Autor: Dudu de Morro Agudo

  • Morro Agudo está no radar do Ministério da Cultura

    Morro Agudo está no radar do Ministério da Cultura

    Morro Agudo está alta. Foi escolhido como primeiro bairro a receber o piloto do projeto AQUI TEM PALCO da Ambev. Projeto este que foi lançado no dia 11 de setembro de 2014 no Vidigal, com a presença da Ministra da Cultura Marta Suplicy, do presidente da Funarte, Guti Fraga e diretores da Ambev.

    Aqui-Tem-Palco-02O projeto AQUI TEM PALCO é uma parceria entre o Ministério da Cultura (Funarte) e a Ambev, cujo objetivo é alcançar sete milhões de brasileiros com a realização de 70 mil micro-eventos culturais até 2015.

    A ideia é dar visibilidade a diversas expressões artísticas, a partir do mapeamento de novos talentos em comunidades de todo o País.

    Se você é morador da Baixada deve estar se perguntando PORQUE MORRO AGUDO?

    Sinceramente eu também não sei porque fomos escolhidos, já que normalmente, enquanto artistas e produtores da região, somos esquecidos. Mas já que tá rolando, o que nos resta é aproveitar e surfar nessa onda.

    Este ano, o projeto-piloto vai se concentrar no Rio de Janeiro, nas comunidades do Vidigal, onde acontecerão 07 micro-eventos, e em Morro Agudo, Nova Iguaçu, onde acontecerão 18 micro-eventos.

    Eu, Dudu de Morro Agudo, sou o agente cultural responsável em produzir uma cartografia de talentos culturais na região.

    Os artistas inscritos serão selecionados por um grupo de curadores da Funarte e receberão um cachê para se apresentarem, durante os finais de semana do mês de novembro, nas vans da Antartica, que são equipadas com palco, som e telão e serão estacionadas em bares parceiros. Os eventos começarão por volta de 19:30 e terminarão no máximo às 22:00.

    Podem se inscrever artistas de todos os seguimentos, isto é músicos (rap, mpb, pagode, funk, rock, reggae, etc…), poetas, dançarinos, cordelistas, contadores de história, atores, VJs, DJs, grafiteiros, comediantes (inclusive de Stand Up Comedy), etc…

     

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    SERVIÇO

    Inscreva-se: http://bit.ly/AquiTemPalco
    Informações: (21)9.6563-0554

     

  • Porque precisamos de médicos cubanos.

    Porque precisamos de médicos cubanos.

    De muito tempo vejo uma galera reclamar que o governo está enchendo o Brasil de cubanos por causa do programa Mais Médicos. Lembro de ter visto na TV médicos brasileiros se manifestando contra, alegando que os cubanos estavam tomando seus empregos.

    Na ocasião a Presidenta Dilma foi a TV e disse que os médicos cubanos iriam para as regiões que os médicos brasileiros não querem ir, isto é, as periferias dos grandes centros e para o Norte e Nordeste do país.

    Vou contar para você uma história curta, que aconteceu comigo na última quinta-feira (09).

    Crônica

    Eu estava me sentindo mal há cerca de 10 dias, com dor de cabeça, suando muito durante a noite e com a garganta sempre inflamada. Mas não queria ir ao médico porque eu tinha “quase” certeza que esses sintomas eram pelo fato de eu estar dormindo e me alimentando mal, e com uma rotina de stress intenso.

    Mas a notícia de que um homem contaminado com Ebóla havia chegado ao Brasil gerou um certo pânico lá em casa, e o assunto “doença” ganhou gastante enfase, até que minha namorada, depois de me aterrorizar durante horas, acabou me convencendo de ir ao médico no dia seguinte.

    No dia 09, quinta-feira, acordei cedo, fazia um calor insuportável. Liquidei alguns compromissos e na hora do almoço me dirigi ao Hospital das Clínicas de Nova Iguaçu,  que na verdade fica em Mesquita.

    Lá chegando, não me espantei com a fila, pois já esperava, mas me espantei com tanta reclamação que os pacientes faziam. Sempre relacionados ao atendimento dos médicos.

    Até que depois de alguns bons minutos, que beiravam a uma hora de espera, chegou a minha vez. O médico, um rapaz BRANCO – como sempre, me olhou e perguntou o que eu estava sentindo. Eu respondi: – Doutor, tenho dores de cabeça, estou suando muito a noite, tenho tosse, catarro e minha garganta inflama quase todos os dias.

    Ele ouviu tudo e disse: – SÓ PODE SER VIROSE.

    O médico não me encostou um dedo, não examinou e nem pediu nenhum tipo de exame. Só disse que era virose.

    Acho que pela minha cara de espanto ele resolver pedir um exame de sangue. E passou uma medicação que até agora eu não sei pra que era. Só sei que a injeção queimava como fogo. Após o resultado, que para sair demorou no mínimo duas horas bem medidas, ele constatou: – É dengue, pois suas plaquetas estão baixas.

    Disse pra eu tomar bastante liquido, consumir frutas cítricas e de 06 em 06 horas tomar um remédio que eu não me lembro o nome, pois ele não me deu receita alguma.

