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  • Dia de Responsa: cores e conscientização em Nova Iguaçu

    Dia de Responsa: cores e conscientização em Nova Iguaçu

    O bairro de Morro Agudo, em Nova Iguaçu, será palco de mais uma edição do Dia de Responsa.

    Desde 2014 o Instituto Enraizados realiza, em parceria com a AMBEV, o Dia de Responsa na cidade de Nova Iguaçu com o objetivo de alertar os donos de bares e também os consumidores sobre os riscos do consumo indevido de bebidas alcoólicas, ou seja, em excesso, associado à direção ou por menores de 18 anos.

    Sempre de forma criativa e envolvendo a juventude local, a ação visa incentivar nas pessoas atitudes responsáveis quando forem beber, vender ou servir bebidas alcoólicas.

    Ontem, quinta feira (14), aconteceu a oficina de Stencil Art e Lambe-Lambe no Espaço Enraizados, ministrada pelo DJ Dorgo, na sede do Instituto, em Morro Agudo, com educadores e jovens de diversas partes da região metropolitana do Rio de Janeiro.

    Jovens na Oficina de Stencil Arte no Enraizados
    Jovens na Oficina de Stencil Arte no Enraizados

    Já hoje, sexta-feira (15), mais de 5.650 colaboradores da cervejaria Ambev do estado do Rio de Janeiro visitarão bares, restaurantes e supermercados para promover o consumo inteligente de bebidas alcoólicas, os integrantes do Enraizados e os jovens participantes da oficina farão uma intervenção visual em Morro Agudo utilizando as técnicas do stencil, do lambe lambe e do graffiti, sob orientação do grafiteiro Fanac, da Ilha do Governador, e participação do grafiteiro Rafael Ram, de Nova Iguaçu, criando um grande painel temático que integrará a “Galeria 20-26”, uma galeria de arte urbana a céu aberto, contribuindo para uma cultura de consumo responsável.

    Haverá também a Blitz Na Responsa nos bares do bairro, colando cartazes e orientando os proprietários.

    SAIBA MAIS
    O que é: DIA DE RESPONSA
    Quando é: 15 de setembro
    Horário: Das 14 às 17 horas
    Onde é: Na esquina da rua Luiz Silva com a Thomaz Fonseca, em Morro Agudo
    Mais informações: (21)4123-0102 ou (21)9.6408-1913

  • Em aniversário de 2 anos RapFree Jazz presenteia a Baixada Fluminese

    Em aniversário de 2 anos RapFree Jazz presenteia a Baixada Fluminese

    O RapFree Jazz é um evento realizado pelo Coletivo FALA a dois anos, com o intuito de ser itinerante e levar os acontecimentos da Baixada Fluminense para a própria Baixada através das artes.
    Quando eu digo artes é porque o RapFree Jazz faz uma junção de todas as artes, se tem alguma expressão artística que ainda não rolou no evento é porque ainda não passou na cabeça deles, mas quando passar…
    Em seus dois anos de vida o RapFree Jazz já teve diversas intervenções artísticas como:
    Rap com dj e mc, break, graffiti, exposições de fotos, artesanato, projeções, poesia, bandas de diversos gêneros e até mesmo esporte já rolou no Free Jazz.

    O RapFree Jazz é a troca de conhecimento, de afeto, de curiosidade e de música, é um evento que engloba muitos âmbitos, é voltado pra cultura do Hip Hop mas ao mesmo tempo ele abraça outros públicos, pois além do Rap, rola Funk, Reggae, samba, entre outros.

    A principal propostas do evento é a Jam Sessions onde os Mc’s rimam em cima, fazendo improvisos ou mandando um som, muitas vezes rola até a final da Batalha em cima da Jam, como já presenciei e foi simplesmente mágico.

