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  • Chico Batera e a rapper carioca Lisa Castro conectam Madureira, Cuba e Estados Unidos em nova música “Atrevida”

    Chico Batera e a rapper carioca Lisa Castro conectam Madureira, Cuba e Estados Unidos em nova música “Atrevida”

    Chico Batera, renomado baterista de Chico Buarque e favorito de grandes nomes como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Quincy Jones e Cat Stevens, se sente renovado ao lançar sua nova música, “Atrevida”, em parceria com a rapper carioca Lisa Castro. “Essa postura de ‘eu já vi de tudo’ é horrível!”, diz o artista.

    Aos 81 anos, Chico Batera, um dos músicos brasileiros mais respeitados internacionalmente, une em “Atrevida” a harmonia da música cubana, a batucada do samba e a poesia do rap. Inspirada na canção “Eu quero essa mulher assim mesmo”, de Monsueto, a música é uma ode à mulher, com uma visão contemporânea e politizada. “Minha vontade de fazer algo novo era tão grande que essa oportunidade com o rap não apareceu por acaso. A arte nunca chega de graça”, reflete o músico, que lançou em 2023 o livro Chico Batera: Memórias de um músico brasileiro e o show “Chico Batera – 80 anos”.

    Chico destaca o namoro do samba com a música negra norte-americana, que começou com artistas como Tim Maia, Cassiano e Banda Black Rio, e seguiu com nomes contemporâneos como Marcelo D2, Seu Jorge e Emicida. Em “Atrevida”, essas influências se encontram e atravessam a América Latina rumo aos Estados Unidos. “Todo baterista gosta de música cubana. A cegonha quando me trouxe passou de raspão por Havana e foi parar em Madureira, que até parece Cuba”, brinca Chico, que tem uma longa afinidade com a música cubana.

    Chico Batera

    Durante sua estadia em Los Angeles, Chico conviveu com muitos músicos latinos e percebeu as semelhanças culturais entre o Brasil e Cuba. “Não tem povo mais parecido com o brasileiro do que o cubano. A etnia é a mesma: África, Península Ibérica, Portugal, indígenas. O brasileiro demora a se conscientizar que é latino”, acredita o baterista. Essa conexão entre as Américas, África e Europa também está presente na arte da capa do single, assinada pelo artista gráfico Gustavo Deslandes.

    O encontro com a poetisa, MC e slammer da Baixada Fluminense Lisa Castro aconteceu por meio do produtor artístico Geraldinho Magalhães, do selo Diversão e Arte, que lança o novo trabalho em parceria com a Virgin Music Group. Ao conhecer Lisa, a admiração mútua foi imediata, e a rapper escreveu os versos que celebram a presença e potência feminina. “Considero ‘atrevida’ um adjetivo de qualidade. Para mulheres pretas da Baixada Fluminense, como eu, ser atrevida, insolente, petulante é muito bom”, afirma Lisa, que se inspira em artistas como Nina Simone, Lauryn Hill, Conceição Evaristo, Elis Regina e Carolina Maria de Jesus.

    Lisa Castro

    Chico Batera ficou encantado com a colaboração com Lisa Castro. “Ela é uma mulher representativa, bem resolvida. Era o recado que eu queria dar. Nos EUA, o rap é mais politizado, de protesto. No Brasil, o funk, que se popularizou nas periferias, acabou indo para o lado da banalização, da pornografia. Não tenho nada contra bunda, mas acho que a mulher pode ser muito mais dona de si quando seu atrevimento é pessoal e social, para além do rebolado”, reflete o baterista.

    Lisa, por sua vez, agradece pela oportunidade que a tirou de sua zona de conforto. “Me senti honrada com o convite. É a primeira vez que participo em um estilo musical diferente do meu, ainda mais com um ícone como ele. Fiquei muito feliz”, diz a artista, que já lançou os álbuns O Sorriso da Manalisa e Em Negrito, e prepara seu próximo EP para este ano, enquanto cursa Pedagogia.

    A ousadia de Chico Batera também se manifesta em sua nova parceria musical com o ritmista, percussionista e co-produtor musical da faixa, Felipe Tauil. A gravação de “Atrevida” contou com outros talentos da MPB contemporânea, como Mariana Braga (cavaquinho e vocal), os metais de Dudu Oliveira (flauta), Wanderson (trombone) e Wharson Cardoso (sax barítono), além da presença marcante de Arthur Maia no baixo, em sua última gravação antes de falecer.

    Chico Batera foi responsável pelo arranjo, vibrafone, vocal e percussão da canção. “A linha de sopro veio das minhas memórias musicais dos bailes com músicos cubanos. São lindas”, relembra. A mixagem e masterização de “Atrevida” ficaram a cargo do engenheiro de som e produtor Rodrigo Campello.

    Sempre atento ao que acontece ao seu redor, Chico Batera segue desafiando a si mesmo. “Essa postura de ‘eu já vi de tudo’ é horrível! Sempre está acontecendo muita coisa”, filosofa. E, pelo visto, ele ainda tem muitas viradas surpreendentes para fazer. “Pra mim, a hora é agora. Se eu não fizer hoje, vou fazer quando?”.

    ATREVIDA
    (Chico Batera e Lisa Castro)

    Atrevia, Atrevida, Atrevida
    Eu quero essa mulher pra mim…

    Mulher da vida, da lida
    Independência define
    Ré confessa atrevida
    Liberdade é meu crime
    Sou do tempo
    Jovelina, Elis Regina
    Muito além de seu tempo
    Com pitadas de Clementina
    O sal que dá gosto
    O tempo que faltava
    O lado oposto do errado
    Aquela que não trava
    Fora da média, fora da curva
    Vinho boa safra, feito da melhor uva
    Então degusta a vulva!

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  • Marginal Groove: Uma nova musicalidade e uma voz de resistência

    Marginal Groove: Uma nova musicalidade e uma voz de resistência

    Formada em 2019, a Marginal Groove surgiu com o propósito de acompanhar o rapper Dudu de Morro Agudo em sua apresentação no Rock In Rio. A banda, que inicialmente recriou roupagens para as músicas de Dudu, evoluiu para criar novas canções e uma sonoridade própria. Composta por Dudu de Morro Agudo, Rogério Sylp e Gustavo Baltar nos vocais, Ghille e Fábio Spycker nas guitarras, Dom Ramon no baixo, Rob na bateria e Dorgo como DJ, a banda é um coletivo de músicos talentosos e engajados.

