Autor: Nala Zuri

  • Estilo Baden Powell [Átomo Pseudopoeta]

    Estilo Baden Powell [Átomo Pseudopoeta]

    Seu nome é Aymé,
    Pensei que era Perfeição.
    (Jah), O exímio luthier,
    A fez todinha a mão.
    Talhada em ébano, ypê,
    Sem plaina e formão.
    Brilha bem mais que paetê,
    Irradiante tal verão
    À flor mais linda do buquê,
    Cantares de Salomão.
    Nada de prancha ou henê,
    Seu crespo salvo e são…
    Amo a trança, o tererê,
    Quanto garbo é do Gabão.
    Um tremendo fuzuê,
    Faz no meu pobre coração.
    AhNaquela do Katinguelê,
    Bem na hora do refrão.
    Haile Selassie,
    Me concedeu essa benção.

    Totalmente à sua mercê,
    Não sei como se diz: “não!”.
    Manja dos paranauê,
    É cachaça com limão.
    Tirei-lhe a saia e o bustiê,
    Toquei seu corpo violão.
    Umedecida de dendê,
    Dedilhei com inspiração.
    Chacoalha feito xequerê,
    Seus quadris vêm e vão…
    Suas partituras eu sei ler,
    Seu gemido uma canção.
    Alto voou como um tiê,
    Tirei seus pés do chão
    Eu sei bem do metiê,
    Essa é a minha profissão.

  • Instituto Enraizados é homenageado na ALERJ com o Prêmio Heloneida Studart

    Instituto Enraizados é homenageado na ALERJ com o Prêmio Heloneida Studart

    Na última semana, o Instituto Enraizados foi agraciado com o Prêmio Heloneida Studart, uma das maiores honrarias da cultura fluminense, entregue em uma sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Dudu de Morro Agudo, fundador e diretor do Instituto, Fernanda Rocha, diretora da instituição e Antônio Feitosa representaram o Enraizados ao lado de outros artistas e fazedores de cultura de todo o estado, destacando-se entre os 100 homenageados pela contribuição significativa à cultura brasileira.

    Assista ao videoclipe "Reflexões que ainda me tiram o sono", de Dudu de Morro Agudo

     

    A cerimônia contou com a presença de diversas figuras ilustres da política e da cultura. Na mesa, estavam o deputado estadual Carlos Minc, a secretária estadual de Cultura, Daniella Barros, a presidente da FUNARTE, Maria Marighella, Renato Rangel, representando o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, além do presidente do Conselho Estadual de Políticas Culturais, Tales Gomes, e das deputadas Dani Balbi e Verônica Lima, que atuou como mestre de cerimônias.

    Carlos Minc abriu sua fala saudando “a resistência cultural do povo brasileiro” e ressaltou a importância da Lei do Fundo Estadual de Cultura, sancionada e implementada durante a gestão de Daniella Barros. Em uma fala marcada pela emoção, Minc recordou sua colaboração com Heloneida Studart, ex-deputada e inspiradora do prêmio. Em seu encerramento, exclamou: “Viva Marighella” e “Viva Heloneida Studart”, sendo aplaudido pelo público presente.

    A presidente da FUNARTE, Maria Marighella, destacou em sua fala a história de seu avô, Carlos Marighella, recordando que ele também foi deputado na ALERJ e um símbolo da resistência. Já a secretária Daniella Barros, última a falar, trouxe uma saudação especial aos fazedores de cultura, relatando a realização da maior conferência de cultura do país e refletindo sobre a importância concreta e subjetiva das manifestações culturais. Ela relembrou a influência de sua avó, que lhe ensinou que “a gratidão é um obrigado do coração.”

    Entre os convidados, Dudu de Morro Agudo encontrou antigos parceiros e poetas de Nova Iguaçu, como Eliane Gonçalves, Luiz Coelho Medina e Rafael Ruvenal. Totó, poeta e integrante do Instituto Enraizados, teve a honra de receber o diploma em nome do Enraizados, representando todos os que contribuíram para a trajetória da instituição ao longo dos anos.