    Chegando em casa. Repousei um pouco, como fui orientado, mas quando acordei fui questionado por minha namorada e minha mãe sobre a atuação do tal médico. Elas fizeram eu voltar ao hospital, e passar por tudo aquilo novamente, mas desta vez minha namorada foi comigo e exigiu uma radiografia do pulmão e que o médico verificasse a minha garganta, e ainda exigiu que ele desse uma receita com remédios para tosse também.

    O segundo médico era mais velho, mas também era BRANCO. Ele olhava para minha namorada com uma cara de espanto, tentando imaginar quem era aquela pessoa que dizia o que ele tinha que fazer. Acho que ele imaginou que ela era algum tipo de fiscal que estava dando uma batida naquele hospital.

    Graças a Deus eu realmente não tinha nada, como ficou comprovado nos exames que fiz da segunda vez. Mas a pergunta que não quer calar é: – Como os médicos saberiam disso sem os exames?

    Pelo que tenho lido, os tão abomináveis médicos cubanos são muito mais humanizados do que nossos conterrâneos brazucas e tratam seus pacientes com muito mais respeito.

    Que venham todos os médicos cubanos e ocupem as vagas de quem não quer trabalhar por aqui.

  • O que você faria se só tivesse um mês de vida?

    O que você faria se só tivesse um mês de vida?

    Olá a todos e todas que acompanham minha coluna semanal aqui no Portal Enraizados.

    A minha coluna de hoje é uma provocação daquelas, mas tenho certeza que se você aceitar o desafio irá perceber que não dá tanto valor quanto deveria às sagradas 24 horas do seu dia.

    Os últimos meses estão me servindo de palco para uma análise profunda sobre minha existência. Quando eu era criança tinha muito medo de morrer – hoje não tenho tanto. Meu medo nem era de morrer, mas de não saber pra onde eu iria ou quem eu encontraria lá do outro lado. Eu nem sabia se havia um outro lado – e ainda não sei, mas espero que exista.

    No fundo eu acho que meu medo era de me afastar daqueles que eu amava e que estavam aqui. Eu não queria deixar meus amores aqui.

    Eu fui crescendo e esse meu pavor da morte foi se afastando de mim, me tornando um ser quase imortal. A morte já não me incomodava tanto. Apesar de toda hora morrer um ou outro assassinado aqui no bairro, ainda assim era algo distante de mim, até o dia que eu perdi uma pessoa que amo muito. Minha avó.

    A morte bateu aqui no portão e levou um bem precioso.

    Todos os meus fantasmas me assombraram novamente, mas dessa vez eles fizeram um upgrade e vieram mais potentes. Meu medo de morrer havia voltado, mas de uma forma diferente.

    Tantas coisas que eu queria ter dito pra minha avó e eu não disse, tive tantas oportunidades e não disse. Sempre achava que haveria uma nova oportunidade amanhã, até que um dia não houve amanhã.

    A partir daí eu comecei a valorizar mais as pessoas e os momentos, mas às vezes eu ainda me surpreendo como as responsabilidades do dia a dia me afastam daquilo que realmente importa.

    Nessa hora me faço a pergunta: O que eu faria se me restasse apenas um mês de vida?

    • Faço aquela música que está em Stand By à meses;
    • Ligo pra minha namorada, filha, mãe e digo o quanto as amo;
    • Faço aquela viagem que nunca dá;
    • Visito um amigo de infância.

    Outro dia eu estava no supermercado, contando as moedas para comprar somente o necessário, economizando de tudo o que é lado, quando me deparei com uma caixa de bombom e me deu vontade de levar para minha filha, minha mãe e minha namorada. Não tinha dinheiro, mas e daí?

    Talvez não houvesse outro dia.

    E você, o que faria se só te restasse um mês de vida?

  • 06 dicas de ouro para Produção de Eventos

    06 dicas de ouro para Produção de Eventos

    E aê galeraaaaa!!!
    Depois de produzir três eventos seguidos em menos de um mês, escrevi um passo a passo para facilitar a minha vida e vou compartilhar com vocês.

    Fiz três eventos diferentes, sendo assim essas dicas servem para quase todos os eventos.

    01) Definir a sua equipe: Sua equipe são todas as pessoas que vão trabalhar com você nesse projeto.
    Ex: O cara que vai cuidar do som, os apresentadores, o curador, a galera da produção, o mano do transporte, o designer, staff e por aí vai.

    02) Curadoria: É fundamental que alguém faça a curadoria, isto é, uma pessoa capacitada e influente deve escolher os artistas que se apresentarão no evento.
    Ex: Num show de rap, o curador deve escolher grupos que tenham características próximas ao tema do evento.

    03) Atividades do evento/Programação: Parece obvio, mas não é. Tem muita gente que quer fazer evento, mas não sabe que horas vai começar e nem que horas vai terminar. Chama uma multidão de artistas e o horário não comporta todo mundo, então é fundamental que tudo seja pensado com antecedência. Quanto tempo cada artista tem pra se apresentar, quais as entradas do DJ, se vai haver sorteio, intervenções, etc… Isso tudo deve estar sincronizado com a programação.