    A sonoridade da Marginal Groove é uma fusão de influências diversas, refletindo as experiências musicais de seus integrantes. O resultado é uma mistura de rock, rap, funk, reggae e samba, com uma pegada que lembra bandas como Planet Hemp e Rage Against the Machine, mas vai além. Essa diversidade musical se manifesta em uma proposta única, marcada por letras politizadas e ácidas, abordando temas sociais e políticos com intensidade e autenticidade.

    O auge da trajetória da banda até o momento foi sua apresentação no Rock In Rio 2019, um marco para qualquer artista. Além disso, a Marginal Groove já se apresentou em locais icônicos como o Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói; o SESC Tijuca; a Praça de Morro Agudo; e o Quilombo Enraizados. Cada show reforça sua presença no cenário musical e seu compromisso com a arte e a sociedade.

    Apesar de ainda não terem lançado um álbum completo, a banda possui um vasto material disponível na internet, com registros ao vivo de suas apresentações. Os próximos passos incluem o lançamento de singles e videoclipes, , expandindo sua discografia e sua presença na cena musical, além da produção de um espetáculo especial para apresentar suas novas músicas, que promete ser uma experiência inesquecível para o público.

     

    A Marginal Groove é uma banda com uma forte inclinação política. Suas letras abordam temas como antirracismo, direitos das minorias e críticas à desigualdade social. A banda utiliza sua plataforma para expressar ideias e provocar reflexões, sempre com uma mensagem de resistência e empoderamento.
    Os shows da Marginal Groove são conhecidos por sua energia e interatividade. A banda não apenas toca suas músicas, mas também envolve o público em suas performances, criando uma atmosfera de diálogo e participação.

    Cada apresentação é uma experiência única, que vai além da música e se torna um ato de resistência e conexão.

    A recepção do público tem sido extremamente positiva. A participação ativa e o entusiasmo do público, mesmo com músicas ainda pouco conhecidas, demonstram o impacto que a banda tem nas pessoas. A Marginal Groove foi destaque no podcast “Ao Ponto”, do O Globo, onde o jornalista Bernardo Araújo a mencionou como uma das melhores apresentações do Espaço Favela, no Rock In Rio.

    A Marginal Groove mantém uma forte conexão com a comunidade de Morro Agudo e tem uma relação próxima com o Instituto Enraizados, uma organização de hip hop com 25 anos de atuação na região. Essa ligação com a comunidade se reflete na música da banda e em sua atuação social, reforçando seu compromisso com as causas sociais e culturais.

    Com uma proposta inovadora e uma voz potente, a Marginal Groove é mais do que uma banda; é um movimento que utiliza a música como ferramenta de transformação e resistência.

    SAIBA MAIS

    http://linktr.ee/marginalgroove

  • Conversa Afetuosa e Improvisos Memoráveis: Destaques do Segundo Episódio do Podcast ‘Fala, Nurynho’ com Dudu de Morro Agudo e Samuca Azevedo

    Conversa Afetuosa e Improvisos Memoráveis: Destaques do Segundo Episódio do Podcast ‘Fala, Nurynho’ com Dudu de Morro Agudo e Samuca Azevedo

    No emocionante segundo episódio do podcast “Fala, Nurynho”, os convidados especiais Dudu de Morro Agudo e Samuca Azevedo mergulharam profundamente na rica história do Instituto Enraizados, conversaram sobre hip hop e samba, além de discutir os desafios políticos enfrentados na cidade de Nova Iguaçu.

    O anfitrião do programa, Nurynho, cria do Carmari e do samba, além de membro destacado do Império da Uva, fundada por seu avô, mostrou seu talento como comunicador excepcional ao guiar a conversa de maneira envolvente ao longo de quase duas horas de diálogo.

    A experiência foi marcada por momentos hilariantes, discussões profundas e uma visão instigante sobre o futuro. Nurynho não apenas conduziu o podcast com maestria, mas também proporcionou um ambiente descontraído, evidenciado pelos muitos momentos engraçados compartilhados durante o episódio.

    Em uma agradável surpresa, os participantes e a audiência foram agraciados com a degustação de deliciosas pizzas fornecidas pela “Pizza & Pasta”, um dos patrocinadores orgulhosos do programa. A descontração da refeição adicionou um toque especial ao bate-papo, tornando o ambiente ainda mais acolhedor.

    Um dos destaques incontestáveis do episódio foi o momento em que Samuca Azevedo surpreendeu a todos com um incrível improviso. A reação entusiasmada da audiência no chat, expressa através de uma enxurrada de comentários empolgados, ressaltou a energia e interatividade única proporcionada pelo “Fala, Nurynho”.

    Os fãs e ouvintes podem esperar ansiosamente pelos cortes do episódio, pois exsitem muitos pontos da conversa que merecem ser evidenciados. No entanto, para aqueles que desejam experimentar a entrevista na íntegra, basta clicar no vídeo acima.

    O “Fala, Nurynho” não é apenas um podcast, mas uma jornada que mergulha nas raízes culturais, artísticas e políticas, promovendo um diálogo autêntico e significativo. Este episódio em particular promete ser um tesouro para os amantes de música, cultura e todos que anseiam por insights provocativos.

     

  • Seletores de Frequência lançam EP instrumental

    Seletores de Frequência lançam EP instrumental

    Seletores de Frequência, a banda que acompanha o artista BNegão desde seu primeiro disco solo, Enxugando Gelo (2003), apresenta agora um novo show, instrumental e experimental. O grupo carioca compilou versões rearranjadas de canções que estão neste primeiro álbum e naqueles que o sucedem – o premiado Sintoniza Lá (2012) e o mais recente, TransmutAção (2015).

    O setlist também conta com alguns clássicos do groove escolhidos a dedo e temas inéditos que estarão no disco instrumental do grupo (ainda sem data de lançamento).

    Este disco é um desejo antigo dos Seletores, e vinha sendo planejado desde 2014. Mas o lançamento de TransmutAção pelo edital Natura Musical em 2015 acabou postergando os planos. Agora é hora de voltar ao plano original e instrumental, que está a cargo da banda formada por Pedro Selector (trompete), Fabiano Moreno (guitarra), Fabio Kalunga (baixo) e Robson Riva (bateria). E que conta com as participações especiais de Sandro Lustosa (percussão) e Marco Serragrande (trombone), parceiros de longa data.

