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  • Em memória e renovação, Vanessa Campos lança canção “Folha Seca” com voz de Felipe Silva Zion

    Em memória e renovação, Vanessa Campos lança canção “Folha Seca” com voz de Felipe Silva Zion

    Single póstumo de Felipe Silva Zion ganha vida com inteligência artificial e produção colaborativa, destacando a conexão profunda entre ciclos da natureza e o legado do reggae

    A cantora brasiliense Vanessa Campos, inspirada por influências do reggae e MPB, acaba de lançar seu segundo single, “Folha Seca”, uma canção inédita criada em parceria com Felipe Silva Zion, ícone do reggae brasileiro, falecido em 2019. Com produção musical de Miguel Bittencourt, e direção do DJ Fábio ACM, a música utilizou inteligência artificial para isolar e tratar a voz de Felipe, proporcionando uma conexão póstuma que amplia o legado do cantor.

    Assista ao videoclipe "Reflexões que ainda me tiram o sono".

    Para Vanessa, que tem uma forte ligação com a cena musical de Brasília e integrou o grupo cultural Batalá, “Folha Seca” se tornou uma experiência profunda desde o primeiro contato. Ela conta que recebeu uma versão inicial da música em voz e violão pelos DJs Fábio ACM e Lázaro Peloggio, grandes amigos de Felipe Silva. “Recebi uma versão de ‘Folha Seca’ em voz e violão através dos DJs Fábio ACM e Lázaro Peloggio, grandes amigos do Felipe Silva. Desde a primeira vez que ouvi, a música ficou comigo. Eu cantava ‘Folha Seca’ o tempo todo — em casa, dirigindo… Foi então que o Fábio sugeriu lançá-la oficialmente. Nunca tive a chance de conhecer o Felipe, mas toda a sua obra, desde os tempos do Monte Zion, me encanta e está sempre nas minhas playlists. ‘Folha Seca’ traz uma mensagem
    profunda sobre os ciclos da vida e o poder da renovação.”

    O papel da inteligência artificial

    Inspirados pelo recente lançamento dos Beatles, “Now and Then”, que utilizou inteligência artificial para resgatar a voz de John Lennon, a equipe de produção decidiu aplicar a mesma tecnologia para recuperar e tratar a voz de Felipe Silva Zion. O resultado traz uma autenticidade que emociona os fãs e permite que a essência de Felipe seja sentida em cada nota. DJ Fábio ACM compartilhou sobre o processo: “Assim como os Beatles fizeram, usamos técnicas de inteligência artificial para isolar e tratar a voz do Felipe. Decidi confiar a produção musical ao Miguel Bittencourt, que foi produtor do Felipe na época de sua morte, com a certeza de que ele entregaria um resultado fiel ao que Felipe desejaria. Miguel integrou a voz do Felipe de forma brilhante nos novos arranjos, e o resultado ficou incrível. Também convidamos Bruno Ras para gravar guitarras, teclados e back-vocais. Bruno foi membro da banda Monte Zion, fundada por Felipe e André Jamaica no final dos anos 90, no Rio de Janeiro.”

    Folha Seca: uma poesia sobre os ciclos da vida

    “Folha Seca” é uma canção introspectiva que aborda temas como renovação e transformação. A composição de Felipe utiliza a metáfora da natureza para simbolizar os ciclos de vida e mudança. No refrão, “Vento leva a folha seca / Ele sopra e ela vai”, a folha seca simboliza aquilo que é deixado para trás, enquanto o vento, com sua força transformadora, carrega consigo a promessa de novos começos. A letra ressalta que, embora a folha seca represente o final de um ciclo, o vento também leva a semente, que será plantada em outro lugar, simbolizando acontinuidade e o potencial de renascimento.

    A primeira estrofe, que fala sobre a folha verde ainda firme em seu galho, representa resistência e vitalidade. A folha verde oferece sombra e cura, uma figura de proteção e conexão entre humanos e natureza. Esse ciclo de renovação é intensificado pelo verso “Viva a fotossíntese, eu te dou ar”, reforçando a importância vital da natureza.

    Na segunda parte da letra, o vento ganha um papel ativo e dinâmico: ele move as árvores, traz a chuva e renova a paisagem, simbolizando a força de transformação e equilíbrio na natureza. O tom final da canção se ilumina com uma nota de celebração à vida, falando de um novo ciclo de felicidade com o nascimento de uma criança. Vanessa comenta que “Folha Seca” transmite uma mensagem positiva sobre o poder dos ciclos e da renovação, convidando o ouvinte a refletir sobre o equilíbrio da natureza e as lições que podemos tirar dela.

    Produção musical e sonoridade

    A produção de “Folha Seca” é marcada pela presença do reggae, estilo que sempre acompanhou tanto Felipe Silva quanto Vanessa Campos. O produtor Miguel Bittencourt, que colaborou com Felipe em vida, conseguiu dar à canção uma base harmônica rica e envolvente, preservando a essência do reggae raiz e explorando arranjos contemplativos. Além disso, Bruno Ras, antigo integrante da banda Monte Zion, adiciona camadas instrumentais com guitarras, teclados e back-vocais que enriquecem a atmosfera poética da música. A direção musical de DJ Fábio ACM, combinada com a experiência de Bittencourt, cria uma estética sonora única que complementa a letra profundamente simbólica de Felipe.

