Tag: Desigualdade Social

  • Marginal Groove: Uma nova musicalidade e uma voz de resistência

    Marginal Groove: Uma nova musicalidade e uma voz de resistência

    Formada em 2019, a Marginal Groove surgiu com o propósito de acompanhar o rapper Dudu de Morro Agudo em sua apresentação no Rock In Rio. A banda, que inicialmente recriou roupagens para as músicas de Dudu, evoluiu para criar novas canções e uma sonoridade própria. Composta por Dudu de Morro Agudo, Rogério Sylp e Gustavo Baltar nos vocais, Ghille e Fábio Spycker nas guitarras, Dom Ramon no baixo, Rob na bateria e Dorgo como DJ, a banda é um coletivo de músicos talentosos e engajados.

    A sonoridade da Marginal Groove é uma fusão de influências diversas, refletindo as experiências musicais de seus integrantes. O resultado é uma mistura de rock, rap, funk, reggae e samba, com uma pegada que lembra bandas como Planet Hemp e Rage Against the Machine, mas vai além. Essa diversidade musical se manifesta em uma proposta única, marcada por letras politizadas e ácidas, abordando temas sociais e políticos com intensidade e autenticidade.

    O auge da trajetória da banda até o momento foi sua apresentação no Rock In Rio 2019, um marco para qualquer artista. Além disso, a Marginal Groove já se apresentou em locais icônicos como o Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói; o SESC Tijuca; a Praça de Morro Agudo; e o Quilombo Enraizados. Cada show reforça sua presença no cenário musical e seu compromisso com a arte e a sociedade.

    Apesar de ainda não terem lançado um álbum completo, a banda possui um vasto material disponível na internet, com registros ao vivo de suas apresentações. Os próximos passos incluem o lançamento de singles e videoclipes, , expandindo sua discografia e sua presença na cena musical, além da produção de um espetáculo especial para apresentar suas novas músicas, que promete ser uma experiência inesquecível para o público.

     

    A Marginal Groove é uma banda com uma forte inclinação política. Suas letras abordam temas como antirracismo, direitos das minorias e críticas à desigualdade social. A banda utiliza sua plataforma para expressar ideias e provocar reflexões, sempre com uma mensagem de resistência e empoderamento.
    Os shows da Marginal Groove são conhecidos por sua energia e interatividade. A banda não apenas toca suas músicas, mas também envolve o público em suas performances, criando uma atmosfera de diálogo e participação.

    Cada apresentação é uma experiência única, que vai além da música e se torna um ato de resistência e conexão.

    A recepção do público tem sido extremamente positiva. A participação ativa e o entusiasmo do público, mesmo com músicas ainda pouco conhecidas, demonstram o impacto que a banda tem nas pessoas. A Marginal Groove foi destaque no podcast “Ao Ponto”, do O Globo, onde o jornalista Bernardo Araújo a mencionou como uma das melhores apresentações do Espaço Favela, no Rock In Rio.

    A Marginal Groove mantém uma forte conexão com a comunidade de Morro Agudo e tem uma relação próxima com o Instituto Enraizados, uma organização de hip hop com 25 anos de atuação na região. Essa ligação com a comunidade se reflete na música da banda e em sua atuação social, reforçando seu compromisso com as causas sociais e culturais.

    Com uma proposta inovadora e uma voz potente, a Marginal Groove é mais do que uma banda; é um movimento que utiliza a música como ferramenta de transformação e resistência.

    SAIBA MAIS

    http://linktr.ee/marginalgroove

  • Do microfone à militância: Hip Hop contra o PL dos estupradores

    Do microfone à militância: Hip Hop contra o PL dos estupradores

    Como a cultura Hip Hop se posiciona contra a criminalização do aborto e defende os direitos das mulheres em um contexto de crescente conservadorismo no legislativo.

    A aprovação relâmpago da urgência do Projeto de Lei 1904/2024, que equipara o aborto em certas circunstâncias ao homicídio, provocou um intenso debate no Brasil.