    A fala de um dos homenageados em nome dos artistas presentes sintetizou o espírito da cerimônia. Ele destacou a resistência dos negros brasileiros, lembrando que, para homens e mulheres pretos, os períodos sombrios se estendem há 524 anos. Em um discurso que arrancou aplausos e manifestos de apoio, ele reforçou a importância de ocupar a ALERJ com representatividade negra, desejando que, no próximo ano, a pintura ao centro do plenário, exibindo 40 homens brancos não esteja mais ali, refletindo assim a diversidade do povo fluminense.

    Às 19h45, iniciou-se a entrega dos diplomas, marcando um momento de reconhecimento e celebração das lutas e realizações dos homenageados. Essa homenagem reafirma o compromisso do Instituto Enraizados com a valorização da cultura periférica e o impacto social que as ações culturais exercem na Baixada Fluminense e em todo o estado.

  • Instituto Enraizados: 25 anos de arte, cultura e transformação na Baixada Fluminense

    Instituto Enraizados: 25 anos de arte, cultura e transformação na Baixada Fluminense

    O Instituto Enraizados, situado em Morro Agudo, Nova Iguaçu, destaca-se há 25 anos como um importante pilar cultural e social na Baixada Fluminense, promovendo o acesso à arte e fortalecendo a identidade de jovens e moradores da região. Com uma diversidade de projetos, o Instituto resgata e preserva as expressões culturais locais, além de construir pontes para intercâmbios culturais com outras regiões e países. Sua sede, o Quilombo Enraizados, tornou-se um ponto de encontro para pessoas que compartilham interesses, tradições e experiências, promovendo a visibilidade de práticas e tradições culturais muitas vezes marginalizadas.

    Entre as atividades oferecidas estão uma biblioteca, eventos literários, oficinas de música, produções audiovisuais, projetos de economia solidária e criativa, educação através do RapLab e do Curso Popular Enraizados, iniciativas ambientais como o Trilha Sonora, exposições de artes visuais e projetos de preservação do patrimônio cultural da Baixada Fluminense. Além disso, o Instituto promove ações como o Acorde Filosófico, o Sarau Poetas Compulsivos e o Poesia, Rap e Samba, valorizando a música popular, a literatura e a culinária brasileira em uma rica fusão de linguagens culturais.

    O Instituto Enraizados utiliza estratégias diversas para incentivar a criação e produção artística e cultural, que vão desde oficinas e residências artísticas até festivais, painéis de discussão e parcerias com instituições locais e internacionais, como o CIEP 216, a Universidade Federal Fluminense e a Duke University. A organização também adota a economia solidária, comercializando produtos e oferecendo serviços que vão desde vestuário e produções audiovisuais até eventos culturais.

    Guiado pela diversidade cultural e pelo compromisso com a inclusão, o Instituto Enraizados promove ações gratuitas para democratizar o acesso à cultura e fomentar a preservação da memória e do patrimônio local. Em seu percurso, estabeleceu uma ampla rede de colaboração nacional e internacional, promovendo a interação com coletivos e instituições que apoiam o desenvolvimento educacional, cultural e social na Baixada Fluminense.

    O Instituto Enraizados é um exemplo de como a cultura e a arte podem transformar realidades e fortalecer comunidades. Com 25 anos de história, a organização consolidou-se como referência cultural na Baixada Fluminense, valorizando a identidade local e ampliando seu impacto através de parcerias estratégicas. Ao oferecer atividades inclusivas, gratuitas e culturalmente diversas, o Enraizados reafirma seu compromisso com a inclusão, o fortalecimento do patrimônio cultural e o desenvolvimento social, fortalecendo o sentido de pertencimento e inspirando novas gerações.

  • Lançamentos audiovisuais celebram a resistência da cultura hip hop na Baixada Fluminense

    Lançamentos audiovisuais celebram a resistência da cultura hip hop na Baixada Fluminense

    No próximo dia 26 de outubro, a partir das 18h, o Quilombo Enraizados será palco de dois lançamentos que celebram a trajetória e a resistência da cultura hip hop na Baixada Fluminense. O evento contará com a exibição do aguardado documentário “Mães do Hip Hop – 15 Anos Depois” e do videoclipe “Reflexões que ainda me tiram o sono”, de Dudu de Morro Agudo.