    DJ Fabio ACM, Felipe SIlva Zion e Lazaro Peloggio

    O legado de Felipe Silva Zion

    Nascido na Rocinha, no Rio de Janeiro, Felipe Silva Zion foi um dos grandes nomes do reggae brasileiro, admirado por sua conexão espiritual com a música e pelo impacto social de suas letras. Inspirado por Bob Marley e pela filosofia Rastafari, Felipe via o reggae como uma ferramenta de conscientização e transformação. Ele colaborou com artistas de renome internacional, como Pato Banton e Andrew Tosh, e foi o fundador da banda Monte Zion, junto a André Jamaica, nos anos 90.

    A morte de Felipe, em 2019, foi um choque para a cena reggae, mas seu legado continua vivo graças a suas gravações e ao trabalho dedicado de seus amigos e familiares. Bittencourt, que preserva o acervo musical do cantor, garante que as futuras gerações, incluindo o filho de Felipe, Inti, possam usufruir desse tesouro artístico.

    Disponível nas plataformas digitais

    O single “Folha Seca” já está disponível nas principais plataformas de streaming. Vanessa Campos e a equipe de produção esperam que a canção, com sua mensagem atemporal e profundamente humana, toque os corações dos ouvintes e leve adiante o legado de Felipe Silva Zion. Para aqueles que desejam explorar mais o trabalho de Vanessa e revisitar a obra de Felipe, “Folha Seca” é uma oportunidade única de ouvir uma colaboração inédita que conecta a sensibilidade dos dois artistas.

    Escute “Folha Seca” nas plataformas digitais:

    ● Spotify:
    https://open.spotify.com/intl-pt/album/5bzjnpwZgmtLclUjEannww
    ● You Tube:
    https://www.youtube.com/watch?v=UECNlJLXLWE
    ● Deezer:
    https://www.deezer.com/br/album/654889931
    ● Apple Music:
    https://music.apple.com/br/album/folha-seca-single/1773305138
    ● Amazon Music:
    https://music.amazon.com/tracks/B0DJTG22CR?marketplaceId=ART4WZ8MWBX2Y&musicTerritory=BR&ref=dm_sh_iiZwOPuIT5mmztT7U56k7ms3F

    “Folha Seca” é um presente ao reggae e uma homenagem a Felipe Silva Zion, trazendo à tona sua essência artística e sua visão sobre vida, natureza e renovação, em uma jornada musical que resgata o passado e celebra a continuidade.

  • A revolução sonora da Rocinha: A história da equipe Status Disco Dance e os bailes que transformaram uma geração

    A revolução sonora da Rocinha: A história da equipe Status Disco Dance e os bailes que transformaram uma geração

    Introdução

    Na vastidão da Rocinha, maior favela da América Latina, uma revolução cultural e musical teve início em 1978, impulsionada pelo som que ecoava das caixas de som da Status Disco Dance.

    Fundada por Ricardo Pereira e seu parceiro Paulo Roberto, conhecido como Beto, a Status Disco Dance não só embalou a vida de milhares de jovens da comunidade, mas também deixou uma marca permanente na história dos bailes populares cariocas. Essa matéria busca resgatar a memória de uma época em que a música, os encontros e a comunidade se uniram para criar um legado que perdura até hoje.

    Rocinha em 1979

    O Início da Jornada

    A história da Status Disco Dance começa com a visão de Ricardo Pereira, que aos 20 anos decidiu criar uma equipe de som que pudesse trazer para a Rocinha o mesmo tipo de som que fazia sucesso nos bailes do Rio de Janeiro. “A Status Disco Dance foi criada em 1978,
    para ser mais exato. Começamos devagar, fazendo as coisas bonitinho. Inicialmente, chamava-se Status Discoteque, mas depois trocamos para Status Disco Dance”, relembra Ricardo.

    O objetivo era claro: levar para a favela o que de melhor havia na música, criando uma alternativa de lazer para os jovens que enfrentavam a dura realidade de viver em uma das áreas mais carentes do Rio de Janeiro.

    Status disco dance 3 Junho de 1984

    Status disco dance – Paulo Roberto (O Beto) em maio de 1981. Salão de Festas no Alto da Boa Vista

    A Criação da Equipe

    O contexto em que a Status Disco Dance nasceu não poderia ser mais desafiador. A Rocinha, conhecida por sua densidade populacional e pela falta de infraestrutura, era também um caldeirão de cultura e resistência.

    “A ideia de criar uma equipe partiu de mim e de um amigo que tenho até hoje, o Paulo Roberto, que a gente chama de Beto. Ele sugeriu: ‘Vamos fazer a nossa equipe, porque o som que está tocando aqui não é o som que toca nos bailes lá fora’. Foi aí que começou a mudança”, explica Ricardo.

    A partir dessa decisão, a dupla começou a construir o que se tornaria uma das mais icônicas equipes de som da história da favela.

    24 de junho de 1986 no antigo barracão do Império da Gávea

    Julho de 1986 – Colégio Paula Brito

    Julho de 1986

    Os Primeiros Passos e os Desafios

    Construir uma equipe de som de sucesso não era uma tarefa fácil. Ricardo e Beto enfrentaram inúmeros desafios, desde a compra de equipamentos até a criação de uma identidade sonora que se destacasse. “Meu único parceiro no desenvolvimento da equipe foi o Beto. Fizemos tudo sozinhos: criamos, compramos materiais, e organizamos os bailes”, conta Ricardo.