    Mas atenção: a banda BNegão & Seletores de Frequência continua a todo vapor e com novo vinil na praça. Este lançamento instrumental é o nascimento de um novo projeto!

    No processo de criação das músicas que foram letradas por BNegão, o som sempre surgiu antes da palavra, ou seja, é natural que o grupo orquestre uma apresentação genuinamente instrumental, explorando ainda mais a inventividade de cada um dos músicos.

    Vale lembrar que todos os discos dos Seletores, lançados com BNegão, possuem músicas instrumentais. No primeiro, “No Hay”; no seguinte, “Na Tranquila”; e no terceiro, uma conquista: “Surfin’ Astatke”, composição de Pedro Selector, ficou em 10o lugar na lista das melhores músicas de 2015, pela revista Rolling Stone Brasil.

    Nas influências, tudo aquilo que está no DNA da banda: Funk, Soul, Reggae, Dub, Afro, Jazz, Samba. Mas, acima de tudo, a missão de fazer música livre, sem rótulos. Para o público afinar o passo no compasso desse groove, os Seletores estão lançando um EP com quatro músicas, somente na internet.

    Escute aqui: www.seletores.bandcamp.com

     

  • [19JAN] SambaRap

    [19JAN] SambaRap

    O SambaRap vai receber no dia 19 de Janeiro, artistas de Samba e Rap prometendo diversão e tranquilidade com música de primeira.

    O evento acontecerá no Instituto Palmares de Direitos Humanos, na Lapa e contará com apresentações de DJ Júlio Moska, Grupo Levada do Samba, Meninas do Rio, Mamão do Trombone, e RAPadura Xique-Chico.

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    A apresentação do evento fica por conta de Tekinho G-Rap.

    SambaRap
    19 de Janeiro de 2014 à partir das 19h
    IPDH – Av. Mem de Sá, 39 – Lapa/RJ (Ao Lado da FEBARJ)
    Entrada Franca
    Mais informações: http://on.fb.me/1CqrSiv

  • Buzo publica entrevista que fez com Bezerra da Silva há dez anos

    Buzo publica entrevista que fez com Bezerra da Silva há dez anos

    Sábado, 22 de Maio de 2004, Alessandro Buzo entrevistou com exclusividade um dos maiores nomes da música popular brasileira.

    Um cara que há anos canta em músicas, reivindicações só vistas em letras de rap, não é a toa que ele se apresentou com Racionais Mcs, Marcelo D2, entre outros nomes importantes da cena. Estamos falando do inigualável Bezerra da Silva, o bom e velho Bezerra, vamos à entrevista…

    Alessandro Buzo: Fale do seu proximo trabalho ?
    Bezerra da Silva: O negocio é o seguinte, aliás ja esta definido, eu sou eveangélico como foi divulgado na imprensa, o mundo ja sabe e eles pensaram que eu não cantaria mais samba, mas eu ja preparei um repertório gospel, por sinal as musicas são muito bem feitas, não tem essa de copiar a Biblia é só se inspirar nela, mas eu continuo gravando o normal também. Agora nós estamos estudando umas propostas porque não quero mais me filiar a gravadora nenhuma.

    Buzo: Quantos anos você tem de carreira ?
    Bezerra: Olha, a minha carreira artistica se divide em duas partes, primeiro eu sou musico e trabalhei 8 anos na TV Globo como percussionista, tocando varios instrumentos de percussão, inclusive bateria, não era só samba, tinha berimbal, zabumba, jango, A go go, taborim, pandeiro, surdo.
    Surdo eu toco sozinho três de uma vez, o falecido Gilberto D’Avilla era o rei do surdo e eu aprendi com ele, depois dessa fase eu fui estudar musica, ai estudei na escola do professor Antonio Joaquim Noglis, a escola dele era no Meier em 1973 , então eu comecei estudar violão, mas acontece que eu estudei 8 anos e mais 2 anos de teoria naquele livro de Maria Luiza de Matos Prioli, ai fiz 3 metodos, o primeiro foi Mateus Carcassi, depois eu fiz 25 estudios melódicos e progressivos e o terceiro método foi escola de targas, para ter a postura do violão, a maneira de se posicionar é o classico, então nessas alturas foram8 anos de escola, depois eu fui estudar harmonia, mas o governo não colaborou com a escola que havia na Lapa (RJ ) e até hoje não finalizei, nesse meio tempo fui aos EUA e comprei um trompete e comecei a estudar, ja estou adiantado, estudei também piano, minha casa parece uma loja de instrumentos, toco de tudo.
    Ai no ano de 1977, quando eu fiz meu primeiro LP que foi “PARTIDO ALTO NOTA 10 -VOL I “, com Genario e Bezerra da Silva, nesse ano me empreguei na TV Globo, eu me achava no Canecão fazedo samba com a falecida Elisete Cardoso, ai então a Globo resolveu fazer uma orquestra de percussão, com a exigenciaque soubessem ler musica, eucomo estava no tereceiro ano ja sabia contar compasso, ai eu trabalhei 8 anos nessa orquestra de 1977 à 1985, quando eu tive que sair pois não dava para conciliar as duas coisas que eram minha carreira na RCA que hoje é BMG e lá gravei 14 discos em 14 anos.

    Buzo: Fale desse periodo ?
    Bezerra: Durante esses 14 anos eu ganhei 10 discos de ouro, 2 de platina e 1 de platina duplo, fora as coletaneas, enfim, são muitos discos, foi quando sai da BMG, fui viajar nos EUA, fiz shows da Florida até Washington, foi uma serie de shows, fui para Angola e fiquei 20 dias fazendo shows por lá, estou de volta ao Brasil e continuo na luta.
    Vou para o independente porque se eu vender 10 é 10, 20 é 20, agora o meu empresário é a minha esposa, Dona Regina do Bezerra a PRIMEIRA DAMA DO SAMBA, ela que toma conta de tudo, inclusive minhas calças, paletos, não precisa nem bolso, ela cuida até do dinheiro e assim eu vivo bem melhor.