    Esse projeto, se aprovado, aumentará drasticamente as penas para médicos e mulheres envolvidas em abortos que não sejam em casos de anencefalia, tratando essas ações com a mesma severidade de homicídios. A votação foi marcada por controvérsias, com acusações de irregularidades no processo legislativo e protestos de parlamentares da oposição.

    O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do projeto, contou com o apoio da bancada evangélica para impulsionar a proposta. Caso aprovado, ele vai alterar quatro artigos do Código Penal, transformando atos que atualmente não são crimes ou têm penas menores em crimes com punições severas, de seis a 20 anos de prisão.

    O presidente Lula criticou duramente o projeto, chamando-o de “insanidade”. Ele ressaltou a incoerência de punir uma mulher estuprada que realiza um aborto com uma pena maior do que a aplicada ao estuprador. “Eu sou contra o aborto. Entretanto, como o aborto é a realidade, a gente precisa tratar o aborto como questão de saúde pública. Eu acho que é insanidade alguém querer punir uma mulher numa pena maior do que o criminoso que fez o estupro. É no mínimo uma insanidade isso”, disse Lula.

    O deputado Max Maciel, do PSOL de Brasília, criticou duramente o “PL dos Estupradores”, destacando que a proposta não contribui para o combate à violência contra a mulher, mas sim para a sua criminalização. “O Brasil sempre inova e traz coisas que às vezes nem imaginaríamos”, disse.

    Maciel argumentou que o projeto de lei, ao invés de focar na identificação e punição dos agressores, acaba por punir as vítimas, destacando que muitas mulheres já enfrentam dificuldades em acessar o aborto legal e sofrem hostilidade. “Essa pauta moral conservadora não traz benefício nenhum para a sociedade. Esse não é um Brasil em que podemos acreditar“, concluiu.

    Este posicionamento reforça a necessidade de tratar o aborto como uma questão de saúde pública, refletindo a opinião de 87% dos brasileiros que acreditam que mulheres vítimas de estupro devem ter a opção de abortar, segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva.

    O papel do Hip Hop

    O Hip Hop brasileiro tem um histórico de se engajar em questões sociais e políticas, e a questão do aborto não é exceção. Em 2005, o projeto “Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade” reuniu diversas lideranças do movimento para discutir os direitos reprodutivos das mulheres. Por meio do RAP, o projeto buscou introduzir reflexões sobre aborto, interferência religiosa, gravidez na adolescência e violência de gênero e sexual.

    Esse projeto, dirigido por mim, resultou em um álbum com 10 músicas, assinado por importantes produtores musicais da cena. Duas composições deste álbum merecem destaque pela forma como abordam o tema do aborto.

    Quem paga por isso?

    A canção “Quem Paga Por Isso?” de Cacau Amaral, Negra Rô, Mad e Paulinho Shock, critica as desigualdades sociais e raciais no acesso ao aborto seguro e legal.

    A letra destaca a realidade enfrentada por mulheres negras e pobres, enfatizando a necessidade urgente de mudanças nas políticas públicas.
    A narrativa contrasta as experiências de duas mulheres, Maria e Mariana, ilustrando a desigualdade social. Enquanto Mariana, de classe média, tem acesso a métodos seguros, Maria enfrenta condições precárias e perigosas. A música critica os governantes e o sistema de saúde pela falta de apoio institucional para essas mulheres.

    Relato

    A composição “Relato” de Rúbia Fraga (RPW) e Tyeli Santos narra o sofrimento de uma mulher que enfrenta as consequências de um aborto clandestino. A letra critica o sistema de saúde e a sociedade por sua falta de empatia e suporte às mulheres em situações vulneráveis, além de questionar o papel da igreja e do Estado na garantia dos direitos das mulheres.

