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  • Do microfone à militância: Hip Hop contra o PL dos estupradores

    Do microfone à militância: Hip Hop contra o PL dos estupradores

    Como a cultura Hip Hop se posiciona contra a criminalização do aborto e defende os direitos das mulheres em um contexto de crescente conservadorismo no legislativo.

    A aprovação relâmpago da urgência do Projeto de Lei 1904/2024, que equipara o aborto em certas circunstâncias ao homicídio, provocou um intenso debate no Brasil.

    Esse projeto, se aprovado, aumentará drasticamente as penas para médicos e mulheres envolvidas em abortos que não sejam em casos de anencefalia, tratando essas ações com a mesma severidade de homicídios. A votação foi marcada por controvérsias, com acusações de irregularidades no processo legislativo e protestos de parlamentares da oposição.

    O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do projeto, contou com o apoio da bancada evangélica para impulsionar a proposta. Caso aprovado, ele vai alterar quatro artigos do Código Penal, transformando atos que atualmente não são crimes ou têm penas menores em crimes com punições severas, de seis a 20 anos de prisão.

    O presidente Lula criticou duramente o projeto, chamando-o de “insanidade”. Ele ressaltou a incoerência de punir uma mulher estuprada que realiza um aborto com uma pena maior do que a aplicada ao estuprador. “Eu sou contra o aborto. Entretanto, como o aborto é a realidade, a gente precisa tratar o aborto como questão de saúde pública. Eu acho que é insanidade alguém querer punir uma mulher numa pena maior do que o criminoso que fez o estupro. É no mínimo uma insanidade isso”, disse Lula.

    O deputado Max Maciel, do PSOL de Brasília, criticou duramente o “PL dos Estupradores”, destacando que a proposta não contribui para o combate à violência contra a mulher, mas sim para a sua criminalização. “O Brasil sempre inova e traz coisas que às vezes nem imaginaríamos”, disse.

    Maciel argumentou que o projeto de lei, ao invés de focar na identificação e punição dos agressores, acaba por punir as vítimas, destacando que muitas mulheres já enfrentam dificuldades em acessar o aborto legal e sofrem hostilidade. “Essa pauta moral conservadora não traz benefício nenhum para a sociedade. Esse não é um Brasil em que podemos acreditar“, concluiu.

    Este posicionamento reforça a necessidade de tratar o aborto como uma questão de saúde pública, refletindo a opinião de 87% dos brasileiros que acreditam que mulheres vítimas de estupro devem ter a opção de abortar, segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva.

    O papel do Hip Hop

    O Hip Hop brasileiro tem um histórico de se engajar em questões sociais e políticas, e a questão do aborto não é exceção. Em 2005, o projeto “Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade” reuniu diversas lideranças do movimento para discutir os direitos reprodutivos das mulheres. Por meio do RAP, o projeto buscou introduzir reflexões sobre aborto, interferência religiosa, gravidez na adolescência e violência de gênero e sexual.

    Esse projeto, dirigido por mim, resultou em um álbum com 10 músicas, assinado por importantes produtores musicais da cena. Duas composições deste álbum merecem destaque pela forma como abordam o tema do aborto.

    Quem paga por isso?

    A canção “Quem Paga Por Isso?” de Cacau Amaral, Negra Rô, Mad e Paulinho Shock, critica as desigualdades sociais e raciais no acesso ao aborto seguro e legal.

    A letra destaca a realidade enfrentada por mulheres negras e pobres, enfatizando a necessidade urgente de mudanças nas políticas públicas.
    A narrativa contrasta as experiências de duas mulheres, Maria e Mariana, ilustrando a desigualdade social. Enquanto Mariana, de classe média, tem acesso a métodos seguros, Maria enfrenta condições precárias e perigosas. A música critica os governantes e o sistema de saúde pela falta de apoio institucional para essas mulheres.

    Relato

    A composição “Relato” de Rúbia Fraga (RPW) e Tyeli Santos narra o sofrimento de uma mulher que enfrenta as consequências de um aborto clandestino. A letra critica o sistema de saúde e a sociedade por sua falta de empatia e suporte às mulheres em situações vulneráveis, além de questionar o papel da igreja e do Estado na garantia dos direitos das mulheres.