    Para garantir que os bailes da Status se diferenciassem, a dupla frequentava regularmente o malódromo, um ponto de encontro icônico no centro do Rio de Janeiro, conhecido por ser o lugar onde os maiores DJs e donos de equipes de som do país adquiriam seus discos importados.

    O Malódromo: O Coração da Música Importada

    Nos anos 80, o malódromo, localizado nas proximidades do Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, era o epicentro do comércio de discos importados no Rio de Janeiro. Ali, vendedores como Machado, mais conhecido como DJ Nazz, operavam verdadeiras lojas a céu aberto, vendendo discos diretamente do chão para quem chegasse primeiro.

    Ricardo relembra a intensidade dessas visitas: “Eu corria muito atrás dos discos. Trabalhava numa empresa e, no meu horário de almoço, ia para as lojas pesquisar”, destaca. Esses discos, que vinham de lugares como Miami e Nova Iorque, eram essenciais para manter a qualidade e a inovação musical dos bailes da Status.

    Esquema de auto-falantes e carimbos da Status Disco Dance.

    O Impacto dos Bailes na Comunidade

    Os bailes da Status Disco Dance rapidamente se tornaram o ponto de encontro preferido dos jovens da Rocinha. Naquela época, a violência e a falta de opções de lazer faziam dos bailes uma válvula de escape crucial. “Naquela época, a Rocinha passava por muita violência e não havia muito o que fazer. A única opção era ir ao baile.

    Os bailes da Rocinha eram tão bons que até hoje encontro pessoas que dizem estar casadas graças ao baile da Status Disco Dance”, diz Ricardo com orgulho.

    Status disco dance

    “Sabe quando uma criança conhece um parque de diversões pela primeira vez? Era assim que eu me sentia na Status Disco Dance”. Ricardo Pereira

    Ricardo Pereira de camisa verde e o DJ Piu, na época o melhor DJ da Rocinha

    Artistas e DJs: A Alma dos Bailes

    O sucesso dos bailes também se deve aos artistas e DJs que passaram pela Status Disco Dance. Além de Ricardo, que comandava as pick-ups, a equipe contava com o talento de DJs como Piu, que era considerado um dos melhores do Rio na época.

    “Além de mim, tinha o DJ Piu, que era praticamente o número 3 dos DJs do Rio de Janeiro na época. Convidamos também o Corello DJ, que fez um show maravilhoso para a gente, além de William DJ (Willian de Oliveira) e DJ Marcão”, lembra Ricardo.

    Os bailes também foram palco para apresentações de artistas consagrados como Paralamas do Sucesso, Silvinho Bláu Bláu, Biquini Cavadão, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, entre outros que ajudaram a consolidar a Status como um dos principais centros culturais da Rocinha.

    Dj Piu e seu irmão Kinkas da Rua 2 e DJ Wiliam

    DJ Marcão

    Dj Piu

     

     DJ Willian com a camisa da Status

    Quem conhece Willian de Oliveira, conhece também o Willian DJ. Aos sábados e domingos, ao anoitecer, ele se transformava em carregador de caixas e equipamentos de som da equipe Status Disco Dance. Foi essa dedicação que o permitiu entrar para a equipe e, se
    tornar um DJ, passando a comandar os eventos com maestria. Hoje, Willian é uma grande liderança na Rocinha, respeitado por sua trajetória e contribuição à comunidade.

    A Transição Musical

    Ao longo dos anos, a música nos bailes da Status Disco Dance também evoluiu, acompanhando as mudanças na cena musical internacional. “A transição foi muito boa. Começamos com o som do James Brown nos anos 70, passamos pela discoteque, depois para o funk soul, e finalmente, nos anos 80, para o miami bass”, explica Ricardo.

    Essa transição foi importante para manter a relevância da Status e atrair novos públicos, mostrando a capacidade da equipe de se adaptar às novas tendências e manter a animação dos bailes.

    Rádio Imprensa: O Pulso da Cultura Funk

    A expansão da influência da Status Disco Dance não se limitou aos bailes. A partir de 1984, a equipe conquistou as ondas do rádio com dois programas na Rádio Imprensa, uma das emissoras pioneiras no Brasil a dar espaço ao funk carioca. A Rádio Imprensa, que operava na frequência 102,1 MHz, era uma das FMs mais influentes da época, conhecida por ter sido a primeira emissora em frequência modulada instalada na América Latina.

    “Tínhamos dois programas na Rádio Imprensa, de 1984 a 1988. Um era dedicado às músicas dos bailes da Status, das 22h às 23h, e o outro era um programa de flashback, que ia até meia-noite”, conta Ricardo.

    A Rádio Imprensa, fundada em 1955, desempenhou um papel crucial na popularização do funk e de outras vertentes musicais na cidade, abrindo suas portas para locatários como a Status Disco Dance e a própria Furacão 2000.

    O impacto desses programas foi significativo, atraindo patrocínios e consolidando ainda mais a reputação da equipe na Rocinha. “Esses
    programas ajudaram a divulgar os bailes e a fortalecer a marca da Status Disco Dance. Comerciantes locais até queriam que a gente fizesse propaganda para eles”, relembra Ricardo.

