Autor: Dudu de Morro Agudo

  • Jesséé Yatta e a cura da depressão

    Jesséé Yatta e a cura da depressão

    Era a terça-feira mais linda e ensolarada do ano, ele estava empregado, tinha uma casa enorme e era casado com a mulher dos sonhos, a amiga de infância que era sua alma gêmea. Tudo estava aparentemente bem, contudo Jesséé Yatta, um um jovem negro, de aproximadamente 1,85 de altura e um bom humor contagiante quase que diário, acordou e se deparou com um mundo cinza.

    A tristeza se fez presente e ganhou um espaço considerável em seu dia, a sua auto-estima foi  a zero. Ele estava visivelmente desanimado.

    Para a sua esposa, dias como esse, apesar de não serem comuns, não eram novidade, ela já havia participado de outros dias nebulosos ao lado do marido, que ficava extremamente irritado e desmotivado sem motivo aparente, não havia atividade que lhe trouxesse de volta ao mundo azul.

    Ela lembrou que certa vez, após um dia como o de hoje, o marido a orientou: – Pequena, caso eu fique assim novamente, ligue para Kashore Sadikifu. Ele saberá o que fazer.

    Enquanto o marido se dirigia para o banheiro, Jamila Harbuu, a jovem esposa, enviava um pedido de socorro via WhatsAssp para o amigo salvador da pátria.

    A mensagem dizia: – Caro Kashore, hoje Yatta acordou mal, precisamos de sua ajuda.

    Kashore tinha a mesma idade de Yatta, porém era muito mais baixo, tinha aproximadamente 1,65m de altura e nenhuma pessoa jamais o havia visto de mal humor. Entretanto as características da personalidade de Kashore iam bem além destas. O jovem era insuportavelmente animado a qualquer hora do dia ou da noite, e não sossegava enquanto não arrancava sorrisos dos amigos.

    Inacreditavelmente, cerca de 15 minutos após receber a mensagem, Kashore chegava à residência de Jamila e Yatta. Ele morava há 15 kilometros de distância.

    Enquanto isso, Jamila foi para o quarto das crianças e lá ficou, por uma hora. Quando saiu, o marido já não estava em casa. Havia saído com o amigo.

    Quando Yatta saiu do banheiro e ficou frente a frente com Kashore, sentiu raiva da esposa e uma vontade enorme de dar uma surra no amigo, simplesmente por causa do sorriso que ele carregava no canto da boca.

    Mas antes que Yatta pudesse demonstrar suas intenções, Kashore o colocou no carro e o levou para o campo de futebol, estava acontecendo a final do campeonato de várzea no bairro onde nasceram. Todos os amigos estariam lá.

    Contudo Yatta, apesar de não estar interessado em futebol ou qualquer outra prática esportiva, sabia que Kashore não desistiria, sendo assim acompanhou o amigo.

    Kashore disse: – Onde está sua chuteira Yatta?

    – Não vou jogar.

    – Porque não? Você é nosso zagueiro, nossa parede, nada passa por você, ainda mais com essa cara feia e mau humorada que você está hoje. 

    – Não vou jogar.

    – Então não joga. Vou fazer um gol pra você.

    Quando chegaram ao campo, muitos amigos já estavam bebendo cerveja, ouvindo música e comendo churrasco. Yatta não falou com ninguém. Para não ser mal educado, foi direto para a mesa ao lado do vestiário e sentou-se. Kashore pediu para dona Irene levar uma cerveja para Yatta, pois sabia que ele jamais a destrataria.

    Yatta, mesmo contra a vontade, bebeu um copo de cerveja e depois mais um. Aos poucos foi se aproximando dos amigos que estavam aos gritos, pendurados no alambrado. Derrepente Yatta já estava em campo, dando o sangue para vencer a partida, além de muita canelada nos adversários.

    O time do bairro venceu o campeonato, com muito esforço de todos os atletas e da torcida, mas com um gol inesquecível, do meio de campo, de bico, do zagueiro Yatta.

    Yatta saiu carregado pelos amigos, aos gritos de “É campeão”. Comemorou com os amigos até altas horas.

