Categoria: Coluna

  • Linchem o Ed Motta!

    Linchem o Ed Motta!

    Dizem não serem influenciados, porque não assistem a Globo, não leem a Veja, etc.

    No entanto, “curtem”, “comentam” e “compartilham” toda a informação desencontrada do Facebook.

    Lembro quando o IPEA divulgou uma pesquisa afirmando que 65% dos homens brasileiros concordavam que mulheres que usavam roupas sensuais mereciam ser estupradas. De cara discordei, pois não podia admitir que quase sete em cada dez dos meus parentes e amigos são potenciais estupradores. Ao expor minha discordância fui taxado de machista, ingênuo, etc. Até que o IPEA assumiu que estava errado e o percentual correto era de 26%.

    Nos últimos dias estão acusando o José júnior e o Ed Motta, baseando-se em afirmações deles usadas fora de contexto. Seguem a mesma mecânica de “curtir”, “comentar” e “compartilhar” sem pesquisar o assunto em questão. Parece que eles não percebem que coincidentemente essas acusações sempre pairam sobre os pretos, como ocorreu com o Wilson Simonal que foi acusado de trabalhar para a ditadura delatando os outros, detalhe, isso nunca foi provado, mas acabou com a carreira do mesmo.

    Artur da Távola deixou uma frase que sintetiza isso: “tomam o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento”.

  • Reconstrução

    Reconstrução

    Pasmem! Políticos e policiais não são extraterrestres. São pessoas como eu e você, ou seja, são o reflexo duma nação de corruptos.

    É aquela velha história de roubar energia elétrica, água, de furar fila, etc. A diferença entre nós, cidadãos comuns, e essas duas classes, é a combinação quase sempre fatal de poder e corruptíveis. Por conta dessa nossa hipocrisia, escrevi essa letra em 2009:

    Construção, Construção.
    Não deixar pedra sobre pedra é praxe? Pergunto.
    Não quero por uma sobre o assunto,
    Mas podemos levantar paredes já que estamos com quatro nas mãos.

    Queria ser uma pedra no sapato, estorvo.
    Naquele estágio, ave de mau presságio…O corvo,
    Redator do “O Povo”, Alfabeto de sangue, cada letra um pingo.
    Quis o verso mais ácido, firme como um tom de Plácido… Domingos,
    Jingle criminal.
    A palavra dura, abalar as estruturas…Tremor de nove graus,
    Caos? Matéria-prima.
    Otimismo desabrigado, olhei pro meu legado… Só havia ruínas.

    Em meio aos escombros, ergui quatro paredes, bati a laje.
    Pro clichê dei de ombros, mudei o tema da mensagem,
    Viagem fatídica, crítica que destrói.
    Nem todos são corruptos na política, assim como nem todos são honestos entre nós,
    Oscilando entre contras e prós, me contradisse, eu sei.
    Aqui não é o país maravilhoso de Alice,
    Mas desfilamos nas ruas de barro nossos tênis Made In USA.
    Não é se contentar com migalhas, mas agente só malha, nunca alivia.
    Mau agouro em coro, ritmo e poesia.

    Não sou advogado do diabo, ele é feio como se pinta.
    Mas nem todo hospital é macabro, na polícia ainda há gente distinta.
    Mas não! Tudo bom e nada presta, motivo pra festa não há.
    O mesmo que assim contesta, fim de semana desembesta, de bar em bar.
    Mas se a esperança é a última que morre, quando passar o porre, talvez a distinga.
    Quando tiver a palavra, quem sabe ela não escorre por tua língua.
    A mão que bate também afaga, a boca crítica rasga elogios, da sugestões.
    No canteiro de obras há vagas, sim, aponte os erros, mas também traga, soluções.

  • A cada dia eu admiro mais os “animais” !!

    A cada dia eu admiro mais os “animais” !!