    A próxima edição do RapFree Jazz será no próximo sábado dia 16 de Setembro a partir das 18:00 horas na Praça do Galo, Duque de Caxias, será a edição de aniversário com direito a uma Batalha de Mc’s temática com Dj Jeff Jay, batalha all style com Dj Tecnykko no comando das pick-ups, exposições, dança com grupo MOVIMENTE-SE, apresentação Acústico do Mc Silva KS e pra fechar com chave de ouro, intervenção do Literatura das ruas, com direito a uma biblioteca comunitária, distribuição de poesias ou letras de rap dos artistas locais e shows de Dorgo Dj e Einstein Mc.

    Se você já conhece o Coletivo Fala ou o RapFree Jazz não precisou nem ler essa coluna pra decidir ir ao evento, mas caso você ainda não conheça presencialmente, não deixe de ir, porque depois vai ficar chorando arrependido.

     

    Baixada Fluminense no bagulho!!!

  • Inscrições abertas para a oficina de “Stencil Art” no Enraizados

    Inscrições abertas para a oficina de “Stencil Art” no Enraizados

    Começa na próxima quinta-feira (14) a oficina de “Stencil Art” no Espaço Enraizados, em Morro Agudo.

    A oficina é gratuita e faz parte da mobilização do “Dia de Responsa”, que acontecerá no bairro de Morro Agudo na sexta-feira, dia 15, com intervenções visuais que envolverão técnicas do stencil, do lambe lambe e do graffiti, criando um grande painel orientando a população para o consumo consciente de bebida alcoólica.

    Pra quem não tá ligado(a) stencil é um desenho ou ilustração que representa um número, letra, símbolo tipográfico ou qualquer outra forma ou imagem figurativa ou abstrata, que possa ser delineada por corte ou perfuração em papel, papelão, metal ou outros materiais.

    A oficina acontecerá na sede do Instituto Enraizados, que fica na rua Presidente Kennedy, 41, em Morro Agudo, no dia 14 de setembro, das 14 às 17 horas e as vagas são limitadas. Os(as) interessadas devem se inscrever preenchendo o formulário abaixo e aguardando retorno por email e/ou telefone celular.

    SAIBA MAIS
    O que é: Oficina de Stencil Art
    Quando é: Dia 14 de setembro
    Horário: Das 14 às 17 horas
    Onde é: No Espaço Enraizados
    Rua Presidente Kennedy, 41, Morro Agudo, Nova Iguaçu, RJ
    Mais informações: (21)9.6408-1913

     

  • A estória de um jovem periférico num longínquo verão

    A estória de um jovem periférico num longínquo verão

    Goiaba estava na praia. Era 1988 e o litoral do Rio de Janeiro arretado de felicidade com o que havia acontecido no ano anterior se agitava cada vez que a possibilidade de um novo “carregamento” pudesse chegar á nossa costa litorânea, espraiando o sorriso na massa ensandecida pelo ocorrido.

    A história do nosso herói se passa nesse pedaço sagrado do carioca. “Goiaba” era um nome ligado à geografia fluminense. Eu explico. Pelo menos a metade explico. Quem nasce do lado de lá da Poça D’água recebe dos cariocas o singelo apelido de “Papa goiaba”. A etimologia da palavra eu não sei explicar, até porque a única página do wikipédia que tem o termo foi sacaneada por algum intelectual de plantão que certamente odeia aquele lado de lá. Ou foi traído pela mulher mesmo!

    O sonho de Goiaba era morar em Niterói. Continuaria a ser Papa Goiaba, mas em Nikiti City teria um “status” perante aos goiabas gonçalenses, considerados os primos pobres da história. Naquele verão de 1988 pegou 3 ônibus, todos lotados, sendo o terceiro o antigo 996, porque sabia que este o deixaria “perto” da praia.

    Ao passar em Botafogo perguntou se ali era Copa. O trocador disse que não, Copa ficava distante. O fez ir até a Gávea e explicou: O senhor desce aqui, cruza a Lagoa e vai estar próximo à Ipanema ou Leblon, não sei ao certo, mas lá você pergunta como rumar pra Copa. Copa, segundo havia escutado no noticiário, ficava numa posição privilegiada pelo swell para que a desejada “carga” aportasse.