    Buzo: Como é ser considerado por sambistas, rappers, roqueiros ?
    Bezerra: Isso é uma dadiva de Deus, porque eu sempre tive na minha concepção que ninguem nasce sabendo nada, começamos aprender com o pai e a mãe, depois a escola e eu tenho comigo que esse negócio de auto didata, não acredito nisso, tudo tem um professor na vida, o unico que sabe sozinho é Deus que eu conheça, eu tenho publico de um a cem anos e de todos os ritmos e a maioria é de pessoal do rock, do rap, toda essa juventude que gosta de mim.

    Buzo: Em que ano você gravou “Assombração de barraco”, pois parece tão atual quando fala de salario defasado, obrigação de votar e politico com conta na Suiça ?
    Bezerra: Esse disco eu gravei em 1992 e se chama PRESIDENTE CAO CAO.

    Buzo: Como esta o governo Lula ?
    Bezerra: O negócio é o seguinte, não sei se vc concorda, porque o negócio é muito bem feito entre eles, porque inventaram essa Historia de democracia para enganar bobo, dentro das regras normais acontece o seguinte, na sua casa sempre tem aquilo de um ser o dono da casa, ou seja, o homem é o responsavel da familia, tudo vem em cima dele que é o dono da casa, o cabeça da familia, mas dentro do sitema democratico vc até deixa sua mulher administrar a casa, mas a ultima palavra é a sua, ai vem aquele provérbio que diz: – Panela que todo mundo mexe, casa que não tem comando, comê que fica ? Todo mundo manda, um vem e põe açucar, outro manda por sal, outro pedra.
    A mesma coisa é na politica, o presidente não pode mandar, é subordinado a congresso, camera dos deputados, senado e a autoridade dele é limitada, ele fica ali só para assinar, eu acredito que aquele jogo é um cao cao, para acabar de atrapalhar vem a imunidade parlamentar, uma porta aberta a corrupção, o cara rouba, rouba e fica com a liberdade e o dinheiro, ai parece aquele negocio de cada um fica com um bocadinho e o povo paga a conta, eu se roubar uma banana vou direto para Bangu 1.

    Buzo: Como vc vê a violencia nos morros do Rio, na musica ëu sou favela” vc diz que a favela é um problema social, é isso ?
    Bezerra: Essa musica é do Noca da Portela e o Mosca eu só interpreto, a favela nunca foi reduto de marginal, só tem povo humilde, marginalizado e essa verdade não sai no jornal, a favela é um problema social e posso falar de cadeira, minha gente é trabalhadeira e nunca teve assitencia social, só vive lá porque para o pobre não tem outro jeito, apenas só tem o direito a um salário de fome e uma vida anormal, e a favela é um problema social.

    Buzo: Quem é malandro e quem é Manê no Brasil ?
    Bezerra: Essa musica é do Neguinho da Beija Flor, então ele disse isso, malandro é malandro, manê é manê e eu digo, o autor é que sabe o que quer dizer, qual é a idéia certa a essa pergunta, então perguntei pra ele, ele lhou para minha cara e começou a rir e eu : – Ai rapaz, tá rindo de quê ?
    E o Neguinho: – Você malandro que é não sabe a resposta ? Então ele falou: – Mas Bezerra, analiza com calma, manê é o povo e malandro são os poderosos, a gente que trabalha e eles que levam o dinheiro, nós somos os manês, ai eu bati palma para o Neguinho da Beija Flor, meus discos são sempre atuais por isso.

    Buzo: Eu tenho 31 anos e sou admirador do seu trabalho desde criança, o seu samba atravessa gerações, o que pensa disso ?
    Bezerra: O que penso é o seguinte, eu não sou compositor, sou interprete e musico, inclusive disse que Deus sabe o que faz, a inteligencia de Deus é infinita, então o que acontece, eu sou musico, cantor, toco todos os instrumentos de percussão, violão, piano, trompete, bateria, zabumba,berimbal, surdo, pandeiro, a go go e vou tocando de tudo, ai vem aquela historia de Deus, se ele me desse o dom de compor, fazer musica bem como eu toco e canto o que ia acontecer, não ia ter pra ninguém, então a vida é uma corrente, um depende do outro, você depende dos outros para tudo que não sabe fazer.
    Eu estou me referindo aos compositores de verdade, ai vc pergunta: – E existe de mentira ?
    Tem, existe compositor, ladrãositor que é que rouba a musica dos outros e tem o que diz: – Só gravo se entrar na perceria, isso é uma quadrilha também e eu não entro nesse jogo sujo, é um regime de coação.
    Compositor no duro, de dez vc tira um o resto desse pessoal tem que falar com Deus, aceite Jesus como salvador.

    Buzo: Suas considerações finais ?
    Bezerra: Eu quero dizer ao mundo e a onde chegar essa entrevista que a humanidade de um modogeral, inclusive meus fãs e as pessoas que gostam de mim que parem um pouco pra pensar e e olhem para natureza e o que acontece no globo terrestre, a desigualdade social.
    O que digo a eles é o seguinte, não é negocio de religião não, aceite Jesus como salvador, sem fanatismo, procura ver o testemunhos, só existe um caminho e Jesus é a porta e quem não aceitar que viva com o Diabo ào tem outro jeito.
    Eu sou evengelico e sou sambista, se soubesse que era tão bom ja tinha aceitado Jesus antes, PAZ AO MUNDO E AO BRASIL QUE ESTA PRECISANDO.

  • Meu Depoimento pra Revista Européia

    Meu Depoimento pra Revista Européia

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    A Eurocom Magazine,  é uma edição especial da Objectif Grand Paris Nouveau Magazine, foi lançada na MIPIM 2014 (Le marché international des professionnels de l’immobilier), um evento de investidores do mercado imobiliário que acontece todo a ano e atrai empresários de todo o mundo. A Eurocom Magazine trouxe uma série de matérias especiais sobre as 25 maiores cidades do mundo, incluindo o Rio de Janeiro, onde eu dou um depoimento sobre a Cidade Maravilhosa na página 33. Apesar da revista ser bastante técnica, tem sempre um depoimento de algum morador que eles consideram interessante sobre a sua Cidade.

    Quem quiser curtir o documento original, que infelizmente não foi vendido no Brasil, clipei a parte do Rio de Janeiro no meu Blog (http://dumontt.com/clipping/), é só ir lá e conferir.

    Abaixo segue uma versão quase original em português:

    Grande abraço.