    Não lembra como chegou e nem a que horas chegou em casa.

    Acordou com uma dor de cabeça infernal, fruto da mistura de diversos tipos de bebidas alcoólicas. Yatta não bebia com frequência. Era a ressaca. Elas sempre eram cruéis.

    Yatta desce as escadas em direção à cozinha. Ele quer saber como chegou em casa e a única pessoa que pode lhe esclarecer esse mistério é sua esposa, que lhe recebe com um grande sorriso no rosto.

    Ele, ao ver o sorriso da esposa, lhe retribui com um outro sorriso e senta-se à mesa.

    “Nunca mais eu bebo”, diz Yatta.

    E a esposa responde: – “Você sempre diz isso”.

    E ele completa: – “Mas nunca deixe de chamar o Kashore, apesar de ele ser um baixinho insuportável, ele é a cura da minha depressão”.

    Ela conclui: – “Os amigos são”.

  • O curso de produção do Enraizados iniciou na UFRRJ com a sala lotada

    O curso de produção do Enraizados iniciou na UFRRJ com a sala lotada

    Cada edição do CPPEC é uma experiência extremamente nova.

    Eu estava muito ansioso para encontrar os participantes dessa nova turma, por isso no último sábado acordei bem cedo para dar um jeitinho nos últimos detalhes.

    Por volta das 08 horas da manhã levantei e fui dar um tapa no visual, logo depois participei de uma reunião sobre o GVV6, projeto de graffiti do Enraizados, com os grafiteiros Babu e FML, em seguida fui comprar uns equipamentos e pronto, já eram 12 horas e certamente não daria tempo de eu almoçar.

    Era um sábado quente, não sei se porque a temperatura estava elevada ou porque o meu grau de ansiedade estava aquecendo meu corpo de forma anormal. Cheguei na UFRRJ por volta das 13 horas e fui pra sala 209 pra testar os equipamentos antes que a turma chegasse, por mais que eu não fosse utilizar nenhum dos equipamentos na primeira aula.

    Dudu de Morro Agudo em aula
    Dudu de Morro Agudo em aula

    Os alunos foram chegando um a um, numa diversidade já esperada, pois na seleção priorizamos essa diferença entre os participantes. São alunos de todas as idades, de oito cidades, contendo a mesma quantidade de homens e mulheres. Mas eu não sabia nada sobre as habilidades de cada um e nem a ‘profissão’ deles, isto é, o que cada um fazia para sobreviver. Só sabia que seis pessoas eram alunos da UFRRJ e uns dez já faziam parte do Instituto Enraizados, mas os outros 14 eu não tinha ideia de quem eram e estava pronto para ser surpreendido. E fui

    Muitas pessoas com discursos bem politizados, outros declararam amor pela Baixada Fluminense, alguns com projetos já em andamentos e outros com projetos bem legais na cabeça. É justamente o que eu preciso para transformar uma simples aula em algo pra lá de especial, com pessoas especiais.

    [box type=”success” align=”alignright” class=”” width=”200″]30 participantes de 08 cidades[/box]

    A turma estava bem conectada, já estavam se organizando pelo grupo que criei no WhatsApp. Lá eles falam de tudo, é um grupo bem descontraído, mas o mais interessante foi o encontro que marcaram para chegar no curso antes do horário marcado. E chegaram.

    Utilizei a primeira aula para que nos conhececemos, apresentei o Enraizados e o curso, além de pedir para que cada participante se apresentasse, cada apresentação foi uma aula à parte, foi incrível. Falamos sobre o ‘conceito’ do Festival Caleidoscópio e começamos a preparar o ‘briefing’.

    Turma do CPPEC na UFFRJ, em Nova Iguaçu
    Turma do CPPEC na UFFRJ, em Nova Iguaçu

    A ideia é que no próximo sábado a gente já comece a falar sobre a identidade visual, curadoria, visita técnica, orçamento, parcerias e captação de recursos. E como as aulas são práticas, trabalharemos com documentos reais do Festival Caleidoscópio, que serão sempre disponibilizados na página do grupo no facebook para será utilizado como uma espécie de repositório.