    E lá foi Goiaba, de mochila, esperando encontrar o seu ouro tão sonhado! Andou pra cacete. Chegou à praia por volta das 15 horas. Havia deixado à casa 6 da matina! Houve um pouco de felicidade com a expectativa.

    Houve felicidade também quando ao chegar a areia viu a enorme quantidade de gente bonita e feliz que estava ao seu redor. Certamente não tinha ninguém de mau humor, ninguém que precisasse pegar engarrafamento na ponte às cinco da tarde, um sucesso.

    Começou então a vigiar o mar. Sim, dali poderia surgir sua carta de alforria. Goiaba levou binóculos para a praia, a observação era fundamental. Como olheiro na favela tinha uma certa prática, e o sonho de ter seu negócio próprio começou quando no ano anterior àquele “carregamento” divino quebrou as vendas na favela, desempregando o pobre sortudo Goiaba, que não teve tempo de virar estatística, que sonhava sim, ser um homem de negócios bem sucedido. Duro, sem expectativa, mas com informação, ele pegou a merreca da passagem com a avó e migrou, prometendo à velha retornar com vitória, com novas perspectivas. Partiu para a missão.

    A hora passava, ficou desmotivado. O sol já se escondia quando a sorte grande bateu a sua porta. Com os córneos pegando fogo de tanto estar no sol observando, numa hora em que a praia já estava vazia, Goiaba percebeu no mar um brilho. E esse era chamativo, dava esperança. O cara entrou na água, que naquele momento estava revolta pelo swell que chegava aos poucos, perdeu o calção na arrebentação mas continuou firme no propósito! Nadou e nadou, sem concorrentes, apenas com o perigo do afogamento, mas absoluto. Sua surpresa maior ao se aproximar do objeto foi notar que não havia apenas uma lata do carregamento, mas cinco! Isso mesmo meus amigos, o cara tinha acertado na loteria! Faltou braço pra levar aquilo até a praia. Foi tocando o seu lote até sair do mar e acomodar tudo na mochila que havia deixado na areia. Quase faltou mochila também, mas o nosso herói deu um jeito de acomodar tudo, sem causar suspeitas em ninguém, pois a praia já estava vazia as dez da noite.

    Migrou novamente em direção ás terras de Sir Ararigbóia! Sem engarrafamento! Pensava no “status” adquirido! O mundo estava aos seus pés!!! Mulheres, farra, noitadas, morar em Niterói! Era o ápice! Sonhou, dormiu bem pra caramba, beijou o travesseiro pensando serem modelos internacionais! As mais lindas. O cara tinha certeza que elas iriam até Niterói, seu novo lar! Mas na manhã seguinte o sonho de Goiabada desmoronou. Ao abrir as latas, constatou que era pó!

    Um japonês pescador tinha ficado puto porque a tripulação de sua traineira não dormia a dias e ele que era o único com mulher a bordo, pois era o capitão, não conseguia chegar junto da patroa que não aceitava fazer amor com ele se houvesse alguém acordado no convés. Mesmo com pinto pequeno o japonês fodeu o Goiaba e seus sonhos! E eu acho que a mulher dele também! Ao invés do “Solana star” o Goiaba encontrou o “Harakiri”. Sacanagem! Sonho de pobre é fogo!

    Goiaba com café decepcionou-se!!!! Não bebe a iguaria até hoje!

  • Eu acredito em tudo

    Eu acredito em tudo

    Eu acredito em tudo, acredito que existem vidas fora da terra, acredito que existe vida que nem imaginamos na terra, acredito que vivemos em uma simulação, ou que somos máquinas como relatado em West World. Enfim acredito em tanta coisa que me sinto perdido as vezes, porém, tudo é possível, toda teoria que tenha um bom fundamento tem que ser analisada.

