” as pessoas, e que mal há nisso? Nenhum!

    Os ingênuos querem acreditar que as coisas não são assim, entretanto, basta apenas observar: Enquanto dependemos de nossos pais os “usamos”, do mesmo modo que eles nos “usam”, afinal, ter filho, é uma escolha, um sonho, uma realização pessoal.

    Veja as amizades: Temos “amigos confidentes”, “amigos de bar”, “amigos de trabalho” etc. Um para cada situação.
    E nos relacionamentos amorosos?
    Homens e mulheres buscam alguém que seja amante, amigo, companheiro etc. Quando falta algo, geralmente procura-se outro.

    Apesar do peso que a palavra “usar” tem, não há outra que defina melhor essa questão.

    Como disse no início, não vejo mal nenhum nisso, o mal está naquelas pessoas que querem apenas “usar”, e não se deixam ser “usadas”.

  • O triunfo do mal

    O triunfo do mal

    Há um discurso no mínimo estúpido na boca de certos militantes de algumas causas: “Não quero que ninguém fale por mim!”.

    Ora, esse “falar por mim”, que esses extremistas abominam nada tem haver com cercear direito de fala, e sim com a ideia de que, só quem sofre um desrespeito tem propriedade para opor-se verbalmente a ele.

    “Falar junto”, não é “falar por”. E por que não “falar por”? Se quem tem “mais propriedade” para falar não estiver presente.

    Se um homem favorável à causa das mulheres ouvir um comentário machista numa roda de amigos, ele deve se omitir?

    Se uma mulher branca favorável à causa dos pretos presenciar um ato de racismo contra alguém sem argumentos para se defender, ela deve se omitir?.

    Como disse Edmund Burke:
    “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.”

    O triunfo do mal! Será que é isso que eles querem?