    A música aborda a influência da religião e a culpa religiosa, destacando a pressão moral imposta pelas doutrinas religiosas. “Relato” levanta questões críticas sobre julgamento, culpa, direitos das mulheres e a responsabilidade do Estado e da religião em assegurar o bem-estar e a dignidade das pessoas.

    Desafio do Hip Hop em um cenário conservador

    Embora o Hip Hop historicamente tenha sido uma voz poderosa de resistência e conscientização, parte do movimento atual tem se mostrado conservadora e inerte diante dessas questões. No entanto, figuras influentes continuam a usar suas plataformas para se posicionar contra o PL dos Estupradores, defendendo a liberdade e os direitos das mulheres. Filipe Ret usou suas redes para se posicionar contra o PL dos Estupradores, defendendo a liberdade e os direitos das mulheres.

    Flávia Souza, atriz, diretora e rapper do Rio de Janeiro, critica duramente a hipocrisia em torno do debate sobre o aborto.

    “Esses caras aí que se dizem contra o aborto, quando é com as suas filhas, eles vão lá, fazem aborto num bom hospital, seguro e fica tudo bem. Quem mais sofre são as meninas e as mulheres negras, a população pobre, que é a maioria, a população negra, a gente não tem como negar isso. E mais, a gente sabe que é a mulher negra que é assediada até por ter um corpo mais volumoso. A gente já é assediada desde os cinco, sete anos, até por uma questão de uma estrutura de um país racista, que vê o corpo da mulher negra como um objeto de desejo. Então eu acho um absurdo essa PL. Quem acaba sendo criminalizada é a menina, que pode acabar sendo presa no lugar do estuprador e tendo que conviver com uma situação (de gravidez) que não cabe pela questão da idade. Então eu acho muito absurdo e bato na tecla que quem paga é a gente: a mulher.”

    Elza Cohen, fotógrafa, artista visual e ativista na cultura Hip Hop, também se posiciona contra o projeto de lei, destacando seu impacto desproporcional nas populações vulneráveis.

    “Nós mulheres não podemos aceitar esse passo atrás dessa PL do absurdo! Essa PL é criminosa e representa mais uma violência contra as mulheres e meninas. E o alvo maior já sabemos que são as meninas pobres, negras e indígenas. É um projeto que criminaliza meninas menores de idade, enquanto protege o estuprador, isso é repugnante! Quando nós mulheres, deveríamos estar lutando por mais direitos na sociedade, agora temos que lutar para parar esse retrocesso? Criança não é mãe, estuprador não é pai. Liberdade para as mulheres e meninas.”

    Claudia Maciel, da Construção Nacional do Hip-Hop, enfatiza a necessidade de acolhimento e não-criminalização das vítimas.

    ”Em um contexto em que se pretende equiparar o aborto a um crime de homicídio punindo meninas, adolescentes e mulheres que em sua maioria são negras, e que, a pena pela interrupção da gravidez é maior que a do estuprador, o Mulherismo AfriKana, as mulheres negras do Hip Hop compreendem que essas vítimas precisam ser acolhidas, escutadas e não-criminalizadas.”

    Gil Souza, editor do site Hip-Hop Bocada Forte, também expressa sua indignação.

    “Sou totalmente contra a PL, ela é um absurdo. É mais uma violência que se baseia no fundamentalismo religioso de pessoas que se dizem ‘cristãs’.”

    Enquanto a luta pela descriminalização do aborto e pela proteção dos direitos reprodutivos das mulheres continua, a cultura Hip Hop tem o potencial de ser uma poderosa ferramenta de resistência e conscientização, capaz de influenciar mudanças significativas na sociedade. Esta é uma causa que merece o apoio contínuo e a voz forte da cultura Hip Hop.