    Acredito que Deus existe, que Ele tem grande poder e influência na natureza e consequentemente em nossas vidas, mas não acho que Ele tenha controle sobre tudo, que decide o destino de tudo e todos, afinal, cada um faz o seu caminho e toma suas próprias decisões. Acredito que todos têm um Deus dentro de si e esses Deuses servem a um Deus maior, que pode ser o criador de tudo, ou uma energia e/ou espécie evoluída ao ponto de criar uma realidade e se nomear o Deus de sua própria.

    Durante muito tempo fui cristão. Cresci dentro da igreja católica, mas aos poucos fui questionando muita coisa e pesquisando, vendo divergências dentro da igreja e na palavra, além de alguns acontecimentos que abalaram muito minha fé. Hoje em dia posso dizer que não tenho religião, pois religião só existe para nos separar. Podem existir religiões com boas ideologias e que são importantes para muitas pessoas, mas ainda vejo religião como uma segregação.

    Mas como eu tenho dito desde o início do texto, isso é o que eu acredito e não o que eu sei. Na real não sabemos nada relacionado à nossa existência, assim como não sei nada em relação a Deus.

    Isso tudo pode ser uma simulação, Deus pode ser o programador, ou o Big Bang pode ter sido o Big Boot e nós fazemos parte da programação assim como os agentes em Matrix, como uma parte completamente virtual dessa simulação, que nem precisa ser tão realista. O universo simulado pode parecer bem simples pra quem vive dentro dele e só parecer complicado pra quem olha de perto.

    Então rapaziada, esse texto é mais uma viagem minha, mas realmente acredito em tudo isso e muito mais que preferi não me aprofundar pra não transformar em um texto gigante bem mais viajado.

    Espero que tenha ficado claro que essas são minhas crenças e respeito a crença de todos, menos se você acredita que não houve golpe.

  • ‘SONHA, SONHA! SÓ NÃO DEIXA O SONHO MORRER NA FRONHA!’

    ‘SONHA, SONHA! SÓ NÃO DEIXA O SONHO MORRER NA FRONHA!’

    O clipe da música “SONHOS” com direção de Levi Rieira Vatavuk, foi gravado no verão de 2017 na comunidade do Bonete em Ilha Bela – SP e será lançado no próximo dia 09 de setembro nas redes sociais do Inquérito e no Programa Manos e Minas, da TV Cultura.

    A música faz parte do álbum Corpo e Alma Remix, quinto disco do Inquérito, grupo de rap formado na região de Campinas-SP com quase duas décadas de atuação no movimento hip-hop. Lançado em novembro do ano passado o CD conta com participações de grandes nomes da música brasileira, como Ellen Oléria, Arnaldo Antunes, Emicida, Rael, Natiruts e DJ KL Jay (Racionais).

    O clipe contou com a participação dos moradores do Bonete e o roteiro retrata o dia-a-dia de um professor que chega à ilha para dar aula às crianças da comunidade. “A sugestão para gravação do clipe foi ideia do nosso diretor, Levi Riera Vatavuk, que mora em São Sebastião e conhecia a Ilha. Como abordamos o tema dos sonhos, da educação, encontramos personagens no Bonete que eram tudo aquilo – e muito mais – que a música dizia! Ficamos apaixonados pelo local, pelas pessoas, pelos olhares, pelos sonhos de cada um… Isso resultou em um trabalho sensível que iremos lançar primeiramente para eles, os moradores do Bonete. E depois, para o público em geral”, conta Renan Inquérito.

    Nesta quarta-feira (06/09), foi realizada uma sessão com os moradores da ilha, com um telão instalado ao ar livre. A atividade contou ainda com a presença dos autores da música e da equipe de gravação, que além de comentar sobre o clipe realizarão um sarau de poesia, a Parada Poética.

    CONTATO PARA SHOWS

    + 55 11 96445-2007
    contato@souinquerito.com.br

  • ‘Desafio #RapLAB’ começa na próxima quarta-feira, na Arena Jovelina

    ‘Desafio #RapLAB’ começa na próxima quarta-feira, na Arena Jovelina

    O #RapLAB é uma prática de educação não formal que utiliza o rap como ferramenta para discutir questões ligadas ao dia a dia dos jovens.