    04) Identidade visual: Depois de definir a data do evento, os grupos que irão se apresentar, e outros detalhes, chega a hora de um designer, ou você mesmo, criar a identidade visual do projeto. A partir daí fazer a arte-final do flyer, do cartaz, do banner, as redes sociais, das blusas, etc…

    05) Divulgação: A divulgação deve pensada em partes e a tarefa deve ser divida entre a equipe. Eu particularmente sempre penso em três partes básicas:

    1. Material Gráfico: O material gráfico deve ser distribuído com três semanas de antecedência. Os cartazes devem ser postos em locais com um fluxo grande de pessoas como centros culturais, escolas, padarias, pontos de ônibus, estações de trem, etc… Os flyers devem ser distribuídos em eventos com características parecidas com o que você está produzindo.
      Eu não costumo utilizar, mas dependendo do evento faixas e carro de som também são boas pedidas.
      Por isso, é importante que uma equipe de cerca de dez pessoas assuma essa missão.
    2. Internet: A divulgação na internet deve começar com a criação de um evento no facebook. Eu utilizo uma estratégia de convidar todos os meus amigos com a ferramenta “Facebook Friend Inviter” e depois pedir para que meus amigos façam o mesmo. Isso não garante que mais gente vá ao seu evento, mas garante que muita gente saiba dele e isso dá uma circulação do nome do evento na rede. O ideal é que o evento consiga 10K de convidados.
      Se você tiver uma grana, aconselho a promover seu evento: Gastar R$50 para divulgar nas cidades no entorno de onde o evento será realizado e para o público alvo que você deseja. Isso é o suficiente para que seu evento fique aparecendo somente para as pessoas que realmente tem interesse em participar.
      Outro ponto importante na internet é enviar os emails para seu “banco de fãs”, eu utilizo uma mensagem padrão, com uma foto ou flyer do evento e envio utilizando o sistema “Mail Chimp“.
    3. Assessoria de Imprensa: Você mesmo pode fazer a assessoria de imprensa, basta fazer um texto maneiro do seu evento. Para conseguir o contato dos jornalistas, compre todos os jornais possíveis de quinta-feira até domingo e pegue o email dos jornalistas que trabalham na parte de cultura.
      Envie email para eles (um para cada um, de forma personalizada) com o titulo: Sugestão de Pauta @ <<título do evento>>. Envie umas três boas fotografias, em alta. Boas fotografias são fotografias claras, com boa qualidade e que traga características do evento.
      Não descarte os site e blogs específicos.

    06) Produção: A produção é algo muito importante, pois requer que alguém assuma o passo a passo do evento e resolva todos os problemas. Esse cara é O PRODUTOR (ou A PRODUTORA). Esta pessoa define tudo o que vai acontecer, por isso prepara a programação com todos os passos do dia do evento, desde antes do evento começar, até o fim. Esta pessoa instrui todos os outros colaboradores.
    Uma ferramenta muito utilizada pelo produtor é o Check List, que não é nada mais do que um pedaço de papel com tudo o que vai ser utilizado no evento, todos os materiais, todas as atividades e tarefas. E a cada passo terminado ele risca o papel, informando que aquela tarefa foi concluída. Parece bobeira, mas por diversas vezes meus eventos travaram por causa de um adaptador RCA/P10, que custa R$1,00, mas ninguém tinha quando eu precisei.
    O produtor não descansa, ou melhor, só descansa quando tudo acaba.

    Galera, é isso!!!
    Qualquer dúvida ou sugestão, basta escrever nos comentários.

  • DMA entrevista Alessandro Buzo

    DMA entrevista Alessandro Buzo

    Já perdi as contas de quantas vezes entrevistei meu amigo e irmão Alessandro Buzo, mas tenho certeza que para manter o povo atualizado sobre as atividades que esse mano realiza pelo Brasil, eu teria que fazer uma entrevista com ele toda semana. Mas agora, atendendo a diversos pedidos, trago uma troca de ideia de alto nível para vocês curtirem um pouco do dia a dia do cara mais correria de São Paulo. Com vocês… ALESSANDRO BUZO.

    DMA: Você começou sua carreira como escritor, mas hoje também atua como repórter. O que mais te dá prazer?

    Alessandro Buzo: Ambas atividades são prazerosas, curto quando o povo me para na rua e diz que curte meu quadro no SPTV, da Rede Globo, é um sucesso aqui em São Paulo. Hoje exibimos o “último” quadro, que começou há 03 anos. Esse é o quadro de numero 147. Já pensou… mostrar a cena cultural na Globo por 147 vezes? Nas ruas percebo o quanto as pessoas se sentem representadas.
    Mas o prazer de alguém falar que leu um livro seu e curtiu, que foi importante pra ela, isso também não tem preço.

    20140919-01-buzoLi sobre isso no seu blog, que seu quadro semanal no SPTV vai sair do ar temporariamente. O que você sentiu quando recebeu a notícia?

    Esse ano é atípico, teve Copa do Mundo, agora eleições… isso prejudicou um pouco, mas acho que dar uma parada numa hora boa, por cima, sendo um sucesso… isso pode facilitar a volta em 2015.
    Se tiver uma mobilização do público, talvez voltamos “antes” de 2015. Hoje circulou muito a hashtag #FicaSPCultura.

