Autor: Átomo

  • Cadeia alimentar

    Cadeia alimentar

    Um dia fui convidado para um evento de luta pela igualdade racial, quando lá cheguei e ia me sentar, fui informado que o lugar que escolhi estava reservado e eu deveria me sentar na fileira de trás. Percebi que alguns negros, para sentirem-se “brancos”, querem alguns “negros” para si, ainda que esses sejam “brancos”.

    Alguns desses negros e brancos pertencem às religiões de matriz africanas, que constantemente são vítimas de intolerância religiosa. No entanto, alguns deles não toleram o fato de outro negro ou branco não pertencer às religiões de matriz africana.

    Alguns cristãos negros e brancos, não toleram as religiões de matriz africanas, assim como também não toleram os ateus.

    Os tais ateus, brancos e negros, precisam desesperadamente que existam as religiões de matriz africana e também o cristianismo, ou já era o seu sentido de ser.

    Entre esses ateus há gays, negros, brancos, homens e mulheres. Esses gays são constantemente censurados pelos homofóbicos. Por sua vez, alguns desses gays censuram qualquer um, homem, mulher ou religioso que se oponham a sua orientação sexual, ainda que não sejam esses homofóbicos.

    Existem feministas, negros, brancos, religiosos, ateus, gays, homens e mulheres. Algumas dessas feministas querem ser “homem”, para dominar seus homens e também suas mulheres, sejam esses machistas ou não. E assim segue a cadeia alimentar, um devorando o outro.

  • Rap é música?

    Rap é música?

    Alguns gêneros musicais como o samba, por exemplo, foi discriminado, hoje em dia o samba é considerado um ritmo que representa o Brasil. O rap sofre discriminação por ser uma música “fácil” de se fazer [desafio qualquer autoridade da música a fazer um rap que seja considerado bom pelos seus ouvintes].

    Outro motivo que o faz ser discriminado é pelo fato de ele ter se desenvolvido nos Estados Unidos.

    A discriminação por esse motivo é no mínimo ridícula, levando em conta que a bossa nova, um dos gêneros que também representa esse país, é um misto do outrora discriminado samba, com jazz [americano]. Primeiramente, eu vejo música como  arte, e acredito que arte não tem fronteiras. Classifico todos esses gêneros como música negra, uns feitos por pessoas escravizadas aqui, outros por pessoas escravizadas na América do Norte, etc.

    Suponhamos que o Rap de fato não seja música, o que isso mudará para os que tiveram suas vidas transformadas por ele?

    E se for música, o que mudará também? Fique a vontade, por mim pode chamar do que quiser: “coisa”, “barulho”, “porcaria”, etc.

    Se os músicos que não o consideram música, se propusessem a ensinas nas favelas e periferias de modo voluntário o que consideram ser música, talvez tivessem propriedade para criticar quem não faz “música”.

    Considero suas críticas tão inúteis quanto o que consideram música [no que diz respeito a mudar nossa perspectiva de vida dos marginalizados].

    Por aqui os versos de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, não valem nada em comparação aos versos de o “Homem na Estrada”, de Mano Brown.

  • Incoerências

    Incoerências

    Se há uma coisa que me deixa extremamente irritado é a incoerência, simplesmente por ela ser irmã da hipocrisia, que é da mesma linhagem da falsidade, desonestidade etc. 

    Prefiro os boçais, arrogantes, pulhas e qualquer outro tipo de gente, que por pior que sejam, sejam elas mesmas, [pelo menos sei com quem estou lidando]. O incoerente é aquele que aprova o que ele mesmo condena, se queixa que os políticos jogam os indivíduos no tráfico de drogas, entretanto, compram erva na mão desses mesmos indivíduos.

    Levantam seus cartazes contra o assassinato de gays, negros, etc, entretanto são favoráveis ao aborto.

    Dizem-se a favor da paz, entretanto espancam suas esposas e filhos e comemoram quando um policial é morto por um bandido.

    Sonham com um país sem corrupção e injustiça, entretanto furam fila, avançam sinais, fazem bandalhas, subornam guardas, só trabalham na presença do patrão, dão calotes, roubam água e luz, forjam atestados médicos, não respeitam os assentos preferenciais, etc.