    A música aborda a influência da religião e a culpa religiosa, destacando a pressão moral imposta pelas doutrinas religiosas. “Relato” levanta questões críticas sobre julgamento, culpa, direitos das mulheres e a responsabilidade do Estado e da religião em assegurar o bem-estar e a dignidade das pessoas.

    Desafio do Hip Hop em um cenário conservador

    Embora o Hip Hop historicamente tenha sido uma voz poderosa de resistência e conscientização, parte do movimento atual tem se mostrado conservadora e inerte diante dessas questões. No entanto, figuras influentes continuam a usar suas plataformas para se posicionar contra o PL dos Estupradores, defendendo a liberdade e os direitos das mulheres. Filipe Ret usou suas redes para se posicionar contra o PL dos Estupradores, defendendo a liberdade e os direitos das mulheres.

    Flávia Souza, atriz, diretora e rapper do Rio de Janeiro, critica duramente a hipocrisia em torno do debate sobre o aborto.

    “Esses caras aí que se dizem contra o aborto, quando é com as suas filhas, eles vão lá, fazem aborto num bom hospital, seguro e fica tudo bem. Quem mais sofre são as meninas e as mulheres negras, a população pobre, que é a maioria, a população negra, a gente não tem como negar isso. E mais, a gente sabe que é a mulher negra que é assediada até por ter um corpo mais volumoso. A gente já é assediada desde os cinco, sete anos, até por uma questão de uma estrutura de um país racista, que vê o corpo da mulher negra como um objeto de desejo. Então eu acho um absurdo essa PL. Quem acaba sendo criminalizada é a menina, que pode acabar sendo presa no lugar do estuprador e tendo que conviver com uma situação (de gravidez) que não cabe pela questão da idade. Então eu acho muito absurdo e bato na tecla que quem paga é a gente: a mulher.”

    Elza Cohen, fotógrafa, artista visual e ativista na cultura Hip Hop, também se posiciona contra o projeto de lei, destacando seu impacto desproporcional nas populações vulneráveis.

    “Nós mulheres não podemos aceitar esse passo atrás dessa PL do absurdo! Essa PL é criminosa e representa mais uma violência contra as mulheres e meninas. E o alvo maior já sabemos que são as meninas pobres, negras e indígenas. É um projeto que criminaliza meninas menores de idade, enquanto protege o estuprador, isso é repugnante! Quando nós mulheres, deveríamos estar lutando por mais direitos na sociedade, agora temos que lutar para parar esse retrocesso? Criança não é mãe, estuprador não é pai. Liberdade para as mulheres e meninas.”

    Claudia Maciel, da Construção Nacional do Hip-Hop, enfatiza a necessidade de acolhimento e não-criminalização das vítimas.

    ”Em um contexto em que se pretende equiparar o aborto a um crime de homicídio punindo meninas, adolescentes e mulheres que em sua maioria são negras, e que, a pena pela interrupção da gravidez é maior que a do estuprador, o Mulherismo AfriKana, as mulheres negras do Hip Hop compreendem que essas vítimas precisam ser acolhidas, escutadas e não-criminalizadas.”

    Gil Souza, editor do site Hip-Hop Bocada Forte, também expressa sua indignação.

    “Sou totalmente contra a PL, ela é um absurdo. É mais uma violência que se baseia no fundamentalismo religioso de pessoas que se dizem ‘cristãs’.”

    Enquanto a luta pela descriminalização do aborto e pela proteção dos direitos reprodutivos das mulheres continua, a cultura Hip Hop tem o potencial de ser uma poderosa ferramenta de resistência e conscientização, capaz de influenciar mudanças significativas na sociedade. Esta é uma causa que merece o apoio contínuo e a voz forte da cultura Hip Hop.