    Passado a onda de revoltismo, da sofrência deslavada de quem não aceitou a derrota nas urnas, está escancarada agora uma notada disputa de classes, onde todos os sentimentos, por mais absurdos que sejam são assumidos, isso como algo que já está implícito em nosso cotidiano, e replicamos isso automaticamente na maioria das vezes, por exemplo estava na fila de um banco, quando duas senhoras brancas,classe média (me parece que alta), na fila comentavam sobre um grupo de garotos da periferia e de família humilde que estavam um pouco a nossa frente.
    Sra 01 – ( para Sra 02) Quando for sacar seu dinheiro coloque na sandália porque o garoto pretinho de camisa vermelha já olhou três vezes para a gente ! Sra 02 – Essas praga que o governo alimenta, mas tão enganado se acham que vão me apanhar com dinheiro lá fora, meu genro que é PM tá vindo se encontrar comigo. E como se não bastasse uma meia dúzia da fila pegou o gancho e começou a retrucar: Tem que voltar a ditadura mesmo, só militar para colocar jeito nessa desgraça, outro falava: Tem que ter é pena de morte. Mas com certeza essa galera que faz essa afirmação sem pensar nas consequências, não sabem que seus familiares e amigos seriam os primeiros a serem exterminados, já que se enquadram em um perfil considerado suspeito. Outra coisa que me chamou a atenção foi o perfil dos manifestantes: (Segundo Instituto Index) 85% votou no Aécio,94% brancos, 58% ganham mais de dez salários, 69% nunca participou de alguma manifestação popular, 77% possui nível superior, 93% possui empregada doméstica, 92% já fez turismo fora do Brasil. Então meu povo, não venho aqui dizer que os desmandos e os erros (que são muitos) não tenham que ser apontados e corrigidos, pelo contrário, mas convenhamos, aqui no RJ por exemplo fazer passeata na orla e depois ir pro quiosque beber Chandon servido pelo povo trabalhador é um pouco demais para o meu saquinho.

  • Céu de Plânctons

    Céu de Plânctons

    No planeta Éris, localizado nos confins do sistema solar, havia um reino chamado Anthurium. Seu monarca era o estimável Mirabilis Hemera, que governava em paz junto a sua bela esposa, a rainha Cattleya e de seu filho, o príncipe Átis. Porem, a população de Anthurium dobrou num período muito curto, o que causou a escassez do seu principal alimento, as estrelas. Daí surgiu um impasse, pois necessitavam comê-las, tanto quanto necessitavam de sua luz, para não serem atacados novamente pela horda das trevas, os plectranthus.

    Os plectranthus descendiam de Plectranthu Nix, irmão bastardo do rei Mirabilis, que tentou sem sucesso tomar o trono, e por conta disso foi exilado juntamente com os seus na Colina Claryon, onde a incidência de luz estrelar era maior, o que os enfraquecia. O problema da falta de estrelas foi sanado quando o príncipe Átis, achou debaixo do sacórfago do seu trisavô um antigo livro alquímico onde havia a fórmula para produzi-las. Essa notícia só não agradou a Rhododendron, seu tio, irmão de Cattleya.

    Rhododendron era um ganancioso comerciante de estrelas, o único que tinha a tecnologia e parafernálias para extraí-las do céu, e por isso as vendia por um preço exorbitante, o que sempre causava um mal estar entre ele e seu cunhado, o justo rei Mirabilis. Quando Rhododendron soube que Átis achara o livro, anteviu o risco de seu negócio acabar, e urdiu um plano para afaná-lo. Rhododendron então fez uma visita surpresa a sua irmã Cattleya, alegando saudades. Durante uma conversa aparentemente despretensiosa, ele descobriu onde o livro ficava guardado, e o surrupiou, sem que Cattleya notasse.

    Sua ideia era usá-lo somente quando todas as estrelas findassem, para assim valer-se da “lei da oferta e da procura”, e lucrar bem mais. Quando o cenário era o esperado, Rhododendron decidiu executar seu plano, mas ele esqueceu-se de que esse cenário também era bom para os plectranthus, que revigoraram suas forças com a escuridão que Rhododendron ajudou causar, e assim fugiram da já não tão iluminada Colina Claryon. Com os anthurianos esquálidos, inclusive a guarda real, não foi difícil para os pllectranthus tomarem o poder.

