Está chegando a data do evento de encerramento do Rio de Encontros de 2014, que, esse ano, foi realizado com patrocínio da ESPM, como parte das comemorações dos 40 anos da Escola Superior de Propaganda e Marketing no Rio de janeiro.
A convidada desta edição será Eliane Costa, consultora nos campos da gestão cultural e economia criativa e coordenadora do MBA de Gestão e Produção Cultural da FGV – Rio, para iniciar o encontro com a palestra sobre “De baixo para cima, a nova cena cultural da cidade”. A seguir, em diálogo com o tema, jovens da turma Rio de Encontros e convidados especiais apresentarão os projetos culturais nos quais atuam. Para terminar com chave de ouro, será exibido o curta, realizado pelo do Laboratório de Audiovisual (parceria Rio de Encontros e ESPM).
O que é cultura “de baixo para cima” e qual a relação com a cultura das redes digitais?
É possível fazer uma genealogia desse processo no Rio de Janeiro?
Que condições são necessárias para que a cultura “de baixo para cima” se consolide como a nova paisagem cultural na cidade?
PROGRAMAÇÃO:
9h- Café da manhã
9h30 a 11h – Palestra de Eliane Costa e apresentação de projetos
culturais
11h às 12h – Debate aberto
12h – Entrega dos certificados da turma Rio de Encontros
12h20 – exibição de “#Um dia de Alice”
13h – Confraternização
Na última terça-feira, colei na Casa do Saber Rio na Lagoa, para mais uma edição do Rio de Encontros, onde o tema central foi “Ocupação do Espaço Público, Cultura e Política na Cidade” e para compor a mesa, foram convidados Vitor Pordeus, Pedro Rivera e Beatriz Jaguaribe.
Existe uma crise no modelo de cidade moderna? Essa foi uma das perguntas de provocação para a mesa; e a Beatriz citou que hoje, o Rio passa por uma crise material e um crise sobre o imaginário. Pedro Rivera usou o termo “domesticidade” e concluiu: “As cidades não estão sendo espaços dométiscos, estão sendo domesticadas”.
Existe uma tentativa de homogeneização do espaço que acaba gerando a crise devido às mais diferentes necessidades de cada território. E isso nos leva à expressão “cidade partida” que mostra o quanto a infraestrutura do Rio precisa melhorar em pontos que vão desde o transporte público às condições das nossas estradas, vias expressas e linhas férreas. Além das barreiras físicas enfrentamos também as barreiras mentais, como o medo da violência e a falta da sensação de pertencimento.
Vitor Pordeus reforçou que o espaço público é o inconsciente coletivo e Beatriz complementa que há a necessidade física de estar na multidão. A retomada das ruas, praças e outros espaços pelos movimentos sociais e culturais nos ajuda a pensar em como funciona esse “ritual”, expressão usada constantemente por Vitor para se referir às práticas de ocupação. Ritual esse que ele divide em 3 momentos: Catarse, dialética e êxtase. E defende a “cultura pela cura”: “O espaço público não é pra ser ocupado pela milícia, ou pela polícia ou pelo exército, é pra ser ocupado pela cura”.
Fica claro que o papel da cultura para ocupação do espaço nos leva a enxergar a cidade de outra forma. O fato de nos apropriarmos dos espaços reforça a sensação de pertencimento e nos mostra novos horizontes.
Essa nova fase do Movimento Enraizados, em que nos mudamos para um escritório e nossas ações voltaram a acontecer nas ruas resume bem essa experiência de repensar o espaço, enxergar com outros olhos o bairro de Morro Agudo. O Sarau Poetas Compulsivos ocupando praças e bares deixa bem claro que todo lugar é lugar de cultura, e arte e que podemos construir novos imaginários urbanos.
Bom, a Copa do Mundo mal acabou e muitos estão falando do “Legado” que ela deixou para o Brasil, para o Rio de Janeiro e outros estados. E muitos já estão pensando no “próximo” legado que virá: O das Olimpíadas em 2016 na cidade do Rio de Janeiro.