    Referências Bibliográficas:
    1. Projeto Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade (CEMINA, REDEH e Secretária Especial de Políticas para as Mulheres – SPM).
    https://open.spotify.com/intl-pt/album/6grLeAELpt482Chl2Cizq9?si=k5x_z3gvSMCydEaOrE Geyg
    2. Percepções sobre direito ao aborto em caso de estupro (Locomotiva / Instituto Patrícia Galvão, março de 2022).
    https://assets-institucional-ipg.sfo2.digitaloceanspaces.com/2022/03/IPatriciGalvao_Locomot ivaPesquisaDireitoobortoemCasodeEstuproMarco2022.pdf
    3. PL 1904/2024 – Projeto que equipara aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio.
    https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2425262&filenam e=PL%201904/2024

  • 25 anos da polêmica ‘Sacolinha’ de Dudu de Morro Agudo

    25 anos da polêmica ‘Sacolinha’ de Dudu de Morro Agudo

    Neste ano a música “Sacolinha”, do rapper Dudu de Morro Agudo, completa 25 anos e o videoclipe 05, e para comemorar resolvemos relembrar do processo criativo e da polêmica em que ela resultou.

    Eu escrevi a música com 13 anos, gravei com 28, produzi o videoclipe com 32 e hoje, com 38 anos, ela continua atual”, afirma Dudu.

    É uma música atemporal que critica a conduta de algumas igrejas e suas lideranças, gerando questionamento e reflexão a partir do humor, de forma descontraída. A animação 2D, elabora pelo cineasta Bruno Thomassim, ajudou para que um assunto relativamente sério fosse absorvido pelo público com mais leveza, fazendo com que o primeiro clipe do rapper fosse um grande sucesso.

    A frase mais famosa da música é a pergunta:  -“Vamos recolher a sacolinha?“, você sabe o porquê disso?

    CONFIRA A ENTREVISTA ABAIXO

    Dudu de Morro Agudo
    Dudu de Morro Agudo

    Portal Enraizados: Você é ateu?

    Dudu: Não. Eu acredito numas paradas aí.

    Quais paradas, qual a sua religião?

    Eu não tenho religião. Vou em tudo e não fico em nada. Acredito nas energias, nas árvores, nos gnomos, em Deus, nos santos. Em tudo, tá ligado? Acredito em tudo que não posso provar que não existe. Se tu me falar que uma parada existe, já era, respeito e bola pra frente. O problema todo é que eu não concordo quando usam essas coisas para fins lucrativos.

    Quando você lançou o clipe, alguma pessoa, algum líder religioso veio te criticar, falar que você estava fazendo errado, que ia pro inferno ou alguma coisa do tipo?

    Sim, antes de eu lançar o disco, um amigo meu que é evangélico veio me questionar, brigar comigo mesmo, me dar esporro, dizendo que eu ia pro inferno, que não podia ter feito isso, que eu estava denegrindo a igreja e, consequentemente, Deus.

    Eu fiquei perplexo por ser um cara tão próximo da gente e ter uma visão tão antiquada, quadrada. A minha reação foi chamar outro camarada e realizar um debate. Então eu fiquei meio neutro na história e deixei os dois debatendo, pois os dois eram evangélicos, e cada um colocou seu argumento.

    O que estava a meu favor, falou que achava que não tinha nada demais na música e que se eu cheguei àquela conclusão foi porquê eu fiz uma análise, passei por uma experiência e relatei em forma de música, poderia ser uma tese, um quadro ou qualquer outra coisa. E que qualquer revista que se comprasse, ou até mesmo quando se ligasse a TV, viria que tudo era realidade.

    Bea: Vi uma tirinha na internet que mostra que é muito bizarro quando você mexe com a igreja católica ou evangélica. Não pode fazer sátira falando disso por que é pecado, mas as pessoas fazem isso diariamente com o candomblé, a “macumba” é pejorativa e as religiões de matrizes africanas  são usadas o tempo inteiro em filme, mas não podem fazer o mesmo com as religiões protestantes.