    O Fim de uma Era

    Em 1992, Ricardo tomou a difícil decisão de vender a Status Disco Dance, marcando o fim de uma era na Rocinha. “Decidi vender a equipe em 1992. Tinha família e nunca dependi da Status para sustentar meus filhos. Fazia o som como hobby, mas estava vendo meus filhos
    crescerem sem a figura do pai. Por isso, decidi vender tudo”, explica.

    Apesar disso, o legado da Status Disco Dance na Rocinha, continuou a viver através das memórias de quem participou dos bailes. “Até hoje, quando eu vou na Rocinha, encontro pessoas que dizem que conheceram suas esposas nos nossos bailes e estão casadas até hoje”, comenta Ricardo.

    Reflexões Finais

    Olhando para trás, Ricardo Pereira se emociona ao relembrar os momentos vividos com a Status Disco Dance. “Sabe quando uma criança conhece um parque de diversões pela primeira vez? Era assim que eu me sentia na Status Disco Dance”, diz ele.

    A história da Status é um testemunho do poder transformador da música e da cultura popular, especialmente em comunidades como a Rocinha, onde o acesso a espaços de lazer e cultura sempre foi limitado. Hoje, ao revisitar essa trajetória, é possível entender a importância desses movimentos culturais para a formação da identidade de gerações inteiras.

    A história da Status Disco Dance é, acima de tudo, uma história de resistência, criatividade e amor pela música. Ricardo Pereira e Paulo Roberto, com sua visão e determinação, criaram mais do que uma equipe de som; eles criaram um movimento que ressoou por toda a Rocinha e deixou uma marca profunda na cultura popular carioca.

    Para os jovens de hoje, especialmente aqueles que fazem parte da cena do funk e do hip hop, essa é uma história que merece ser conhecida e celebrada, pois é parte fundamental das raízes culturais que ainda sustentam a música nas periferias do Brasil.

    O legado da Status Disco Dance continua vivo, não apenas nas lembranças dos que viveram aquela época, mas também na inspiração que oferece às novas gerações que buscam, através da música, um caminho para transformar suas realidades.

  • A revolução silenciosa: hip hop e inclusão educacional

    A revolução silenciosa: hip hop e inclusão educacional

    Olá artistas, educadores, amigos e leitores dessa coluna (quase) semanal. rsrsrsr

    No meu texto de hoje quero compartilhar com vocês uma reflexão que venho fazendo sobre hip hop e educação. É um texto que está em aberto, por isso sintam-se a vontade para criticar, pois seus comentários e críticas são extremamente valiosos e contribuirão significativamente para o avanço desta reflexão.

    Vamos nessa???

    Desde os primeiros passos na cultura hip hop, minha jornada tem sido uma imersão profunda em uma escola de vida única. Posso afirmar que a cultura hip hop foi a universidade mais extensa que participei (participo) ao longo da minha vida, afinal são 30 anos dedicados a essa cultura.

    Mais do que uma expressão artística, o hip hop tornou-se um veículo de conhecimento e resistência, moldando não apenas minha visão de mundo, mas também a de muitos outros jovens que, como eu, à época, encontraram nesse movimento uma forma de compreender e questionar a realidade ao seu redor.

    O hip hop, com suas quatro manifestações principais —rap, break, graffiti e DJ— sempre foi mais do que apenas entretenimento. Ele é uma resposta cultural às condições sociais e econômicas das periferias, um espaço de contestação e construção de identidade. Para mim, essa cultura foi uma porta de entrada para um universo de ideias e experiências que a educação formal muitas vezes ignorou ou marginalizou.
    Através do rap, fui apresentado a livros e autores, discos e compositores, que jamais teria conhecido de outra forma.

     

    Alguns autores e seus textos, cantores e suas letras, passaram a fazer parte do meu repertório intelectual, muitas vezes traduzidos e adaptados pelas letras de artistas que admiro, como Mano Brown. Essas influências ajudaram a formar uma consciência crítica sobre as estruturas de poder e desigualdade, tanto locais quanto globais. Essa formação autodidata, impulsionada pela curiosidade e pelo desejo de compreender o mundo, complementou e, em muitos aspectos, superou a educação formal que recebi.

    Não quero com isso afirmar que o hip hop substitui de alguma forma a educação formal, não é isso, minha própria história poderia contradizer tal afirmativa, pois estou prestes a concluir meu doutorado em educação na Universidade Federal Fluminense (UFF), e trabalho de forma muito próxima a universidades e institutos federais, como a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), e até mesmo universidades internacionais como a Duke University e a North Carolina Central University (NCCU).

    O hip hop me fez valorizar a educação formal e compreender a importância de participar e colaborar com essas instituições. No entanto, essa riqueza cultural e educativa proporcionada pelo hip hop raramente é reconhecida ou valorizada nas instituições de ensino tradicionais. A inclusão de elementos dessa cultura em currículos escolares e em projetos culturais talvez seja uma forma poderosa para engajar estudantes e promover uma educação mais inclusiva e contextualizada. O RapLab, por exemplo, é uma iniciativa que busca explorar o rap como uma forma de produção de conhecimento em rede. Ao debater questões sociais, políticas e culturais de maneira sensível, acessível e relevante para as realidades desses jovens.

    O hip-hop me trouxe de volta à escola, desta vez como um rappereducador. Como alguém que valoriza a diversidade de conhecimentos, meu objetivo é disseminá-los em lares, escolas, ruas, praças, centros culturais, universidades, etc., por meio de escritos, músicas e das vozes poderosas de quem frequentemente não é tido como produtor de conhecimento. O hip-hop tem descolonizado minha mente há 30 anos.