    Recebi a notícia sem susto, andava me preparando psicologicamente pra isso, nada é eterno. Na verdade o meu sentimento é de “missão cumprida”, prefiro dizer que é um “até breve”, mas se não voltar, vou seguir minha vida, além de poder fazer o quadro em outra emissora, eu e a Produtora DGT Filmes temos um projeto de um programa de TV. O futuro a Deus pertence.

    A fama não me subiu pra cabeça, o fim do quadro não pode jamais me derrubar.

    Dentre seus projetos já realizados, vimos sua capacidade empreendedora com a livraria, a produção de dezenas de eventos de raps, saraus e filmes. Existe algo que você tem vontade de fazer, mas ainda não fez?
    Acho que não… meus sonhos são fazer outros livros, outros filmes e quem sabe, seguir na TV.
    Ou seja, meu objetivo é a continuidade do que já acontece.
    Um sonho é ter um “Programa de TV” voltado pra periferia, de 30 minutos ou 01 hora, talvez seja  impossível na Globo, mas tem outros veículos e emissoras. Vamos aproveitar esse período, sem contrato na Globo, pra apresentar.

    Quantos livros escritos até hoje?
    Esse novo… Favela Toma Conta 02 é o meu décimo primeiro como autor, além desses meus 11 livros, organizei outros 07, sendo 05 volumes do “Pelas Periferias do Brasil” e 02 volumes do “Poetas do Sarau Suburbano”, são um total de 18 livros em 14 anos.

    Qual foi o livro mais importante da tua carreira? Porque?
    Sem dúvida é “O TREM”, porque foi ele que me tirou da invisibilidade e me trouxe novas perspectivas de vida, antes de lançar O TREM, em 2000, eu era um cara comum da quebrada, que usou droga por mais de uma década, que largou o vício por amor a uma família. Casei em 1998 com a Marilda e tivemos o Evandro, nosso filho, em 2000, mesmo ano do livro.

    Mas cada livro é uma história, o “Guerreira” (Global Editora) é o meu “melhor” livro como escritor, é um romance chapa quente, espero que um dia vire um filme de um cineasta consagrado, com uma mina top de protagonista.

    Hip Hop – Dentro do Movimento (Aeroplano Editora) é importante, entrevistei ou peguei depoimento de 70 pessoas entre artistas e militantes do Hip Hop de todo Brasil, não só RIO x SP, muito além disso. Tem o “Favela Toma Conta”, também da Aeroplano, 2007, é a minha autobiografia. Agora lanço a segunda parte da história, de 2008 à 2014, quando passei 06 anos na TV, sendo que 03 no Manos e Minas, da TV Cultura e mais 03 na Rede Globo, todo sábado no Telejornal SPTV 1a edição, só na Globo foram 147 quadros exibidos.

    A parte boa da história merecia um novo livro. Vou lançar independente, pela Suburbano Convicto Edições em parceria com a Editora Edicon.

    20140919-03-buzoFale sobre seu novo livro. Favela Toma Conta 2 – A literatura e o hip hop transformaram minha vida.
    Como disse é a segunda parte da minha autobiografia, no primeiro livro de 2007 eu narrei o “antes” da cultura, os trens lotados, drogas, sub-empregos e como me envolvi com a cultura e ela melhorou minha vida em todos os sentidos.

    Agora narro a melhor parte da história, de 2008 à 2014, eu passei a viver só de cultura, paguei esse tempo todo minhas contas em dia, trouxe sustento pra minha casa através da cultura, mostro que os sonhos mais impossíveis podem virar realidade se você acreditar mais que todo mundo e trabalhar muito.

    Quem vai ler, vai descobrir que não fiquei rico, mas viver fazendo o que ama é transformar a vida. Mesmo trabalhando muito, sobra tempo pra tomar café todo dia com a minha família, pra ser marido, pai… valorizo muito minha família, somos muito juntos o tempo todo, sei lá, é assim e isso é bom. Me orgulho de ser um pai presente. Leia “Favela Toma Conta 02” e saiba que ainda é uma história em construção, mas com certeza é uma história de superação.

    Porque você diz que a literatura e o hip hop salvaram sua vida?
    Uso “transformou” a minha vida, porque não gosto da palavra “Salvou”, sou temente a Deus e acho que só ele pode salvar alguém, pra me salvar ele colocou três coisas no meu caminho, uma família, a literatura e o Hip Hop e isso “transformou”, logo “salvou” a minha vida.

    É uma estratégia ou uma coincidência lançar o livro e comemorar seu aniversário?
    É estratégia pra ganhar presente, mesmo que esse presente seja apenas a “presença” dos amigos… claro que cada um que comprar o livro vai me fazer feliz num dia que devo estar feliz por estar completando 42 anos de vida. Uma vida que nunca foi fácil, mas que trouxe grandes momentos, como o nascimento do meu filho, os livros que lancei, fazer um filme, dizer por 03 anos “É nóiz que tá” na Globo, marquei esse dia (25 de setembro de 2014), justamente pra comemorar com os amigos. Até porque no dia seguinte, 26 de setembro, eu e a Marilda Borges vamos completar 16 anos de casamento e vamos comemorar só nós dois.

