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  • A universidade rimou: uma tese, muitas histórias

    A universidade rimou: uma tese, muitas histórias

    Nem sei por onde começar. São tantas coisas a dizer, tantos sentimentos que permeiam meu coração, mas vou começar do jeito que dá—transbordando o que sinto, deixando que as palavras fluam.

    Este processo de pesquisa foi, sem dúvida, um grande aprendizado. Aprendi a olhar para lugares que antes não enxergava, a ouvir de forma atenta e afetuosa essa juventude potente que orbita o Quilombo Enraizados e participa das atividades do RapLab e tantas outras, e a refletir sobre nossas próprias práticas e vidas. Mas, acima de tudo, aprendi a inventar mais futuros possíveis para nós.

    Conectei minhas redes a outras redes educativas, e isso expandiu meus horizontes de uma forma que eu jamais imaginei. Lembro-me de uma conversa que tive com minha grande irmã, Lisa Castro, quando ainda estava no mestrado. Ela me perguntou se a universidade tinha me mudado. Na época, respondi que sim, mas que minha presença e de tantos outros iguais a nós, também tinha mudado a universidade de alguma forma.

    Hoje, minha resposta seria diferente. Diria:

    — Sim, minha amiga, entrar para a universidade mudou minha vida. Ou melhor, mudou as nossas vidas, a minha, a sua e de tantos outros que suas redes se cruzam com as nossas.

    Graças a essa jornada acadêmica, conheci pessoas incríveis e me conectei com o grupo de pesquisa Juventudes, Infâncias e Cotidianos (JICs), onde encontrei pessoas que hoje são parte importantíssima do Enraizados. São pessoas que nos ensinam tanto quanto aprendem conosco. Graças a essas conexões, chegamos ao terceiro ano do Curso Popular Enraizados, com contribuições fundamentais da Bia, da Júlia e da Maria, à terceira turma de teatro em parceria com o Projeto Teatro Nômade, graças a Luísa e a toda turma do Projeto Teatro Nômade, e esses projetos não só impactaram minha trajetória, mas também envolveram minha esposa, meu filho e a família da própria Lisa. Hoje, minha irmãzinha cursa pedagogia, minha esposa está prestes a entrar para cursar história na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, aqui em Nova Iguaçu, ambas estudaram no Curso Popular Enraizados. Meu filho, com apenas sete anos, já atuou em duas peças teatrais.

    As redes foram se cruzando, as possibilidades se ampliando, e hoje vejo dezenas de pessoas que tiveram suas vidas transformadas a partir dessas conexões.

    O dia da defesa de doutorado foi um dos mais intensos da minha vida. Organizar transporte, lanches, presentes, preparar slides, ensaiar… Um turbilhão de tarefas. Nada disso seria possível sem a força coletiva de tantos amigos que chegaram e nunca mais saíram.

    Um amigo conseguiu o ônibus, outro a van, e minha esposa preparou cuidadosamente os kits de lanche para todos. Samuca estava mais ansioso que eu, porque percebia que, no meio da produção desse dia, eu não encontrava tempo para ensaiar minha apresentação.

    Antônio Feitosa chegando no Quilombo Enraizados, às 5:30 da manhã

    Baltar, Higor, FML, DMA, Samuca e Kaya

    Enraizados rumo a UFF, de ônibus

    Marcamos a saída para as 5h30 da manhã, e todos chegaram pontualmente ao Quilombo Enraizados. Dorgo seguiu comigo de carro, que já estava carregado com um isopor cheio de bebidas e gelo, projetor, caixa de som, cabos e outros equipamentos. Seguimos viagem cantando para aliviar a tensão, embora eu estivesse em um estado quase mecânico, semelhante ao que senti no dia do nosso show no Rock in Rio. A meta era clara: viver o dia, fazer o que havia sido ensaiado e não improvisar. O famoso “sorria e acene”.

    Mas, como em toda grande história, imprevistos aconteceram.

    Ainda na Avenida Brasil, um carro bateu na traseira do meu. O barulho foi assustador, e saí do carro sem conseguir disfarçar minha insatisfação. O motorista do outro veículo estava visivelmente nervoso, mas, felizmente, não houve grandes danos e seguimos viagem.

    Ao chegar na UFF, outro desafio: o auditório reservado para a defesa estava ocupado por um evento de química. Tivemos que nos adaptar rapidamente e mudar para o auditório do Bloco F. Mesmo com os contratempos, tudo foi resolvido com o apoio das minhas amigas do JICs, que cuidaram da burocracia, do café da manhã, da comunicação da mudança de sala e de mais um monte de coisas. Luísa, Inês, Bia, Andreza, Pedro, Laís, Ravelly, Rebecca… Quase todas e todos  estavam lá. Senti falta da Patrícia, da Clarice, da Maria Fernanda que infelizmente não puderam estar presentes.

    Minha amiga Emília me recebeu com um presente logo na minha chegada —uma linda orquídea e um bolo de rolo, um gesto de carinho que guardarei para sempre. Ana Massa, amiga de quase duas décadas, também estava lá. Foi emocionante perceber que aquela conversa que tivemos anos atrás, em Paris, sobre fazer eu doutorado, quando eu ainda nem tinha começado a graduação, finalmente se concretizava.

    Lista de Presença?
    Valter Filé observando a apresentação de Dudu de Morro Agudo

    Ana Enne, minha querida amiga e professora da UFF, que conheci lá pelos anos de 2010, quando trouxe sua turma de graduandos para conhecer o nosso Pontão de Cultura e nossa rádio web, onde o âncora era uma criança de 11 anos. Ela também esteve presente.

    Cada detalhe foi pensado com amor e dedicação. Higor Cabral e Josy Antunes registraram tudo com filmagens e fotografias, Aclor fez belos registros em vídeo e Baltar criou um flyer incrível para divulgar o grande dia. A presença de tantos amigos, colegas e familiares tornou tudo ainda mais especial.

    A banca era o time dos sonhos. Sou fã de cada membro, tanto por suas trajetórias acadêmicas quanto por seus posicionamentos políticos e ideológicos. Adriana Facina, Adriana Lopes, Valter Filé, João Guerreiro e minha orientadora, Nivea Andrade. Infelizmente, Erica Frazão não pôde estar presente por motivos pessoais, mas sua contribuição na qualificação foi fundamental.

    Banca formada por Adriana Facina, Adriana Lopes, Nivea Andrade, João Guerreiro e Valter Filé, ao lado Dudu de Morro Agudo

    Como homenagem à cultura hip hop, fizemos um zine, inspirado nos coletivos dos anos 90, com o resumo da pesquisa e as letras das músicas “Reflexões que ainda me tiram o sono”—uma criação nascida dentro da universidade, na disciplina Psicologia da Arte, ministrada pela professora Zoia Prestes, a quem sou imensamente grato—e “Jovem Negro Vivo”, a música mais emblemática dos encontros do RapLab.

    Durante a defesa, a banca fez apontamentos valiosos, que renderam discussões até no ônibus de volta para casa.