    O projeto já foi realizado em dezenas de escolas públicas e particulares, e a metodologia foi aplicada em parceria com renomadas instituições como a Anistia Internacional e a Casa Fluminense.

    O #RapLAB normalmente é aplicado partindo-se do princípio que os participantes nunca tiveram contato com o rap, por isso todo o processo se dá de forma lúdica, a partir de uma metodologia onde o diálogo tematizado é o fio condutor que estrutura a base das atividades, envolvendo dinâmicas com escrituras, debates e jogos.

    Mas e quando a galera já saca dos paranauê do rap?

    Pensando nessa galera que já tá na estrada, Dudu de Morro Agudo dificultou o bang e criou o Desafio #RapLAB, onde quatro MCs são selecionados para criar uma track coletivamente. Porém a ideia é ir além de simplesmente fazer uma música, mas participar de todo o processo até a distribuição do fonograma nas plataformas de streaming.

    São um total de 04 encontros, onde eles irão compor a música, ensaiar, gravar e produzir um vídeo, mas entre uma semana e outra irão registrar a música, o fonograma, distribuir, etc… é o processo todo.

    Entendeu porque é um desafio?

    Todo o processo de criação é coletivo, através de uma metodologia que envolve dinâmicas de grupo, sorteios e jogos, fazendo com que todos os participantes contribuam com seu conhecimento ao mesmo tempo que aprendem.

    Para essa primeira temporada foram selecionados os rappers Einstein NRC, Shu Rodrigues, Passarinho e o próprio Dudu de Morro Agudo, que sempre coloca a cara a tapa.

    O que nos resta é aguardar o lançamento da música no mês de outubro.

    SAIBA MAIS

    Onde: Arena Jovelina Pérola Negra
    Quando: Todas as quartas de setembro, das 18:30 às 20:30
    Infos: (21)4123-0102
    enraizados@enraizados.com.br

  • A estória de Adriana Rieger

    A estória de Adriana Rieger

    Hoje, no Rio de Janeiro, 2,5 milhões de jovens estão fora da escola. Onde estão esses jovens? Fui conversar com Adriana Cavalcanti Rieger, formada em Serviço Social pela UFF e graduada em Letras (Português-Alemão) pela UFRJ, especializada em Gênero e Sexualidade pela UERJ e atuante na rede estadual de Educação do Rio de Janeiro desde abril de 2008, trabalhando atualmente no sistema prisional do Estado.

    Adriana respondeu perguntas cruciais e difíceis no Sistema Prisional nesse tempo de encarceramento em massa e extermínio da população jovem, principalmente preta, no país. O resultado você confere agora.

    Cleber: Conte sua estória no sistema.

    Adriana: Entrar numa cadeia não é para qualquer um, ainda mais sendo mulher, mas uma coisa que nunca temi foi trabalhar numa instituição como esta. Primeiro pela minha formação em Assistente Social, segundo porque queria muito experimentar uma nova situação de trabalho tão desafiadora. No sistema prisional não trabalho como assistente social, mas sim como professora de português. Já trabalhei no Degase (instituição sócio educativa prisional para jovens de 15 até 17 anos), também já passei por duas cadeias masculinas, Bangu 4, Bangu 9 e atualmente trabalho no Complexo de Bangu.⁠⁠⁠⁠ Durante esse tempo vivi e vivo muitas situações, escuto e convivo diretamente com os presos em regime fechado. Muitas vezes a aula mesmo de língua portuguesa não acontece, mas sim a conversa e a escuta desses jovens e adultos. São muitas histórias e situações. Ver os jovens num sistema prisional é muito doloroso, principalmente os mais novos que estão cumprindo pena no Degase. As histórias de vida desses meninos são de muito abandono afetivo, sem referências de acreditar num futuro qualquer. O que eles vivem desde que nascem é a pobreza, o descaso do governo, a falta de referências e o pior: a desesperança.