    —x—

    O Rio de Janeiro, continua sendo uma Cidade Maravilhosa, cidade que já foi descrita de várias formas, pra vários gostos distintos, retratada e escrita em versos e prosas, mas o que me chama mais atenção sobre essa bela cidade são suas contradições, e é disso que trata essas linhas.

    Terra de rara beleza, cartão postal do Brasil, capital cultural da América Latina, hoje também é a terra dos grandes eventos esportivos e das Manifestações Juvenis. Onde uma das maiores florestas urbanas do Mundo convive pacificamente com a Rocinha, a maior favela da América Latina.

    É hoje uma das Cidades mais caras para se viver, morar e passear, mas que também tem uma rede hoteleira com uma altíssima taxa de ocupação. Onde o Governo promove construções gigantescas para esconder as favelas que estão entre o Aeroporto Internacional do Galeão e o Centro da Cidade, Favelas essas ocupadas constantemente pelas Polícias Militar e Civil do Estado, umas das polícias mais letais do mundo, a PMERJ e a Civil, como são chamadas, por ano, matam mais do que o somatório de todas as polícias de todos os Estados dos USA juntas. Mas a maquiagem do Rio é boa e consegue passar uma imagem de segurança e tranqüilidade para os turistas, graças as Unidades de Polícia Pacificadoras, as chamadas UPPs que empurrou o tráfico de drogas para as periferias, dando ao Rio um ar de limpa e higienizada em relação a segurança pública, a ponto de transformar a favela em atração turística – hoje tem teleférico no Pão de Açucar e na Favela do Alemão, tem visita guiada no morro com direito a baile funk pra turistas.

    A Cidade do Rio de Janeiro consegue assumir um papel singular no imaginário e no coração de cada visitante, cada morador e de cada pessoa que interaja com ela, seja pelo motivo que for: trabalho, lazer, turismo, esporte; Onde o feio e o belo se misturam, com passeatas, ruas históricas e monumentos. Cidade da música, da boemia, do samba e da maior festa popular do mundo, o carnaval. Onde o maior reveillon do mundo é feito nas ruas, na praia, no encontro de todas as raças, todos os credos, todas as cores, todas as riquezas, todas as culturas que se aliam para formar uma outra cultura, uma cultura carioca, com swing e sotaques próprios, de fala chiada e gingado no corpo suado e avermelhado do sol.

    O Rio tem vocação para ser amada, com todas as suas contradições, pois consegue ser cosmopolita sem perder o que tem de mais local, ser grande, conservando as suas diversas culturas, seus grupos informais, seu ar de feriado, mesmo em dia de trabalho. Seu povo contente, risonho, barulhento e feliz, sim, feliz por morar em uma das mais belas cidades do mundo.

  • Como estavam enganados…

    Como estavam enganados…

    197…  ano é incerto. Mais de 40 anos se passaram pra mim e pouco mais tem o hip hop, quando falamos do hiphop mais organizado, mas sabemos que essa linha é tênue e por vezes, elástica. Fatos, pessoas e pensamentos foram antecessores destas datas mais antigas que conhecemos…

    Os anos 50 e 60 fizeram alicerces para essa cultura que hoje é mundialmente conhecida.
    Por exemplo, o DJ Kool Herc tocava vários sons diferentes naquela época: “Comanche”, do Trio Mocotó e “Bronx Nation Athen”, dos Bongo Bands, incluindo nesse contexto várias vertentes musicais, como o nosso bom e velho samba, que também influenciou Quincy Jones e Marvin Gaye (o disco Soul Bossa Nova mostra isso).

    Paul Huphrey, grandioso baterista diz: – “Quando Gaye fez What´s Going On, ele usava a batida de samba invertida e isso mudou o jeito de fazer percussão e tocar bateria nos EUA.”, ou seja, ritmo como Samba, Bossa Nova, Reaggae, Soul, Rumba e Merengue, influenciaram muito o que chamamos de hip hop, porque a Rumba influenciou o modo como o break era dançado por latinos, teve total influencia nos primeiros “Top Rocks”, pois a Rumba imperava no Bronx antes do hip hop ser a febre local, e umas infinidades de coisas aconteceram antes mesmo de o termo hip hop ser inventado.

    Aqui no Brasil os bailes eram chamados de hi-fi, gente como Mr Funk Santos, Dom Filó, Paulão Black Power e etc, faziam o que os Sound Systems faziam na Jamaica: música na rua, nos guetos, clubes, ou seja, no subúrbio… Equipes como “Uma Mente Numa Boa”, Makesom, Célula Negra, Tropa Bagunça e etc, movimentaram o esqueleto dos “blacks” do Rio de Janeiro, assim como Kool Herc e Bambattaa na sua época.

    Por falar em Bambattaa, ele mesmo deu a formula de como uma cultura se expande rapidamente: – “Se eu conheço uma coisa nova hoje, amanhã tenho que ensinar a outro e assim a coisa vai se espalhando. O importante é estarmos sempre ensinando para os nossos irmãos o que aprendemos”.

    No começo as coisas todas eram novas e a história ia se moldando sem ninguém saber ao certo o que estava acontecendo, era a história sendo feita, e dentro dessas história tinha uma que começou assim:

    – Grand Wizard Theodore, na Boston Road, esquina com a 168, chacoalhou com as regras impostas pela máquina com um gesto, ele resumiu anos de manipulação sonora, uma coisa que reunia as teorias pós musicais de John Cage (o futuro da musica, 1937) e as experiências modernistas do francês Pierre Schaffer, metendo a mão no acetato preto, deformou o som à moda africana, através da percussão… Ele só tinha 14 anos.

    E não se engane, achando que isso começou exclusivamente com os negros da cidade de NY. Não, não… A história é bem mais ampla. A Rock Steady Crew era formada quase toda por latinos de pele mais clara, não fazia a mínima diferença a cor da pele, isso porque o hip hop era uma coisa que incentivava a cultura para os menos favorecidos e dentro dessa ótica, os negros também. Quando você vê o filme Wild Style, você vê latinos, brancos e negros, tudo nessa época era voltada para a diversão, auto-estima.

    O hiphop começou assim.

    Muitos astros que hoje são reconhecidos como ícones, começaram em áreas diferentes, como Kurtis Blow que desde 1972 vem fazendo barulho, foi um dos primeiros MCs que ganharam disco de ouro, lá pelos anos 80, com a clássica “The Breaks”, mas ele era BBoy e depois começou a cantar , assim como vários MCs eram DJs.