    20140919-02-buzoQuais são seus próximos passos? Já tem livro novo em mente?
    Quero retomar o romance que parei de escrever pra fazer o Favela Toma Conta 2, esse romance vai se chamar “Todo Homem é Culpado do Bem Que Não Fez”.
    Essa reta final de 2014, quero me dedicar a finalizar uma casa que estou construindo no litoral norte e aproveitando a “folga” na TV, descansar e passar uns finais de semana livres, coisa que gravando toda hora pra TV era quase impossível, sempre tinha gravação, além de por 03 anos eu ter entrado “ao vivo” todo sábado na Globo, por 147 vezes.
    Com a incerteza do meu futuro na TV, pretendo me dedicar em 2015 a fazer filmes curta metragem e tentar viabilizar o filme longa “Profissão MC 02” que terá o Dexter de protagonista.
    Sigo até quando Deus permitir com a Livraria Suburbano Convicto, com o Sarau Suburbano e o Favela Toma Conta, evento que realizo desde 2004, no Dia das Crianças, na minha eterna quebrada Itaim Paulista.
    Uma coisa é certa, no máximo em 8 anos, quando completar 50 anos, quero morar no Litoral Norte de vez, só saio de lá pra fazer palestra, lançar livro e trabalhar. Cada vez em menor quantidade… não quero morrer trabalhando, sonho envelhecer com minha preta Marilda na praia, valorizando a qualidade de vida, porque São Paulo está frenética.
    Toda vez que paro no trânsito de São Paulo, penso em quando eu morar no litoral, vendo o sol nascer, os rios correrem e os pássaros cantarem. Talvez uma livraria por lá, quem sabe… o futuro a Deus pertence.

    Saiba mais
    Alessandro Buzo é escritor e cineasta
    www.buzo10.blogspot.com
    Twitter: @Alessandrobuzo
    Facebook: Fan Page Oficial: https://www.facebook.com/alessandro.buzo.35
    Palestras, contratantes e imprensa: (11) 98218-7512 (11) 2569-9151
    suburbanoconvicto@hotmail.com
    Link quadro SP CULTURA do SPTV 1a edição da Globo.
    http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/confira-reportagens-do-sptv-sobre-cultura-de-periferia.html

  • Que tipo de hip hop é o seu?

    Que tipo de hip hop é o seu?

    Conheci o hip hop ainda menino, com 14 anos de idade, naquela época as coisas eram bem diferentes dos dias atuais.

    Naquela época o que estava na moda o que eu chamo de “hip hop social”, onde os grupos de rap se uniam aos grafiteiros, que por sua vez se uniam aos BBoys que eram unidos com os DJs, juntos faziam festas nas comunidades, alegravam as crianças ao mesmo tempo em que criticavam o governo. Basicamente isso.

    Gravar disco era muito difícil. Todos se comunicavam por fanzines que circulavam pelo Brasil através de carta social que custava um centavo o envio.

    Naquela época grupo de rap não ia na televisão. Não podia [mas não sei o porque]. Todo mundo sabia quem era Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Malcolm X e Martin Luther King Jr.

    20140916-04-duduExistia uma “pseudotreta eterna” entre Rio de Janeiro e São Paulo, mas eu nunca senti isso, pois sempre fui – e sou – bem tratado na terra da garoa. Também existia uma “pseudotreta eterna” entre as várias regiões e zonas do Rio de Janeiro, mas eu circulava pra tudo que é lado e os caras sempre me trataram bem. Eu fazia show todo final de semana em São Gonçalo, Lapa, Maricá, Barra do Piraí, Resende […] e depois voltava para tocar na BF e os caras vinham pra cá também.

    Lembro de uma vez que toquei num evento do DMT, acho que há mais de dez anos atrás, na Via Light, e as atrações éramos eu e o Marechal.

    O hip hop passou por uma metamorfose nesses últimos 20 anos, não estou aqui para dizer se essa transformação foi boa ou ruim, só sei que surfei nessa onda e continuei fazendo meu som e realizando meus projetos da mesma maneira e com a mesma paixão do início.

    Confesso que achei que atualmente não existiam muitos apaixonados pelo “hip hop social”, mas depois do último sábado, tenho que tirar o chapéu para os meus manos que se despencaram de diversas partes do Rio de Janeiro para o Jardim Nova Era, em Nova Iguaçu, pra proporcionar um dia de entretenimento para os jovens da comunidade através de uma intervenção de hip hop.

    E também vejo um longo futuro neste tipo de hip hop por causa dos caras de uma geração mais nova, que estão cheios de gás, circulando, fazendo arte e produzindo muito, contribuindo para o crescimento da nossa cultura…

    … é uma “nova era”, mas ainda é como antigamente.