    A integração do hip hop na educação não é apenas uma questão de representar culturas marginalizadas; é uma questão de justiça educacional. Os educadores e as escolas têm a responsabilidade de reconhecer e valorizar as diversas formas de conhecimento e expressão que seus alunos trazem para a sala de aula. Incorporar o hip hop e outras culturas urbanas nos currículos é uma forma de legitimar essas experiências e oferecer uma educação mais significativa e transformadora.

    No final de 2023, tive a oportunidade de liderar duas sessões do RapLab em uma escola em Ramos, no Rio de Janeiro. Foram três dias de interação com pré-adolescentes dessa escola, refletindo sobre questões raciais, com a presença de professores e diretores. No primeiro dia, tivemos um momento para nos conhecermos e ganharmos confiança uns nos outros; no segundo dia, focamos na produção intelectual; e no terceiro dia, infelizmente, foi o dia da despedida.

    Produzimos duas músicas incríveis que se tornaram uma só, pois se completavam devido ao tema. Os estudantes chamaram o diretor da escola e exigiram que aulas de rap fossem incluídas no currículo escolar. Lembro que o diretor comentou que uma pequena revolução havia começado na escola.

    DJ Dorgo ministrando o encontro do RapLab em uma escola de Ramos.
    DJ Dorgo ministrando o encontro do RapLab em uma escola de Ramos.

    Senti uma saudade de algo que ainda não tinha visto nem vivido. Percebi que, se trabalhasse durante um ano com aquelas crianças, poderíamos alcançar resultados incríveis ao final do ano. Imaginei uma sala de aula repleta de referências negras, do hip-hop e das periferias do Rio de Janeiro, com estúdio musical, câmeras de vídeo, jogos e tudo mais que pudesse permitir o máximo desenvolvimento desses jovens.
    Logo, entretanto, tirei essa ideia da mente, pois parecia distante da nossa realidade. No entanto, em março de 2024, tive a oportunidade de viajar para Athens, na Geórgia, Estados Unidos, e conheci uma escola onde o professor era rapper. A sala de aula superava tudo o que eu havia imaginado.

    William Montu I Miller, mais conhecido como Montu, é escritor, poeta, mentor e organizador comunitário, além de professor na Cedar Shoals High School. Ele também é o Embaixador da Comunidade Hip-Hop de Athens.

    Montu é escritor professor na Cedar Shoals High School
    Montu é escritor professor na Cedar Shoals High School
    Travis Willians, Dudu de Morro Agudo e John French na Cedar Shoals High School, em Athens, na Georgia.
    Travis Willians, Dudu de Morro Agudo e John French na Cedar Shoals High School, em Athens, na Georgia.
    Sala de aula da Cedar Shoals High School, em Athens, na Georgia.
    Sala de aula da Cedar Shoals High School, em Athens, na Georgia.

    Os projetos culturais que envolvem o hip hop podem atuar como espaços de resistência e empoderamento. Eles não apenas oferecem aos jovens uma plataforma para expressar suas vozes, mas também os conectam com uma comunidade maior de pensadores e artistas que compartilham suas lutas e aspirações. Esses espaços permitem que os jovens se vejam como agentes de mudança, capazes de transformar suas realidades e contribuir para uma sociedade mais justa.

    Em resumo, o hip hop desempenhou um papel crucial na minha formação e continua a ser uma força vital na educação de muitos jovens. Sua inclusão em currículos escolares e projetos culturais é essencial para construir uma educação que valorize a diversidade, promova a equidade e capacite os estudantes a se tornarem cidadãos críticos e conscientes. É através dessas vivências que podemos vislumbrar um futuro onde todas as formas de conhecimento sejam reconhecidas e celebradas.

    É isso, chegamos ao fim!!!

    Se você discorda, concorda ou tem outras ideias, não deixe de escrever nos comentários e que certamente eu responderei.

    Até mais!!!

  • Alunos da UFRJ destacam Dudu de Morro Agudo e Instituto Enraizados em Semana de Iniciação Científica.

    Alunos da UFRJ destacam Dudu de Morro Agudo e Instituto Enraizados em Semana de Iniciação Científica.

    Na última segunda-feira (08), durante a Semana de Iniciação Científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os estudantes orientandos da professora Dra. Adriana Facina surpreenderam ao elegerem Dudu de Morro Agudo e o Instituto Enraizados como temas centrais de suas apresentações.

    Essa escolha revelou uma abordagem inovadora e relevante, destacando iniciativas locais e personalidades que frequentemente não recebem o devido reconhecimento acadêmico.

    A professora Facina destacou o profundo envolvimento dos alunos com o tema após uma entrevista com Dudu de Morro Agudo, que, segundo ela, “os tocou profundamente”. Essa conexão pessoal certamente se refletiu na qualidade e paixão evidente em suas apresentações.

    Ana Laura e Matheus

    Entre os estudantes envolvidos estão Matheus, graduando em História da Arte na UFRJ, seminarista na Baixada Fluminense, e que tem uma história profundamente enraizada em questões sociais e religiosas. Originário de Caxias, desde cedo esteve envolvido com os movimentos de base da igreja e a teologia da libertação; e Ana Laura, moradora de Copacabana e que traz uma experiência como dançarina urbana de break dance.