A turma de 2014 do Rio de Encontros escolheu este tema para ser abordado no encontro do dia 12 de Agosto, na última terça-feira, que aconteceu lá na Casa do Saber. E para isso, foram convidados os atletas olímpicos Flávio Canto e Isabel Salgado; Agusto Ivan, assessor especial da Empresa Olímpica Municipal e Mário Andrada, diretor de comunicação do Comitê Organizador Rio 2016.A mediação do encontro ficou por conta de Pedro Strozenberg, diretor da Associação Casa Fluminense. Herança? A pergunta inicial foi “Que legado a Copa deixou para o Rio de Janeiro?” O atleta Flávio Canto disse que o legado foi o clima de paz que reinou no Rio de Janeiro durante o período de Copa, mas tive que lembrá-lo que durante a Copa, inúmeras operações policiais ocorreram, muitas delas no Morro do Chapadão, em Costa Barros, perto da onde moro por sinal. E que essas operações resultaram em baixas civis, mais uma vez. O jovem Igor, morador do Borel também relatou que houveram confrontos entre bandidos e policiais da UPP situada na favela.
E essa é uma herança que não veio da Copa, mas que está aí há anos e que deixa a população assolada por não parecer ter solução.
Equipamentos
Muitas pessoas presentes se mostraram preocupadas em relação aos equipamentos que serão utilizados nas Olimpíadas e disseram que a Barra seria o local mais beneficiado com as Olimpíadas devido ao fato de boa parte dos eventos acontecerem lá; mas Augusto Ivan rebateu dizendo que serão 16 modalidades na Barra e 15 em Deodoro, além de outros locais. Mas já há inúmeros boatos a respeito da especulação imobiliária na Barra.
Um dos jovens presentes questionou o fato de que o Maracanã foi reformado para a Copa e que vai ser reformado novamente para as Olimpíadas e por que já não pensaram em uma reforma que beneficiasse ambas as competições.
E na Baixada?
Augusto foi bem direto quando perguntei quais seriam os impactos das Olimpíadas da Baixada Fluminense: “O BRT está funcionando. Empregos serão gerados além dos que forem trabalhar como voluntários. O impacto não será direto, mas haverá. Competições que vão acontecer em Deodoro, a gente pode chegar perto mas não passar do limite”. Me mostrei compreensivo pois sei que as Olimpíadas acontecerão no município do Rio. Mas me questiono se o Estado tem algum plano de ação esportiva pra ser aplicado na nossa região. Como muitos sabem, as Vilas Olímpicas em nossa região estão sucateadas, algumas estão em obras que não terminam e outras funcionam mesmo sem as obras terem terminado. Não são todos os CIEPs que funcionam em período integral e isso impede a prática de atividades extra-curriculares como prática de esportes específicos. Mas isso é assunto pra outra coluna… Daqui a 2 anos a gente tira as conclusões.
Mas e pra você? Qual vai ser o legado das Olimpíadas?
Esse foi o tema discutido no Rio de Encontros, na última terça-feira (27). A equipe conseguiu reunir três convidados distintos para discutir com os jovens sobre “Como o Rio vota? Política, representação e redes sociais”. Como provocadores do debate, o cientista político José Eisenberg, o antropólogo Cláudio Gama, diretor do Instituto Mapear, e o jornalista político Alexandre Rodrigues, do jornal O Globo foram essenciais para esquentar essa troca de ideias numa terça-feira fria.
A princípio de conversa, cá entre nós, me diga quantos jovens estão realmente interessados em falar sobre política neste atual momento que o Brasil passa? Estamos prestes à completar 1 ano dos protestos de Junho de 2013, um fenômeno que ainda não consegue ser entendido por boa parte dos cientistas sociais; e, às vésperas da Copa do Mundo, grande evento que acontecerá em nosso país, com ou sem protestos, onde os olhos de todo o mundo estão voltados para cá.
Curtindo e compartilhando
Alexandre Rodrigues abriu o bate-papo falando sobre a necessidade da sociedade em se comunicar com os candidatos, incentivar a participação e a interação; e que redes sociais como o Facebook são são ótimas para tal coisa, mas fica claro de que ainda existe a falta de entendimento de boa parte dos políticos para com essa questão.
“As pessoas confiam no amigo do Facebook, o que abre a possibilidade de credibilidade. Por outro lado, há o risco da informação errada compartilhada desordenadamente”, afirma.