     

  • Ex-ministra da cultura Ana de Hollanda surta com escolha de Juca Ferreira para coordenar a campanha da Dilma no campo cultural

    Ex-ministra da cultura Ana de Hollanda surta com escolha de Juca Ferreira para coordenar a campanha da Dilma no campo cultural

    No dia 04 de setembro, por volta das 18 horas, a Ex-Ministra da Cultura Ana de Holanda postou no facebook uma nota – que pareceu total recalque – reclamando da escolha do também Ex-Ministro Juca Ferreira para coordenar a campanha da presidenta Dilma no campo cultural.

    Pra quem não lembra, Ana de Hollanda foi a ministra que anulou o programa Cultura Viva, dando a entender que, segundo a ótica da mesma, “cultura de base” não é cultura. Uma pergunta que todos os movimentos culturais do Brasil se fazem até hoje.

    Porque anular um programa cultura como o Cultura Viva, que teve tanto sucesso nos movimentos culturais populares, no mandato dos Ministros Gilberto Gil e do próprio Juca Ferreira?

    O próprio Movimento Enraizados, hoje é o que é grande parte por conta das ações do governo federal ligadas ao programa Cultura Viva, principalmente os Pontos de Cultura.

    Em seu texto, Ana de Hollanda tenta desmerecer a pessoa de Juca Ferreira, que tem muita proximidade e respeito pela cultura de base de todo o Brasil.

    Diversos militantes da cultura de base consideram um avanço a escolha do ex-ministro para essa missão, isso dá a esperança de uma continuidade de um programa cultural para todos e não só para elite burguesa do Brasil.

    Abaixo o texto de Ana de Hollanda na íntegra e o link (Deixem seus comentários)


     

    Caros amigos e seguidores facebuqueiros,
    Fui surpreendida hoje com uma notícia bastante preocupante para a Cultura e para a campanha de reeleição da Presidente Dilma. O ex-ministro da Cultura, anterior à minha gestão, Sr. Juca Ferreira, foi chamado para coordenar a campanha da candidata petista no campo cultural.
    A escolha em si poderia ser considerada natural, não fosse ele um político de personalidade polêmica, extremamente belicista que, fora cargos públicos que ocupou, tem pouca relação ou conhecimento da complexa realidade do mundo da cultura.

    Desde que meu nome foi anunciado como uma possível futura ministra, nos fins de 2010 (quando ele se empenhava na campanha do “fica Juca”), até o fim de minha gestão, ele trabalhou obsessivamente, apoiado por grupos de militantes de sua ligação, em uma campanha sórdida de difamação, calúnias sobre mim e inverdades sobre o trabalho desenvolvido no MinC.

    Esse grupo orquestrou, pela internet, tuitaços e blogaços de baixíssimo nível, assim como enviou representantes ao ministério com ameaças e chantagens. O ex-ministro, pessoalmente, e seu grupo chegou ao extremo de, na abertura do Festival de Cinema de Brasília em 2011, no escuro e fundo da sala, puxar vaias, enquanto o resto aplaudia.
    Por ser um governo de continuidade, evitei entrar em confronto direto, como ele provocava, assim como não divulguei todas as irregularidades como pontos de cultura a mais de um ano sem receber, convênios glosados pelo parecer da CGU, etc.

    Mas a pergunta que não quer calar é o que, no meio de uma campanha tão dividida, motiva o partido a chamar para coordenar uma pessoa controversa que mais afasta do que aglutina o meio cultural? Que divulga no Globo online que “relação com a classe artística azedou de vez na gestão de Ana de Hollanda no Ministério da Cultura”?

    Para finalizar, quero deixar claro que meu meio é o das artes, não tenho a menor ambição política e só aceitei o cargo temporário de Ministra da Cultura, feito diretamente pela Presidente Dilma, por ser um desafio numa área que conheço bem e tenho ótima interlocução.

    Leia aqui, diretamente no facebook


     

  • As máscaras do Brasil Racista estão caindo. É hora do RAP militante entrar em cena

    As máscaras do Brasil Racista estão caindo. É hora do RAP militante entrar em cena

    Tenho acompanhado – e não é de hoje – todas as manifestações racistas que têm acontecido no Brasil, e desta vez não estou falando do racismo velado contra o povo preto, aquele em que o empregador pede boa aparência para uma vaga de emprego pautado no padrão de beleza europeu, ou o(a) homem/mulher que diz não ser racista, mas relacionamento com preto(a), só se for como amigo(a), ou até mesmo em forma de piadas vexatórias.

    Estou falando das pessoas que deixam “claro” que não gostam de nós pretos, pelo simples fato de sermos PRETOS.

    Os últimos acontecimentos me causaram um mal estar porque foram veiculados na mídia convencional, mas – no meu ponto de vista – estão cada vez mais tomando um viés natural.

    O Brasil está naturalizando o racismo.

    Os casos abaixo ficaram em evidência essa semana:

    1. Casal inter-racial foi humilhado na rede social simplesmente por serem de etnias diferentes, foram mais de 1000 mensagens racistas que o casal de adolescentes recebeu. Ninguém foi punido.
    2. Goleiro Aranha foi agredido com palavras racistas durante o jogo entre Santos e Grêmio. Esse foi o caso mais comentado na TV e nas redes sociais. Ninguém foi punido.
    3. Deputada e sambista Leci Brandão, que foi agredida com palavras racista nas redes sociais. Ninguém foi punido.