    Quando chegou minha vez de falar novamente, a emoção tomou conta. As lágrimas vieram, e aquele nó na garganta que sempre aparecia até nos momentos de ensaio da apresentação ou quando simplesmente imaginava o dia da defesa, estava lá, presente. Refletir sobre a própria trajetória é uma viagem cheia de turbulências.

    Ao final, Nivea Andrade fez uma fala emocionante, tecendo palavras sobre minha mãe, meus filhos, minha companheira e os mais velhos do Enraizados. Foi uma homenagem afetuosa e respeitosa, que tocou fundo em todos nós.

    E então, o veredito foi lido: APROVADO.

    Adriana Facina, Adriana Lopes, Nivea Andrade, Dudu de Morro Agudo, João Guerreiro e Valter Filé

    JICs: Rebecca, Ravelly, João, Gabi (agachada), Bia, Nivea, Dudu, Duduzinho, Luísa, Inês (ao meio), Laís (agachada), Andreza e Pedro

    Imperatriz (filha), Lúcia (mãe), Alcione (tia e madrinha) e Milena (prima)

    Fernanda Rocha (esposa) e Dudu de Morro Agudo

    O bonde todo.

    A festa começou. A universidade rimou e rimou. Vieram os abraços, as mensagens inundaram o WhatsApp, as redes sociais explodiram. O Enraizados inteiro se tornava doutor.

     

    Depois, a celebração continuou no Quilombo: cantamos, rimos, choramos, bebemos, comemos, caímos, tomamos banho de chuveiro, dançamos. A felicidade era palpável.

    No dia seguinte, acordei cedo e fui para o Quilombo arrumar tudo, sozinho lavando o quintal e refletindo sobre as últimas 24 horas. Os vizinhos já me chamavam de “doutor”, perguntando quando poderiam ler minha tese. Eu respondia com sorrindo:

    — Logo! Semana que vem estará nas ruas!

    Como se fosse meu novo disco.

    A ficha ainda não caiu completamente, mas sei que este não é o fim —é o início de uma nova e longa jornada. Agora é hora de agradecer, viver o momento e seguir desenhando futuros possíveis.

    Amo cada uma e cada um de vocês!

  • GT-RJ representa e fortalece a cultura em Brasília

    GT-RJ representa e fortalece a cultura em Brasília

    Com rimas afiadas e ideias firmes, representantes do Hip Hop carioca mostram que a cultura Hip Hop é a ponte para a transformação social e política

    Nos dias 29 e 30 de novembro de 2024, Brasília respirou rima, ritmo e resistência com o Seminário Internacional da Construção Nacional do Hip Hop. Representando o Rio de Janeiro, oito vozes marcantes do movimento cultural mais revolucionário do planeta levaram suas histórias, perspectivas e desejos para o futuro do Hip Hop. O evento não foi só um marco, mas um grito de união, organizado para construir políticas públicas e fortalecer uma cultura que há 50 anos transforma vidas.

    As vozes do GT-RJ

    De Cabo Frio à Lapa, da CDD à Baixada Fluminense, do basquete de rua às batalhas de rima, os representantes do GT-RJ têm trajetórias que misturam arte, educação e transformação social. Conheça quem são algumas dessas lideranças e o que pensam sobre o impacto do seminário.

    Taz Mureb – MC e porta-voz da resistência do interior

    Primeira colocada no edital do Ministério da Cultura na região Sudeste, Taz Mureb, de Cabo Frio, é MC, produtora cultural e uma das vozes mais marcantes do GT-RJ. Para ela, o seminário é um divisor de águas para a cultura Hip Hop no Brasil.

    “O seminário é um marco. Estamos institucionalizando o Hip Hop como política pública cultural. É mais que música ou dança, é um movimento sociocultural e político. Aqui, a gente abre diálogo com órgãos do governo, empresas e até frentes internacionais. Sonho com o Hip Hop sendo ferramenta de promoção cultural no Brasil e no exterior. É o começo de algo muito maior.”

    Taz destacou também a importância de criar um legado para as próximas gerações: “Precisamos transformar iniciativas locais em políticas nacionais e mostrar que o Hip Hop pode mudar o Brasil. É isso que estamos construindo aqui.”

    DJ Drika – O coração pulsante da Baixada Fluminense

    Adriane Fernandes Freire, ou DJ Drika, carrega a Baixada Fluminense no peito. Fundadora da Roda Cultural do Centenário, ela e sua equipe levam os quatro elementos do Hip Hop para as favelas de Duque de Caxias há seis anos.
    “Estar aqui no seminário é histórico. É uma vitória da cultura periférica, uma chance de dialogar com o governo e fortalecer o que já fazemos nas comunidades. A cultura Hip Hop precisa de apoio contínuo, e eventos como este abrem caminhos para que nossas vozes sejam ouvidas.”

    Drika enfatizou que o Hip Hop não é só arte, mas também resistência: “Nosso movimento nasceu para transformar. Com a parceria do governo federal, podemos ir mais longe e impactar mais vidas.”

    MC Rafinha – A força da união

    Parceiro de Drika na Roda Cultural do Centenário, Rafael Alves, o MC Rafinha, é um mestre de cerimônias que acredita na força coletiva. Ele vê o seminário como uma plataforma para expandir o trabalho que já realiza com batalhas de rima, grafite e poesia na Baixada Fluminense.

    “Esse evento é sobre união. É a chance de estarmos juntos, trocando ideias e mostrando que o Hip Hop vai além das nossas rodas culturais. Aqui, colocamos nossa luta no mapa e mostramos que estamos prontos para construir juntos.”

    Para Rafinha, o seminário marca o início de um novo capítulo para o movimento. “O Hip Hop é a voz da periferia. Estar aqui é garantir que essa voz ecoe mais alto.”

    Erick CK – Conectando a cena em Niterói

    Com sete anos de atuação nas rodas culturais de Niterói, Erick Silva, o CK, sabe o peso de levar o Hip Hop para os palcos e ruas. No seminário, ele viu uma oportunidade de conectar as demandas dos artistas locais com políticas públicas mais amplas.

    “É muito importante estarmos aqui. Precisamos discutir os problemas reais do Hip Hop, como falta de patrocínio para DJs e grafiteiros, e a valorização dos produtores que estão sempre nos bastidores. O seminário abre essas portas.”

    CK ressaltou a relevância de manter o diálogo aberto para futuras edições: “Que este seja o primeiro de muitos eventos que fortaleçam o movimento em todo o Brasil.”

    Anderson Reef – Transformação social em Madureira

    Palestrante no painel “Retratos do Brasil: Narrativas Regionais e Potência Construtiva”, Reef é produtor cultural, responsável pela Batalha Marginow, evento semanal, que acontece todas as segundas e tem uma década de trabalho embaixo do Viaduto Madureira, zona norte do Rio. Ele usa o Hip Hop para revitalizar espaços e gerar economia criativa.

    “O Hip Hop salva vidas. Aqui em Brasília, mostramos ao governo que nosso movimento vai além da música. Trabalhamos com saúde, educação, teatro e dança. Precisamos de mais estrutura para continuar impactando nossas comunidades.”

    Para Reef, o seminário também é um espaço para pensar grande: “Quero ver o próximo evento num lugar maior, com mais gente. O Hip Hop merece ser tratado como prioridade nacional.”