    A primeira medida deles foi acorrentar o príncipe Átis numa espécie de âncora, e arremessá-lo de Éris em direção a um planeta bem distante das estrelas para que ele morresse de inanição, assim extinguiriam a descendência dos Hemeras de uma vez por todas. Átis caiu no mar dum “inóspito” planeta chamado Terra. Mirabilis e Cattleya seus pais, foram encarcerados. Os plectranthus apossaram-se do estoque de estrelas de Rhododendron, e distribuíam diariamente apenas uma mísera porção para cada anthuriano, o suficiente para que eles conseguissem realizar o trabalho escravo imposto por eles. Mas da janela da prisão, Mirabilis e Cattleya jogavam uma parte de suas estrelas na mesma direção que Átis fora lançado. O povo do planeta Terra ao vir àquelas estrelas precipitando-se, deu-lhe o nome de estrelas-cadentes.

    Na Terra, Átis Hemera vivia escondido numa gruta na praia onde ele caiu, e lá ficava aguardando as estrelas-cadentes para comê-las. Ao caírem no mar ele mergulhava e as apanhava. Átis aprendeu a se comunicar e assim fez amizade com muitas espécies marinhas, especialmente com uma lontra, [animal que se alimenta de estrelas do mar], a tal lontra dividia o que conseguia com Átis, que a princípio estranhou o sabor daquele tipo de estrela. No entanto, por serem mais nutritivas do que as cadentes, o fortaleceram sobremaneira, daí ele maquinou um plano para voltar a Éris: Pediu aos peixes-voadores que lhes levassem até lá, armou-se com um peixe-espada embebido em veneno de baiacu [o segundo vertebrado mais venenoso do mundo], e também levou consigo uma sacola cheia de plânctons.

    Ele retornou sem ser notado, por conta da total escuridão que assolava Anthurium. Ao pousá-lo, seus amigos peixes-voadores levaram o saco de plânctons para cima e os espalharam, iluminando assim todo o reino como fossem estrelas, amedrontados, os Plectranthus bateram em retirada, mas Átis perseguiu o rei deles e cravou o peixe-espada envenenado em sua jugular e o feriu de morte, depois disso capturou Rhododendron e o enclausurou na masmorra, recuperou o livro, e por fim libertou seus pais, reestabelecendo assim a prosperidade e a paz em Anthurium.

    Até hoje no longínquo planeta terra, conta-se a lenda do “comedor de estrelas-cadentes”.

  • Mujica, o ex presidente do Uruguai, um exemplo para nós !!

    Mujica, o ex presidente do Uruguai, um exemplo para nós !!

    Em tempos em que a política tem se mostrado um assunto espinhoso, onde o sujo fala do mal lavado, vale a pena lembrar boas experiências em nossa conturbada América Latina. Podemos citar um senhor que com sua simplicidade e boa vontade, mostrou que quase 100% dos intelectuais tendem a complicar assuntos que só precisam um primeiro passo e por a cara à tapa e assumir posições e buscando uma melhoria para a coletividade, um viva para esse velhinho que é no mínimo foda !! Saca só, José “Pepe” Mujica , ele começou causando barulho, quando ele ao assumir o governo abriu mão da mordomia no qual teria direito, e abriu mão de 90% de seu salário, por volta de 12.000 R$, e não quis morar na residência oficial, e continua morando em sua chácara, e ainda dirige um fusca azul 1978, e sua residência possui apenas um quarto. Mas o mais importante foi seu legado e suas conquistas que abrem um precedente importante para nossa região. O Uruguai: Aprovou a lei que permite a união de pessoas do mesmo sexo,aprovou a lei de venda da canábis (maconha) para fins terapêuticos e muitos cidadãos obtiveram o direito de cultivar pequenas quantidades para consumo próprio, aceitou refugiados da prisão de Guantánamo (Prisão norte americana em Cuba), recebeu refugiados da guerra civil na Síria, facilitando o ingresso no Uruguai, aprovou a Lei de meios, no qual se pretende evitar que um grupo detenha o monopólio das comunicações, as mulheres uruguaias podem interromper a gravidez de forma segura e legal até a 12ª semana de gestação. Com certeza esse velhinho já nos deixou um aprendizado que com certeza vale mais que 1000 teses e conceitos, que não levam a nenhum resultado prático.
    Independente de julgamentos, o que realmente importa é trazer certas questões que querendo ou não fazem parte da sociedade para uma aplicação real, esse tiozão nos mostrou que se pode alterar uma realidade sem hipocrisia e promessas fajutas, valeu mujica.