    As pessoas me questionavam: – “Porque você não faz isso com os muçulmanos? Eles vão te explodir.”
    Mas ninguém lembra que há um tempo a igreja católica tava queimando gente. Eu não teria problema em mexer com a ideia dos homens bomba, eu mexeria com os caras e não com a religião em si, por que o islã não tem nada a ver com o que os homens bombas fazem, é só você ter um entendimento um pouco maior da religião pra entender isso. Da mesma forma que o cristianismo não tem nada haver com o que os pastores fazem, são pessoas sem escrúpulos que se utilizam de MÁ FÉ para enganar pessoas. Negociam a fé.

    Você só cai nisso quando tá no fundo do poço, muito fodido, ou você tá muito doente, sua família muito doente, eles se aproveitam disso, ou seja, quando você tá vulnerável o cara vai lá e acaba de te foder.

    Dudu de Morro Agudo
    Dudu de Morro Agudo

    Essa história do clipe, da sua mãe te levar pra igreja, ela realmente aconteceu?

    Não, essa história não é real. Minha mãe só me levou pra igreja no meu batizado, quando eu era bebê, depois ela nunca mais quis me influenciar em nada, nem primeira comunhão eu fiz.

    O que aconteceu foi o seguinte. Na minha pré-adolescência eu e uns amigos íamos pra uma festa, mas uma das meninas que saía com a gente não podia ir porque tinha que ir pra igreja com a tia, aí decidimos comprar a causa da menina e ir junto pra igreja. A igreja era a catedral da Universal, na Suburbana. Eu nunca tinha visto nada como aquilo, parecia um mundo. Fiquei perplexo com a quantidade de dinheiro que circulava ali dentro, o pastor perguntava “quem pode dar R$100.000,00 (cem mil reais)?” e um monte de pessoas levantavam as mãos, saíam e recebiam uma oração especial, depois os pastores pediam R$50.000,00, e assim por diante.

    Mas quando chegava R$1.000,00 já era uma oração genérica, pra todo mundo. Pessoas esclarecidas caiam nessa onda e doavam coisas que não tinham, deixavam faltar coisas em casa pra poder colaborar mais com a igreja. E depois aconteceu na minha família, casos com a minha vó, minha tia.

    A partir daí eu fui fazendo a primeira parte da música, comecei a escrever com 13 anos e terminei com 19, quando a Bea tinha nascido, eu tinha um tempinho sobrando e então escrevi o final da música. Cinco anos depois tudo continuava exatamente do mesmo jeito e cada vez mais coisas vinham à tona.

    Hoje em dia tu escreve uma música, como por exemplo eu escrevi a música “Legado”, que é sobre a Copa do Mundo, e ela tem um prazo de validade, passou a Copa do Mundo e aquilo já não funciona mais, mas Sacolinha é uma música atemporal, é um problema que é recorrente, não só no Brasil, mas em vários lugares do mundo, e nos lugares mais pobres são onde eles mais se agravam.

    Dudu de Morro Agudo
    Dudu de Morro Agudo

    Victor: Essa música é para as pessoas despertarem?

    Eu acho que a música tem um papel social, o meu rap tem isso, pra fazer as pessoas pararem para analisar. Eu não quero que ninguém concorde comigo, quero que as pessoas acordem pra vida e tirem suas próprias conclusões, vejam se aquilo realmente acontece. Mesmo que não seja na profundidade que eu narro, desejo que cada um seja capaz de analisar em que profundidade é.

    Bea: Mas também tem isso, se não chocar, as pessoas não se interessam e não param pra ver, tem que ter aquele choque.

    Se for muito melódico as pessoas não ouvem a letra. Eu cantarolo algumas músicas que eu nunca parei pra analisar a letra.

    De onde surgiu a frase “Vamos recolher a sacolinha?”

    A inspiração veio do Tim Tones, personagem do Chico Anysio. Eu assistia muito na minha infância, sempre fui muito fã, mas certo dia aquilo tudo o que ele protestava começou a fazer muito sentido pra mim, ao ponto de eu ter que fazer uma música.

    Hoje, 25 anos depois, a sua ideia sobre a igreja continua a mesma ?