    Um outro fato bem legal é que um dos participantes, o Chante, já sugeriu, via Whatsapp, um tema para o festival, tema este que já vem acoplado com uma campanha. Achei bem interessante e já estou fazendo planos.

    Sinceramente espero que todos e todas possam estar presentes novamente na próxima semana, pois temos muito trabalho pela frente.

     

  • Ação da Cidadania abre inscrições para a ‘Miniempresa’

    Ação da Cidadania abre inscrições para a ‘Miniempresa’

    O Programa Miniempresa proporciona a estudantes do Ensino Médio a experiência prática em economia e negócios, na organização e na operação de uma empresa.

    É desenvolvido em 15 semanas, em jornadas semanais, com duração de 3h30min, realizadas nas escolas, geralmente à noite.

    Os estudantes aprendem conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção. É um programa acompanhado por quatro profissionais voluntários das áreas de marketing, finanças, recursos humanos e produção.

    Neste Programa, são explicados os fundamentos da economia de mercado e da atividade empresarial através do método Aprender-Fazendo, em que cada participante se converte em um miniempresário

    Parceria da Junior Achievement com a Ação da Cidadania

    A Ação da Cidadania fechou parceria com a Junior Achievement para realização do programa Miniempresa 2017 no Rio de Janeiro.

    Serão até 25 jovens escolhidos para participar do processo de formação com mentores voluntários de diversas áreas em um processo de 15 semanas que procura mostrar todos os passos de criação e administração de uma empresa.

    As aulas serão todas as segundas-feiras à partir das 18:30 começando dia 15/05/17, no Galpão da Ação da Cidadania na Saúde, região portuária do Rio de Janeiro.

    SERVIÇO
    Inscrições abertas até o dia 10/05/17 através do site: http://miniempresa.acaodacidadania.org.br
    Dúvidas, ligue pra gente: (21) 2233-7460 (Jeniffer ou Ana Paula)

  • Casa Fluminense e parceiros lançarão ‘Campanha #Rio2017’ no próximo dia 26 de julho

    Casa Fluminense e parceiros lançarão ‘Campanha #Rio2017’ no próximo dia 26 de julho

    A Casa Fluminense e grupo amplo de parceiros da sociedade civil lançam Campanha #Rio2017 para disputar a agenda pública da cidade pós-Olimpíadas, no próximo dia 26 no Teatro Rival.

    A iniciativa parte da construção conjunta da Agenda Rio 2017, documento que sintetiza propostas do grupo para os principais desafios do Rio nos próximos anos.

    SAIBA MAIS:
    http://rio2017.strikingly.com

  • Que bom que ela morreu bem.

    Que bom que ela morreu bem.

    Olá, boa semana a todos e todas!!! Mais uma coluna, isso significa que as coisas estão dando certo por aqui 🙂 .

    Você deve estar se preguntando: – Que frase louca é essa que o Dudu resolveu colocar como título da sua coluna hoje?

    Realmente, se estiver fora de contexto, esta frase pode causar estranheza, mas lendo o texto abaixo talvez você entenda bem o que eu quis dizer.

    Vamos lá!!!

    Antes de ontem sonhei com uma amiga da minha avó, acho que elas eram melhores amigas, ela sempre estava aqui em casa, eram muito próximas, e quando minha avó morreu, ela não perdeu o contato com a minha família, continuou se correspondendo com a minha mãe, mesmo quando foi morar nos EUA.

    Há cerca de duas semanas minha mãe me disse que ela havia morrido. Fiquei triste, lógico, porém pensativo.

    Ela tinha mais de 90 anos, sem nenhuma doença – a não ser as que vem no pacote da velhice morreu sem dor, sem sofrimento e com a sensação de dever cumprido (assim espero), com filhos, netos e bisnetos criados.

    Perdi as contas de quantas pessoas que conheço tiveram mortes trágicas nesses meus 37 anos de vida, um monte de colegas assassinados antes dos 30 anos de idade, muitos morreram antes mesmo de completar 20 anos. Meu pai e minha avó morreram vítimas do câncer, ela com quase 70 e ele com 61 , penso que naturalmente poderiam ter tido pelo menos mais uns 20 anos de vida, mas morreram, com o tanto de sofrimento característico do câncer, contudo o sofrimento não foi um privilégio somente deles, pois toda a minha família e amigos sofremos juntos, cada um de nós.

