De um lado, cento e trinta e seis policiais mortos em 2017. Do outro, é cada vez maior o número de autos de resistência, foram 102 em 2016, em 2017, antes mesmo do meado do ano esse número já ultrapassava 200.
O que quero dizer com isso?
Os policiais são do povo, pobres, que escolheram essa ocupação como meio de subexistência sua e de seus familiares, semelhantemente aos bandidos, que também são do povo, pobres, e escolheram o lado oposto, entre eles estamos nós, os civis, que igualmente morrem cada vez mais.
Acima de nós estão os governantes, intocáveis, com cordas de marionetes em mãos.
Nosso colunista Cleber Gonçalves fez um verdadeiro bate-bola no estilo raio-x com o rapper Marcão Baixada, aquele que é considerado por muitos a grande revelação do rap carioca. Trocaram ideia sobre literatura, filmes e suas referências, de forma rápida e objetiva.
Confira!!!
Cleber Gonçalves: Visão atual
Marcão Baixada: Hoje eu vejo o Hip-Hop caminhando verdadeiramente pra se tornar um grande mercado, deixando de ser apenas um nicho; e defendo a ideia de que nós enquanto artistas, devemos estar cada vez mais preparados pra essa transição, para que a apropriação cultural não nos afete e acabe nos deixando de fora do mercado da nossa própria arte.
Leituras
Um dos livros que mais gosto é o “Enraizados: Os Híbridos Glocais”, do Dudu de Morro Agudo; e isso nem se dá ao fato de eu estar envolvido com o Instituto Enraizados, mas pelos detalhes, pela história de vida pessoal e profissional do Dudu. É muito legal saber a história da organização e ver o quanto foi trilhado pra ela ser o que é hoje.
Outro livro que indico é o “Behind The Beat” do Rafael Rashid, que é um livro de fotografias que mostra um pouco da rotina nos home studios de grandes produtores de Hip-Hop, como J Dilla, DJ Premier e Madlib.
Filmes
O audiovisual sempre for muito marcante na minha formação artística e tenho um fascínio muito grande por documentários, dos nacionais, destaco o “Palavra (En)cantada” da Helena Solberg, que narra a forte relação entre poesia e música. E tem 2 norte-americanos que curto muito, que são o “Style Wars”, que apesar de focar no Graffiti ele dá um panorama geral do surgimento da cultura Hip Hop na cidade de Nova York e o outro é um documentário mais recente, o “Fresh Dressed” do Sacha Jenkins, que mostra a evolução do Hip Hop através da moda.
Outro filme (de ficção) que indico é o “DOPE – Um deslize perigoso”, que eu considero um filme muito representativo pro atual momento que os jovens negros vivem com a ascensão econômica global das classes mais baixas e como o mundo desses jovens interage com a velocidade (absurda) em que absorvemos informação através da Internet.
Referência
Uma das (muitas) referências que tenho é o Kanye West, admiro muito seu processo criativo e a forma como ele está envolvido com a indústria como um todo, além de ser rapper é produtor, desenha uma linha de roupas e de certa forma fez/faz parte da evolução estética e sonora do Rap mundial nos últimos 10 anos.
Sonho
E acredito que tô no caminho do sonho, que é poder realmente viver da música que faço e torná-la cada vez acessível e presente na vida das pessoas.
SAIBA MAIS: Ouça a nova música ‘Filho da Madrigada’:
O Instituto Enraizados recebeu um convite da Anistia Internacional para participar da atividade Oficinas Criativa, que aconteceu no último final de semana (11 e 12 de junho), na Nave do Conhecimento, no Parque Madureira, no Rio de Janeiro.
Umas das atividades que estavam no cronograma era o workshop #RapLAB, uma metodologia que permite compor e gravar um rap em três horas.
Certa de 17 pessoas participaram da atividade. Se reuniram para discutir a respeito do extermínio da juventude negra no Brasil. Houveram relatos impressionantes sobre a violação de direito nas favelas, principalmente por parte da polícia.
No dia seguinte, após o processo de criação da música, Dudu de Morro Agudo se reuniu com parte da crew de break Cypher de Rua, de Duque de Caxias, como foi proposto pela Anistia Internacional, afim de criar algum produto envolvendo a coreografia e a música compostos para a campanha.
Abaixo a letra poderá ser conferida abaixo, além do vídeo e o link para download da música.