    O envolvimento de Matheus e Ana Laura ilustra a diversidade de perspectivas que contribuem para uma compreensão mais completa e inclusiva das iniciativas artísticas e comunitárias lideradas por Dudu de Morro Agudo e o Instituto Enraizados. Essa variedade de vozes é fundamental para a construção de narrativas autênticas e representativas das complexidades sociais e culturais do Rio de Janeiro e além.

    A apresentação dos alunos sublinha a importância do engajamento comunitário e da valorização da cultura local como pilares fundamentais para a transformação social. Ao destacar esses aspectos, os estudantes não só reconhecem o impacto positivo dessas iniciativas na comunidade, mas também ressaltam a necessidade de fortalecer e apoiar atividades que promovam o empoderamento e a inclusão social.

    Essa reflexão ampliada sobre a apresentação dos alunos nos leva a considerar não apenas a importância do reconhecimento e apoio a iniciativas como estas, mas também nos instiga a pensar em como podemos todos contribuir para fortalecer e ampliar essas redes de engajamento comunitário e valorização da cultura local em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.

  • Nova Iguaçu submersa: o ciclo infinito das enchentes

    Nova Iguaçu submersa: o ciclo infinito das enchentes

    Por Dudu de Morro Agudo

    Na tarde de ontem a chuva começou cedo, mas a partir das 19 horas não deu mais trégua, gerando apreensão em diversos locais de Nova Iguaçu, onde a população temia que suas casas fossem invadidas pela água. No bairro Jardim Canaã, minha sogra, vítima de uma primeira enchente devastadora em 2014, vive sob constante ameaça. As recorrentes inundações, atribuídas pelos moradores a uma obra mal executada no Rio Botas, traumatizaram-na a ponto de ela não manter mais móveis em casa.

    Percebendo que a chuva não pararia, me ofereci para levar meu amigo Samuel Azevedo para casa, deparei-me com uma cidade caótica, entrelaçada por engarrafamentos e bolsões de água. Ruas alagadas, carros avariados e comércios submersos evidenciavam a gravidade da situação. A expressão “Racismo Ambiental” utilizada pela Ministra Anielle Franco ganha relevância ao observar a disparidade entre os pontos mais abastados da cidade, onde tais problemas não ocorrem.

    RACISMO ESTRUTURAL: O MAL INVISÍVEL NAS ÁGUAS

    Convido todos à reflexão profunda sobre os responsáveis por essa situação, pois não é algo natural, como alguns insistem em alegar. Não posso e não devo direcionar minhas críticas ao governo corrente, pois Nova Iguaçu é uma cidade com 190 anos, e muitos outros governos deixaram o problema para o governo seguinte, como uma herança maldita.

    A questão vai além das enchentes; trata-se do fenômeno conhecido como racismo estrutural, que se manifesta na distribuição desigual de recursos e serviços. Em Nova Iguaçu, a população mais vulnerável, majoritariamente composta por negros e afrodescendentes, enfrenta as piores consequências das inundações. As áreas mais pobres da cidade são as mais afetadas, evidenciando uma relação direta entre condições socioeconômicas precárias e o impacto ambiental.

    Essas reflexões trazem novas (ou nem tão novas) questões que tentam apontar os motivos que fazem esses problemas se arrastarem por tantos anos:

    Falta dinheiro ou será que os recursos públicos são direcionados para a manutenção do poder?

     

    A REVOLTA NAS REDES SOCIAIS: TWITTER COMO PALCO DE INDIGNAÇÃO

    Revoltando-me diante do descaso por este lugar e suas pessoas, sofro ao testemunhar tamanho descaso e clamor ignorado. Nas últimas horas, as redes sociais, principalmente o X (antigo Twitter), tornaram-se palco da indignação da população de Nova Iguaçu. Mensagens cobrando soluções imediatas das autoridades inundaram a plataforma, refletindo a frustração acumulada ao longo dos anos.

    Diante desse cenário, é fundamental que as autoridades municipais e estaduais se posicionem de maneira transparente, explicando as medidas adotadas para enfrentar as enchentes recorrentes. A comunidade merece respostas claras sobre os investimentos em infraestrutura e ações preventivas que visam mitigar esses impactos.

    A persistência desse problema em uma cidade com quase dois séculos de existência clama por uma análise mais profunda. É hora de unir esforços, superar barreiras e trabalhar coletivamente para garantir que Nova Iguaçu não seja mais refém das enchentes que assolam as partes mais vulneráveis da cidade. A população já demonstrou sua voz nas redes sociais; agora, é aguardar respostas concretas das autoridades e, juntos, construir um futuro mais seguro e justo para todos os iguaçuanos.

     

  • Xamuel, o Príncipe do Freestyle, brilha na Batalha do Forte 2024 e conquista o título em Cabo Frio

    Xamuel, o Príncipe do Freestyle, brilha na Batalha do Forte 2024 e conquista o título em Cabo Frio

    Cabo Frio, Rio de Janeiro – No último fim de semana, a cidade de Cabo Frio foi palco da primeira edição da Batalha do Forte 2024, um evento que reuniu 16 MCs de todo o país para uma intensa competição de rimas. O destaque indiscutível do evento foi Xamuel, o fenômeno do freestyle, que sagrou-se o grande vencedor, reafirmando seu título de Príncipe do Freestyle.