    Certamente, quando ela nasceu, lá por volta de 1925, haviam diversos fatores que poderiam ter interrompido sua vida, mas creio que poucos eram por conta da violência urbana, e isso me fez refletir mais uma vez, é incrível e ao mesmo tempo chocante, pois tem muito tempo que não ouço dizer que uma pessoa conhecida morreu de velhice.

    Por isso, quando soube de sua morte falei comigo baixinho: – Que bom que ela morreu bem.

  • A mutação do hip hop

    A mutação do hip hop

    Olá leitores e leitoras de minhas colunas no Portal Enraizados. Hoje acordei com vontade de escrever e esse é o meu canal favorito.

    Hoje vou escrever sobre o passado e o futuro do hip hop e espero que acompanhem o meu raciocínio, pois não estou aqui pra criticar ou enaltecer A ou B, mas pra mostrar o ponto de vista de um cara que está há 23 anos na cultura e há 10 anos vivendo exclusivamente dela.

    Há cerca de um mês fiquei muito preocupado com alguns acontecimentos nos eventos de rap da Baixada Fluminense, foram três brigas, em três locais diferentes, em uma semana (duas em Nova Iguaçu e uma em Mesquita). Sem contar com trocas de ofensas nas redes sociais e alfinetadas aleatórias. Nunca antes eu tinha ouvido falar de nada parecido, e lembre-se que são 23 anos de hip hop.

    Estou há 17 anos à frente de uma organização de hip hop chamada Instituto Enraizados, e um dos objetivos da instituição é mostrar os benefícios do hip hop para a sociedade, mostrar que o hip hop é capaz de auxiliar positivamente na educação, na economia, na política, no lazer, etc… por isso tentamos integrar o hip hop a outras expressões culturais, visto que o próprio hip hop já é uma cultura de artes integradas. Resumindo, tentamos “popularizar” o hip hop.

    Desde os primórdios ouço reclamações de que não existem mais eventos de hip hop, somente de elementos separados, contudo é importante não generalizar, pois desde a “idade da pedra do hip hop” alguns produtores insistem em reunir “com maestria” os quatro elementos em um único evento. Contudo não podemos negar que hoje o hip hop tem um público infinitamente maior do que há dez anos.

    Antigamente quando você ia num evento, o público era formado exclusivamente por artistas. Lembro que tínhamos que provar a todo tempo que o hip hop era uma coisa boa, que era sim uma cultura marginal, mas não uma cultura de bandido. Que haviam benefícios. O hip hop tinha valores.

    Hoje é fácil de ver 500 ou mais jovens reunidos num evento de hip hop (ou de elementos separados), e poucos desses são artistas, muitos vão arrumados como hiphoppers, são consumidores, contudo grande parte não tem comprometimento algum com a cultura hip hop.

    É o bonde do “eu amo essa porra, mas se acabar foda-se”.

    Meus questionamentos com o hip hop hoje são os mesmos que eu fazia com o funk antigamente, se você quer que mais pessoas curtam e respeitem o que você faz, você precisa “medir suas palavras parça”. E como diz meu amigo FML, você faz o que você quer dentro da sua casa, em local público o seu direito de falar merda termina quando o do coleguinha do lado começa.
    (E estou falando de local aberto, rua. Não estou falando de clube fechado, festas em casa, etc.)

    Isso me faz lembrar de uma música do Bob X com o Slow da BF, que questiona se o hip hop for proibido, quem vai ter peito de se tornar um criminoso para continuar praticando a arte?
    “Muitos trutas da treta vão colocar camiseta de rock” “Vão negar o hip hop como Pedro negou Cristo”.