    Referências Bibliográficas:
    1. Projeto Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade (CEMINA, REDEH e Secretária Especial de Políticas para as Mulheres – SPM).
    https://open.spotify.com/intl-pt/album/6grLeAELpt482Chl2Cizq9?si=k5x_z3gvSMCydEaOrE Geyg
    2. Percepções sobre direito ao aborto em caso de estupro (Locomotiva / Instituto Patrícia Galvão, março de 2022).
    https://assets-institucional-ipg.sfo2.digitaloceanspaces.com/2022/03/IPatriciGalvao_Locomot ivaPesquisaDireitoobortoemCasodeEstuproMarco2022.pdf
    3. PL 1904/2024 – Projeto que equipara aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio.
    https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2425262&filenam e=PL%201904/2024

  • O papel da educação clandestina na formação Política

    O papel da educação clandestina na formação Política

    Ao refletir sobre a ideia “Educação Clandestina”, penso sobre uma abordagem contrária ao ensino formal e oficial. Quando penso no currículo escolar atual, por exemplo, percebo que meu filho tem acesso aos livros adotados pela escola, nos quais ele aprende técnicas para codificar e decodificar símbolos a fim de se comunicar.

    No entanto, transformar essa alfabetização em letramento é uma área na qual a educação brasileira tem falhado se olharmos para as escolas de periferia. Por outro lado, os movimentos sociais estão reunindo uma variedade de conhecimentos, de autores que não estão presentes nessas instituições formais. Esses conhecimentos não se limitam apenas a livros, mas também incluem filmes, podcasts e até encontros entre pessoas, promovendo uma troca que desafia os interesses das elites que controlam o sistema educacional.

    A transformação da alfabetização em letramento envolve não apenas aprender a ler e escrever, mas também compreender criticamente o mundo ao seu redor, questionar as estruturas de poder e desenvolver habilidades para participar ativamente na sociedade. Isso é algo que muitas vezes é negligenciado no ensino formal, pois pode ameaçar o status quo e os privilégios de determinados grupos.

    A “Educação Clandestina” tem o potencial de despertar o sujeito para a realidade concreta. Quando não encontramos autores como Abdias do Nascimento e Clóvis Moura nas escolas, é porque são escritores que abordam questões relacionadas à realidade de pessoas que estão na base da pirâmide social. Se todas essas pessoas se indignarem, o Brasil entra em colapso. Por isso essas pessoas precisam estar anestesiadas, para a roda continuar girando, para que a engrenagem da desigualdade continue funcionando.

    Nossa realidade é tão dura na luta pela sobrevivência, que muitas pessoas entram num processo automático. As pessoas estão vendendo a força de trabalho delas por tão pouco dinheiro, que muitas vezes elas sentem culpa por separar um tempo para pensar sobre a vida. Porque fomos ensinados que a ociosidade, que pensar, que refletir sobre a vida, é “estar à toa”, e ao invés de estarmos à toa, poderíamos estar trabalhando.

    A Educação Clandestina, de forma objetiva, representa o momento central da formação política, que é o da ação, onde as pessoas trocam e se libertam, conforme nos lembra Paulo Freire no livro “Pedagogia do Oprimido”. Algumas pessoas com as quais eu converso dizem que tenho manias de persegiução, que isso parece “teoria da conspiração”.

    Eu respondo que não, pois é a realidade que vivo e vejo. Percebo que algumas pessoas estão presas em um ciclo de repetição. Elas reproduzem o que ouvem sem refletir sobre isso para que possam criar uma nova narrativa, um novo discurso. Estão presas em um processo de espelhamento, o que é perigoso, pois às vezes propagam as ideias do opressor.

    Esses são aspectos que ressaltam a importância da educação clandestina, que vai além do ensino formal e busca capacitar as pessoas para que elas questionem, reflitam e ajam em prol de mudanças sociais. Essa forma de educação permite que as pessoas se identifiquem com as experiências compartilhadas, despertando uma consciência crítica sobre a realidade em que vivem.

    É um processo de formação política continuada, que envolve não apenas absorver conhecimento, mas também agir e influenciar outros ao seu redor. Essa educação clandestina é essencial para romper com a repetição de discursos e padrões estabelecidos, permitindo que as pessoas ocupem espaços de protagonismo e se tornem agentes de transformação na sociedade.