    Documentário “Mães do Hip Hop – 15 Anos Depois”

    O documentário “Mães do Hip Hop – 15 Anos Depois” é uma continuação de um projeto iniciado em 2010, dirigido por Dudu de Morro Agudo e Janaina Refem, que retratava a rotina de jovens envolvidos com o hip hop e a percepção de suas mães sobre a importância dessa cultura na educação de seus filhos. Agora, 15 anos depois, o filme revisita esses artistas e suas mães, abordando as transformações que ocorreram em suas vidas pessoais e na evolução da prática do hip hop no cenário da Baixada. O documentário, que tem direção de Átomo Pseudopoeta, revela não apenas as conquistas e desafios enfrentados, mas também o impacto duradouro do hip hop na formação da identidade desses jovens.

    Videoclipe “Reflexões que ainda me tiram o sono”

    Por sua vez, o videoclipe “Reflexões que ainda me tiram o sono”, de Dudu de Morro Agudo, apresenta uma mensagem poderosa sobre as microviolências diárias enfrentadas por pessoas negras no Brasil. A composição foi criada como parte da disciplina Psicologia da Arte, ministrada por Zoia Prestes durante seu doutorado em Educação na UFF, e foi apresentada em uma conferência sobre Vygotsky em Moscou, no final do ano passado. Dudu utiliza os princípios de Vygotsky para produzir uma obra de arte que se conecte às vivências de pessoas pretas, reforçando a importância do aquilombamento como forma de resistência e autocuidado coletivo.

    Um Marco para a Cultura Hip Hop

    O evento promete ser um marco para a cultura hip hop da região, proporcionando reflexões profundas sobre racismo, resistência e a relevância da cultura como ferramenta de transformação social. Além das exibições, a programação contará com um pocket show de Dudu de Morro Agudo, intervenções poéticas de Duduzinho e discotecagem de DJ Imperatriz, entre outras atividades culturais.

    SAIBA MAIS:

    • Onde: Quilombo Enraizados – Rua Presidente Kennedy, 41, Morro Agudo, Nova Iguaçu, RJ
    • Quando: 26 de outubro de 2024
    • Horário:
      • Lançamento do Documentário “Mães do Hip Hop” – 18h
      • Lançamento do Videoclipe “Reflexões que ainda me tiram o sono” – 20h

    Confirme sua presença no Sympla, é gratuito!
    https://www.sympla.com.br/evento/convite-especial-lancamentos-no-quilombo-enraizados/2694926

    Inscreva-se no nosso canal do Youtube:
    http://www.youtube.com/hullebrasil

  • Reflexões que ainda me tiram o sono [Dudu de Morro Agudo]

    Reflexões que ainda me tiram o sono [Dudu de Morro Agudo]

    Toda vez que eu deito a mente voa
    Sempre na hora de dormir que os pensamentos vêm
    Nem sempre eu tô pensando em coisa boa
    Às vezes eu só quero é querer bem

    Tô no rap, mas eu podia estar no canto
    Assobiando ou quem sabe encantando alguém
    Alguém que passa a vida inteira pelos cantos
    Achando que não pode contar com ninguém

    Só. Somente às vezes eu me basto,
    Me acho em todos os incômodos de mim
    Às vezes paro, pois só assim não gasto
    Essas frases que há tempos vão afastando do fim

    Eu fabrico lágrimas, saliva e suor,
    Pois páginas molhadas não apagaram a nossa história
    E acredito que o que há de melhor
    ainda está no ponto escuro dessa nossa trajetória

    Eu sei que o estigma machuca
    Assombra os nossos sonhos e interferem em nossas lutas
    Mas também sei, não importa o que façam
    O meu caminho é vasto, olhares não me ameaçam

    A caixa do presente está surrada
    Na sociedade da imagem eu já não valho nada
    A nota zero na planilha do avaliador
    Me fez entender qual era a próxima jogada

    Inacessível eu fico superficial
    Super constrangido dentro desse elevador
    Sou previsível com minha marca social
    Onde a pele grita mais que meu diploma de doutor

    A referência não se apaga como a vela finda
    Pequenos pontos pretos já orbitam o meu mundo
    Esperançar é promessa de coisa linda
    Me arrastando pro futuro e movendo cada segundo

    Como a dor de uma partida e a certeza de um profeta
    Nossa mente se enche como uma mão calejada da lida
    Se o tempo passa e essa ferida não fecha
    É sinal que a nossa luta ainda não foi vencida

    Eu sei que o estigma machuca
    Assombra os nossos sonhos e interferem em nossas lutas
    Mas também sei, não importa o que façam
    O meu caminho é vasto, olhares não me ameaçam

