No próximo dia 20/05 (quarta-feira), o cantor de hip-hop da Finlândia, Paleface, fará um workshop gratuito de Beatmaking para 25
jovens rappers, no conjunto habitacional Valdariosa, na periferia de Queimados.
O encontro, das 15h às 18h30, reúne ainda, entre outros músicos da trupe escandinava, o ator e também músico Joonas Saartamo – o Jonde, que em seguida promoverá um workshop de improvisação.
Além de jovens de Queimados, o encontro também vai receber jovens de Mesquita e de Morro Agudo. “Curti o som deles na primeira visita aqui em Valdariosa e não vejo a hora de repetir a dose de mostrar nossa arte e duelar com rappers famosos”, diz Kaique Diniz,
integrante do grupo Roda de Rima, que realiza batalhas de rap na região.
A iniciativa é parte do projeto de cooperação cultural Finlândia-Brasil, liderado pelo DJ, baterista e produtor cultural Tommi Suoknuuti e contou com o apoio do rapper brasileiro Marcelo Yuka.
Um antigo admirador da música finlandesa, Yuka articulou diversas incursões musicais para o grupo, entre elas, uma na Cidade de Deus, no domingo, 17 de maio. As oficinas em Queimados serão integradas às ações culturais do projeto MaisValdariosa, de desenvolvimento local do conjunto habitacional Parque Valdariosa, realizado pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) em parceria com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
O conteúdo desse intercâmbio, assim como o resultante de um tour cultural pelo Rio, das favelas à Lapa, dará origem a uma minissérie para a TV
finlandesa, com cinco capítulos de dez minutos. “A ideia é contar, através do olhar de cada um de nós, músicos finlandeses, a experiência musical nas favelas, nos projetos sociais da cidade e na noite carioca”, conta Paleface, que vem ao Brasil pela segunda vez (na primeira, ele se apresentou com a banda finlandesa Maria Gasolina).
Ainda faz parte do grupo o rapper Gracias, de 27 anos, nascido no Congo, vencedor de vários prêmios de música e considerado um artista revelação na Finlândia.
Morro Agudo é o bairro onde eu nasci e vivo há 35 anos, onde dedico minha vida trabalhando com meus parceiros em busca de melhoria e oportunidades para a juventude. O lugar que adotei como meu sobrenome, que falo com imenso carinho, e onde trouxe milhares de pessoas, de diversas partes do mundo para conhecer.
Esse é o meu Morro Agudo.
Mas vou contar um breve relato, que talvez vocês não saibam:
Nasci em 1979. Minha infância foi nas ruas, brincando com meus amigos. Entre uma brincadeira e outra, íamos ver os corpos sem vida, às vezes atropelados na Via Dutra, outras assassinados. Muitas vezes pessoas que se conheciam desde a infância se matavam por motivos fúteis.
Tudo isso fazia parte do meu cotidiano. Quando meus pais chegavam do trabalho, nossa conversa durante a janta – nos intervalos comerciais entre a novela – era sobre os mortos do dia.
O tempo foi passando, fui crescendo e meus amigos continuaram se matando. Cada vez morrendo mais jovens, todavia os motivos eram sempre os mesmos.
Quando iniciei minha história no hip hop, comecei a ter um olhar crítico a respeito da minha comunidade. Percebi que em todos esses anos, NUNCA, eu disse NUNCA, houve sequer uma investigação sobre as mortes violentas que aconteceram na minha comunidade.
Os anos foram passando e nada mudava. Um vizinho – e camarada – morreu aos 17 anos porque fumava maconha no bairro, outro morreu porque era encrenqueiro, não fazia mal à ninguém, apenas era chato, esse foi o motivo de um amigo de infância tirar sua vida após várias tentativas. Outro morreu com 16 anos por causa de inveja, também morto por um amigo de infância. Atualmente, até esses jovens que mataram, já foram mortos.
No dia 31 de março de 2005, eu tinha 26 anos, foi quando aconteceu a maior chacina aqui da região, onde 29 pessoas inocentes foram assassinadas em Nova Iguaçu e em Queimados. Eu lembro muito bem o que eu fazia no exato momento da chacina. Estava vindo da rádio comunitária do Fator Baixada, que funcionava na casa do DJ do grupo. Eu andava pela rua, por sorte os assassinos não passaram por essa rua.