    Ou “KRS 1” que era grafiteiro, dizia ele que a grande alegria dele era ver um grafittii viajando por toda a cidade, nos trens de NY.

    Dos primeiros MCs, surgiram os primeiros gritos de guerra, os primeiros combates de rimas, as primeiras tretas, no começo da década de 80 o hip hop já era uma febre no mundo todo, influenciando toda uma geração, misturando-se com outras culturas e dando voz a muita gente sem voz até então.

    O rap virou a voz, por exemplo, dos latinos e da cultura Low Rider, que surgiu da pressão racial, social e econômica impostas pelos norte americano, assim carros velhos e desmontados eram reerguidos pelos chicanos, recapturando suas origens com seus símbolos astecas e católicos e enaltecendo as gerações passada, adotando os Zoot-Suits (aquela moda com bastante pano e exagerada) e os “droping mustaches” dos pachucos, e assim foi no México, em Cuba, no Japão, Europa, Brasil.

    Um DJ japonês chamado Honda disse: – “Muitos seguem o rap dos States, mas eu sou um líder, não um seguidor”.

    Em cuba onde quase todo mundo é pobre igual, uns trocaram a agressividade pelo otimismo e a cara feia pelo riso, versos pesados por discursos e crítica construtiva e outros (que eu pude ver na minha viagem a Havana) estão declarando guerra contra o regime de Castro”.

    “Se o samba, o rap e o reaggae têm lugar em outros países, eles serão feitos em Cuba à nossa maneira.”, diz MC René.

    Isso reafirma a raiz. Outro exemplo é Tatá, que disse: – “Já tive proposta pra fazer propaganda pra redes de fast-food e tal com meu carro, já fui procurado por grupos Pops pra colocar meu carro em vídeoclipes, sempre disse não; o que que eles tem a ver com o Low Rider?”.

    E assim o hip hop foi crescendo e logo as empresas e os milionários de plantão começaram a querer uma fatia desse bolo.

    Ao contrário da “disco” que usava roupa de seda e coisas afins, os pioneiros se viravam com agasalhos esportivos baratos e iam fazendo a cara, a moda, o Life Style, daí pra aparecer as grandes marcas foi um pulo, a Fubu (For Us By Us) começou com 4 manos e a hipoteca de uma casa, a Adidas aliou seu nome ao grupo Run DMC e de uma marca alemã virou tendência mundial. Hoje o hiphop fala muito de marcas…

    Uma pesquisa antiga feita por uma empresa de consultoria, a Agenda inc. e divulgada no site CNN Money, canal de economia da rede CNN, revelou que a Mercedes Benz foi à marca mais citada em 2005, com mais de 100 citações. Em raps diversos, a Honda japonesa patrocinou uns shows do B.E.P… (que começaram dançando break) e um carro apareceu num dos seus clipes.

    Falta uma outra pesquisa pra saber:

    01 – se há um acordo entre empresas e rappers;
    02 – se os rappers citam sem interesse nenhum;
    03 – se as empresas pagam pra serem citadas.

    Com o crescimento do rap, vários setores se agregaram ao novo conceito até porque essa cultura sempre foi ou deveria sempre ser amplamente democrática e aglutinadora. O que faz surgir novas frentes como o gangsta rap, leia isto:

    – “Fomos derrotados, aniquilados, pegos de surpresa pela triste separação do rap, hoje o que existe não é o rap no qual eu iniciei, o que sobrou foi só um rap bizarro, completamente ignorante, degenerado socialmente, no qual os maiores astros são as armas e o sexo…”

    – “No meu tempo o rap edificava, trazia informação e cumpria um papel, enquanto música. Hoje faz com que pensem que somos todas tristes caricaturas de gângsteres, ridículos aspirantes a bandidos, e isso é negativo.” eu assino embaixo falando do Brasil e concordando com Will Smith…

    Quando o gangsta rap surgiu, logo ele conseguiu dividir as pessoas, uma guerra entre lados começou uma triste comparação com as gangs e facções.

    M1, do Dead Prez, diz: – “O hip hop está tão maduro que está apodrecendo, hoje a fruta já brotou, houve um tempo em que não dava pra ver a fruta, só a semente”. “O hip hop está morto” diz Nas.

    Muitos acham o rap a música mais decadente do mundo, mas a Zulu Nation, em suas normas diz que o hip hop prega a paz, a união, o amor e a diversão, visando afastar os jovens, em especial os pobres, de tudo o que é negativo – diz Nino Brown, da Zulu Nation Brasil.

    “Hoje o hip hop mostra o negro exibindo poder com carros novos, cordão de ouro, armas de fogo e nunca com o mais importante, a arma mais poderosa do mundo: o livro”, diz Marcelo Yuka.

    “A luta contra o preconceito racial não está tão explicita como já esteve”, disse Chuck D. “Elvis nunca significou nada pra mim e foi um herói pra muitos, o rock foi absorvido e controlado pelos brancos, que beberam da fonte negra, mas mantiveram o preconceito, ou seja, sugaram”.

    Nós, brasileiros, agimos como se o preconceito não existisse, só estamos nos enganando, o que condiz com o que disse Malcom X: – “Cada homem branco lucra com o racismo, mesmo que não pratique ou acredite nele”.

    O grupo Dilated Peoples sempre enfatizou temas como guerra, globalização, políticas globais e aniquilações. Muitos MCs são avessos à moda, contra a bundalizaçao dos vídeos, ao blim blim style, como os MCs do islã que falam disso e de Allah.

    Nomes como Paris e Lakim Shabazz tem mais a falar sobre coisas relevantes do que só sobre tiros.

    “Parte 1”, de São Paulo, diz que não aprendeu hip hop na escola, os discos ensinaram. Se ele conseguiu ensinar algo com os dele, vai continuar sendo hip hop (como já disse Chris Parker). Outro MC, o Arcanjo diz: – “Espero que pelo menos uma pessoa se identifique com o que estou falando, minha música fala muito de amor, está muito positiva”.

    1970 e pouco… Surge um gigante, a mídia, aí padrões começaram a ser impostos e pessoas começaram a se moldar nos padrões, o que é perigoso, porque o lucro e a imagem cobraram seu preço. “As grandes rádios por serem comerciais não tiveram, nem tem compromisso com a cultura hip hop, muito menos com a música rap.”, diz Gil, do Bocada Forte.