    E não é caretice da minha parte, pois por exemplo:

    01) não tenho nada contra a maconha, mas não concordo que se fume maconha em locais públicos, principalmente se for evento de hip hop por que a maconha não é um elemento do hip hop (lembre-se sempre do que o FML disse);

    02) não tenho nada contra batalha de sangue, inclusive gosto bastante, mas acho que os MCs deveriam ter o bom senso na hora de ofender o companheiro com expressões racistas, machistas, etc… mas deveriam um tomar um cuidado maior ainda quando essa ofensa ultrapassa o palco, a disputa entre dois MCs e ofende quem não tem nada a ver com a “briga”, como familiares ou grupos específicos. Tá sobrando ofensa e faltando criatividade e técnica.
    Existem um ditado que diz que “a boca só fala o que o coração tá cheio”;

    03) prezo pela liberdade de expressão e artística, cada um manda na sua música, nos seus temas, nas suas formas, lembrando-se que estamos a todo tempo influenciando pessoas e sendo influenciados, por isso acredito que deva-se escrever e cantar aquilo que se acredita verdadeiramente;

    04) acredito que tanto MCs de batalhas quanto MCs de grupos devam investir em suas carreiras, estudar e buscar uma melhoria constante da qualidade técnica;

    05) acredito que os produtores de eventos devam começar a fazer a curadoria artística de seus eventos, isto é, separar os “homens dos meninos”.

    Analisando como o hip hop era e como está, cheguei a conclusão de que não houve “evolução”, houve “mutação”, estamos falando de duas coisas totalmente distintas, mas que acredito que podemos colocar no mesmo trilho novamente, reunindo o melhor dos dois tempos em prol de uma cultura madura e sólida.

    E aí, o que você acha? 

  • Por que um Fórum de Hip Hop da Baixada?

    Por que um Fórum de Hip Hop da Baixada?

    E aê galeraaaaa!!! De volta com minha coluna no Portal Enraizados e trazendo um tema bastante relevante para quem é do hip hop e principalmente pra quem faz parte da cena na Baixada Fluminense.

    Eu e um grupos de artistas e profissionais do hip hop consideramos importante pensar numa forma de reunir as diferentes cabeças que estão fazendo e pensando o hip hop na região, para nos conhecermos e entendermos o que estamos fazendo neste momento e no que pensamos para o futuro.

    Surgiu então a ideia do Fórum de Hip Hop da Baixada Fluminense.

    Mas antes de falarmos pra que é o Fórum, precisamos entender O QUE É um Fórum. Certo?

    O Fórum nada mais é do que uma reunião sobre tema específico ou para debate público.

    HipHop Conhecimento
    Hip Hop Conhecimento (Nova Iguaçu – RJ)

    No nosso caso, vamos falar sobre a cultura hip hop na região, que na minha opinião é um tema bastante amplo e complexo, por isso precisamos entender quais são nossas maiores necessidades e como podemos nos ajudar, por que a cena está crescendo bastante na região e de forma desordenada, a ponto de haver centenas de artistas, produtores e profissionais diversos (fotógrafos, beatmakers, cineastas…), eventos, etc… e nós mesmos não sabermos quem somos, pois essas infos não circulam de forma eficiente, não há mapeamento efetivo, então não há uma rede a ponto que possamos colher os frutos que nós mesmos plantamos no decorrer dos anos, e se a gente não colher, alguém vai colher assim que enxergar a potencialidade do movimento.

    Batida e Rimas
    Batidas e Rimas (Queimados – RJ)

    Afim de exemplificar podemos nos ajudar a produzir melhor nossos eventos, pois existem muitos produtores extremamente experientes na cena, como Romildo Tamujunto (Batidas & Rimas – Queimados), DMT (Musicação na Pista – Nova Iguaçu), Diego Tecnykko (Cypher de Rua – Duque de Caxias), Rodrigo Caetano (Beco Festival – Nova Iguaçu), Kajaman (MOF – Duque de Caxias), Saquarema (Roda Cultura de São João – São João de Meriti) entre muitos outros que talvez eu não conheça, mas tenho certeza que vocês conhecem, e são verdadeiros professores dessa matéria, e o mais interessante é a troca que poderá haver, podendo inclusive melhorar o projeto pessoal de cada um e gerar mais renda para a cena.

    MOF
    Meeting Of Favela (Duque de Caxias – RJ)

    Eu posso contribuir com produção cultural e empreendedorismo, Wesley Brasil com comunicação, Gustavo Baltar com design, e você, pode contribuir com o que? O que você gostaria de discutir?