    Anderson Reef

    Rafa Guze – Uma cineasta na linha de frente

    Educadora social e diretora do Instituto BR-55, Rafa Guze acredita no poder do Hip Hop para transformar vulnerabilidades sociais. Para ela, o seminário é uma chance de estruturar
    políticas que atendam as bases do movimento.

    “O Hip Hop é uma potência global, mas nossas comunidades ainda enfrentam muitas dificuldades. Este evento é sobre construir soluções, criar políticas que combatam fome, genocídio, feminicídio e outras desigualdades. É sobre usar nossa cultura para transformar realidades.”

    Rafa destacou a importância de trabalhar em parceria com o governo: “Sabemos como resolver os problemas. Só precisamos de apoio para fazer isso acontecer.”

    Lebron – Formando novas gerações

    Victor, ou Lebron, é um veterano do basquete de rua e do Hip Hop em Campos dos Goytacazes. Fundador de uma ONG que atua há 18 anos, ele vê o seminário como uma oportunidade de renovar o movimento.

    “O Hip Hop me ensinou tudo que sei. Agora, quero retribuir, formando novas gerações de artistas, DJs e produtores culturais. Precisamos de mais eventos assim, que conectem pessoas e ideias para planejar o futuro.”

    Para Lebron, o maior desafio é garantir que o movimento continue crescendo de forma sustentável: “Estamos retomando espaços e precisamos de articulação para avançar.”

    Bruno Rafael

    Bruno Rafael – Liderança que inspira

    Com 27 anos de trajetória, Bruno Rafael é uma figura central do Hip Hop carioca. Palestrante no painel “Retratos do Brasil: Narrativas Regionais e Potência Construtiva”, ele destacou o amadurecimento do movimento.

    “Esse seminário é fruto de trabalho coletivo. Mostramos que o Hip Hop está politizado e organizado. Hoje, conseguimos dialogar diretamente com ministros e secretários, algo que
    nunca foi possível antes.”

    Para Bruno, o evento é um reflexo da força do movimento: “O Hip Hop tem o poder de transformar vidas. Estamos só começando a mostrar do que somos capazes.”

    O impacto do seminário

    Entre as falas, há um consenso: o Hip Hop precisa ser reconhecido como política pública prioritária. Os representantes do GT-RJ destacaram que o movimento não é apenas arte, mas uma ferramenta para combater desigualdades, gerar renda e formar futuros líderes culturais. Para os representantes do GT-RJ, dois nomes de peso tiveram grande importância para a realização deste seminário: Claudia Maciel e Rafa Rafuagi.

    “A Claudia é pura visão estratégica”, disse Taz Mureb.

    Já Rafa Rafuagi, é a ponte que liga cultura e política: “Ele é aquele cara que transforma discurso em ação. Além de ser referência no rap do Sul, ele trouxe a ideia de que o Hip Hop pode e deve dialogar diretamente com o governo, sem perder nossa essência de resistência.”

    Para o grupo, Cláudia e Rafa não foram apenas organizadores, mas exemplos vivos de que o Hip Hop é articulação, união e transformação.

    Caminhos para o futuro

    O Seminário Internacional da Construção Nacional do Hip Hop foi mais do que um evento. Foi um passo firme em direção a um Brasil mais justo e diverso, onde a cultura Hip Hop ocupa o lugar que merece: o de protagonista na transformação social.

    Com vozes como as do GT-RJ, o futuro do Hip Hop promete ser brilhante – e revolucionário.

    No corre da favela e do asfalto, na batida da vida, todo mundo mandou o papo reto: “O Hip Hop salva vidas!”

  • Instituto Enraizados: 25 anos de arte, cultura e transformação na Baixada Fluminense

    Instituto Enraizados: 25 anos de arte, cultura e transformação na Baixada Fluminense

    O Instituto Enraizados, situado em Morro Agudo, Nova Iguaçu, destaca-se há 25 anos como um importante pilar cultural e social na Baixada Fluminense, promovendo o acesso à arte e fortalecendo a identidade de jovens e moradores da região. Com uma diversidade de projetos, o Instituto resgata e preserva as expressões culturais locais, além de construir pontes para intercâmbios culturais com outras regiões e países. Sua sede, o Quilombo Enraizados, tornou-se um ponto de encontro para pessoas que compartilham interesses, tradições e experiências, promovendo a visibilidade de práticas e tradições culturais muitas vezes marginalizadas.

    Entre as atividades oferecidas estão uma biblioteca, eventos literários, oficinas de música, produções audiovisuais, projetos de economia solidária e criativa, educação através do RapLab e do Curso Popular Enraizados, iniciativas ambientais como o Trilha Sonora, exposições de artes visuais e projetos de preservação do patrimônio cultural da Baixada Fluminense. Além disso, o Instituto promove ações como o Acorde Filosófico, o Sarau Poetas Compulsivos e o Poesia, Rap e Samba, valorizando a música popular, a literatura e a culinária brasileira em uma rica fusão de linguagens culturais.

    O Instituto Enraizados utiliza estratégias diversas para incentivar a criação e produção artística e cultural, que vão desde oficinas e residências artísticas até festivais, painéis de discussão e parcerias com instituições locais e internacionais, como o CIEP 216, a Universidade Federal Fluminense e a Duke University. A organização também adota a economia solidária, comercializando produtos e oferecendo serviços que vão desde vestuário e produções audiovisuais até eventos culturais.

    Guiado pela diversidade cultural e pelo compromisso com a inclusão, o Instituto Enraizados promove ações gratuitas para democratizar o acesso à cultura e fomentar a preservação da memória e do patrimônio local. Em seu percurso, estabeleceu uma ampla rede de colaboração nacional e internacional, promovendo a interação com coletivos e instituições que apoiam o desenvolvimento educacional, cultural e social na Baixada Fluminense.

    O Instituto Enraizados é um exemplo de como a cultura e a arte podem transformar realidades e fortalecer comunidades. Com 25 anos de história, a organização consolidou-se como referência cultural na Baixada Fluminense, valorizando a identidade local e ampliando seu impacto através de parcerias estratégicas. Ao oferecer atividades inclusivas, gratuitas e culturalmente diversas, o Enraizados reafirma seu compromisso com a inclusão, o fortalecimento do patrimônio cultural e o desenvolvimento social, fortalecendo o sentido de pertencimento e inspirando novas gerações.

  • “O Dever Me Chama”: Show de Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove no Quilombo Enraizados

    “O Dever Me Chama”: Show de Dudu de Morro Agudo & Marginal Groove no Quilombo Enraizados

    No próximo dia 15 de junho, a partir das 19 horas, o Quilombo Enraizados em Morro Agudo será o palco de um evento ímpar: o show “O Dever Me Chama” do rapper Dudu de Morro Agudo, acompanhado pela banda Marginal Groove.

    Este evento, apresentado pelo Governo Federal, pelo Ministério da Cultura, pelo Estado do Rio de Janeiro e pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Paulo Gustavo promete uma noite de rap reflexivo, que une música e consciência política. O espetáculo visa proporcionar uma experiência única, onde o entretenimento se mescla com uma forte mensagem de mudança social e união comunitária.