    SAIBA MAIS:

    http://www.linktr.ee/reflexoes.enraizados

     

  • O Dever Me Chama: Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove transformam o Quilombo Enraizados em palco de resistência

    O Dever Me Chama: Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove transformam o Quilombo Enraizados em palco de resistência

    No coração da Baixada Fluminense, o Quilombo Enraizados se tornou palco de um dos eventos culturais mais marcantes deste ano: o show “O dever me chama”, liderado pelo rapper Dudu de Morro Agudo e a banda Marginal Groove. Esse espetáculo, que mesclou música, cultura periférica e resistência, não apenas movimentou a cena artística local, mas também deixou um legado significativo para a valorização da identidade cultural da região.

    O Quilombo Enraizados, conhecido por ser um espaço de resistência e afeto na Baixada Fluminense, foi escolhido estrategicamente como o local para sediar o evento. “Nunca pensamos em outro lugar para realizar esse projeto”, afirma Dudu. O Quilombo é um espaço simbólico que reúne diversidade e oferece um terreno fértil para a expressão artística e intelectual dos jovens da periferia.

    Dudu de Morro Agudo

    Baltar

    Como em qualquer produção cultural de grande porte, “O dever me chama” não foi exceção quando se trata de enfrentar desafios técnicos e logísticos. A equipe trabalhou arduamente para garantir que o evento acontecesse conforme planejado, mesmo com recursos limitados. Um dos principais desafios foi o horário apertado devido a outra atividade no local, além de imprevistos técnicos com iluminação e som. Apesar disso, a superação desses obstáculos demonstrou o comprometimento e o profissionalismo da equipe.

    A recepção do público durante o evento foi extremamente positiva. “A reação do público foi a melhor possível”, comentou Dudu de Morro Agudo. Mesmo aqueles que não conheciam as músicas da banda se envolveram ativamente com os artistas. As músicas inéditas “Reflexões que Ainda me Tiram o Sono” e “Quanto Vale”, ambas escritas por Dudu, e “Precisamos consertar a quebrada“, escrita por Gustavo Baltar, foram recebidas de forma especial, tocando o público tanto emocional quanto intelectualmente.

    Ghille

    Dorgo DJ

    Sylp

    O evento também cumpriu um papel essencial no fortalecimento das redes culturais da Baixada Fluminense. “Um show com essa qualidade técnica foi importante para fortalecer as redes culturais e valorizar a nossa identidade enquanto artistas periféricos”, destaca Dudu. A apresentação não foi apenas um show, mas uma reafirmação dos valores e expressões culturais periféricas. O evento exaltou a estética e a linguagem típica da juventude da Baixada, reforçando sua importância na cultura brasileira contemporânea.

    O sucesso de “O dever me chama” abriu caminho para novos horizontes. Dudu e sua equipe já estão planejando a produção de novas músicas e videoclipes, levando a proposta para outros espaços e fortalecendo ainda mais a mensagem. O impacto positivo do evento também gerou novas oportunidades, como o convite para uma apresentação na edição especial de aniversário da Batalha de Morreba, evento emblemático da cultura hip hop local.

    Dom Ramon

    Spycker

    Rob Rocha

    “O dever me chama” foi um marco não apenas para Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove, mas para toda a cena cultural da Baixada Fluminense. O evento provou que, mesmo diante de desafios técnicos e financeiros, a força da colaboração e da criatividade periférica pode produzir experiências culturais transformadoras. O Quilombo Enraizados, como sempre, se reafirma como um espaço vital para a cultura e a arte da região, e os passos futuros da equipe de Dudu prometem continuar essa trajetória de resistência e inovação.

    Produção do Evento
    Produtor Executivo – Hulle Brasil
    Produtor Geral – Dudu de Morro Agudo
    Assistente de Produção – Samuel Azevedo e Dorgo DJ
    Coordenador de Palco – Wladimir Mad

    Equipe Artística e Musical
    Diretor Artístico – Ghille

    Banda/Músicos
    Dudu de Morro Agudo – voz
    Baltar – voz
    Rogério Sylp – voz
    Ghille – guitarra
    Spycker – guitarra
    Dom Ramon – baixo
    Rob Rocha – bateria
    Dorgo – DJ