    Outros temas relevantes para o nosso convívio social também devem ser abordados, como por exemplo: Qual a posição do hip hop da região sobre o machismo? Tem um monte de moleque vacilando e vestindo a camisa do hip hop.

    Musicacao
    DMT – Musicação na Pista (Nova Iguaçu-RJ)

    Precisamos conversar sobre racismo, segurança pública, homofobia e o que mais decidirmos ser necessário e relevante, sem esquecer da política, pois em outubro teremos eleições municipais e o hip hop precisa se posicionar e depois acompanhar e fazer as cobranças. Sem estarmos organizados nunca saberemos quantos somos, o que fazemos e o mais importante, o que podemos fazer juntos, isto é, sem nos organizarmos não temos força política e consequentemente nada muda. Isso é fato. Até quando vamos ficar nas sombras reclamando?

    São muitas coisas pra discutir, mas precisamos começar, por isso já marcamos a nossa primeira reunião para o próximo dia 01 de junho, no Buteco da Juliana, em Morro Agudo, Nova Iguaçu, às 19 horas e é super importante a presença de todos e todas para construirmos juntos esse novo momento.

    E aê, posso contar com você?

    MAIS INFOS
    https://www.facebook.com/events/831143577016153/
    (
    21)9.6563-0554

  • Quem foi o “Dimas” da música Vida Loka do Racionais MCs?

    Quem foi o “Dimas” da música Vida Loka do Racionais MCs?

    Outro dia eu estava conversando com um jovem evangélico que me perguntou quem era o Dimas, citado na música Vida Loka parte II, do Racionais MCs.

    Eu estranhei a pergunta, pois como evangélico ele deveria saber. Eu, apesar de não ler a bíblia, tinha certeza que estava no livro dos livros, contudo, para minha surpresa, ele disse que não havia nenhum Dimas citado na Bíblia.

    Ohhhhhhhhhhhhh!!! Bolei grandão e a partir daí começamos a procurar saber quem era esse tal de Dimas para compartilhar com vocês, que também devem estar muito curiosos.

    Então vamos lá!!!

     


    Dimas

    Dimas ou Rakh é o bom ladrão – e Simas o mau ladrão, personagens sem nome no evangelho de Lucas. Na Bíblia o nome do bom ladrão não aparece. Ele expressa a crença de que Jesus “virá no reino de Deus”, e ele pede que, nesse dia, Jesus se lembre dele:

    39 Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós.

    40 Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação?

    41 E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez.

    42 Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

    43 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

    (Lucas 23:39-43)

    Segundo a tradição, Dimas não era judeu, mas sim egípcio de nascimento. Dimas e Simas praticavam o banditismo nos desertos de passagem para o Egito. Lá a Sagrada Família, que fugia da perseguição do rei Herodes, foi assaltada por dois ladrões e um deles a protegeu. Era Dimas. Naquela época, entre os bandidos havia o costume de nunca roubar, nem matar, crianças, velhos e mulheres. Assim, Dimas deu abrigo ao Menino Jesus protegendo a Virgem Maria e São José.

    Dimas foi um bandido muito perigoso da Palestina. E isso, realmente pode ser afirmado pelo suplício da cruz que mereceu. Essa condenação horrível era reservada somente aos grandes criminosos e aos escravos.

    O Bom Ladrão ou São Dimas foi o primeiro que entrou no céu: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. (Lc 23,43). Ele passou a ser popularmente considerado o “Padroeiro dos pecadores arrependidos da hora derradeira, dos agonizantes, da boa morte”. Morreu sacramentado pela absolvição do próprio Cristo, e por Ele conduzido ao Paraíso.

    Na tradição católica é conhecido como São Dimas, e seu dia é 25 de março. Ele é o protetor dos pobres agonizantes, dos bêbados, dos jogadores e ladrões. É protetor dos presos e das penitenciárias, dos carroceiros e condutores de veículos.