    O repertório do show será baseado no álbum “O Dever Me Chama” e incluirá novas faixas como “Reflexões que ainda me tiram o sono” e “Quanto vale?”. A cenografia, cuidadosamente elaborada para representar a Baixada Fluminense, e a iluminação envolvente garantem uma experiência visual única, intensificando a mensagem das músicas.

    A banda Marginal Groove é composta por DJ Dorgo, Rogério Sylp, Dom Ramon, Fábio Spycker, Gustavo Baltar, Rob, Ghille, além do próprio Dudu de Morro Agudo. Os músicos se reuniram em 2019 para acompanhar Dudu de Morro Agudo no Rock In Rio, numa fusão entre a equipe do rapper e a banda T-Remotto, também de Nova Iguaçu.

    No seu último disco, intitulado “O Dever Me Chama”, Dudu de Morro Agudo mesclou o boombap com o funk carioca e o trap, sempre com letras ácidas e o sarcasmo que é sua marca registrada. Agora, com o Marginal Groove, ele traz uma sonoridade ainda mais diversificada, misturando o rap com estilos como rock, reggae, samba rock e samba.

    O show é gratuito e acessível a todos, com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e fortalecer os laços comunitários. É uma oportunidade imperdível para fãs de rap, ativistas sociais e a comunidade local se reunirem e refletirem sobre questões relevantes da nossa sociedade.

    Os ingressos são gratuitos, mas limitados, para garantir uma experiência de qualidade ao público. Interessados devem retirar seus ingressos na plataforma Sympla através do link: Sympla – Show “O Dever Me Chama”. Os cinquenta primeiros inscritos receberão um presente especial da produção do evento.

    Serviço:
    Data: 15 de junho de 2024
    Horário: A partir das 19h
    Local: Quilombo Enraizados, Rua Presidente Kennedy, 41, Morro Agudo, Nova Iguaçu, RJ
    Entrada: Gratuita

    Para mais informações e agendamento de entrevistas, entre em contato com Fernanda Rocha, produtora responsável pela logística e organização do evento no número (211)9.6566-8219.

  • Alunos da UFRJ destacam Dudu de Morro Agudo e Instituto Enraizados em Semana de Iniciação Científica.

    Alunos da UFRJ destacam Dudu de Morro Agudo e Instituto Enraizados em Semana de Iniciação Científica.

    Na última segunda-feira (08), durante a Semana de Iniciação Científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os estudantes orientandos da professora Dra. Adriana Facina surpreenderam ao elegerem Dudu de Morro Agudo e o Instituto Enraizados como temas centrais de suas apresentações.

    Essa escolha revelou uma abordagem inovadora e relevante, destacando iniciativas locais e personalidades que frequentemente não recebem o devido reconhecimento acadêmico.

    A professora Facina destacou o profundo envolvimento dos alunos com o tema após uma entrevista com Dudu de Morro Agudo, que, segundo ela, “os tocou profundamente”. Essa conexão pessoal certamente se refletiu na qualidade e paixão evidente em suas apresentações.

    Ana Laura e Matheus

    Entre os estudantes envolvidos estão Matheus, graduando em História da Arte na UFRJ, seminarista na Baixada Fluminense, e que tem uma história profundamente enraizada em questões sociais e religiosas. Originário de Caxias, desde cedo esteve envolvido com os movimentos de base da igreja e a teologia da libertação; e Ana Laura, moradora de Copacabana e que traz uma experiência como dançarina urbana de break dance.

    O envolvimento de Matheus e Ana Laura ilustra a diversidade de perspectivas que contribuem para uma compreensão mais completa e inclusiva das iniciativas artísticas e comunitárias lideradas por Dudu de Morro Agudo e o Instituto Enraizados. Essa variedade de vozes é fundamental para a construção de narrativas autênticas e representativas das complexidades sociais e culturais do Rio de Janeiro e além.

    A apresentação dos alunos sublinha a importância do engajamento comunitário e da valorização da cultura local como pilares fundamentais para a transformação social. Ao destacar esses aspectos, os estudantes não só reconhecem o impacto positivo dessas iniciativas na comunidade, mas também ressaltam a necessidade de fortalecer e apoiar atividades que promovam o empoderamento e a inclusão social.

    Essa reflexão ampliada sobre a apresentação dos alunos nos leva a considerar não apenas a importância do reconhecimento e apoio a iniciativas como estas, mas também nos instiga a pensar em como podemos todos contribuir para fortalecer e ampliar essas redes de engajamento comunitário e valorização da cultura local em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.

  • O papel da educação clandestina na formação Política

    O papel da educação clandestina na formação Política

    Ao refletir sobre a ideia “Educação Clandestina”, penso sobre uma abordagem contrária ao ensino formal e oficial. Quando penso no currículo escolar atual, por exemplo, percebo que meu filho tem acesso aos livros adotados pela escola, nos quais ele aprende técnicas para codificar e decodificar símbolos a fim de se comunicar.

    No entanto, transformar essa alfabetização em letramento é uma área na qual a educação brasileira tem falhado se olharmos para as escolas de periferia. Por outro lado, os movimentos sociais estão reunindo uma variedade de conhecimentos, de autores que não estão presentes nessas instituições formais. Esses conhecimentos não se limitam apenas a livros, mas também incluem filmes, podcasts e até encontros entre pessoas, promovendo uma troca que desafia os interesses das elites que controlam o sistema educacional.

    A transformação da alfabetização em letramento envolve não apenas aprender a ler e escrever, mas também compreender criticamente o mundo ao seu redor, questionar as estruturas de poder e desenvolver habilidades para participar ativamente na sociedade. Isso é algo que muitas vezes é negligenciado no ensino formal, pois pode ameaçar o status quo e os privilégios de determinados grupos.

    A “Educação Clandestina” tem o potencial de despertar o sujeito para a realidade concreta. Quando não encontramos autores como Abdias do Nascimento e Clóvis Moura nas escolas, é porque são escritores que abordam questões relacionadas à realidade de pessoas que estão na base da pirâmide social. Se todas essas pessoas se indignarem, o Brasil entra em colapso. Por isso essas pessoas precisam estar anestesiadas, para a roda continuar girando, para que a engrenagem da desigualdade continue funcionando.

    Nossa realidade é tão dura na luta pela sobrevivência, que muitas pessoas entram num processo automático. As pessoas estão vendendo a força de trabalho delas por tão pouco dinheiro, que muitas vezes elas sentem culpa por separar um tempo para pensar sobre a vida. Porque fomos ensinados que a ociosidade, que pensar, que refletir sobre a vida, é “estar à toa”, e ao invés de estarmos à toa, poderíamos estar trabalhando.

    A Educação Clandestina, de forma objetiva, representa o momento central da formação política, que é o da ação, onde as pessoas trocam e se libertam, conforme nos lembra Paulo Freire no livro “Pedagogia do Oprimido”. Algumas pessoas com as quais eu converso dizem que tenho manias de persegiução, que isso parece “teoria da conspiração”.