Gustavo Baltar
Gustavo Baltar, DMA e Einstein
Hulliane experimentando o processo de gravação
Na hora da composição
Jean Lima
Dudu de Morro Agudo
DMA durante a aula
Jovens ensaiando o rap JOVEM NEGRO VIVO
Durante a lapidação do rap
Na hora da gravação
JOVEM NEGRO VIVO
O jovem negro é o guerreiro da favela
Vítima do genocídio que acontece nela
A burguesia quer o embranquecimento da nação
nos deixam à margem com sua discriminação
eu vejo sangue na calçada
O mesmo sangue que foi derramado pelo homem de farda
82 jovens são mortos todo dia
77% são negros da periferia
Será utopia mudar essa estatística?
podemos fazer isso com nossa expressão artística
A cor da África é a minha história
Não perdemos a guerra, estamos numa trajetória
pra quem desde Zumbi ainda é tratado como escória
Tanto da luta dos vivos como dos mortos em glória
Diariamente eu vejo um “Boing negreiro” cair
Como Dandara temos que lutar e resistir
Honrando a luta de nossos pais
salvando o futuro de nossos filhos
eu quero o jovem negro vivo
*** *** ***
Música composta coletivamente durante o workshop #RapLAB que aconteceu no último sábado (11 de junho), na Nave do Conhecimento – Madureira, no Parque Madureira, durante as Oficinas Criativas da Anistia Internacional Brasil.
*** *** ***
COMPOSITORES:
Einstein NRC (Albert Paula), Jena Caio, Marlon Gonçalves, Jamall Dubeco (Karl Marx), Gustavo Baltar, Rafaela Oliveira, Maria de Lourdes, Lorena da Silva, Tainara Monteiro, Ana Klara, Hulliane Cardoso, Bianca Luiza, Flaviano Rodrigues, Paulo Rasta, Thainá dos Santos, Cléber Gonçalves e Dudu de Morro Agudo.
Você que nunca teve chance de participar de um evento de arte e ativismo, principalmente na Baixada Fluminense, agora chegou a hora.
No próximo sábado (15/08), acontece a segunda edição do Caleidoscópio. O evento reúne expressões artísticas variadas como poesia, grafite, rap, dança, circo e outras. O tema desta edição é a campanha “Jovem Negro Vivo”, lançada pela Anistia Internacional, que busca quebrar a indiferença da sociedade para o índice alarmante de homicídios de jovens negros no Brasil.
Um dia inteiro de atividades diversas
O evento reunirá a nata da Cultura da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana, tendo também a chamada para a atuação de novos ativistas da Anistia Internacional no Grupo Baixada Fluminense e o lançamento do novo relatório da Anistia Internacional.
“A ideia é juntar os artistas, que são os grandes protagonistas do evento”, explica Dudu de Morro Agudo. O nome “Caleidoscópio” não é por acaso: assim como o aparelho formado por vidros coloridos que projetam imagens psicodélicas, o evento mistura diferentes expressões artísticas para mudar a imagem de um lugar.
CALEIDOSCÓPIO é o encontro de diversos sujeitos em prol de um bem comum: a VALORIZAÇÃO DA VIDA.
É muito amor envolvido
A programação do evento é uma construção coletiva, com atividades que acontecem durante todo o dia, se complementando.
Até o nomento já estão confirmados shows do grupo #ComboIO, Hollywood Mantra, Marcelo Peregrino, Guimba, Baltar, Pedro Maluco; Roda de Rima com Batalha do Conhecimento.
Intervenções dos Saraus: Sarau V, Sarau Rua, Coletivo Fulanas de Tal, Sarau Donana, Sarau do Meio Dia, Rima Em Verso, Catando Contos, Palavras Sobre Qualquer Coisa e Sarau Poetas Compulsvisos.
Oficina de Fanzine com a Ivone Landim, de Malabares com Luiz Henrique, palestra sobre design com Wesley Brasil; Varal Marginal; Grafitagem e muito mais.
SERVIÇO
Interessados em contribuir com ações/intervenções podem entrar em contato:
contato@hullebrasil.com.br
(21)9.6563-0554
LOCAL: Rua Sebastião de Melo – Jardim Nova Era – Nova Iguaçu
https://www.facebook.com/events/1143929738956623
Usando a música como plataforma, o rapper Marcão Baixada faz um anúncio importante. Marcão acaba de lançar um freestyle onde declara oficialmente apoio à campanha #JovemNegroVivo, da Anistia Internacional; que tem o objetivo de mobilizar a sociedade e romper com a indiferença, além de chamar a atenção para o fato de que 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros.
Partindo do princípio de que o racismo no Brasil é institucionalizado, Marcão dispara versos falando sobre a injustiça que o povo preto vem sofrendo ao longo de todos esses anos, sem esquecer de casos recentes: O desaparecimento do pedreiro Amarildo, a prisão do ator Vinicius Romão, confundido com um ladrão enquanto caminhava pela rua; além de casos internacionais, como a morte do jovem Michael Brown são citados no freestyle.
A canção foi gravada em cima dos instrumentais de “Carta Aos Meus Iguais de Alma”, do carioca SANT e “OG Bobby Johnson”, do norte-americano QUE.