    Técnicos de Áudio e Vídeo
    Diretor de Vídeo – Higor Cabral
    Operador de Câmera – Higor Cabral, Josy Antunes, Samuel Azevedo e João Ferreira

    Iluminador – André Felipe & Rob Rocha
    Técnico de Som (PA) – André Felipe
    Engenheiro de Som – André Felipe
    Técnico de Gravação – André Felipe
    Editor de Vídeo e Colorista – Josy Antunes

    Equipe de Cenografia e Iluminação
    Cenógrafo – Dudu de Morro Agudo
    Técnico de Cenário – Samuel Azevedo
    Operador de Luz – André Felipe

    Patrocínio e Marketing
    Patrocinadores – Governo Federal, Ministério da Cultura, Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
    Parceiros e apoiadores – Instituto Enraizados, FENIG, Prefeitura de Nova Iguaçu, Secretaria de Cultural de Nova Iguaçu

    SAIBA MAIS

    Para conhecer mais sobre o trabalho de Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove e acompanhar os próximos passos da banda, acesse as redes sociais dos artistas. Fique por dentro das novidades, eventos futuros e da rica produção cultural da Baixada Fluminense.

  • Chico Batera e a rapper carioca Lisa Castro conectam Madureira, Cuba e Estados Unidos em nova música “Atrevida”

    Chico Batera e a rapper carioca Lisa Castro conectam Madureira, Cuba e Estados Unidos em nova música “Atrevida”

    Chico Batera, renomado baterista de Chico Buarque e favorito de grandes nomes como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Quincy Jones e Cat Stevens, se sente renovado ao lançar sua nova música, “Atrevida”, em parceria com a rapper carioca Lisa Castro. “Essa postura de ‘eu já vi de tudo’ é horrível!”, diz o artista.

    Aos 81 anos, Chico Batera, um dos músicos brasileiros mais respeitados internacionalmente, une em “Atrevida” a harmonia da música cubana, a batucada do samba e a poesia do rap. Inspirada na canção “Eu quero essa mulher assim mesmo”, de Monsueto, a música é uma ode à mulher, com uma visão contemporânea e politizada. “Minha vontade de fazer algo novo era tão grande que essa oportunidade com o rap não apareceu por acaso. A arte nunca chega de graça”, reflete o músico, que lançou em 2023 o livro Chico Batera: Memórias de um músico brasileiro e o show “Chico Batera – 80 anos”.

    Chico destaca o namoro do samba com a música negra norte-americana, que começou com artistas como Tim Maia, Cassiano e Banda Black Rio, e seguiu com nomes contemporâneos como Marcelo D2, Seu Jorge e Emicida. Em “Atrevida”, essas influências se encontram e atravessam a América Latina rumo aos Estados Unidos. “Todo baterista gosta de música cubana. A cegonha quando me trouxe passou de raspão por Havana e foi parar em Madureira, que até parece Cuba”, brinca Chico, que tem uma longa afinidade com a música cubana.

    Chico Batera

    Durante sua estadia em Los Angeles, Chico conviveu com muitos músicos latinos e percebeu as semelhanças culturais entre o Brasil e Cuba. “Não tem povo mais parecido com o brasileiro do que o cubano. A etnia é a mesma: África, Península Ibérica, Portugal, indígenas. O brasileiro demora a se conscientizar que é latino”, acredita o baterista. Essa conexão entre as Américas, África e Europa também está presente na arte da capa do single, assinada pelo artista gráfico Gustavo Deslandes.

    O encontro com a poetisa, MC e slammer da Baixada Fluminense Lisa Castro aconteceu por meio do produtor artístico Geraldinho Magalhães, do selo Diversão e Arte, que lança o novo trabalho em parceria com a Virgin Music Group. Ao conhecer Lisa, a admiração mútua foi imediata, e a rapper escreveu os versos que celebram a presença e potência feminina. “Considero ‘atrevida’ um adjetivo de qualidade. Para mulheres pretas da Baixada Fluminense, como eu, ser atrevida, insolente, petulante é muito bom”, afirma Lisa, que se inspira em artistas como Nina Simone, Lauryn Hill, Conceição Evaristo, Elis Regina e Carolina Maria de Jesus.