    Piorou bastante, surgiram novos personagens que são bem piores dos que tinham a 25 anos atrás, tem uma legião do mal agora, tem Valdomiro, Silas Malafaia, RR Soares, Bispo Macedo, tem Agenor Duque e a mulher dele que eu nem conheço, tem os outros da Renascer que foram pegos no aeroporto cheios de dólares.

    Teve uma parada que aconteceu que eu quase voltei pra igreja, não me converti nem nada, mas quase voltei a frequentar, foi no batismo da Bea, porque o pastor era meu parceiro, ele me chamava de “Dudu Cabeção” eu chamava ele de “Pastor Bilão” e era maneiro e você via que aquilo ali era de verdade, não tinha nada de valor na igreja, você via o pessoal passando necessidade ali pra pagar uma conta.

    Mas a partir do momento em que o cara começa a querer construir prédio, botar tudo de blindex, estacionamento gigante e depois cobrar pelo estacionamento, pastor chegar com carro importado na igreja e dizer que o pastor tem que dar exemplo.  Eu já ouvi isso. O cara na rádio disse: – “Você acha que Jesus andava num burrico velho ou num burrico 0km?”

    Você pretende fazer algo a mais com esse foco?

    Não, o que eu tinha que fazer, ja fiz.

  • Caverna de Trifônio

    Caverna de Trifônio

    Conheci pessoas que eram sinônimos de otimismo, alegria, simpatia. Falavam e riam alto, brincavam, tinham uma energia contagiante. No entanto algumas dessas pessoas mudaram após terem supostamente conhecido Deus.

    Deus do qual fazem propaganda de que dará a todos a alegria plena, no entanto essas mesmas pessoas [na maioria das vezes] perdem todos os predicados relacionados a alegria após o tal acontecimento. Tenho a convicção de que Deus nada tem haver com essa mudança de temperamento. Isto está ligado à religiosidade, e ao que essa considera aprovável ou não em termos comportamentais.

    Segundo a mitologia grega, Trifônio foi um hábil arquiteto. A caverna onde este foi sepultado era conhecida por seus oráculos. Os que consultavam os oráculos de Trifônio ficavam melancólicos pelo resto de suas vidas. Criou-se então a expressão proverbial entre os gregos: Consultou o oráculo de Trifônio ou Saiu da caverna de Trifônio, para designar uma pessoa grave e taciturna.

    Daí surgiu a ideia de escrever uma letra que aponta algum dos lugares que esses “convertidos” vão para consultar os oráculos como a caverna de Trifônio:

    Caverna de Trifônio

    Flores de plástico não morrem,
    Não vivem, no entanto.
    Imagens sacras não correm,
    Descansam num canto.

    De lá ascendo,
    Assim sendo, acendo… A senda aos noviços.
    Roubar-se-á o brilho do olhar,
    O ar… O viço,
    À serviço… Do medo,
    Escravos azedos… Tal vinagre.
    Começou co o pé esquerdo?
    Certo que seu dia se estrague…

    Homens pra lá de idôneos,
    Seguem todo o protocolo.
    Mas saem da Caverna de Trifônio,
    Com seus demônios… O tiracolo.
    Amontoadas na garupa,
    Culpa… E vicissitude.
    Perdeu a singeleza, a cor,
    O frescor… Da juventude.

    Oh dias, oh azar!
    Eis o bazar… Das carrancas.
    Há modelos diversos,
    Nem Nerso… Da Capetinga, lhe arranca,
    Um sorriso.
    Ser bem humorado é mau,
    Austeridade é sinal,
    De bom siso…

    Levam tudo a sério,
    No império… Onde o “bobo” é o rei.
    Em busca do som estéreo,
    Refrigério… Dessa mágoa não beberei.
    Não me enturmo,
    Com taciturnos… Entornam o leite e lágrimas após.
    Conta,
    Os contra… De canto os tantos pontos prós.