    Oração

    Oh! glorioso São Dimas, vistes no Calvário Jesus abandonado, desprezado e blasfemado, e naquele vosso Companheiro de patíbulo e de infâmia, reconheceste, num ato heróico de fé e numa confiança ilimitada, o Messias prometido e o Salvador do mundo.
    Quanto foi grande vossa fé!E eis que a uma súplica vossa de perdão, se abrem os tesouros da misericórdia do Coração agonizante de Jesus, e vos transformam num Santo.
    Impetrai-vos esta fé viva e ardente, e vinde em socorro de tantos infelizes pecadores incrédulos que blasfemam e desprezam a misericórdia de nosso Deus crucificado.
    Convertei-os por vossa valiosa intercessão, e, si for da vontade de Deus, alcançai-me a graça que ardentemente vos suplico!


    Obs: Se souberem de mais alguma coisa, favor colocar nos comentários. 🙂

    Até a próxima semana!!!

  • Zamba: 40 anos de escravidão

    Zamba: 40 anos de escravidão

    Pra quem viu o filme “12 anos de escravidão” e ficou impressionado/revoltado – assim como eu, precisa ler o livro “A vida e aventuras de Zamba, um Rei Negro Africano”. 

    Eu tenho que admitir que não conhecia a história de Zamba Zembola, um príncipe africano que escreveu sobre os 40 anos que ficou escravizado. Só fiquei sabendo da história após um desafio feito pelo projeto #RapLAB, o qual coordeno, onde pedi para que os jovens batizassem um dos personagens.

    Um dos participantes do desafio, o jovem Gabriel Rangel, sugeriu o nome Zamba. Nós da produção gostamos da sonoridade do nome, e também gostamos por que de alguma forma este nome nos remetia à África, mas realmente não sabíamos de quem se tratava, acredito que nem o próprio Gabriel sabia.

    Como de costume, comecei a pesquisar sobre o nome, para ter um argumento na hora da defesa. Num primeiro momento, minhas buscas não me levaram a lugar nenhum. Contudo quando me aprofundei um pouco mais, me deparei com um pequeno texto falando sobre o jovem príncipe do Congo.

    Tentei organizar um pouco o texto para compartilhar com vocês. Leia abaixo.

    Zamba Zembola

    Zamba foi um príncipe nascido em 1780, filho de um rei de uma pequena comunidade do Congo. Foi capturado durante uma de suas viagens para a América e então vendido como escravo, trabalhou por 40 anos como escravo em uma fazenda em Carolina do Sul, e neste período escreveu sua autobiografia narrando seu sequestro e os anos de sofrimento.

    A obra, cujo o nome é “The Life and Adventures of Zamba, an African Negro King” (A vida e aventuras de Zamba, um Rei Negro Africano) só foi publicada em 1847 por Peter Neilson, um abolicionista escocês.

    Infelizmente o livro só está disponível em inglês, e encontrei na Amazon por uma bagatela de US$137,59 [Compre aqui] ou se preferir, tem de GRAÇA no Google Books, presente do tio Dudu 🙂 >>> http://bit.ly/1IUVDzs

  • DMA entrevista Baltar

    DMA entrevista Baltar

    Baltar, 21 anos de idade, começou observando a cena local e construindo uma rede de amigos, gravou a primeira track em casa e quatro anos depois  coleciona experiências em outras cidades, estados e países. 

    Defensor da cultura da Baixada Fluminense, Baltar retrata em suas letras o cotidiano do local em que vive e luta pela valorização da cena na região. 

    DMA – Quando começou a fazer rap?

    Baltar – Comecei a escrever de 2011 pra 2012, mas era muito aleatório o que eu escrevia. Gravei minha primeira música em casa, no microfone do headset, contudo divulguei só pros mais chegados pra ver qual era. Então no fim de 2014 ganhei, numa batalha de MCs, duas gravações com o Claudio Ur, que meu mano Eli-oh me deu, e em janeiro de 2015 lancei o meu primeiro trampo que considero sério. Foi aí que me encontrei.

    E lembrando de agradecer ao Léo da XIII, ao Dudu de Morro Agudo, ao Átomo USal, ao Marcão Baixada, ao Kall FBX e à todos que pisaram no Enraizados, graças à todos os que eu assisti, ouvi e aos que me ensinaram, que eu tive a coragem de botar a cara e pegar no mic.