O caso ganhou repercussão mundial, mas acredito que foi somente porque foram 29 mortos de uma só vez, pois se formos contar as mortes violentas de cada mês, esse número certamente ultrapassará essa marca.
A questão é: Dez anos se passaram. Quais foram as políticas públicas de segurança que foram aplicadas na região?
Depois da implantação das UPPs nas favelas do Rio de Janeiro a violência na Baixada Fluminense aumentou, os dados comprovam. O aumento de roubo de carros, por exemplo, aumentou muito. Meu tio teve o carro roubado na porta de casa por bandidos armados com fuzil, coisa que não se via por aqui anos antes. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes subiu de 52 para 58, de 2013 para 2014.
Grafiteiro Babu
E quem está nesse fogo cruzado é quem paga muitas vezes com a vida. Pessoas inocentes. Como “quase” foi o caso de um dos meninos que cresceu no Enraizados, na escola de hip hop Enraizados na Arte, e que hoje trabalha ministrando aulas de graffite em uma escola pública do bairro.
Ele foi baleado na perna, após homens tentarem assassinar um outro jovem do bairro – sabe-se lá por qual motivo. Ele ficou literalmente no meio de um fogo cruzado e levou um tiro na perda, e agora está internado em um hospital público, com a canela quebrada ao meio.
Alguns dizem que ele deu sorte, pois o tiro poderia ter sido no joelho, no peito ou na cabeça. Mas pra mim ele teve muita falta de sorte, pois estava tentando ir para casa pelo caminho que considerava o menos perigoso, dentre todas as opções que tinha, depois de um dia inteiro de trabalho e de estudo.
Jean Lima, mais conhecido como grafiteiro Babu, um cara da paz, mais uma vítima da violência da região da Baixada Fluminense.
Pra mim não importa quem deu o tiro e muito mesmo a quem ele estava endereçado, o que importa realmente é saber porque as pessoas andam armadas aqui e ninguém faz nada? É saber porque um jovem pacífico, que não faz nada de errado, está internado, com um monte de ferro na perna, com sua vida estagnada?
Sem contar com a paralisação da vida de seus familiares. Você consegue imaginar o que o pai dele sentiu quando recebeu um telefonema dizendo que o filho havia sido baleado enquanto voltada da escola?
Eu sei o que ele sentiu porque ele me disse: – “Eu achei que isso nunca fosse acontecer com meu filho. Não estava preparado. Perdi o chão”.
Infelizmente na Baixada Fluminense é assim, todo mundo anda armado. Os assaltantes que roubam de bicicleta e de moto andam armados, os que roubam na passarela andam armados, os que vendem drogas andam armados, o maconheiro não anda armado, mas é alvo (por aqui não tem distinção entre tráfico e usuário), os justiceiros, milicianos e policiais também andam armados.
Sabe quem não anda armado? Nós!!!
O que nos resta é rezar para que nenhuma dessa balas nos achem e para que a taxa de homicídios na região não se iguale à de 1989, quando a Baixada conheceu seu mais alto índice de homicídios: 95,55 mortos por 100 mil habitantes.
Um festival organizado por jovens da Baixada Fluminense reuniu mais de 2000 pessoas para ouvir música durante nove horas em uma rua de Nova Iguaçu. Simples assim!!!
Não tenho como não falar do B_eco Festival em minha coluna, pois três dias já se passaram, mas a emoção não.
Quando ouvi falar a primeira vez a respeito do festival foi há cerca de um mês, logo após saber da festa que o meu mano – e parceiro musical – Marcão Baixada estava planejando, a “Bang Bang”. Dias depois comecei a ver a divulgação do “B_eco”, mas me confundi, achando que era tudo a mesma coisa. No fundo até era, mas não era. Entende?
Outro dia o Rodrigo Caetano me ligou pedindo uma orientação a respeito de equipamentos pra festa, foi então que eu vi que realmente uma festa não tinha a ver com a outra… mas tinha.