    Eu respondo que não, pois é a realidade que vivo e vejo. Percebo que algumas pessoas estão presas em um ciclo de repetição. Elas reproduzem o que ouvem sem refletir sobre isso para que possam criar uma nova narrativa, um novo discurso. Estão presas em um processo de espelhamento, o que é perigoso, pois às vezes propagam as ideias do opressor.

    Esses são aspectos que ressaltam a importância da educação clandestina, que vai além do ensino formal e busca capacitar as pessoas para que elas questionem, reflitam e ajam em prol de mudanças sociais. Essa forma de educação permite que as pessoas se identifiquem com as experiências compartilhadas, despertando uma consciência crítica sobre a realidade em que vivem.

    É um processo de formação política continuada, que envolve não apenas absorver conhecimento, mas também agir e influenciar outros ao seu redor. Essa educação clandestina é essencial para romper com a repetição de discursos e padrões estabelecidos, permitindo que as pessoas ocupem espaços de protagonismo e se tornem agentes de transformação na sociedade.

    Alguns conceitos, quando falamos de educação clandestina, ficam abarcados nela, pois a formação política ocorre em camadas. A primeira camada é a do despertar. Em algum momento, por algum motivo, algumas pessoas saem desse estado de anestesia, e o próximo passo, após o despertar, é o de se indignar.

    As pessoas começam a questionar, por exemplo, por que tudo é tão desigual? Por que as coisas estão do jeito que estão? Porque me tratam diferente de outras pessoas?

    Jacques Rancière, no livro “O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual”, acredita que todos têm a capacidade de se emancipar, porque todos têm igual inteligência, reconhecendo que todos têm a capacidade de pensar e contribuir para mudanças sociais. Contudo, algumas pessoas não conseguem acessar espaços para desenvolverem essa inteligência. Estão imersas numa rotina tão profunda e anestésica da realidade que não conseguem participar de movimentos que as levem a esse despertar.

    A próxima camada é o agir, é se misturar com outras pessoas, e ao se misturar com outras pessoas, é onde inicia-se o processo da “educação clandestina”.
    A obviedade da clandestinidade dessa formação reside no fato de que as pessoas percebem que tudo aquilo a que tiveram acesso por vias oficiais até o momento não as fez despertar para a realidade. O despertar, com certeza, foi provocado por alguma atividade que se enquadra no conceito que estamos abordando de educação clandestina, que é essencialmente a ação.

    Portanto, o agir individual e coletivo pode envolver, por exemplo, a produção de uma batalha de rimas na comunidade, a realização de encontros para práticas teatrais, rodas de conversa, pré-vestibulares comunitários, ingresso em universidades, disputa por cargos políticos, até mesmo o próprio RapLab, entre outros.
    Paulo Freire diferencia a tomada de consciência, que é o despertar para a realidade, da conscientização, que envolve a ação concreta para transformar essa realidade. A conscientização é o processo de agir de forma crítica e reflexiva, engajando-se em atividades que promovam mudanças sociais e políticas.

    Essas ações podem variar desde atividades culturais como batalhas de rimas e teatro até engajamento político e acadêmico. Esse processo de conscientização é fundamental para a formação política, pois permite que os indivíduos não apenas reconheçam as injustiças, mas também atuem para combatê-las.

    A formação política é um processo contínuo, por isso acredito que o Rap Lab seja um espaço importante para essa formação, pois reúne pessoas com diferentes experiências e níveis de consciência política. Ao mesmo tempo que há indivíduos que ainda não despertaram, existem outros que estão mais avançados nesse processo. Mas, como nos ensina Jacques Rancière, todos têm o poder da igual inteligência, e, portanto, todos podem se desenvolver coletivamente.

    Quando afirmamos que no RapLab não há certo e errado, queremos dizer que cada pessoa pode participar a partir de sua vivência, da forma como enxerga o mundo. Ela terá que disputar e defender esse ponto de vista dentro da atividade. É um espaço onde o debate é incentivado e a diversidade de perspectivas é valorizada, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento de todos os participantes.

    Eu acreditava que durante a pandemia os encontros do RapLab poderiam não acontecer, devido à necessidade de serem realizados online e de forma contínua. Além de não conseguirmos realizar a fase de gravação da música, não tínhamos ideia de como incentivar os participantes a estarem conosco duas vezes por semana. Como coordenador, eu não conseguia antecipadamente pensar em 156 temas para discutir, já que não dominava tantos assuntos.

    No entanto, ao dividirmos as responsabilidades com os participantes, escolhendo os temas no momento da atividade, as coisas foram acontecendo de forma natural e os encontros ficando mais interessantes para a maioria dos participantes.

    Quando um participante propõe um tema, ele está nos propondo falar sobre aquilo que o afeta naquele momento, e entendendo a realidade dos jovens que estavam inscritos no projeto, acredito que por isso discutimos tantos temas relacionados à “luta de classes”.

    Quando um outro jovem propõe algo relacionado com a questão racial, certamente está enfrentando algum problema relacionado ao tema, e discutir sobre essa questão pode, além de ser importante pra quem propôs, afetar também outras pessoas de forma diferente, gerando grandes debates e produzindo conhecimentos.

    Mas também houve momentos em que não queríamos discutir nada disso, porque já estávamos cansados, e debater esses temas demandava muita energia. Então, optávamos por falar sobre coisas mais leves como “gírias” ou “desenhos animados”, por exemplo.

    Em suma, a reflexão sobre a “Educação Clandestina” revela a necessidade premente de repensar e ampliar os horizontes do sistema educacional tradicional. Ao destacar a importância da conscientização política, da ação crítica e do empoderamento social, esse conceito nos convida a questionar as estruturas de poder e a buscar alternativas que promovam uma educação mais inclusiva, diversa e transformadora. Através da educação clandestina, podemos despertar consciências, ampliar perspectivas e capacitar indivíduos a se tornarem agentes ativos na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É imperativo reconhecer o potencial dessa abordagem não convencional e investir em iniciativas que fortaleçam sua prática, permitindo que todos tenham acesso a uma educação que vá além do ensino formal e estimule o pensamento crítico, a criatividade e o engajamento.

  • Reflexões de Jatobá: Uma jornada de formação política e artística no RapLab

    Reflexões de Jatobá: Uma jornada de formação política e artística no RapLab

    Raulf Henrique Gomes Jatobá, de 20 anos, é natural de Rocha Miranda, situada na Zona Norte do Rio de Janeiro. Iniciou no RapLab em 2020, aos 16 anos de idade. Destacou-se como um dos participantes mais assíduos, participando de aproximadamente 90 encontros de um total de 150.
    É importante ressaltar que sua participação no projeto teve início a partir do trigésimo encontro. Atualmente, ele se identifica como Jatobá.

    Tive uma conversa com ele em 28 de março de 2024, de cerca de 40 minutos, discutindo sua participação no RapLab durante o período da pandemia.
    Convidei-o para revisitar comigo esse período, visando ajudar-me a responder algumas questões para minha tese de doutorado, principalmente relacionadas ao conceito de formação política e o papel do RapLab nesse processo, contudo a conversa abriu caminho para diversas reflexões.

    A seguir, trago uma transcrição de nossa conversa, destacando os pontos abordados por Jatobá.