    Lisa Castro

    Chico Batera ficou encantado com a colaboração com Lisa Castro. “Ela é uma mulher representativa, bem resolvida. Era o recado que eu queria dar. Nos EUA, o rap é mais politizado, de protesto. No Brasil, o funk, que se popularizou nas periferias, acabou indo para o lado da banalização, da pornografia. Não tenho nada contra bunda, mas acho que a mulher pode ser muito mais dona de si quando seu atrevimento é pessoal e social, para além do rebolado”, reflete o baterista.

    Lisa, por sua vez, agradece pela oportunidade que a tirou de sua zona de conforto. “Me senti honrada com o convite. É a primeira vez que participo em um estilo musical diferente do meu, ainda mais com um ícone como ele. Fiquei muito feliz”, diz a artista, que já lançou os álbuns O Sorriso da Manalisa e Em Negrito, e prepara seu próximo EP para este ano, enquanto cursa Pedagogia.

    A ousadia de Chico Batera também se manifesta em sua nova parceria musical com o ritmista, percussionista e co-produtor musical da faixa, Felipe Tauil. A gravação de “Atrevida” contou com outros talentos da MPB contemporânea, como Mariana Braga (cavaquinho e vocal), os metais de Dudu Oliveira (flauta), Wanderson (trombone) e Wharson Cardoso (sax barítono), além da presença marcante de Arthur Maia no baixo, em sua última gravação antes de falecer.

    Chico Batera foi responsável pelo arranjo, vibrafone, vocal e percussão da canção. “A linha de sopro veio das minhas memórias musicais dos bailes com músicos cubanos. São lindas”, relembra. A mixagem e masterização de “Atrevida” ficaram a cargo do engenheiro de som e produtor Rodrigo Campello.

    Sempre atento ao que acontece ao seu redor, Chico Batera segue desafiando a si mesmo. “Essa postura de ‘eu já vi de tudo’ é horrível! Sempre está acontecendo muita coisa”, filosofa. E, pelo visto, ele ainda tem muitas viradas surpreendentes para fazer. “Pra mim, a hora é agora. Se eu não fizer hoje, vou fazer quando?”.

    ATREVIDA
    (Chico Batera e Lisa Castro)

    Atrevia, Atrevida, Atrevida
    Eu quero essa mulher pra mim…

    Mulher da vida, da lida
    Independência define
    Ré confessa atrevida
    Liberdade é meu crime
    Sou do tempo
    Jovelina, Elis Regina
    Muito além de seu tempo
    Com pitadas de Clementina
    O sal que dá gosto
    O tempo que faltava
    O lado oposto do errado
    Aquela que não trava
    Fora da média, fora da curva
    Vinho boa safra, feito da melhor uva
    Então degusta a vulva!

    MAIS INFORMAÇÕES:

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  • T-Remotto lança novo single “Click, Clack, Boom” e se prepara para o EP “Post Chaos”

    T-Remotto lança novo single “Click, Clack, Boom” e se prepara para o EP “Post Chaos”

    A banda iguaçuana T-Remotto acaba de lançar seu novo single, intitulado “Click, Clack, Boom”, em todas as plataformas digitais. Este lançamento é um aperitivo do que está por vir em seu próximo EP, Post Chaos, previsto para ser lançado ainda em 2024. Conhecida por sua mistura envolvente de Rap, Reggae e Rock and Roll, a banda está gerando grandes expectativas com essa nova fase.

    O vocalista Rogério Sylp revela que a faixa “Click, Clack, Boom” traz uma reflexão profunda sobre a violência. “A canção explora os efeitos devastadores de um tiro, simbolizando como a pólvora é cultuada como entretenimento e acaba gerando lucros para os ‘senhores da guerra’. É uma crítica ao ciclo de violência que parece nunca terminar”, comenta. Essa abordagem crítica não é nova para a T-Remotto, que tem suas raízes fincadas em questões sociais e políticas, sempre abordadas de forma visceral em suas composições.

    O novo EP, Post Chaos, segue uma temática densa, marcada pelos desafios do período pós-pandêmico, mas também carrega uma mensagem de esperança. “A continuidade é a melhor resposta para tudo aquilo que ainda nos assombra. Esse trabalho é um passo em direção ao futuro”, acrescenta Sylp, dando pistas sobre a proposta do novo projeto.

    Além de “Click, Clack, Boom”, o EP já conta com outra faixa disponível nas plataformas de streaming: a impactante “Heróis do Gueto”. Essa música também reflete a identidade única da banda, que sempre mescla sons urbanos e poderosos com letras que ecoam as realidades da vida nas periferias.

