E aí? Sou ‘vipinho’ ou ‘vipão’?

Olá, meu povo e minha pova!

Keep Calm, eu não vou escrever sobre eleições 2014. Acho que seria feio, de minha parte, usar esse espaço para colocar minhas intenções políticas. Considerando que eu já faço isso abertamente em todas as minhas redes sociais, prefiro fazer um melhor aproveitamento deste espaço, generosamente, a mim concedido.

Hoje, caro leitor dessa que vos escreve, eu quero mesmo é cutucar você, morador de periferia que acha que ter acesso a cultura é ir ao “Pagode do Seu Zé”, ou ao “Baile do Seu João”, ou, no caso dos mais “intelectuais”, ao cinema na segunda-feira.

Hoje meu papo é com você que acredita que pagar cinco “conto” pro seu filho assistir “Patati Patatá Cover” na escola é o auge da acessibilidade cultural na sua classe social. Não estou dizendo que não são válidas as diversas formas de manifestações culturais. Não quer dizer que não seja bacana o pai deixar de beber um suco na hora do almoço no trabalho pra deixar os “cinco conto” pro filho assistir uma peça teatral na escola. O problema, “cumpadi”, é que eu te pergunto: é só isso?!

Há duas semanas eu estou tentando comprar um ingresso pra uma peça no HSBC Arena, no Rio de Janeiro. Sem sucesso! “De cara”,  as vendas são abertas — primeiramente — a um público seleto de clientes do banco. Depois, o que sobra, meu bem, é só sobra mesmo. Enfim.

Não consegui comprar os ingressos e ainda tomei uma certa repulsa pelo artista e sua produção. Ok! Sei que “o cara” não tem lá muita culpa. Ou será que tem?! A questão é que o fato arrastou pelos cabelos a minha atenção para essa realidade: a cultura de que a cultura não é para pobre continua!

Salvem os nosso produtores locais, criadores de um imaginário cultural na periferia, porque graças a eles, nem só de  pão e água, viverá o homem. Mas, se além da água, pão com manteiga, geléia, iogurte, cereal e  café com leite, você também quiser o caviar cultural da sua cidade, meu bem… Tá difícil.

Nesse desjejum cultural, me pergunto: a quem se destina a cultura, considerando que cultura são os hábitos e costumes de um povo?  Se considerarmos a cultura como algo implícito a nós, a quem se destina a cultura? Será que essa cultura da “culturinha” e do “culturão” nos basta?! Eu, particularmente, gosto de roda de samba, roda de rima, baile de passinho, baile charme, Encontrão, EncontrArte, showzinho e showzão… E aí? Eu sou “vipinho” ou “vipão”?!

Na boa… É por essas e por outras que eu não “pago pau” pra ninguém.

E se você, assim como eu entende que a cultura é algo que nos pertence, e o acesso à ela deve ser feito com equidade, vote em mim… kkkkkkkk! Mentira!  Não é nada disso. O que eu quero, “parceragem”, é te convocar a refletir sobre esses absurdos, que continuam acontecendo por aí. O que eu quero, é que a gente pare de se contentar com sobras. Que a gente deixe de ver e de promover a nossa cultura de modo segmentado, por nichos sociais.

E aí, como é que vai ser?!

Grandes produtoras do “culturão” continuam pegando a grana dos editais e promovendo pros “vipão” mais do mesmo para os mesmos. E aí, produção? Oode isso?! Tu vai ficar aí com essa cara de conformado?! Nossos filhos estão assistindo cover na escola, enquanto o Cirque du Soleil faz um banquete de caviar cultural com dinheiro público. Pra quem?! Pra mim?! Pra você?! Por enquanto, a cultura que melhor nos cabe é aquela de ser feitos de palhaços…

E pra fechar, deixo aqui meus agradecimentos, aos loucos, que assim como eu, se percebem na citação do parceiro Alessandro Buzo: “Salve, todos os loucos, revolucionários que levam a cultura pras periferias, e transformam vidas”.

Sobre Cristiane de Oliveira

Produtora Cultural, Head na Agência #TudoNosso, CupCake Designer na CupCake da Cris, mãe, mulher, escorpiana e absolutamente mutante nesse mundo de imperfeições.

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Sexta feira (03/10), eu e marido embarcamos a trabalho rumo a "Terra da Garoa". Isso mesmo, a terra que, segundo as músicas, não tem amor. Embarcamos felizes e entusiasmados no Rio de Janeiro, com reservas para retorno no domingo, a tempo de irmos as Urnas cumprir nosso papel cidadão. Até aí tudo bem...

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