  • Salve-se quem puder

    Salve-se quem puder

    Não há como deixar de perceber que estamos vivendo numa espiral de anestesia velada, ou só percebemos quando o “piano” cai em cima da gente, digo isso porque não foi nenhuma novidade para mim que acompanha os números da violência no país de uma forma geral, saber os números pela Anistia Internacional, que menciona que o Brasil é o país que não está vivenciando uma guerra, que mais se mata no mundo, temos em torno de mais de 60 mil mortes por ano, isso só estou me referindo a assassinatos, não vou nem entrar em outras causas de morte, caso contrário teria que escrever um livro. Pois bem também não é novidade saber que as agências de viagens e muitos governos estão recomendando seus patriotas a buscarem outras nações para turismo, um jornal inglês Daily Mail, afirma que países como: Brasil, Índia, áfrica e Tailândia, são um convite à violência, roubos e estupros, ele afirma ainda que as mulheres devem evitar esses países, já que as autoridades locais não conseguem resolver o problema. Outro dado alarmante é que 93% dos casos de assassinatos não têm solução, ou seja se mata mais por dia do que na guerra do oriente médio e raramente se acha o culpado, e que por aqui mesmo se o cara pegar 30 anos (que é a pena máxima no Brasil), ele cumpre 1/3 da pena, e se tiver um advogado “safo”, pode sair bem antes. Vale lembrar que as grandes vítimas estão na periferia e são pobres e negros, enquanto na Suécia estão (fechando) penitenciária por falta de presos a nossa população carcerária já é a 3ª maior do mundo, curioso não? Pois é, e por aqui na Baixada Fluminense estamos quase na era de lampião, e fazendo nossa própria justiça, é meu amigo, na Baixada não tem super-herói.

    “A cidade não pára, a cidade só cresce,
    o de cima sobe, e o debaixo desce.”

    ( Chico Science / Nação Zumbi )

  • Quem será a próxima vítima da violência na Baixada Fluminense?

    Quem será a próxima vítima da violência na Baixada Fluminense?

    Morro Agudo é o bairro onde eu nasci e vivo há 35 anos, onde dedico minha vida trabalhando com meus parceiros em busca de melhoria e oportunidades para a juventude. O lugar que adotei como meu sobrenome, que falo com imenso carinho, e onde trouxe milhares de pessoas, de diversas partes do mundo para conhecer.

    Esse é o meu Morro Agudo.

    Mas vou contar um breve relato, que talvez vocês não saibam:

    Nasci em 1979. Minha infância foi nas ruas, brincando com meus amigos. Entre uma brincadeira e outra, íamos ver os corpos sem vida, às vezes atropelados na Via Dutra, outras assassinados. Muitas vezes pessoas que se conheciam desde a infância se matavam por motivos fúteis.
    Tudo isso fazia parte do meu cotidiano. Quando meus pais chegavam do trabalho, nossa conversa durante a janta – nos intervalos comerciais entre a novela – era sobre os mortos do dia.

    O tempo foi passando, fui crescendo e meus amigos continuaram se matando. Cada vez morrendo mais jovens, todavia os motivos eram sempre os mesmos.

    Quando iniciei minha história no hip hop, comecei a ter um olhar crítico a respeito da minha comunidade. Percebi que em todos esses anos, NUNCA, eu disse NUNCA,  houve sequer uma investigação sobre as mortes violentas que aconteceram na minha comunidade.

    Os anos foram passando e nada mudava. Um vizinho – e camarada – morreu aos 17 anos porque fumava maconha no bairro, outro morreu porque era encrenqueiro, não fazia mal à ninguém, apenas era chato, esse foi o motivo de um amigo de infância tirar sua vida após várias tentativas. Outro morreu com 16 anos por causa de inveja, também morto por um amigo de infância. Atualmente, até esses jovens que mataram, já foram mortos.

    No dia 31 de março de 2005, eu tinha 26 anos, foi quando aconteceu a maior chacina aqui da região, onde 29 pessoas inocentes foram assassinadas em Nova Iguaçu e em Queimados. Eu lembro muito bem o que eu fazia no exato momento da chacina. Estava vindo da rádio comunitária do Fator Baixada, que funcionava na casa do DJ do grupo. Eu andava pela rua, por sorte os assassinos não passaram por essa rua.