    Se é que posso dizer que algo me deixou feliz nisso tudo, foi ouvir o goleiro Aranha dizer que ele aprendeu a exigir os seus direitos e a se respeitar, ouvindo rap.

    Isso mostra o verdadeiro valor que o rap tem, o rap que não vai pra TV, mas que literalmente salva vidas e forma o cidadão preto para encarar o mundo racista.

    É… as máscaras do Brasil Racista estão caindo.

  • Quase perdi a mulher por causa de uma maminha

    Quase perdi a mulher por causa de uma maminha

    Olá leitores e leitoras da minha coluna semanal. Apesar de o título ter um certo duplo sentido, vou direto ao assunto: – Quem nunca sofreu por falta de profissionalismo alheio?

    Dizem por aí que existe mal profissional em todas as áreas. Desde o mecânico de fundo de quintal até o astronauta da Nasa. Desde o pedreiro pé de chinelo até os engenheiros civis.

    Eu fui vítima de um mal profissional hoje, dia 18 de agosto de 2014.

    Quem é casado ou tem um relacionamento estável sabe o quanto é complicado quando nossas digníssimas esposas – ou namoradas – nos mandam ir à rua comprar algo, por mais simples que seja a gente sempre compra errado, o que dá início a uma discussão sem fim. Mesmo que você se esforce, você vai comprar errado. Se você compra um sabonete, pode acertar a marca, mas erra o cheirinho e por aí vai.

    A solução é encontrar um local com profissionais em quem você confia. Daí chega no local, pede o que quer, o profissional faz o trabalho e você leva a mercadoria pra casa.

    Foi assim durante cinco anos nas Casas Prendas, em Morro Agudo.

    Eu deixava de ir aos Hipermercados mais chiques para comprar ali, no mercadinho próximo de casa, porque ali haviam profissionais que me auxiliaram durante esses cinco longos anos.

    Porém hoje, quando minha digníssima pediu pra eu comprar 01 kg de alcatra para nós almoçarmos, fui vítima do mais cruel dos profissionais, “o açougueiro”.

    Como de costume, entrei no mercado e fui direto ao açougue, mas havia um senhor que eu nunca tinha visto. Um senhor de baixa estatura e com aparência ranzinza. Pedi um quilo de alcatra e ele prontamente passou a faca em uma carne que já estava em cima do balcão, lascando bifes e mais bifes e jogando em um saco plástico.

    Eu, como não sou conhecedor de carne, só observava o mau humor daquele homem, até quando ele foi pesar a carne e deu 1,5 kg. Como eu só tinha dinheiro para comprar 01 kg, pedi “educadamente” para ele me vender um quilo, pois eu não tinha dinheiro o suficiente para pagar 1,5 kg.

    Parecia que eu havia xingado a mãe dele. Ele metia a mão no saco plástico e puxava as carnes e jogava no balcão novamente, até que o peso ficou em 800 gramas. Ele apertou os botões da balança até sair a notinha adesiva, colou no saco plástico, olhou no fundo dos meus olhos e perguntou: – Tá bom 800 gramas?

    Eu, em resposta ao mau humor do profissional, lancei um sorriso e disse: – Apesar de eu ter pedido 01kg, vou levar esses 800 gramas.

    Peguei minha carne, passei no sacolão para comprar uns legumes e verduras e depois parti para casa, ciente que tinha feito um bom trabalho.

    Porém, para meu espanto, assim que eu cheguei em casa e abri o saco da carne, minha digníssima ao bater os olhos na carne, fez aquela cara, como quem diz: – Você fez merda novamente.

    Eu, que já conheço a feição, perguntei se aquela carne não era alcatra. Ela disse que não. Inclusive disse que aquela era a maminha da alcatra, que para churrasco ela até serve, porém para frigideira a carne fica um pouco dura. Cirurgicamente me explicou a diferença entre a Alcatra e a Maminha da Alcatra, fazendo movimentos no ar com as mãos.

    Ela olhou nos meus olhos e eu entendi o recado. Deveria voltar ao mercado para tirar uma satisfação com o açougueiro. Sim, aquele profissional mau humorado.

    Peguei o carro e fui ao mercadinho. Parei o carro na calçada para que todos no mercado vissem eu chegando. Fui direto ao gerente e disse: – Sr, por favor me responda que carne é essa?

    Gerente: – Infelizmente eu não sou conhecedor de carne.

    Eu: Pelo jeito, nem o seu açougueiro.

    Gerente: – Vamos até o açougue para resolvermos isso. O açougueiro pode ter se enganado. Errar é humano.

    Fomos eu e o gerente até o açougue. Antes de chegarmos, o açougueiro já havia nos avistado. Viu o saco de carne nas mãos do gerente e conseguiu fazer uma cara mais feia do que a de costume. Eu, por minha vez, já não estava tão sociável como antes. O embate era inevitável.

    O diálogo triangular que se deu a partir daí foi:

    Gerente: – Que carne é essa?

    Açougueiro: – Alcatra.

    Eu: – Realmente o seu açougueiro não conhece carne.