    Hoje no Rio de Janeiro 2,5 milhões de jovens fora da escola. Onde eles estão?

    Boa parte passando pelas cadeias, cumprindo suas penas da pior forma possível e saindo dessas instituições piores do que entraram, isso muitas das vezes, também acontece a reincidência de alguns e outros que acabam voltando para o crime e morrendo nas comunidades ou no asfalto. No Degase esses jovens são jogados nas celas e misturados muitas vezes com facções rivais, o que ocasiona mais conflitos. Esses jovens não tem a chamada visita íntima, são muito jovens sim, mas a maioria já é pai e tem suas namoradas ou esposas. E sabe o que mais impressiona? É a inteligência desses meninos que não foi aproveitada para seguir outros caminhos. Muitos se arrependem de não ter frequentado ou dado a devida importância à escola, porque a necessidade os chamavam para o crime. Além disso há o deslumbramento pelo poder, o poder de segurar uma arma, o poder e o respeito que produzem nas comunidades, principalmente com as meninas, a adrenalina de estar em conflitos com a polícia, de roubar, usar drogas, etc. Isso tudo pelo simples fato desses meninos não serem reconhecidos pela própria sociedade e pelo Estado. Eles estão jogados na margem, não há de fato políticas públicas para manter esses jovens nas escolas, uma vez que muitas vezes a escola não é atrativa, além do preconceito que sofrem dentro das escolas por direções e professores. A violência simbólica que eles vivem nesses espaços faz com que eles desistam e pensem que a vida no crime é melhor, o reconhecimento é melhor. Esses meninos é que deveriam receber maior atenção nas escolas, claro que a mudança parte deles, mas tentar trabalhar de outras formas seria um pouco mais digno e humano para um novo resgate, uma nova esperança de vida e a volta de crer na esperança de um futuro, porque nem isso eles sabem pensar ao certo. Portanto, os meninos que passam pelo Degase, às vezes ficam um mês e são libertos, às vezes voltam, não voltam, ficam um, dois ou três anos que é o limite; enfim, nessa passagem pela escola eles aprendem e começam a entender suas realidades, alguns parecem já perdidos para o crime, poucos acreditam que podem mudar e viver outra vida mais digna. Outros acreditam apenas que a vida deles é curta e que mais cedo ou mais tarde vão morrer mesmo.⁠⁠⁠⁠

    Como mudar essa realidade?

    Minha luta e de outros profissionais que querem mudar a vida desses meninos ou fazê-los acreditar numa condição de vida melhor apesar de todas as suas dificuldades para viver nessa nossa sociedade. É um caminho difícil, mas não impossível. Dentro desse quadro já tivemos sucesso e isso é muito gratificante. É muito bom sabermos de que alguns voltaram para escola, estão trabalhando, mesmo vendendo balas nos sinais de trânsito, se dedicando mais a família, ouvindo mais seus pais, enfim, nem tudo está perdido quando se trabalha com fé, fé na mudança desses meninos, mesmo apenas dentro das escolas prisionais, único lugar de fato de ressocialização para eles.⁠⁠⁠⁠

    É possível haver ressocialização?