    “As rádios aqui no Brasil começaram a cobrar pra tocar a musica dita da periferia, isso é o dinheiro corroendo.”, diz Bone Dee.

    Débora, radialista de São Paulo, diz que o gangsta rap é o perfil do programa “Espaço Rap” e não há espaço pra outro tipo de segmento e diz que 50% da programação é ela que faz e a outra metade são os ouvintes, mas quem escolhe mesmo é ela… Há também opiniões como a do sambista Ney Lopes, que considera o rap, uma coisa da moda.

    Quando Bambaataa vislumbrou esse presente, ainda no passado, resolveu instituir um quinto elemento, que separadas as divergências pode ser resumido como a transmissão do conhecimento de forma positiva, aí sim começaram a surgir à didática do hip hop, os workshops, as oficinas, mas que segundo Mano Brown, de são Paulo, não servem pra nada, pois a pessoa tem que nascer com o dom e hip hop não se aprende em oficinas.

    E rebatendo essa opinião eu penso que só de colocar uma nova perspectiva aos olhos de um jovem, as oficinas já começam a prestar o seu favor ao hip hop e a sociedade no geral…

    E tem ainda muitas pessoas que fizeram e fazem seus papéis sociais mesmo sendo mundialmente famosas como o grupo Wu Tang Clan, de NY, que ajudou a Star Light Foundation, para jovens com doenças degenerativas, ou L.Ll. Cool jJ, do Queens, que em 1992 fundou a “Campcollj Foundation”, cuidando de muitos jovens, ou Coolio que dirigiu a “Heritage Foundation”, produzindo livros para jovens afro–americanos e Lauryn Hill que fundou a “Refugee Project”, organização pra ajudar crianças pobres.

    Outro que deixou um legado, que hoje está nas mãos de sua mãe, foi 2 pac (77-96), que segundo o jornal Dayli News deixou na sua morte um patrimônio de us$ 100.000, um automóvel e um caminhão… Só… Mas depois de umas boas sindicâncias e auditorias, sua família conseguiu da “Interscope Records”, como parte dos direitos, a bagatela de US$ 5.000.000!

    O que nos leva a criar várias teorias sobre sua vida e sua morte, pois mais livros e CDs foram feitos após ele morrer do que quando ele estava vivo, colocando no ar perguntas como: – Existe um trabalho secreto da policia em cima do hip hop?

    Uma grande parte dos rappers acredita que sim, essa unidade da polícia é real e fatal (para maiores informações eu recomendo o documentário “Rap Street Hip Hop And The Cops”).

    Quem matou 2Pac e B.I.G.? Ninguém sabe ao certo e por falar em Wallace, esse era sinistro mesmo, vendeu 2 milhões na estréia e quebrou um Recorde de 885.000 em uma semana, que estava nas mãos dos Beatles. A mídia quis, durante muito tempo, dividir o rap em dois lados, “west e east”, não conseguiram.

    Hoje aparece o lado sul e Snoopy Dogg diz: – “Tem tanta merda sendo lançada no sul que até as merdas tocam, por serem do sul simplesmente por que são do sul… Eles tem feito muita coisa boa, mas muita merda toca também”, concordo.

    Mas nem tudo é gangsta rap, um exemplo quase esquecido foi o rapper Domino, da área do Snoopy, em 8 semanas foi disco de ouro (Ghetto Jam-Def Jam), falando do gueto sem enfatizar a violência e diz: – “Alguns rappers incentivam a violência e colaboram para o aumento da criminalidade”.

    A linda Laurin Hill diz: – “Cresci ouvindo canções que falavam da fraqueza humana, da chuva que esconde minha lágrimas, é o contrario de mim, soa tão bom, tão forte, tão mal, tão rico, tão perfeito… E ganhou entre outros prêmios 4 MTVs e 4 grammys e vendeu mais de 15.000.000 de cópias.

    Essa postura (inovação ) nos afasta da mídia que movimenta o rap, como shows, programas de rádio e etc., diz o grupo Pentágono, de SP, e Xis diz que o rap não é pra galeria 24 de maio, tem diversos locais que não tem TV a cabo e o que tem é globo e SBT, infelizmente pra muitos, sempre fui lá e vagabundo vai “sofrer”.

    Existe um forte discurso entre mídia e resistência, mas Rodrigo Brandão, MC do Mamelo diz: – “Do mesmo jeito que as antenas tem muita importância, as raízes também tem e se a árvore não tiver raiz não vai crescer, mas ao mesmo tempo se não tiver antena, pra captar as coisas novas, a cultura se torna anacrônica, vai perdendo o beat do tempo…

    Existem 1001 fórmulas de estar na mídia, recusar a mídia e uma forma eficaz de estar na mídia, abusar da liberdade é outra e tem gente que trabalha no hip hop, nos bastidores, em prol das comunidades, como se viu em Beat Street e Krush Groove (filmes), é possível deixar a violência e o crime sem deixar as ruas, é possível se tornar um artista expressando experiências particulares, assim como surge a chance de desenvolver uma cultura única sem necessidades de retoques pra se tornar comercialmente viável.

    E ultrapassando o limite do tempo, artistas como Bussy Bee, Cold Crush Bros, Treacherous 3, Fearlouss 4 e muitos outros estão gravando novos discos e grafiteiros estão fazendo mostras do nível dos maiores pintores clássicos dançarinos como: Sugar Pop, Poppin Taco, Shabadoo, Boogaloo Shrimp estão aí dançando e recebendo homenagens.

    O rap sempre esteve na linha de frente das mudanças, sempre dando espaço, seja para o clima neo-hippie do De La Soul ou para o rap mais metafísico do GZA ou Gravediggaz, e isso desde a mistura de soul e funk com as batidas alemãs do Kraftwerk, o Eletro, o Bass Miami, que é a raiz de quase todo o batidão que se toca hoje no Rio de Janeiro, tudo é evolução.

    Na década de 70, Theodore fazia o scratch e nos anos 2000 o DJ Q-Bert lançou um DVD com 28 nomes de scratchs.
    Novas gerações se incorporam ao grosso caldo de idéias, estilos e atitudes o hip hop se expande como uma epidemia (EZN 2001) fazendo com que a Alemanha consiga reunir o mundo todo nos seus eventos de graffitti e breaking ou da Coréia apareçam BBoys mais famosos que muito a artistas pops da Ásia, ou na África, onde o hip hop apesar da pobreza generalizada consegue cobrir, com o véu da ostentação, uma boa parte dos olhos de um povo que esta no berço dos primeiros batuques do universo.