    Com um histórico impressionante desde os seus 11 anos de idade, quando ingressou no mundo das batalhas de rima, Xamuel provou mais uma vez sua maestria no microfone. Originário de Viamão, o jovem gaúcho trilhou um caminho árduo até o reconhecimento, vendendo sacos de lixo com o pai e o irmão mais velho para custear sua participação em competições regionais.

    A ascensão meteórica de Xamuel não passou despercebida nas redes sociais. Atualmente, o artista conta com uma legião de fãs, somando quase 1,5 milhão de seguidores no Instagram e 3,5 milhões no TikTok. Seus vídeos de batalhas de rimas viralizaram, catapultando-o para o estrelato digital.

    Em setembro do ano passado, Xamuel deu um passo importante em sua carreira ao lançar o single “Alguém Conseguiu Entender?”, consolidando sua presença no cenário musical brasileiro. Seu talento não passou despercebido pelas grandes gravadoras, e no final de 2023, o jovem talento gaúcho assinou contrato com a Universal Music Brasil.

    A parceria com a Universal Music Brasil promete ser um novo capítulo na carreira de Xamuel, proporcionando-lhe oportunidades de crescimento e exposição. A gravadora, reconhecida por seu papel no desenvolvimento de grandes artistas, está empenhada em ampliar o alcance e o reconhecimento do Príncipe do Freestyle.

    Em breve, os fãs podem esperar novidades da parceria, pois Xamuel já está preparando lançamentos com grandes nomes da música brasileira para os próximos meses. Com uma carreira promissora e um talento inegável, Xamuel continua a trilhar seu caminho de sucesso, deixando uma marca indelével no cenário do freestyle nacional. O título conquistado na Batalha do Forte 2024 é apenas o começo de uma jornada que promete ser repleta de conquistas e reconhecimento para o jovem MC.

  • Baile dos Primatas: unindo a nova e a velha escola do hip hop do Rio de Janeiro

    Baile dos Primatas: unindo a nova e a velha escola do hip hop do Rio de Janeiro

    Um coletivo idealizado para unir as gerações do hip hop, promover atividades pra molecadinha e ajudar os mais necessitados.

    Essa foi a ideia inicial que os amigos DJ Claudinho, M-Black, Mr.Ronney e Salada Maleiko tiveram ao criar, no dia 29 de dezembro de 2018, o “Baile dos Primatas”., para resgatar e repassar aos mais jovens o que eles acreditam ser os valores da cultura hip hop.

    Sendo assim, em um churrasco de confraternização dos amigos da cultura black, no camelódromo da Uruguaiana, no centro da cidade do Rio de Janeiro, eles resolveram produzir um baile como alternativa ao que eles chamam de “mesmice que a cultura hip hop” no estado, valorizando o hip hop e seus elementos, sobretudo a consciência.

    O que a princípio seria somente um evento para reunir a velha e a nova escola do hip hop carioca, se tornou um projeto variado e diversificado, agregando projetos musicais, culturais, políticos e sociais, com palestras, oficinas, shows, campanhas de arrecadação de alimentos, etc.

    Já aconteceram duas edições do baile, e a terceira já está à caminho. Será em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, mas ainda não tem data definida.

    Um dos resultados desse projeto é o videoclipe Cypher Primatas, que já está disponibilizado no youtube, onde os integrantes rimam sobre essa relação entre as gerações e o respeito pelo genuíno hip hop, mas eles garantem que muito mais coisas estão sendo pensadas para agregar mais pessoas e propagar o que consideram a cultura hip hop raiz.

    SAIBA MAIS

    Instagram: @bailedosprimatasoficial

    Canal no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCOx6QpsE5vAa-d-sNS5naBA

  • 1Kilo lança “Minha Oração”, primeiro single do pojeto Cypher 2019

    1Kilo lança “Minha Oração”, primeiro single do pojeto Cypher 2019

    Faixa, que faz parte do formato de sucesso do coletivo, atualizado para essa temporada, encabeça nova fase do selo.

    Ao meio-dia desta segunda-feira (11), a 1Kilo disponibiliza “Minha Oração” em seu canal no YouTube (https://bit.ly/2KKJN25). O primeiro single do projeto cypher 2019 apresenta uma nova identidade do selo, que reforça a máxima de qualidade musical da gravadora, e promete inovação nas propostas estéticas de videoclipes.

    “Essa cypher tem um instrumental que nos remete aos sucessos do início da 1Kilo como Reza Sincera e Benção, porém com influências latinas”, afirma DoisP.

    Assinada por Pablo Martins, CT, Matheus MT, DoisP, Pelé MilFlows, MZ e DaPaz (A Banca/Medellin), “Minha Oração” aponta a música como religião. “Independente da fase ou momento de vida, nos apegamos a nossa música para superar e surpreender”, explica DoisP.

    Em breve, a nova cypher também estará disponível nas principais plataformas de streaming como Spotify, Deezer e iTunes.

    SOBRE 1KILO

    Fundado no Rio de Janeiro, por Pablo Martins, DJ Grego, Rasta e DoisP, o coletivo 1Kilo é uma gravadora independente que surgiu no Youtube, tendo uma ascensão meteórica no cenário do rap nacional. Atualmente, os cariocas lotam shows por todo o país e assinam hits como “Deixe Me Ir”, que ultrapassa 300 milhões de views.