    Para iniciar a conversa, perguntei como ele tomou conhecimento dos encontros do RapLab durante a pandemia.
    Em seguida, explorei qual encontro teve o maior impacto nele, falamos sobre o tema mais recorrente “a luta de classes” e, finalmente, sobre sua compreensão sobre o que é formação política.

    Jatobá
    Ilistração de Jatobá gerada via software de edição de imagens.

    Como você ficou sabendo dos encontros do RapLab durante a pandemia?
    Eu sempre fiz parte do movimento estudantil. Na época, o GB (Montsho) estava envolvido também. Ele acabou me convidando para o RapLab. Como eu já estava envolvido com arte e cultura, me interessei.
    Acreditei que poderia ser interessante. Ele tinha mandado pra rapaziada do coletivo. Tanto é que, na época, veio o Lil, o Paulo, o Santoro, uma rapaziada assim. Quando ele (GB Montsho) )divulgou pra mim, eu achei que fosse algo pontual. Que era uma oficina e acabou. Acreditei que não fosse algo que tivesse uma continuidade, assim, toda semana, sabe?
    Depois que eu fui entender que fazia parte de algo maior, que havia outras ações também, tá ligado? Foi quando eu conheci o Enraizados e todo mundo que é de lá.

    Qual foi sua primeira impressão quando foi convidado para participar? Como você interpretou o convite inicial? Pode descrever a sua impressão sobre a dinâmica das atividades e o objetivo por trás delas?
    Eu achei que era uma oficina que ia morrer ali. Que não teria outras edições, uma continuidade, sabe? Achei bem interessante, acho que por causa da organicidade de como tudo se dava, em cada dinâmica, e essa sensação também de que você está sendo representado mesmo que não escolha a frase [do rap] necessariamente.
    Porque às vezes a tua ideia gerava uma reflexão, e a outra pessoa dava uma palavra, e uma terceira pessoa pegava essa palavra e criava uma frase. Essa sensação de um pensar coletivo. De uma reflexão coletiva. De um espaço para troca. Uma troca natural. Eu acho que esse ritual semanal foi pra mim o grande diferencial, esse rolê da continuidade.
    Porque querendo ou não, não é que uma oficina pontual não seja efetiva, ela tem a sua relevância, mas a continuidade dá espaço para essa formação mais aprofundada. É como quando você planta algo, qualquer coisa que seja. Não é do dia pra noite que vai florescer. Tem que plantar, ficar regando, regando, regando todo dia.
    Acho que isso tem a ver com esse lance de formação política, no sentido de que é uma parada que está em constante construção. E nunca vai chegar ao ponto final, é sempre continuidade.

    Muitas pessoas que participaram do RapLab durante a pandemia foram apenas duas ou três vezes, sem continuar tanto. O que te motivou a participar de tantos encontros do RapLab?
    Eu acho que, sendo muito sincero, a principal coisa que eu vi ali naquele momento e não vi em outro lugar durante toda a minha vida em que eu já trabalhei com arte, com cultura, foi ali, onde mais percebi a essência do hip-hop, porque para mim a essência do hip-hop é a coletividade, é entender que somos um coletivo, entende?
    O hip-hop surge no meio de várias brigas de facção e usa a arte e a cultura simplesmente como uma forma de explicar que a gente não precisa ficar se matando. A gente consegue ver quem é melhor, digamos assim, por meio da arte. Um batalhando contra o outro de diferentes formas. Aí vem vários fundamentos, desde as batalhas às festas.
    Várias batalhas de MC, de dança, de Bboy. Eu acho que esse espaço coletivo é útil para que possamos entender as nossas diferenças. E a partir dessas diferenças entender que tem uma coisa ali que une a gente.
    A partir desse coletivo, construir conhecimento, gerar arte, diversão, tá ligado?
    Eu acho que esse é o principal potencial do Rap Lab. Esse é um espaço orgânico, uma parada que se tu olhar de fora, sem entender a profundidade dele, vai pensar que é simplesmente uma troca de ideia de maluco, que no final os caras fazem um rap. Mas o bagulho tem várias trocas, várias produções de conhecimento.
    Eu estava numa fase de reflexão e compreendi que as coisas surgem da troca de ideias, de descobrir, na verdade, essa potência da troca de ideias, que é algo muito menosprezado, considerando o que é geralmente valorizado como cultura. Essa troca de ideias é vista como uma sub-epistemologia, digamos assim.
    E é algo muito comum no cotidiano das periferias, das favelas, a troca de ideia é uma das coisas mais presentes ali. E geralmente é a principal terapia.Por isso, às vezes, o RapLab era justamente esse espaço para mim também. Como o RapLab tinha essa questão de você escolher o tema, eu pensei que era uma oportunidade de expressar as coisas que estavam presas na cabeça há anos. Coisas que nunca tive oportunidade de desabafar, de trocar ideias mais profundas com alguém, ainda mais para desenvolver em rap.
    Quanto ao rap, já era algo que eu estava com “sangue no olho”, fazendo todo dia. Uma coisa que eu amava fazer. Então, acho que essa própria experiência de fazer um rap coletivo já é muito massa, porque eu sempre fiz sozinho. Então, a experiência de fazer algo coletivo, pra mim era muito incrível.
    Eu nunca tinha pisado no estúdio. A primeira vez que eu pisei pra gravar foi no Enraizados, a partir do RapLab. Depois eu fui em outro estúdio para gravar uma cypher, mas mesmo assim, pra ser muito sincero, de lá pra cá ainda não é uma vivência que eu tenho. Porque pra escrever eu preciso de um papel e caneta, e hoje em dia nem do papel e caneta, com o celular eu consigo escrever tranquilo.
    Mas pro estúdio já demanda uma outra condição financeira, um outro investimento, um outro recurso para estar no estúdio, de você ter um beat. E se você está indo pro estúdio, você já pensa em lançar música. Então, você precisa ter algum produtor pra mixar, masterizar, é outro rolê de investimento também.

    Jatobá
    Flávia e Jatobá durante a atividade “Acampamento Musical”, no Quilombo Enraizados

    Qual dos encontros do RapLab mais te marcou? Se não me engano, fizemos 156 encontros. Você consegue lembrar de algum que te marcou especialmente? Vamos refletir sobre isso por um momento.
    Tiveram vários encontros que me marcaram, vários que foram muito legais, aquelas trocas que davam vontade de ficar ali umas cinco horas trocando ideia. Nem dava vontade de nem fazer o rap. Mas a gente ainda tinha um cronograma, um horário ali para cumprir.
    Mas teve um específico que eu acho que foi um dos que mais me marcou, que foi um rap que fizemos só com gírias. Porque é algo que desde cedo, desde pequeno, sempre esteve presente em todos os espaços que frequentei. Sempre teve esse aspecto de ter um linguajar diferente, esse linguajar que é visto como um sublinguajar, digamos assim, uma sublinguagem, é visto como menor.
    Então fizemos um rap só com gírias, uma música inteira usando apenas gírias. Cada verso tinha uma gíria. Fizemos isso porque a Olga, quando chegou nos encontros, não entendia o que era “ainda”, ou algo assim. Então decidimos fazer uma música para ensinar para a Olga.