  • Reclamando de Barriga Cheia

    Reclamando de Barriga Cheia

    O Rio de Janeiro continua lindo, apesar dos pesares, apesar dos políticos, apesar da corrupção, apesar dos bandidos que migraram pra Baixada Fluminense com seus fuzis e suas drogas pesadas, apesar da Copa do Mundo que ninguém está comemorando nas ruas porque estamos PT da vida com os gastos abusivos do Governo, apesar da polícia que extorque o cidadão na rua, apesar do pensamento hegemônico estar se organizando ainda mais pra enfiar goela abaixo alguns formatos de vida via Leis Federais com a ajuda da Igreja… apesar de… apesar de… apesar…

    Mas, como eu nunca me propus a ficar reclamando da vida sem lutar, então, eu resolvi falar de um assunto novo, pelo menos pra mim, vamos deixar a política um pouco de lado pra falar a respeito de um mercado que vem crescendo a passos largos no Brasil, o mercado de Coaching.

    Coaching é um processo definido com um acordo entre o coach (profissional) e o coachee (cliente) para atingir a um objetivo desejado pelo cliente.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Coaching).

    Em outras palavras, se você resolveu empreender a você ou a seu negócio, e deseja alcançar mais rapidamente o sucesso, provavelmente você precisará de um profissional especializado que lhe oriente e lhe diga o que fazer para o seu negócio dar certo.

    Atualmente eu estou muito envolvido com isso e estou testando vários processos, alguns estão dando frutos bem interessantes, o que tem aumentado ainda mais o meu interesse no assunto, principalmente porque esse assunto quase não é falado em relação ao mercado cultural.

    Nunca ouvi falar de profissionais que dão suporte ao empreendedor cultural. Existem algumas assessorias especializadas em capitação de recursos e/ou execução de projetos e prestação de contas, mas, não passa disso.

    Particularmente, estou preparando uma série de perguntas a ser levantadas que vão me ajudar a desvendar alguns mistérios nesse campo, e estou disposto a compartilhar com tod@s que tenham interesse nesse assunto, aqui pelo canal do Enraizados. Algumas coisas eu já publiquei no Jornal Extra uma vez e pretendo fazer mais ainda.

    Pra começar, vou fazer algumas perguntas sobre:

    – Como estruturar o seu negócio cultural: Como abrir a sua empresa, grupo cultural, associação, Instituto, ONG, Oscip, OS. Quais são os formatos a serem adotados, onde buscar esse conhecimento;

    – Como pensar o seu negócio, como realizar o seu sonho;

    – Quem são os possíveis apoiadores, onde tem esse conhecimento;

    – Como fazer um projeto, captar por editais e prestação de contas;

    – Quais são as empresas mais tchan do mercado para você se capacitar pro seu empreendimento;

    – Que tipo de profissional você deve buscar e porque;

    Talvez não seja novidade esses tópicos para muitos de vocês, mas com certeza, se você estiver começando o seu negócio, vai precisar de alguns toques importantes de alguém que já penou bastante a procura desse conhecimento que ninguém dá de graça.

    Depois a gente volta a falar da política e da cretinice do sistema, mas agora, cuidemos um pouco mais das nossas necessidades básicas, para que não morramos de inanição e sede por não conseguirmos o sustento de cada dia pra nossas casas e nossos projetos.

    Um grande abraço.

    Paz.

  • O Rabo Mais Famoso do País

    O Rabo Mais Famoso do País

    Ontem ví uma notícia que não me pareceu muito promissora, mas como brasileiro adora esse quesito feminino, a coisa rendeu tanto que hoje não se falava de outra coisa nos jornais, pelo menos nos mais populares, que eu vejo sempre na banca antes de vir para o Enraizados. A notícia é sobre um rabo poderoso, capaz de derrubar um homem que derrubava vários vagabundos com um sopro e um simples passar do seu paletó – E pelo o que eu sabia, o pessoal todo não caia por causa do seu mau hálito ou pelo o seu CC grudado no paletó, pelo menos, era o que se dizia, esse homem era poderoso e não existia bandido brabo que ele não conseguisse amansar.