    O caso ganhou repercussão mundial, mas acredito que foi somente porque foram 29 mortos de uma só vez, pois se formos contar as mortes violentas de cada mês, esse número certamente ultrapassará essa marca.

    A questão é: Dez anos se passaram. Quais foram as políticas públicas de segurança que foram aplicadas na região?

    Depois da implantação das UPPs nas favelas do Rio de Janeiro a violência na Baixada Fluminense aumentou, os dados comprovam. O aumento de roubo de carros, por exemplo, aumentou muito. Meu tio teve o carro roubado na porta de casa por bandidos armados com fuzil, coisa que não se via por aqui anos antes. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes subiu de 52 para 58, de 2013 para 2014.

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    Grafiteiro Babu

    E quem está nesse fogo cruzado é quem paga muitas vezes com a vida. Pessoas inocentes. Como “quase” foi o caso de um dos meninos que cresceu no Enraizados, na escola de hip hop Enraizados na Arte, e que hoje trabalha ministrando aulas de graffite em uma escola pública do bairro.

    Ele foi baleado na perna, após homens tentarem assassinar um outro jovem do bairro – sabe-se lá por qual motivo. Ele ficou literalmente no meio de um fogo cruzado e levou um tiro na perda, e agora está internado em um hospital público, com a canela quebrada ao meio.

    Alguns dizem que ele deu sorte, pois o tiro poderia ter sido no joelho, no peito ou na cabeça. Mas pra mim ele teve muita falta de sorte, pois estava tentando ir para casa pelo caminho que considerava o menos perigoso, dentre todas as opções que tinha, depois de um dia inteiro de trabalho e de estudo.

    Jean Lima, mais conhecido como grafiteiro Babu, um cara da paz, mais uma vítima da violência da região da Baixada Fluminense.

    Pra mim não importa quem deu o tiro e muito mesmo a quem ele estava endereçado, o que importa realmente é saber porque as pessoas andam armadas aqui e ninguém faz nada? É saber porque um jovem pacífico, que não faz nada de errado, está internado, com um monte de ferro na perna, com sua vida estagnada?

    Sem contar com a paralisação da vida de seus familiares. Você consegue imaginar o que o pai dele sentiu quando recebeu um telefonema dizendo que o filho havia sido baleado enquanto voltada da escola?

    Eu sei o que ele sentiu porque ele me disse: – “Eu achei que isso nunca fosse acontecer com meu filho. Não estava preparado. Perdi o chão”.

    Infelizmente na Baixada Fluminense é assim, todo mundo anda armado. Os assaltantes que roubam de bicicleta e de moto andam armados, os que roubam na passarela andam armados, os que vendem drogas andam armados, o maconheiro não anda armado, mas é alvo (por aqui não tem distinção entre tráfico e usuário), os justiceiros, milicianos e policiais também andam armados.

    Sabe quem não anda armado? Nós!!!

    O que nos resta é rezar para que nenhuma dessa balas nos achem e para que a taxa de homicídios na região não se iguale à de 1989, quando a Baixada conheceu seu mais alto índice de homicídios: 95,55 mortos por 100 mil habitantes.

  • Novo álbum de ImpOOne: Desviado

    Novo álbum de ImpOOne: Desviado

    ImpOOne “A Mula Falante” foi apresentada ao público no álbum “Figuras de Linguagem”, do Oximoros em 2011. Sarcástica e debochada, lançou o seu primeiro álbum, intitulado “Dando o Ar da Graça…” em 2013.

    Agora, ela volta mais “polêmica” do que nunca em “Desviado”.

    Polêmica? É o que dizem!

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    Desde quando polemizar é denunciar as mentiras ou meias-verdades? Em suma, ImpOOne é apenas o efeito colateral do sistema dominador, opressor, hipócrita e explorador, que hoje chamam de igreja [é óbvio que há exceções], mas… “Desviado”, foi produzido por Átomo, que também fez as ilustrações e a capa, tem a estréia de Azah [Alter ego de Dudu de Morro Agudo], participando da faixa “Endemoninhado”, scratches de DJ Orácio com “O” e ainda as intervenções idiotas do irmão Cajado.

    BAIXE O DISCO AQUI

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  • O preço da folia !!

    O preço da folia !!