    Alguns conceitos, quando falamos de educação clandestina, ficam abarcados nela, pois a formação política ocorre em camadas. A primeira camada é a do despertar. Em algum momento, por algum motivo, algumas pessoas saem desse estado de anestesia, e o próximo passo, após o despertar, é o de se indignar.

    As pessoas começam a questionar, por exemplo, por que tudo é tão desigual? Por que as coisas estão do jeito que estão? Porque me tratam diferente de outras pessoas?

    Jacques Rancière, no livro “O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual”, acredita que todos têm a capacidade de se emancipar, porque todos têm igual inteligência, reconhecendo que todos têm a capacidade de pensar e contribuir para mudanças sociais. Contudo, algumas pessoas não conseguem acessar espaços para desenvolverem essa inteligência. Estão imersas numa rotina tão profunda e anestésica da realidade que não conseguem participar de movimentos que as levem a esse despertar.

    A próxima camada é o agir, é se misturar com outras pessoas, e ao se misturar com outras pessoas, é onde inicia-se o processo da “educação clandestina”.
    A obviedade da clandestinidade dessa formação reside no fato de que as pessoas percebem que tudo aquilo a que tiveram acesso por vias oficiais até o momento não as fez despertar para a realidade. O despertar, com certeza, foi provocado por alguma atividade que se enquadra no conceito que estamos abordando de educação clandestina, que é essencialmente a ação.

    Portanto, o agir individual e coletivo pode envolver, por exemplo, a produção de uma batalha de rimas na comunidade, a realização de encontros para práticas teatrais, rodas de conversa, pré-vestibulares comunitários, ingresso em universidades, disputa por cargos políticos, até mesmo o próprio RapLab, entre outros.
    Paulo Freire diferencia a tomada de consciência, que é o despertar para a realidade, da conscientização, que envolve a ação concreta para transformar essa realidade. A conscientização é o processo de agir de forma crítica e reflexiva, engajando-se em atividades que promovam mudanças sociais e políticas.

    Essas ações podem variar desde atividades culturais como batalhas de rimas e teatro até engajamento político e acadêmico. Esse processo de conscientização é fundamental para a formação política, pois permite que os indivíduos não apenas reconheçam as injustiças, mas também atuem para combatê-las.

    A formação política é um processo contínuo, por isso acredito que o Rap Lab seja um espaço importante para essa formação, pois reúne pessoas com diferentes experiências e níveis de consciência política. Ao mesmo tempo que há indivíduos que ainda não despertaram, existem outros que estão mais avançados nesse processo. Mas, como nos ensina Jacques Rancière, todos têm o poder da igual inteligência, e, portanto, todos podem se desenvolver coletivamente.

    Quando afirmamos que no RapLab não há certo e errado, queremos dizer que cada pessoa pode participar a partir de sua vivência, da forma como enxerga o mundo. Ela terá que disputar e defender esse ponto de vista dentro da atividade. É um espaço onde o debate é incentivado e a diversidade de perspectivas é valorizada, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de todos os participantes.

    Eu acreditava que durante a pandemia os encontros do RapLab poderiam não acontecer, devido à necessidade de serem realizados online e de forma contínua. Além de não conseguirmos realizar a fase de gravação da música, não tínhamos ideia de como incentivar os participantes a estarem conosco duas vezes por semana. Como coordenador, eu não conseguia antecipadamente pensar em 156 temas para discutir, já que não dominava tantos assuntos.

    No entanto, ao dividirmos as responsabilidades com os participantes, escolhendo os temas no momento da atividade, as coisas foram acontecendo de forma natural e os encontros ficando mais interessantes para a maioria dos participantes.

    Quando um participante propõe um tema, ele está nos propondo falar sobre aquilo que o afeta naquele momento, e entendendo a realidade dos jovens que estavam inscritos no projeto, acredito que por isso discutimos tantos temas relacionados à “luta de classes”.