Um bom exemplo dessa informação errada e ‘desordenada’ é o fato de muitas vezes, os políticos terem uma equipe que fica responsável por suas publicações nas redes e por falta de conhecimento de determinada coisa, acabam reduzindo essa credibilidade à zero. Isso me faz lembrar de uma foto compartilhada na página do Senador Lindberg Farias, em comemoração ao dia da Baixada Fluminense (30 de Abril), sendo que a foto em questão, tinha a igreja da Penha como plano de fundo… What a fuck? Após algumas pessoas que acompanham a página do Senador terem informado sobre o erro, o post foi deletado, mas você pode vê-lo clicando aqui, porque a zoeira não tem limites.
Mudança de perfis
Cláudio Gama se preocupa com o vazio dentro das discussões políticas entre a classe média que reside na Zona Sul, e ressalta que ainda não há interesse em saber o que está sendo feito e o que não está; mas na hora de criticar algo, há apenas uma retórica em criticar por criticar. Cláudio afirma com convicção de que essa ideia de que ‘formador de opinião’ é um grupo formado apenas por intelectuais de classes mais altas já foi por água abaixo. A prova viva é que os jovens que participam do Rio de Encontros, são formadores de opinião e, em sua grande maioria, são moradores da periferia do Rio de Janeiro.
Papo reto
Se tinha alguém dormindo durante o debate, tenho certeza de que acordou ao escutar José Eisenberg falar. Foi um choque de realidade em todos que participavam do encontro. Fazendo menção à Junho de 2013, José deixa claro, que o perfil das pessoas que participaram daquelas manifestações é formado por jovens universitários, em sua maioria; ficou claro que hoje o ensino superior está muito mais acessível do que há anos atrás para as classes não altas; mas no Brasil, maior grau de escolaridade ainda não é sinônimo de aumento de renda:
“O prêmio salarial vem caindo e o acesso à educação não leva à mobilidade social através do mercado de trabalho Assim, de um lado, há a expectativa frustrada dos pais. Do outro, a frustração dos filhos”, afirma o cientista político.
Beijinho no ombro
José ainda afirma que o “Rio é recalcado”; e trás consigo um sentimento de que foi ‘abandonado’ quando deixou de ser a capital do país; e que não há uma ‘grande maioria’ que gosta de partidos no Rio, as pessoas se identificam com este ou aquele candidato; e José também ressalta as manifestações pelas ruas. Será que elas têm a função de distanciar a sociedade da política ou de distanciar a sociedade do modelo político vigente? Fica essa dúvida no ar.
Eu tirando uma fotinho da hora pra postar no Insta.
Mas e a Baixada?
Senti que o debate focou muito no município do Rio; e a Baixada Fluminense traz consigo uma forte expressão eleitoral; e que na maioria das vezes é uma das regiões, que decide boa parte das eleições. Tive a oportunidade de falar e afirmei que existe sim uma política de comabate ao tráfico de drogas nas comunidades, mas não existe uma pauta de políticas de segurança pública para o combate às milícias.
Hoje milícias atuam em diversas regiões da Baixada Fluminense, trazendo consigo o retorno do ‘voto de cabresto’ e que, infelizmente o Estado parece não se preocupar e/ou não se importar; a não ser quando começa a doer no calo de alguém que esteja no poder, ponto.
Em minha humilde opinião o debate foi esclarecedor e de extrema importância para refletir acerca do meu exercício de cidadania; além de me ajudar a pensar em quem irei votar.
Concorda, discorda, ou disconcorda? Não deixe de comentar!
Como a mobilização da juventude, hoje, nas ruas vai impactar as urnas?
Qual será a influência das redes sociais no processo eleitoral?
Qual é o papel dos partidos no cenário político da cidade? O perfil do eleitor do Rio está mudando?
Para conversar sobre esses temas e suas implicações, o Rio de Encontros convidou especialmente para o papel de provocações na terceira edição de 2014, o professor do Departamento de Ciências Sociais da UERJ e coordenador geral de pesquisa e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional, José Eisenberg; o antropólogo e diretor do instituto de pesquisa mapear, Claudio Gama; e o jornalista de política do jornal O Globo, Alexandre Rodrigues.
Saiba mais: Dia 27/05, das 9h às 12h, na Casa do Saber Rio O Globo, Av. Epitácio pessoa, 1.164 – Lagoa.
Instituto Contemporâneo de Projetos e Pesquisa
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