    O poder do seu sopro e do seu paletó foi se desfazendo em meio a diversas denúncias de estupro e suspeitas de envolvimento com o tráfico e com a bandidagem do Rio de Janeiro. Sobre esse assunto eu não quero comentar coisa alguma, até mesmo porque isso é caso de polícia e vamos deixar as nossas “autoridades” trabalharem um pouco. [se é que você me entende]

    Hoje (23/05) o bendito rabo é o assunto do momento por causa de uma bem aventurada frase do pastor ao telefone “Saudade do teu rabo” gravado em escutas telefônicas autorizadas pela justiça.

    Há alguns dias atrás saiu na Forbes as 20 mulheres mais poderosas do mundo e esse rabo não estava listado lá, mas deveria estar já que nem a presidenta do Brasil (segunda colocada) e muito menos a Chanceler da Alemanha (primeira colocada) não possuem um rabo dessa magnitude.

    Por falar nisso, um rabo com esse poder de fogo, não é estampado nos jornais, não participa de concursos de beleza e nem balança os cuscus nos bailes funks. O rabo mais podero do Brasil, está muito bem escondido por baixo daquelas roupas longas em tons pastéis usadas pelas fiés da Igreja Assembéia de Deus dos Últimos Dias.

    Por isso essa coluna é totalmente dedicada as práticas obscuras, por debaixo dos panos [como dizia o Ney Matogrosso], do pastor que fez um pacto não com o rabudo, mas com a rabuda e está engaiolado igual a um passarinho nas mãos do passarinheiro.

    Quero deixar claro que eu não me divirto com a desgraça do pastor, apenas não poderia perder essa oportunidade de fazer uma boa piada. Como se diz por aí: “Perco o amigo, mas não perco a piada”. É o que eu sempre digo: “Deixou a bola quicando, a gente chuta”.

    Segue os links das notícias relacionadas e a música do Ney Matogrosso.

    Notícias de escutas telefônicas do Pastor:
    http://br.noticias.yahoo.com/escutas-telef%C3%B4nicas-mostram-conversas-com-teor-sexual-entre-pastor-e-fi%C3%A9is-180411072.html

    Dilma Roussef é segunda mulher mais poderosa do mundo
    http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/05/dilma-rousseff-e-a-segunda-mulher-mais-poderosa-do-mundo-na-lista-da-forbes.html

    Pastor Marcos Pereira antes do Pacto com a rabuda

    Ney Matogrosso cantando: Por Debaixo dos Panos

    Letra:

    O que a gente faz
    É por debaixo dos pano
    Prá ninguém saber
    É por debaixo dos pano
    Se eu ganho mais
    É por debaixo dos pano
    Ou se vou perder
    É por debaixo dos pano…(2x)

    É debaixo dos pano
    Que a gente não tem medo
    Pode guardar segredo
    De tudo que se vê
    É debaixo dos pano
    Que a gente fala do fulano
    E diz o que convém…

    É debaixo dos pano
    Que eu me afogo
    Que eu me dano
    Sem perder o bem…(2x)

    O que a gente faz
    É por debaixo dos pano
    Prá ninguém saber
    É por debaixo dos pano
    Se eu ganho mais
    É por debaixo dos pano
    Ou se vou perder
    É por debaixo dos pano…(2x)

    É debaixo dos pano
    Que a gente esconde tudo
    E não se fica mudo
    E tudo quer fazer
    É debaixo dos pano
    Que a gente comete um engano
    Sem ninguém saber…

    É debaixo dos pano
    Que a gente
    Entra pelo cano
    Sem ninguém ver…(2x)

    O que a gente faz
    É por debaixo dos pano
    Prá ninguém saber
    É por debaixo dos pano
    Se eu ganho mais
    É por debaixo dos pano
    Prá ninguém saber
    É por debaixo dos pano
    O que a gente faz
    É por debaixo dos pano
    Prá ninguém saber
    É por debaixo dos pano
    Se eu ganho mais
    É por debaixo dos pano
    Ou se vou perder
    É por debaixo dos pano…

    É debaixo dos pano
    Que a gente esconde tudo
    E não se fica mudo
    E tudo quer fazer
    É debaixo dos pano
    Que a gente comete um engano
    Sem ninguém saber…

    É debaixo dos pano
    Que a gente
    Entra pelo cano
    Sem ninguém ver…(2x)