    A T-Remotto tem se consolidado como uma das principais bandas da cena independente de Nova Iguaçu, trazendo uma sonoridade autêntica e um discurso contundente. Com o lançamento de Post Chaos, a banda promete continuar quebrando barreiras e oferecendo ao público uma experiência musical única.

    Ouça “Click, Clack, Boom” na Plataforma de Streaming que preferir:
    https://onerpm.link/507397047840

  • Coelho da Rocha: Intercâmbio cultural no Espaço BiC, com rapper chileno MC Egrosone

    Coelho da Rocha: Intercâmbio cultural no Espaço BiC, com rapper chileno MC Egrosone

    No próximo sábado (10), São João de Meriti será o cenário da 2ª edição do MPB – Música Popular da Baixada, com a presença do renomado rapper chileno MC Egrosone.

    Além de seu talento como artista, MC Egrosone é engenheiro de som e gestor cultural, e realizará um pocket show no Espaço Cultural BXD IN CENA, conhecido como Espaço BiC, em Coelho da Rocha, onde apresentará três de suas músicas.

    Este intercâmbio cultural foi possibilitado por uma colaboração entre Dudu de Morro Agudo, fundador do Instituto Enraizados, e a produtora cultural Fabiana Menini, de Porto Alegre. Durante sua visita ao Rio de Janeiro para compromissos profissionais, incluindo uma reunião de trabalho com Dudu, Fabiana contou sobre a presença de MC Egrosone e do produtor Mauro QuJota em Nova Iguaçu.

    Dudu prontamente sugeriu o Quilombo Enraizados como local para uma apresentação, o que levou à criação de um intercâmbio cultural em Morro Agudo entre os artistas chilenos e rappers locais. Esse intercâmbio se expandiu para uma apresentação no Espaço BiC, reforçando a relevância cultural desse equipamento cultural na região, essa apresentação musical será durante a 2ª edição do MPB – Música Popular da Baixada, que contará com shows dos talentosos Kalebe e Aliviiamaria.

    MC Egrosone é uma figura de destaque na cena Hip Hop chilena, especialmente na comuna de La Florida, onde lidera a casa cultural e coletivo Hip Hop Flowrida Escuela. Com mais de 20 anos de experiência, ele tem desempenhado um papel fundamental na organização de eventos musicais, encontros de Hip Hop, oficinas culturais e produções musicais e audiovisuais. Desde 2004, quando iniciou suas primeiras gravações em estúdio, até a fundação de sua própria marca, Rappuro Producciones, em 2007, MC Egrosone se estabeleceu como uma influência significativa na música chilena.

     

    A parceria entre MC Egrosone e Mauro QuJota começou em 2021, no projeto “Training Day” dos Black Monkeys, e desde então evoluiu para uma colaboração contínua. Atualmente, estão trabalhando em um longa-metragem com lançamento previsto para o segundo semestre de 2024.

    Jez, um dos gestores do Espaço BiC, enfatiza a importância desse evento: “Realizamos eventos semanais que incluem shows, performances e diversas atividades culturais, sempre com o objetivo de fortalecer a cena cultural local e dar visibilidade aos talentos da Baixada Fluminense. A passagem dos artistas chilenos pelo nosso espaço proporcionará um intercâmbio cultural inédito para muitos.”

    Dudu de Morro Agudo, Jez, Samuca Azevedo e Aclor no Espaço BiC
    Dudu de Morro Agudo, Jez, Samuca Azevedo e Aclor no Espaço BiC

    Este evento promete não apenas estreitar os laços culturais entre Brasil e Chile, mas também reafirmar o Espaço BiC como um ponto de encontro crucial para a promoção da arte e da cultura na Baixada Fluminense.

    SAIBA MAIS:

    O que? Show do rapper chileno MC Egrosone na 2ª edição do MPB – Música Popular da Baixada
    Quando? 10 de agosto de 2024, às 19 horas
    Onde? Espaço BiC: Rua Prata 35, Coelho da Rocha, São João de Meriti
    Quanto? De graça. 0800
    Informações? https://www.instagram.com/espacobic/

    FlowRida Escuela: https://www.flowrida.cl

    MC Egrosone: https://www.instagram.com/egrosone