    Quando um outro jovem propõe algo relacionado com a questão racial, certamente está enfrentando algum problema relacionado ao tema, e discutir sobre essa questão pode, além de ser importante pra quem propôs, afetar também outras pessoas de forma diferente, gerando grandes debates e produzindo conhecimentos.

    Mas também houve momentos em que não queríamos discutir nada disso, porque já estávamos cansados, e debater esses temas demandava muita energia. Então, optávamos por falar sobre coisas mais leves como “gírias” ou “desenhos animados”, por exemplo.

    Em suma, a reflexão sobre a “Educação Clandestina” revela a necessidade premente de repensar e ampliar os horizontes do sistema educacional tradicional. Ao destacar a importância da conscientização política, da ação crítica e do empoderamento social, esse conceito nos convida a questionar as estruturas de poder e a buscar alternativas que promovam uma educação mais inclusiva, diversa e transformadora. Através da educação clandestina, podemos despertar consciências, ampliar perspectivas e capacitar indivíduos a se tornarem agentes ativos na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É imperativo reconhecer o potencial dessa abordagem não convencional e investir em iniciativas que fortaleçam sua prática, permitindo que todos tenham acesso a uma educação que vá além do ensino formal e estimule o pensamento crítico, a criatividade e o engajamento.

  • Nova Iguaçu submersa: o ciclo infinito das enchentes

    Nova Iguaçu submersa: o ciclo infinito das enchentes

    Por Dudu de Morro Agudo

    Na tarde de ontem a chuva começou cedo, mas a partir das 19 horas não deu mais trégua, gerando apreensão em diversos locais de Nova Iguaçu, onde a população temia que suas casas fossem invadidas pela água. No bairro Jardim Canaã, minha sogra, vítima de uma primeira enchente devastadora em 2014, vive sob constante ameaça. As recorrentes inundações, atribuídas pelos moradores a uma obra mal executada no Rio Botas, traumatizaram-na a ponto de ela não manter mais móveis em casa.

    Percebendo que a chuva não pararia, me ofereci para levar meu amigo Samuel Azevedo para casa, deparei-me com uma cidade caótica, entrelaçada por engarrafamentos e bolsões de água. Ruas alagadas, carros avariados e comércios submersos evidenciavam a gravidade da situação. A expressão “Racismo Ambiental” utilizada pela Ministra Anielle Franco ganha relevância ao observar a disparidade entre os pontos mais abastados da cidade, onde tais problemas não ocorrem.

    RACISMO ESTRUTURAL: O MAL INVISÍVEL NAS ÁGUAS

    Convido todos à reflexão profunda sobre os responsáveis por essa situação, pois não é algo natural, como alguns insistem em alegar. Não posso e não devo direcionar minhas críticas ao governo corrente, pois Nova Iguaçu é uma cidade com 190 anos, e muitos outros governos deixaram o problema para o governo seguinte, como uma herança maldita.

    A questão vai além das enchentes; trata-se do fenômeno conhecido como racismo estrutural, que se manifesta na distribuição desigual de recursos e serviços. Em Nova Iguaçu, a população mais vulnerável, majoritariamente composta por negros e afrodescendentes, enfrenta as piores consequências das inundações. As áreas mais pobres da cidade são as mais afetadas, evidenciando uma relação direta entre condições socioeconômicas precárias e o impacto ambiental.

    Essas reflexões trazem novas (ou nem tão novas) questões que tentam apontar os motivos que fazem esses problemas se arrastarem por tantos anos:

    Falta dinheiro ou será que os recursos públicos são direcionados para a manutenção do poder?