  • A cidade de Tianguá, no Ceará, entra no mapa do rap brasileiro através da música do rapper MH.

    A cidade de Tianguá, no Ceará, entra no mapa do rap brasileiro através da música do rapper MH.

    O rapper MH é um dos principais nomes da cena em Tianguá, no Ceará. Construindo rimas utilizando como referência frases e versos de artistas como Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré e dos repentistas Caju e Castanha, consegue aproximar o público mais jovem desses poetas que cantam a alma do Nordeste, ao mesmo tempo em que populariza o rap na região.

    Seu estilo de fazer rap une o tradicional e o contemporâneo, resgatando a memória popular sampleando os sons de sanfona, da zabumba, do triãngulo, do pandeiro, além das melodias de pífano, que são remixadas com maestria pelo DJ Sales Medeiros.

    Sua música está chegando forte no Rio de Janeiro, mais precisamente nas rodas de rima da Baixada Fluminense, onde os DJs tocam principalmente a música “Mandacaru Gang”.

    [button color=”red” size=”medium” link=”http://bit.ly/MandacaruGang” icon=”” target=”true”]Download[/button]

    Mas a história de MH no rap começou timidamente no ano de 2006, quando lançou seu primeiro CD, intitulado “Demonstração”. E após concorrer com mais de 400 músicos de todo o Brasil e conquistar o primeiro lugar em um concurso nacional de jingles, realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, pôde morar em Brasília e consequentemente se aproximar da cena do rap nacional e então alavancar sua carreira.

    Quando voltou para sua cidade natal, no ano de 2009, totalmente renovado e bem mais experiente, estabeleceu parcerias com importantes DJs da região, como os DJ Natal, Sales e Mazili. Aos poucos foi desenhando seu próprio estilo, exaltando a cultura nordestina, mesclando a música regional com as batidas de trap e boombap, até que em 2014 lançou a mixtape “Frenético”, onde o mesmo define como “um verdadeiro caldeirão de estilos musicais”.

    MH durante apresentação
    MH durante apresentação

    Novo disco

    MH começou o ano de 2018  lançando vídeos e singles em seu canal do Youtube, que já soma mais de 150.000 visualizações, e está preparando o show de pré-lançamento de seu novo álbum “Nordeste Bass” onde cria combinações capazes de animar “qualquer festa”.

    Tianguá – CE

    Tianguá é um município brasileiro do estado do Ceará, fundado em 1890, com cerca de 70 mil habitantes, e que fica localiza-se na microrregião da ibiapaba, mesorregião do Noroeste Cearense. Segundo o livro “Tianguá… Raízes de sua história e de sua cultura”, Tianguá é um termo aportuguesado dos vocábulos tupi “Tyanha” (gancho) e “Guaba” (a água), que quer dizer: o gancho que prende as águas, em alusão ao rio Tianguá e seus afluentes.

    Tianguá fazia parte do território da Villa Viçosa Real da América, antiga aldeia tabajara chefiada pelo morubixaba Irapuã.

    A cidade surgiu em torno de uma pequena capela católica, feita de taipa e coberta com palhas de babaçu, erigida em louvor a Senhora Santana. No município, assim como na maior parte da Serra da Ibiapaba, é muito comum o plantio da cana de açúcar, batata-doce, caju, morango, tomate e pimentão, além de outras frutas e hortaliças.

    No Turismo, o açude forma uma prainha, utilizada pela população para lazer nos finais de semanas, chegando a receber centenas de pessoas oriunda das mais diferentes e distantes cidades da região. O local oferece uma excelente opção para a prática de pesca esportiva. Em sua gastronomia local, o visitante poderá desfrutar de diversos tipos de pratos com os mais variados peixes.

    Fontes:
    Site Guia Turismo Brasil: https://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/CE/335/tiangua
    Wikipedi: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tianguá

    SAIBA MAIS

    Facebook: https://www.facebook.com/MH.Rapper

    Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCGGQ9dSWlOi2iV6h-Tk-P2Q

     

  • Marcão Baixada é atração confirmada no Festival Manifeste SP

    Marcão Baixada é atração confirmada no Festival Manifeste SP

    Faltando menos de uma semana para o Festival Manifeste SP, a produção anunciou mais uma atração. O rapper do Rio de Janeiro Marcão Baixada é um dos artistas confirmados, em uma grande lista de atrações que irão se apresentar nos dois dias música.
    A confirmação veio esta manhã, nas páginas oficiais do Festival.

    Marcão se apresentou no último dia 13 em Duque de Caxias, durante a turnê conjunta das bandas No Longer Music (USA) e Medulla (BR). A turnê também passará pelo Festival nos dois dias, dividindo o headline com o rapper Raffa Moreira.

    Confira o lineup dos 2 dias do Festival:

    20/01 @ Vale do Anhangabaú – São Paulo | Início: 12:00h
    – Medulla
    – No Longer Music
    – Raffa Moreira
    – Black Days
    – Voltare
    – NDK
    – Rimas e Melodias
    – Marcão Baixada
    – + atrações à confirmar

    Entrada gratuita

    21/01 @ Calçadão Dom Pedro II – Centro de Guarulhos | Início: 12:00h
    – Medulla
    – No Longer Music
    – Raffa Moreira
    – João Perreka e os Alambikes
    – Lumière
    – Yannick
    – Caikan
    – + atrações à confirmar

    Entrada gratuita

    Maiores informações na página do Festival