    Hoje o hip hop está no Irã, nas cadeias, na Barra da Tijuca, nas igrejas, na TV e por aí vai…

    Sorte nossa que existem griots modernos que contam e recontam as lendas e repassam as histórias de um tempo glorioso… E olha que muita gente disse que toda essa manifestação mundial, não passaria de uma moda, de um bando de desocupados barulhentos, e que não duraria até o próximo verão… Tshitshitshi…. Como estavam enganados.

  • DMA entrevista Thekking

    DMA entrevista Thekking

    Sabe aqueles dias que você está dando um rolé pela timeline do facebook e sempre aparece um MC pedindo pra tu ouvir um som? Vou te confessar que eu nunca ouço, mas hoje eu decidi ouvir e me surpreendi com o flow desse cara que acabei entrevistando para o Portal Enraizados.

    Pode ser que esse cara, com um flow diferente, cria do samba e fã do MV Bill, seja um dos próximos rappers cariocas que você vai carregar o som no seu celular, tô falando do meu mais novo camarada, Thekking, rapper da Vila da Penha, RJ.


    Dudu Morro Agudo – Tu mora onde mano??

    Thekking – Vila da penha

    Tu faz rap a quanto tempo?
    Cara, escrevo desde uns 16 anos, mas bem avulso porque eu era do samba, fui ritmista. Agora estou com 24 anos.

    Tu é do samba?
    Fui. Agora sou do Rap (risos)
    Mas curto, tenho muito amigo nas escolas.

    Começou em que escola de samba?
    Viradouro.

    Eu desfilei pela Viradouro dois anos.
    Viradouro faz parte da minha formação como pessoa, sou viciado em samba-enrendo desde os 9 anos.
    O cara que hoje e presidente da Viradouro, Gusttavo Clarão, foi compositor, ganhou uns 10 anos seguidos, cresci ouvindo sambas dele, só letra linda, melodia.

    Mas e o rap? Começou quando??
    Com uns 16 anos. 2006, 2007. Pra te falar a verdade eu nunca me liguei muito em rap, só achava foda o jeito que os caras escreviam letras grandes e cantavam sem errar (risos). Aí né mano, na favela né, todo mundo canta Racionais.
    Eu aprendi um rap do MV Bill, que passou num comercial pra não quebrar orelhão (risos). E toda vez que passava eu ficava cantando, aí fui conhecer as coisas do MV Bill nessa época aí. Foi pelo MV Bill mesmo.

    Tô ligado no comercial. Da Telemar né?
    É.

    20140601-01-thekkingAí tu começou a fazer rap? Já gravou muito rap ou esse é o primeiro?
    Sim, eu escrevia e decorava samba-enredo desde 9 anos, aí pensei: – Poxa, rap nem precisa tanta melodia, então é mais trank (risos). Sério mesmo, pensei isso. Esse é meu primeiro.

    E o mano que canta contigo, é um grupo ou uma parceria para esse som?
    Não, ele é um moleque que morava no Alemão. É mais novo que eu. Aí a gente fala de rap e tal, meio que fomos desenvolvendo juntos, um incentivando o outro, mostrando as letras. Tem uns 3 ou 4 anos isso. Aí nunca gravamos nada, muito corre.
    Aí falei pra ele: – Vamos fazer algo rápido, curto, só pra exercitar. Aí fechou esse som.

    Mas a música é nova né? Gravou quando?
    É sim, escrevemos em dezembro, fiz a base em janeiro, gravamos em fevereiro, em março o cara da edição sumiu, voltou em maio. Aí lançamos.

    Tu que produziu?
    A base sim. Porque produzir vai além de fazer uma base né? Aí teve participação em algumas ideias do Raphael Rocha, que editou e tal.
    Foi tudo meio largado.

    O que tu usa pra produzir?
    O Software? FL.

    Mas diz aí, já fez shows? Pretende continuar? Ou vai encarar como hobby?
    Nunca fiz show, cantando não. Como ritmista já. Vou continuar, pois tenho umas coisas escritas e tô escrevendo muito, escrevo uma música por semana. Tô com projeto pra lançar um álbum ainda esse ano. Meu estúdio vai abrir aqui. Vou ver como faço pra investir.

    Quem tu ouve do rap atualmente?
    Hoje… Kendrick Lamar, Lil Wayne, Drake, Eminem, Criolo, Black Allien, MV Bill, Samba-Enredo.
    No rap dos muleque da atualidade eu gosto do Haikaiss e do Filipe Ret gosto de algumas coisas, Nocivo Shomon também.

     

  • Rap é música?

    Rap é música?

    Alguns gêneros musicais como o samba, por exemplo, foi discriminado, hoje em dia o samba é considerado um ritmo que representa o Brasil. O rap sofre discriminação por ser uma música “fácil” de se fazer [desafio qualquer autoridade da música a fazer um rap que seja considerado bom pelos seus ouvintes].

    Outro motivo que o faz ser discriminado é pelo fato de ele ter se desenvolvido nos Estados Unidos.

    A discriminação por esse motivo é no mínimo ridícula, levando em conta que a bossa nova, um dos gêneros que também representa esse país, é um misto do outrora discriminado samba, com jazz [americano]. Primeiramente, eu vejo música como  arte, e acredito que arte não tem fronteiras. Classifico todos esses gêneros como música negra, uns feitos por pessoas escravizadas aqui, outros por pessoas escravizadas na América do Norte, etc.

    Suponhamos que o Rap de fato não seja música, o que isso mudará para os que tiveram suas vidas transformadas por ele?

    E se for música, o que mudará também? Fique a vontade, por mim pode chamar do que quiser: “coisa”, “barulho”, “porcaria”, etc.

    Se os músicos que não o consideram música, se propusessem a ensinas nas favelas e periferias de modo voluntário o que consideram ser música, talvez tivessem propriedade para criticar quem não faz “música”.

    Considero suas críticas tão inúteis quanto o que consideram música [no que diz respeito a mudar nossa perspectiva de vida dos marginalizados].

    Por aqui os versos de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, não valem nada em comparação aos versos de o “Homem na Estrada”, de Mano Brown.