    Por que você acha que a maioria das conversas no RapLab se concentrava tanto na questão da luta de classes?
    Porque não tem como não falar. São coisas que constituem, fundamentalmente, a nossa identidade social. Então elas vão estar presentes ali. São coisas que a gente lida direto, todo dia. E quando falo “a gente”, tô falando da periferia, do pobre, do trabalhador, quem tá nesse espaço de marginalização.
    Mas dentro disso tem vários outros recortes que foram abarcados em cada edição (do RapLab) específica. Teve edição que a gente tinha um recorte mais de pessoas pretas, tinha outras edições que a gente falava de outros recortes, como a realidade da mulher, disso e daquilo, dessa intersecção entre vários recortes sociais.
    A gente foi construindo essa troca que acaba sendo plural, no sentido de que envolve pessoas com diferentes realidades, identidades sociais. E de certa forma, acredito que isso tenha sido espontâneo também. Acredito muito nisso, porque o tema era escolhido na hora. Por não ser algo pré-estabelecido, do tipo “o tema vai ser esse e pronto”.
    Se fosse assim, acho que dificilmente teria participado de tantas edições, se já houvesse um tema pré-definido. Às vezes estou num dia em que estou muito inclinado a falar sobre algo específico, e se surgir outro tema com o qual não estou conectado naquele momento, já não me interesso tanto. Acredito que essa flexibilidade seja importante também.
    Por exemplo, esse RapLab específico das gírias, onde fizemos um rap usando apenas gírias, eu acho que marcou porque em qualquer espaço que eu estivesse, sempre me vi sendo visto como uma pessoa diferente, olhado de forma diferente, como se as pessoas dissessem “olha aquele cara ali, falando estranho”.
    Então ver isso partindo de outra rapaziada, fazendo isso junto também, e ver isso no produto final, foi bom. Acho que outra parada que eu gostei foi a leveza desse assunto. Como a gente sempre falava sobre luta em toda edição, chegava um momento em que a gente pensava: “Pô, só estamos falando sobre isso, vamos abordar algo que seja nosso, algo que a gente não precise ficar batendo neurose.”
    Foi uma questão mesmo de afirmação nesse sentido, sabe? E não deixa de ser luta no sentido de você reafirmar o modo de fala que já tem uma contundência só por existir. Eu lembro que era uma letra que falava de várias coisas, falava de marcar com a mina, não sei mais o que. Falava várias coisas de uma forma muito orgânica, porque tinha um menino que estava paquerando uma menina de Manaus e trouxe essa discussão pro RapLab.

    Jatobá e outras participantes do CPPEC durante a produção do Sarau Poetas Compulsivos, no Quilombo Enraizados.

    O que você entende por formação política?
    Eu acredito que a formação política é uma parada que é continuada, ela nunca termina, ela tem um momento tipo de um start inicial. Eu acredito que esse momento é justamente quando a gente desperta esse senso crítico em relação ao mundo.
    A gente desperta essa indignação com o mundo, que a gente percebe as coisas que acontecem, então a gente se entende como um ser político. Entende que o político não é simplesmente a parada chata que a gente tem que ir de 4 em 4 anos votar, digo, de dois em dois, no caso.
    Que é muito mais um rolê que é feito no dia-a-dia. Eu acho que essa virada de chave pra mim foi quando eu entendi a micropolítica como muito mais presente e eficaz do que a macropolítica. E eu acho que também a micropolítica me fez acreditar na política de certa forma. A gente é irrelevante pro macro, a gente não tem força, a gente é impotente pra mudar alguma coisa.
    O próprio RapLab é um ótimo exemplo de micropolítica. Esse processo de despertar a consciência, de gerar um senso crítico, promover uma produção de conhecimento, a troca de ideia, a reflexão sobre determinados assuntos e pautas, esse desenvolvimento interno. Isso porque o público principal do Rap Lab era muito jovem.
    Esse papo de autoconhecimento, todo esse desenvolvimento pessoal, ao gerar isso em cada indivíduo, esse conhecimento que se desenvolvia organicamente a cada semana, é um ótimo exemplo de micropolítica.
    Outro exemplo de micropolítica é a leitura de um texto teatral em grupo, ou então um sarau. São atividades que não necessariamente precisam estar ligadas à arte, mas fazem parte do cotidiano. Por exemplo, um evento beneficente na comunidade, como um corte de cabelo grátis, isso é micropolítica. São várias ações que ocorrem fora do contexto geral, macro.
    Enquanto os políticos podem fazer mudanças que afetam a vida de todos com uma simples canetada, com a micropolítica você vai cultivando aos poucos, movimentando gradualmente e despertando essa percepção do que é essa formação política também.
    Porque formação política parte do ponto que você se entende como ser político. Então, eu acho que quando você se entende como ser político, tu entende que, primeiro precisa entender o que aconteceu na história, no passado, para não repetir as mesmas besteiras que ocorreram. Entender o contexto de tudo, entender o contexto atual, e ser visionário no sentido de entender para onde as coisas estão caminhando também. Se está caminhando para tal lado, entender que alguns caminhos não são interessantes, então é necessário tentar mudar a nossa direção. Acho que é nesse sentido.

    Você já usou o RapLab fora do nosso grupo? Se sim, onde e como foi essa experiência?
    Já utilizei o RapLab, não de forma literal, mas naquela ideia da antropofagia cultural, de me inspirar em certos aspectos do RapLab. Por exemplo, na metodologia das oficinas que eu dou atualmente pelo “VidArtEducação”, elas partem de um caminho que foi influenciado pelo RapLab em vários aspectos.
    Além disso, ao longo dos últimos sete anos, tive outras influências neste percurso artístico e cultural, mas o RapLab foi uma das mais significativas.

    Qual é a atividade que você está realizando hoje? Quem é o Raulf atualmente?
    Eu sou graduando em Filosofia, estou no quinto período no Pedro II e sou um artista múltiplo. A primeira coisa que eu penso é que sou um artista múltiplo. Que se eu começar a destrinchar, digo que faço isso e faço aquilo, as pessoas começam a rir, porque acham que não é possível.

    Jatobá gravando nos encontros do RapLab.

    Até que ponto o RapLab foi importante para transformar Raulf em Jatobá?
    Eu sou uma pessoa que acredita profundamente no rolê do “efeito borboleta”. Então, cada coisinha que está envolvida na minha história, na minha trajetória, constitui o que eu sou hoje.
    No final das contas, é sempre sobre o pequeno, sobre a relevância do pequeno. E não no pequeno no sentido de menosprezar, mas pelo contrário, de potencializar aquilo, de entender a importância do pequeno diante da conjuntura como um todo.
    Eu tenho certeza, não é uma especulação, que se não fosse pelo RapLab eu não seria quem eu sou hoje, não teria a mesma profundidade em relação à minha arte, à escrita, a tudo, da construção que eu tenho hoje. Contribuiu demais nessa produção de conhecimento, a produção da cosmopercepção, de mundo, de tudo.
    Muitas vezes, o que faz a pessoa querer estar no RapLab também é a troca de corredor, que é para além da atividade em si. Que seria toda a relação de afeto que tem entre eu e tu, o Dorgo, o Baltar, eu e todos na comunidade do Enraizados, que construímos ao longo do tempo.
    Acredito que, querendo ou não, afeto também é uma palavra-chave nesse contexto como um todo. Só consigo ser afetado pelo conhecimento, por aquela informação, ou qualquer coisa que seja, a partir do momento em que há afeto envolvido. Acreditando muito nesse conceito do efeito borboleta, no qual pequenas ações têm grandes repercussões, o RapLab contribuiu significativamente para transformar quem eu era na pessoa que sou hoje.