     

    A REVOLTA NAS REDES SOCIAIS: TWITTER COMO PALCO DE INDIGNAÇÃO

    Revoltando-me diante do descaso por este lugar e suas pessoas, sofro ao testemunhar tamanho descaso e clamor ignorado. Nas últimas horas, as redes sociais, principalmente o X (antigo Twitter), tornaram-se palco da indignação da população de Nova Iguaçu. Mensagens cobrando soluções imediatas das autoridades inundaram a plataforma, refletindo a frustração acumulada ao longo dos anos.

    Diante desse cenário, é fundamental que as autoridades municipais e estaduais se posicionem de maneira transparente, explicando as medidas adotadas para enfrentar as enchentes recorrentes. A comunidade merece respostas claras sobre os investimentos em infraestrutura e ações preventivas que visam mitigar esses impactos.

    A persistência desse problema em uma cidade com quase dois séculos de existência clama por uma análise mais profunda. É hora de unir esforços, superar barreiras e trabalhar coletivamente para garantir que Nova Iguaçu não seja mais refém das enchentes que assolam as partes mais vulneráveis da cidade. A população já demonstrou sua voz nas redes sociais; agora, é aguardar respostas concretas das autoridades e, juntos, construir um futuro mais seguro e justo para todos os iguaçuanos.

     

  • Racional e Enraizado: Caminhos para a Libertação através do Hip Hop Brasileiro

    Racional e Enraizado: Caminhos para a Libertação através do Hip Hop Brasileiro

    Nova Iguaçu, 2 de novembro de 2023 – O Hip Hop brasileiro tem desempenhado um papel crucial na promoção da liberdade e na amplificação das vozes das comunidades marginalizadas ao longo das últimas décadas. Para explorar esse fenômeno transformador, um painel especial intitulado Racional e Enraizado: Caminhos para a Libertação através do Hip Hop Brasileiro será realizado no Edifício da Sala de Aula 135, no Campus Leste da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, no dia 13 de novembro de 2023, das 11h45 às 13h.

    Organizado pela equipe de estudantes de pós-graduação e graduação da Bass Connections, este evento extraordinário destacará duas influentes entidades do cenário hip-hop brasileiro: os Racionais MCs, de São Paulo, e o Instituto Enraizados, uma organização comunitária na periferia urbana do Rio de Janeiro. Os Racionais MCs, recentemente apresentados em um documentário da Netflix, são pioneiros do movimento hip-hop no Brasil, enquanto o Instituto Enraizados tem sido um farol de esperança e conscientização para os jovens que enfrentam desafios como pobreza, racismo e estigmatização.

    O Instituto Enraizados, localizado na periferia do Rio de Janeiro, promove a conscientização racial, social e política em uma região de quatro milhões de habitantes, a maioria afrodescendentes e de classe baixa ou trabalhadora. Por meio de eventos regulares de slam poetry, teatro, uma biblioteca de leitura, instalações de produção de mídia e um curso preparatório para a faculdade, o instituto oferece suporte e educação, servindo como um exemplo inspirador de resistência e superação.

    Este evento é patrocinado pelo projeto “Hip Hop Pedagogies: Educação para a Cidadania no Brasil e nos Estados Unidos”, uma iniciativa da Bass Connections co-patrocinada pela Universidade de Duke e pela North Carolina Central University.

    Para mais informações sobre o projeto, visite o site oficial: https://bassconnections.duke.edu/project-teams/hip-hop-pedagogies-education-citizenship-brazil-and-united-states-2023-2024

    Para consultas adicionais ou entrevistas, entre em contato com:

    John Doe
    Email: jdfrench@duke.edu
    Telefone: (123) 456-7890

    Courtney Crumpler
    Email: courtney.crumpler@duke.edu
    Telefone: (123) 789-0123

    Gladys Martinez
    Email: gladysm@uchicago.edu
    Telefone: (321) 654-9876

    Junte-se a nós para uma exploração envolvente e inspiradora do poder do Hip Hop como veículo para a liberdade e a mudança social. Juntos, podemos continuar a fortalecer as vozes daqueles que buscam a libertação e a igualdade no Brasil e em todo o mundo.