    O único lugar onde tanto os jovens e adultos podem buscar e entender sobre a ressocialização é dentro das escolas que funcionam dentro dos presídios. Em algumas cadeias não há oficinas de trabalho, não há lazer, não há mais nada além da escola. As parcerias com instituições profissionalizantes não existem em todos os complexos, ou seja, em todas as cadeias. Um dado alarmante e preocupante: muitos que passam pelo Degase, após completar 18 anos já vão direto para as cadeias adultas. No Complexo de Bangu convivo com muitos meninos jovens também, a maioria enquadrados no crime de tráfico de drogas. Em Complexo de Bangu as celas estão superlotadas, não há atividades extras, a assistência á saúde é muito deficiente, faltam remédios, faltam auxílios para os que mais precisam, além do ambiente insalubre que vivem. Nessas cadeias o índice de tuberculose é alarmante, além da contaminação pelo HIV. Dados do Infopen de 2014 indicam que a incidência de contaminação por HIV e tuberculose chega a ser 60 vezes superior á média nacional, e a incidência de mortes intencionais ( suicídios e homicídios), 6 vezes maior . Em consequência da precariedade que se vê é se vive nesses locais houve o fortalecimento de atuações de facções criminosas dentro do próprio presídio. Além disso a qualidade da água é insalubre, há ratos, celas lotadas, truculência dos agentes ( muitos acreditam que não há esperança para os internos e por eles quem está ali não deveria ter direito algum, muito menos a ida a escola). Nós professores também sofremos com piadinhas, preconceito, intimidações e não somos tão “queridos” assim (por alguns agentes) quando cruzamos o corredor da cadeia para irmos à escola. Somos vistos, muitas vezes, com olhares punitivos e desconfiados, mas mesmo assim seguimos na nossa luta e a equipe de professores do Complexo de Bangu é fantástica! Trabalhamos muito, fazemos da escola o melhor lugar para eles. Questionamos, escutamos, falamos na escola de esperança, de amor, de respeito e de mudança e que não desistam de sair dali diferentes. Nosso trabalho em Complexo de Bangu é de resgate. Sabemos que muitos não conseguem pensar em melhorias, mas isso soma-se a falta de outros meios de ressocialização. Fora a escola que resiste a tudo isso, o fato é que há inúmeras provas do fracasso do modelo punitivista adotado a partir do final do século passado, várias propostas vêm sendo feitas e adotadas nos últimos anos para restabelecer o lugar da prisão como último recurso ao combate à criminalidade. Além disso tal política punitiva de encarceramento não foi capaz de trazer mais segurança aos brasileiros, certo? Dados estatísticos demonstraram isso todos os dias. Outro dado importante: 71% dos internos sequer tem o ensino fundamental completo – INFOPEN 2014. E aí recaímos novamente na questão: onde estão os 2,5 milhões de jovens que estão fora das escolas no RJ?

    Futuro?

    Os problemas do sistema prisional são inúmeros, mas já obtivemos avanços, mesmo que modestos, as preocupações sobre a questão carcerária vêm se centrando justamente no resgate dos direitos e garantias constitucionais dessa população marginalizada, como acesso a oportunidades de educação e trabalho, o desenvolvimento de alternativas e mecanismos de proteção aos acusados contra restrições abusivas á sua liberdade. Será que um dia diante dessas iniciativas teremos um sistema prisional no Brasil digno e de ressocialização de fato? É o que esperamos, é o que espero e que dessa forma a criminalidade venha a se reduzir, mas sobretudo que pensemos no resgate, enquanto há tempo, dentro das escolas regulares, onde existem problemas a serem superados sim, onde a forças contrárias aos restabelecimento de melhores condições de aprendizado dos nossos jovens, mas é nadando contra toda essa maré que podemos reverter um pouco toda essa triste situação que se vive dentro das cadeias, não do do Rio de janeiro, mas do Brasil. Vamos pensar nas futuras gerações para que não tenhamos um país com tantas prisões e poucas escolas.

  • A importância dos saraus

    A importância dos saraus

    Como artista já tive oportunidade de me apresentar em alguns eventos variados, em sua grande maioria eram rodas culturais, porém em algumas oportunidades fui convidado para cantar ou recitar e inclusive tive a oportunidade de ser o poeta fixo de uma temporada do extinto Sarau do Vulcão, sarau que acontecia num shopping, o que fazia a experiência ser ainda mais interessante.

    No início tive bastante receio, porque na sua maioria o público do sarau não é um público que normalmente pararia para ouvir um rap. Mas ali naquele local, eles prestam atenção nas mensagens, e eu sempre tive a sorte dessas pessoas elogiarem o meu trabalho. Era uma troca de energia bastante interessante.