    Jatobá e demais participantes do Acampamento Musical, no Quilombo Enraizados.

    Em vez de perguntar o que o RapLab significa para você, gostaria que você me mostrasse como você convidaria um jovem amigo ou amiga para participar do RapLab.
    Uma pessoa que está na mesma realidade que eu. Primeira coisa, pergunto a ela se já produziu uma música ou se já se imaginou produzindo uma. Depois, eu conto que o RapLab é literalmente uma atividade na qual, a partir de uma troca de ideias, nós vamos produzir uma música e, no final, ela sairá sendo co-autora dela.
    Eu diria: “E aí, tropa, tá ligado, bora? O bagulho é tranquilão, tu vai chegar lá, você pode inclusive escolher o tema que a gente vai trocar ideia. Chega lá, troca ideia, depois tem vários momentos da dinâmica, tu vai falar umas palavras, depois vai falar uns versos e no final vai sair uma música”.
    Aí o maluco vai falar: – “Pô, mentira!!! Como assim, cara?”
    Eu acho que hoje em dia isso é um pouco menos, mas historicamente foi muito construída essa ideia em relação à arte, quem produz isso tem dom, já nasce com esse bagulho, essa elitização partia muito desse discurso. Eu acho que a ideia é quebrar com isso de uma forma que seja orgânica, que seja simples, demonstrado que dá pra fazer.
    Essa é a forma mais simples e direta também de quebrar com esse paradigma.
    É uma música com a mesma potência das músicas que são “estouradas”; muitas vezes, o que difere é o dinheiro investido na divulgação, no marketing, etc., e não a qualidade do produto cultural em si.

    Para convencer uma diretora de escola, você utilizaria os mesmos argumentos?
    Eu acredito que de uma pessoa pra outra já é outro discurso, porque cada pessoa é única, cada pessoa tem uma particularidade que você tem que ir naquela particularidade da pessoa, não tem como você generalizar. Eu acho que, inclusive, esse é um dos maiores problemas da educação como um todo.
    Acho que a forma que eu chegaria nessa diretora, primeiro dando a entender pra ela o que aquilo poderia agregar na escola dela, de uma forma geral. Mas antes disso eu tenho que entender também com o que ela se preocupa, se ela está preocupada realmente com o desenvolvimento dos estudantes, ou se ela está preocupada com outras coisas.
    Vou falar que o RapLab é uma metodologia de ensino que acredita na construção coletiva, na participação de todos, até mesmo aqueles alunos que são mais difíceis, aqueles alunos que costumam não participar das atividades.
    É um ambiente de troca e de protagonismo do educando num processo de ensino-aprendizagem, onde eles contribuem para construção de um produto artístico-cultural, que é uma música, um rap, que vai ser construído no final e gravado.
    Ressaltar a ressonância que essa atividade terá naquela turma específica, e cada estudante compreenderá também que, para além daquele momento específico, terá a oportunidade de construir isso em outros momentos, podendo dar continuidade ao processo. É importante que o estudante compreenda a construção do conhecimento e perceba a importância de sua presença na sala de aula, participando ativamente do processo. Ele se afetar e afetar os outros, em relação a essa troca.
    De dar mais espaço e abertura para o professor, permitindo que ele absorva ideias que antes talvez fossem bloqueadas.
    Entender também a atmosfera que o RapLab transmite, de ser uma atividade para todos, pois é coletiva. Não seria possível limitá-la a um grupo específico, e acredito que muitas das falhas das atividades propostas pela escola, pelo sistema educacional tradicional, estão justamente nisso. Elas são direcionadas para uma camada específica, para os alunos que são “nerds” e gostam daquilo, mas nem todos têm esse interesse.

    Sobre Jatobá:
    https://www.instagram.com/jatobrabo
    https://instabio.cc/jatobrabo

  • Instituto Identidade do Brasil (ID_BR) Anuncia a 4ª Edição do “Prêmio Sim à Igualdade Racial”

    Instituto Identidade do Brasil (ID_BR) Anuncia a 4ª Edição do “Prêmio Sim à Igualdade Racial”

    O Instituto Identidade do Brasil (ID_BR), pioneiro na promoção da igualdade racial no país, lança a 4ª edição do “Prêmio Sim à Igualdade Racial”, uma iniciativa voltada para reconhecer e premiar pessoas, empresas, iniciativas e organizações que contribuem significativamente para a promoção e aceleração da Igualdade Racial no Brasil, nas áreas de empregabilidade, educação e cultura.

    Sobre o ID_BR:
    Fundado em 2016, o ID_BR é uma organização sem fins lucrativos dedicada a reduzir as desigualdades no mercado de trabalho e na sociedade em geral. A instituição atua como referência na promoção da igualdade racial para pessoas negras e indígenas no mundo corporativo, desenvolvendo programas e ações voltadas para essa causa.

    O Prêmio:
    Desde 2018, o “Prêmio Sim à Igualdade Racial” tem sido um marco na celebração da diversidade e inclusão. Este reconhecimento busca destacar iniciativas exemplares que promovem a igualdade racial em três pilares fundamentais: Cultura, Educação e Empregabilidade.

    Como Funciona:
    – A premiação possui 12 categorias, sendo 10 indicadas pelo público por meio do site, e 2 categorias de homenagens.
    – Um time de especialistas avalia as indicações, garantindo que estejam alinhadas aos critérios de cada categoria.
    – O júri técnico, composto por profissionais especializados, seleciona os vencedores em cada categoria.

    Pilares da Premiação:
    1. Cultura: Destinado a expressões artísticas de pessoas negras ou indígenas e produções publicitárias que geram reflexões sobre a pauta racial.

    2. Educação: Reconhece iniciativas que promovem a igualdade racial por meio da educação, incluindo programas de ensino e contribuições intelectuais.

    3. Empregabilidade: Enfoca estratégias e lideranças comprometidas com a promoção da igualdade racial no mundo corporativo e empreendedorismo.

    Perguntas Frequentes:
    1. O que é o ID_BR? O ID_BR é uma referência na promoção da igualdade racial para pessoas negras e indígenas no mundo corporativo, desenvolvendo programas e ações voltadas para essa causa.

    2. Por que o prêmio é destinado às pessoas negras e indígenas? Para reconhecer ações de promoção da igualdade racial protagonizadas pela identidade negra e indígena, que muitas vezes não têm visibilidade justa em outras premiações.

    3. Quais são os critérios de seleção do ID_BR para o prêmio? Além do número de indicações, o ID_BR considera o impacto na sociedade e a atuação relevante. O júri especializado avalia as indicações por critérios definidos.

    SAIBA MAIS:
    https://simaigualdaderacial.rds.land/premio-2024-indicacoes