    Açougueiro: – Sr, você é o cliente, mas eu sou o profissional.

    Eu: – Então quem tem razão?

    Gerente: – Calma gente.

    Eu: – Se você é profissional mesmo, então me diz que carne é essa?

    Açougueiro: – Maminha da Alcatra.

    Eu: – Ahhhhhhhhhhhhhhh!!! E o que eu te pedi?

    Açougueiro: – Alcatra. Mas a maminha vem junto, por isso a gente sempre serve esta parte primeiro. O que o senhor quer que eu faça com a maminha?

    Eu: – Eu não acredito que o Sr está me fazendo essa pergunta no meio de uma discussão. Mas se o Sr insistir eu vou lhe dizer onde o Sr poderá enfiar a maminha.

    Gerente: – Calma gente.

    Eu: – Vocês acabam de perder um cliente fiel à cinco anos, simplesmente por querer me enfiar uma maminha goela abaixo.

    Gerente lança um olhar para o açougueiro, que faz cara de… sei lá o que.

    Eu continuo: – Se eu pedi Alcatra, me venda Alcatra e me cobre Alcatra. Se sobrar a Maminha de Alcatra, venda Maminha e cobre pela Maminha.

    Gerente: – Atenda esse senhor, sirva-lhe Alcatra.

    Açougueiro: (Resmungou coisas sem sentido, ou com sentido, mas eu não ouvi).

    Açougueiro 02: – Deixa eu que sirvo cliente.

    Eu: – Vocês quase acabaram com o meu relacionamento. Espero que me sirvam uma carne de qualidade dessa vez, para eu poder me desculpar com minha digníssima.

    Levei pra casa 01 kg, redondo, da mais bela Alcatra que havia nas Casas Prendas. Fiz o meu papel de “macho” e resolvi o problema. Cheguei em casa e ouvi minha digníssima me elogiar, dizendo que enfim eu havia feito um bom trabalho.


     

    CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

    INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

  • Secret: Novo app para fofoqueiros(as) está causando na internet

    Secret: Novo app para fofoqueiros(as) está causando na internet

    Apesar de eu ser um cara super antenado nas novas tecnologias, fiquei me sentindo mal quando ouvir falar, apenas ontem, dia 10 de agosto, do mais novo fenômeno da internet: o APP Secret.

    Me senti mal porque o aplicativo foi lançado no Brasil em maio e até então eu nunca tinha ouvido falar nele. Mas se você leitor também nunca ouviu falar, isso me conforta e faz a minha coluna de hoje ter um pouco de sentido.

    O Secret é um aplicativo gratuito para smartphones que traz como proposta que você “compartilhe com seus amigos, secretamente”, resumindo, permite que você faça fofoca sem ser identificado(a).

    Confesso que já tenho meu perfil lá. Baixei ontem assim que ouvi um burburinho a respeito.

    Instalei na máquina e comecei a ler as postagens.

    Eram algumas coisas sem sentido, postei coisas sem sentido também, até que aprendi a ver as coisas que meus “amigos” virtuais mais próximos estavam postando. Aí é que o bicho pegou e eu entendi a gravidade desse APP. Tinha gente dizendo que “comeria” fulana de tal se ela desse mole, mas tinha gente que diz já ter comido e contando detalhes, mas o pior é que a galera postava a foto da mina, que por sua vez não tinha como identificar quem havia postado, afinal essa é a finalidade do aplicativo, garantir o anonimato.

    Depois li coisas a respeito de pessoas ainda mais próximas, amigos de trampo, indiretas que eu imaginava quem havia escrito, até que li coisas a respeito do Movimento Enraizados, porém nada muito sério, mas o nosso nome já está circulando por lá.

    A partir daí comecei a ler artigos sobre o APP para poder me situar melhor e li no site da revista Capricho (não vale zoar, é pesquisa) que o aplicativo não é tão seguro assim como todos pensam.

    secret-app-whisper-social-network“Primeiro, porque você não está 100% protegido pelo anonimato. Em segundo lugar, de acordo com os termos de uso (que quase ninguém lê), o usuário é completamente responsável pelo que posta, sendo que a empresa Secret Inc. detém todos os seus dados e, caso alguém te denuncie por se sentir ofendido com a postagem, promete revelar rapidinho seu anonimato para Justiça. É preciso ficar ligado, principalmente porque alguns segredos podem acabar facilmente entregando a sua identidade.”

    Tem gente destilando o seu veneno sem dó, se garantindo no tal anonimato. Tem gente brincando. Contudo tem uma galera pegando pesaaaaaaado, como foi o caso que trouxe como vítima o consultor de marketing Bruno Machado, de 25 anos, que descobriu que havia sido alvo de três dessas publicações, que traziam fotos dele nu, dizendo que ele era portador do vírus HIV e participava de orgias com seus amigos.

    Seus advogados entraram com um ação civil na Justiça para bloquear o app no Brasil por acreditarem que ele viola a Constituição Federal, o Código de Defesa do Consumidor e o Marco Civil da Internet.

    Então galera muito cuidado porque o que parece brincadeira hoje, pode causar muita dor em outras pessoas, e quem é o caçador, pode virar a caça.