    O que aborda em suas músicas?

    Bom, não tem uma diversificação muito grande de assuntos.
    Costumo abordar algumas situações vividas no meu bairro. Creio que não são acontecimentos particulares daqui, acho que acontecem em outras regiões. Mas abordo questão relacionadas ao pouco valor que não à cultura da nossa região, temas relacionados à família, prego amor ao próximo, que é a chave de tudo.

    Como enxerga a atual cena do rap no Rio de Janeiro?

    Em questão de talento não falta, tem rap bom pra todos os públicos, porém falta um certo tipo de união e respeito pelo trabalho do próximo. Eu prezo pela liberdade de expressão no rap. Se eu gostei, eu escuto e faço meus elogios, caso contrário eu guardo minha opinião.

    Como foi participar do projeto com os caras da Finlândia?

    Foi algo que me acrescentou demais poder conhecer a cena de outro país e ver pouca diferença, e o melhor foi a interação que os rappers Paleface, Gracias MC e o beatmaker/produtor Tommi Suoknuuti tiveram com a gente.

    Tivemos o prazer de mostrar nossas músicas, produções, fizemos vários freestyles juntos e apesar de eu não entender nada que eles falavam nos frees, foi épico. Mas na hora das conversações tinha um tradutor pra salvar a gente.

    Estamos trabalhando em um projeto que tem a participação minha, do Dree (LaGang Rap), EricBeatz e o Lessa Gustavo (Banal) que em breve haverá mais informações. Quem quiser ficar ligado, só seguir nas redes sociais.

    Qual a expectativa de fazer show fora do Rio. Como foi o lance em Minas?

    Foi lindo demais, poder conhecer a cena de Belo Horizonte e graças ao meu Irmão Gabriel Mirral (Sigavante) e ao Felipe Arco, pude deixar minhas mensagens por lá no evento de Lançamento do livro 200 mil paçocas e infinitas poesias, do Felipe Arco.

    Por lá fiz vários chegados, tive o prazer de conhecer dois dos caras que mais admiro no rap atualmente, que são o Felipe Inglés e o Neto (Sintese). Gravei uma track com meus irmãos do Grupo Sigavante (Em breve na sua playlist haha), além de ter visto a grande influência que o hip hop tem por lá, cada parede que você olha é um vestígio da cultura, tive o imenso prazer de ver em um final de semana os 4 elementos em verdadeira união e sintonia.
    Foi lindo demais.

    O que tem a dizer da Conexão ZOBXD, que faz intercâmbio de artistas da Baixada e da Zona Oeste, que você está participando.

    Acho que é o que estava faltando aqui no RJ, expandir as zonas e acabar com algumas rinhas que rolam no rap daqui, como disse acima da falta de união. Isso é algo que ajuda demais nesse ponto, além de ser um imenso prazer pra mim poder levar o que tenho pra somar lá na ZO. Só tenho a agradecer por esse projeto e o rap também.

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    Quando espera lançar seu disco?

    Essa é a pergunta…
    Então, das coisas que pude extrair quando estive em BH foi a questão do profissionalismo independente de questão financeira, você pode ser profissional com o que tem ou com o que lutar pra ter, porque as pessoas vão levar seu trabalho a sério e ver que realmente isso é seu trabalho apesar de ser também algo que nos satisfaz e é isso o que faz melhor.

    Então eu estou programando um EP pra o fim do ano se der tudo certo, mas antes disso vou soltar mais 3 faixas. Duas solo e uma que já esta em andamento com a participação do Sigavante, de BH , nosso mano Jão beatz tá fazendo mágica nas produça e em breve estará dispónivel.

    Quem quiser contratar o Baltar, como faz?

    Pelo facebook é só clicar aqui: https://goo.gl/VwO2ri
    Tel. e WhatsApp : (21)9.6860-0839

    E aproveitando a deixa pra divulgar meu trampo…
    SoundCloud, meus beats: https://goo.gl/cgC5Do
    Youtube, meus sons: https://goo.gl/3erbx1