    Enfim o ano de 2015 parece que finalmente vai começar, ficamos todos (ou quase) contando as horas para iniciar uma época em que o cidadão desliga o cérebro e vai simplesmente curtir e fazer tudo o que tem vontade durante o resto do ano e que não consegue fazer. Polêmicas à parte, sobre de onde vem o dinheiro que financiou a escola de samba campeã de 2015, isso já sabemos desde criancinhas que muitas dessas escolas se mantém da contravenção.

    Mas como o povo quer é festa, então cria-se uma espécie de justificativa e tudo é tolerado em nome da folia, mas a questão é bem mais ampla, por exemplo: Com os recursos destinados para as festas carnavalescas (* isso só no âmbito municipal), daria para fazer eventos culturais com um alcance bem maior durante (todo o ano), vários coletivos poderiam ser incentivados, várias iniciativas poderiam ganhar um fôlego e continuar seus projetos, e apoiados só com esse recurso que é usado somente para (4 dias) de folia e que na grande maioria das vezes se torna um negócio muito lucrativo para alguns, e que a cada ano tem se mostrado com mais apetite, vide os shows com músicos conhecidos que cobram uma pequena fortuna para tocar, mas como o evento é de “graça”, a população tolera e aplaude.

    Longe de mim fazer o papel do cara que só reclama, mas quem conhece a situação dos grupos e artistas da periferia, sente na pele o que estou falando, os incentivos não existem, os eventos oficiais não acontecem, tudo parece funcionar em outro ritmo quando se fala em artistas e grupos locais.

    Acho que os artistas locais precisam se conscientizar e se mobilizar para ter uma voz dentro das administrações municipais, caso contrário vão sempre estar com o pires na mão esmolando um apoio que raramente chega.

    Muitos artistas com um trabalho muito bom e relevante, passam por um verdadeiro calvário só para se deslocar de um local para outro, o mais irônico é que quando você tenta levar um projeto para conseguir um apoio, você escuta as mais variadas justificativas, então meu povo, tá na hora de mobilização, afinal ano que vem teremos eleições municipais, pensa nisso, abraço à todas e todos .

  • Quando a publicidade erra … e feio !

    Quando a publicidade erra … e feio !

    Não são poucas as vezes em que se investe muito em campanhas publicitárias que são no mínimo desastrosas, e o objetivo pretendido promove justamente o contrário, criando uma baita dor de cabeça não só para o anunciante quanto para agência criadora.

    Pois bem, visando promover a marca de cerveja Skol, uma campanha foi veiculada em vários outdoors de SP trazendo a mensagem: “Esqueci o não em casa” e “Topo antes de saber a pegunta“, foi o estopim para a galera começar a se manifestar nas redes sociais.

    Foi quando duas pessoas, a publicitária (Pri Ferreira) e a jornalista (Mila Alves) começaram a colar nas mensagens a frase “E trouxe o nunca“, logo abaixo da frase principal da campanha. Segundo elas esse tipo de mensagem tendenciosa promove as pessoas a não respeitarem os próprios limites e cometerem todo o tipo de infração como violência e estupro, numa época (carnaval) em que uma grande parte da população parece estar com o capiroto no corpo e se acha no direito de fazer uma merda atrás da outra.

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    O barulho foi tanto que a empresa entrou em contato com as meninas e disseram que a campanha queria justamente exaltar a alegria, diversão e celebração mas que vai retirar as mensagens, que vai substituir pela frase “Viva RedOndo”. A empresa divulgou uma nota: “As peças em questão fazem parte da campanha Viva RedOndo” que tem como mote aceitar os convites da vida e aceitar os bons momentos que a vida oferece, no entanto fomos alertados que pode haver uma conotação dúbia, e por respeito a diversidade de opiniões, substituiremos as frases atuais por frases mais positivas que transmitam nosso conceito.

    “Repudiamos qualquer ato de violência física ou emocional, e reiteramos nosso compromisso com o consumo responsável, e agradecemos as manifestações”.

    Vale lembrar também que o próprio Ministério da Justiça, também errou feio e retirou do ar a campanha #BebeuPerdeu, em que a imagem mostra jovens humilhando uma colega que havia bebido demais e por isso estava sendo excluída do grupo dos “certinhos”, isso também causou um grande mal estar, já que o Bullying e discriminação estavam sendo estimulados.