    No Sarau do Vulcão havia muita interação com o público, um sarau no shopping, além de suas normais adaptações tinha que ser algo mais dinâmico e de certa forma nós conseguimos criar um formato nosso. Ao fim de poesia, música, poesia e assim sucessivamente, rolava uma batalha de conhecimento com bastante interação da plateia sugerindo palavras aleatórias, nessa hora os senhores de idade, as crianças, os jovens paravam pra prestigiar e curtir a vibe.

    O Sarau é um ambiente bem diferente do ambiente do rap, das batalhas, mas de verdade, acho que todo MC deveria ir num sarau recitar seus versos e ver o respeito e a reciprocidade da energia, sairia um artista diferente com certeza.

  • Baixada Fluminense é sinônimo de empreendedorismo

    Baixada Fluminense é sinônimo de empreendedorismo

    A Baixada Fluminense tem um dos maiores índices de desemprego do país, segundo dados da Casa Fluminense divulgados em Abril de 2016, cerca de 195 mil pessoas ficaram desempregadas nesse período, de lá pra cá o índice só aumentou, hoje são cerca de 1.300.000 desempregados.

    Com tantos desempregados, não só na Baixada Fluminense, mas em todo o país, acaba se destacando quem pensa fora da caixinha.

    Pensar fora da caixinha não é algo simples, sair da zona de conforto é tão difícil quanto arrumar um emprego, mas mesmo em tempos de crise alguns conseguem, e nesse caso, pensar fora da caixinha é empreender.

    Empreendedorismo é ter a disposição de resolver problemas, ter ideias inovadoras, habilidade de organizar e liderar pessoas, mas a parte principal é ter determinação.

    Para os moradores da Baixada Fluminense empreender não é novidade, pois eles só tem duas escolhas: ser um trabalhador comum que enriquece o patrão; ou empreender pra ter uma vida melhor e mais digna. Lógico que não é fácil, mas pra quem vive na margem tudo é difícil e mesmo com tantas dificuldades pode se ver um aumento considerável no empreendedorismo da região.

    A juventude é a principal responsável por esse aumento, tendo em vista o quanto é difícil ganhar dinheiro, os jovens apresentam ótimas ideias de empreendedorismo com o passar do tempo. Temos ótimos exemplos como: o Bh Studio que é um estúdio onde o músico pode comprar desde o instrumental até gravar e lançar um videoclipe; o Brechó Original Bxd que é um brechó itinerante e online já há bastante tempo e pretende lançar sua marca Original Baixada no próximo ano; a Páia da Boa que  foi criada pelo Mc e Beatmaker, Gustavo Baltar com o intuito de ser sua fonte de renda e hoje já é um negócio mais bem estruturado, trabalhando com encomendas e com vagas abertas para revendedores.

    Se estiver desempregado e se interessar em ser um revendedor Páia da Boa pode entrar em contato com Baltar ou Dorgo.

    Existem outros empreendimentos que não foram citados mas que tem um impacto positivo assim como esses, no próximo domingo dia 3 de Setembro acontecerá a Feira Gambiarra na Praça do Skate de Nova Iguaçu com exposição de artesanato, brechós, culinária caseira e artesanal. Uma grande parte desses empreendedores estará lá pode ser uma ótima oportunidade de conhece-los, fazer umas comprinhas consciente nos brechós, comer umas delícias culinárias e curtir as apresentações das Dj’s Moonjay, Lari Hill e kakao. Vale apena conferir!

    Se você gostou da coluna, leia as últimas onde falei sobre o transporte público e a cultura na Baixada Fluminense e na próxima quinta tem mais.

    Nunca desista do seu sonho, independente de qual seja esse sonho, você pode realiza-lo.

    Nunca ignore uma ideia, são das ideias mais loucas que nascem as melhores coisas.

    Nunca duvide de você, pois apenas você pode se impedir de conquistar o que quer.