     

  • Festival Caleidoscópio 2023: Celebrando a diversidade e os 50 anos da cultura hip hop

    Festival Caleidoscópio 2023: Celebrando a diversidade e os 50 anos da cultura hip hop

    Transformando Arte em Ativismo e Refletindo sobre a Desigualdade Social

    Nova Iguaçu, RJ – O Festival Caleidoscópio está de volta em sua nona edição, prometendo uma experiência única que transcende os limites da arte. Este evento, que vai muito além de um festival, se consolida como uma fusão entre arte e ativismo, um espaço transformador que incita a reflexão profunda sobre a persistente desigualdade social no Brasil.

    Desde sua estreia em 2015, o Festival Caleidoscópio tem sido um ponto de convergência para jovens artistas negros e periféricos. Ele se destaca ao oferecer um ambiente propício para encontros e expressões, transformando fragmentos individuais em uma imagem coletiva de beleza extraordinária.

    A escolha da localização não é acidental. O festival encontra sua casa nos bairros da Baixada Fluminense, com a Praça Armando Pires, em Morro Agudo, Nova Iguaçu, como epicentro de suas atividades. Este local desafia o estigma violento associado a certas áreas, celebrando a arte como contraponto e inspiração para superar desafios.

    A programação diversificada do Festival Caleidoscópio é um verdadeiro festim de expressões artísticas. Desde shows, feira criativa, batalhas de MCs, gastronomia de rua, painéis de graffiti, DJs, biblioteca coletiva, saraus de poesia, exposições e até espaço recreativo para crianças – o festival incorpora uma riqueza de experiências que cativam e inspiram os visitantes.

    A edição de 2023 tem um significado especial, marcando os 50 anos da cultura hip hop. Este ano, o CaleidoKids será uma das atrações mais aguardadas, oferecendo um espaço dedicado às crianças com brinquedos, livros e atividades diversas, introduzindo os pequenos ao universo hip hop.

    O Festival Caleidoscópio sempre ergueu bandeiras significativas. Desde a luta contra o “Extermínio da Juventude Negra” até campanhas pela paz na Baixada Fluminense, o festival se tornou uma voz poderosa em questões sociais.

    PROGRAMAÇÃO
    10:00 – CaleidoKids + Painel de Graffiti + Feira Criativa + Exposições
    14:00 – PALCO DE CRIA
    15:45 – DJ
    16:00 – SLAM MORRO AGUDO
    – 17:00 – RODA DE CONVERSAS – 50 ANOS DO HIP HOP – Com Edd Wheeler, Mad, FML, Sandro Pinah e DJ Raffa
    18:30 – BAILE DA IMPERATRIZ
    19:30 – BATALHA DE MORREBA (BLOCO 01)
    20:10 – SARAU POETAS COMPULSIVOS – ABERTURA – Lisa Castro & Átomo Pseudopoeta
    20:15 – INBUTE POETA
    20:30 – MICROFONE ABERTO
    20:45 – ADRIELLE
    21:00 – YOÚN
    21:30 – BATALHA DE MORREBA (BLOCO 02)
    22:00 – MAUI
    22:30 – BATALHA DE MORREBA (FINAL)
    22:50 – DJ RAFFA

    Com uma programação intensa e diversificada, o Festival Caleidoscópio 2023 promete uma jornada artística e cultural que celebrará a riqueza da Baixada Fluminense e marcará os 50 anos da cultura hip hop. Para mais informações e para se inscrever em atividades, acesse o site oficial do festival: http://www.festivalcaleidoscopio.com.br

    SERVIÇO:
    Festival Caleidoscópio 202
    Data: 07 de outubro de 2023
    Local: Praça de Morro Agudo
    Horário: Das 10:00 às 00:00

    Para solicitar entrevistas, mais informações sobre a programação ou imagens em alta resolução, entre em contato com nossa assessoria de imprensa em:

    http://www.linktr.ee/FestivalCaleidoscopio