Quando aprofundei mais pra saber do que se tratava, soube que o Wesley Brasil também estava na jogada, bem ali na linha de frente. Depois soube que a Karina Vasconcelos também estava. E por fim entendi que o festival era uma união das festas (e figuras) mais tops do pedaço: Musicação na Pista– a festa de rap mais badalada de Nova Iguaçu, do meu “novamente” parceiro DMT, Laranja Mecânica– conhecida no meio indie iguaçuano, Bang Bang– o tiroteio musical do Marcão Baixada,Wobble – que recebeu o título de melhor festa pelo Prêmio Noite Rio, Guetho– difusora da musica eletrônica criada nas periferias – e Bazinga– que faz uma mistura indie e pop sob festas temáticas do universo da série americana “The Big Bang Theory”.
Semanas atrás, entre uma mensagem e outra, recebi o convite do Marcão Baixada para fazer duas músicas com ele durante a festa, a ideia era o bonde do #ComboIO (DMA, Marcão Baixada, Léo da XIII e DJ Léo Ribeiro) se apresentar.
Nessa altura do campeonato, 10 em cada 10 posts nas redes sociais tinha algo sobre o #B_eco, todo mundo comentava, e a festa já havia dado certo antes mesmo de acontecer.
No dia da festa, fiz questão de chegar ao meio dia em ponto, pra não perder nem um momento. Fui com o Léo da XIII. Abri mão de almoçar com minha família para conferir a festa desde o começo (essa atitude me custou caro depois).
Ao chegar, já me deparei com Wesley Brasil correndo pra um lado e o Rodrigo Caetano correndo para o outro, num pique frenético. Haviam pouquíssimas pessoas, mas eu tinha certeza que a festa ia bombar. Fui recepcionado por Marcão Baixada e Danielle Seguer. O Samuca Azevedo já estava pronto – e disposto – para fazer as fotos para Hulle Brasil.
DMA, Nyl e Léo da XIII
Bruno, Fernanda, DMA e Ébano
Aos poucos foram chegando alguns manos como Luiz Claudio, Nyl MC, Romildo e tantos outros. O calor infernal nos levava ao bar frequentemente e logo que a cerveja fazia efeito as músicas começavam a soar como conhecidas. Funk, Trap e Rock se misturavam e a galera curtia tudo, enquanto trocava ideia. Eu observava como as pessoas chegavam vestidas e se comportavam, e tenho certeza que estava sendo observado também, mas todo mundo se respeitava e tentava entender a mistura de estilos.
Derrepente o “boom”.
A festa estava LOTADA e eu nem havia percebido de onde tinha vindo tanta gente. Quando eu reparei estava no BackStage trocando altas ideias com o segurança, minutos antes do show do Marcão Baixada. Quando subi ao palco vi uma nuvem de gente. A galera do rap estava com o umbigo colado no palco, cantando junto, fortalecendo (e tem gente que diz que o rap da Baixada não é unido). Quando entrei pra cantar, fiz o meu possível, que naquele momento não era muito, por isso não lembrava da letra, o álcool já estava fazendo o seu trabalho, nem posso colocar a culpa no nervosismo, até poderia culpar a emoção, pois fui muita, em altas doses cavalares.
Público do festival
A sorte é que o #ComboIO já ensaiou tanto, que as músicas já saem de forma orgânica, às vezes usando alguns sinônimos, às vezes alguns trechos de silêncio, mas a parada sempre flui. E fluiu. Como tudo fluía naquele dia. O universo conspirava a favor. Eram duas mil pessoas na mesma sintonia naquele “beco”.
DMA, Léo da XIII, Luiz Claudio e Samuca Azevedo
Mas o ápice da festa foi quando um temporal sem precedentes deu as caras. Árvores se dobravam de forma aterrorizadora por causa do forte vento. A água caía com força do céu, e descia a rua fazendo uma espécie de cachoeira. Foi quando todos, inclusive eu, pensaram que a festa havia chegado ao fim. Por causa da forte chuva o som teve que ser desligado, mas o povo não parava de dançar, pular, gritar, se abraçar, se beijar… eu nunca tinha visto aquilo na minha vida.
Estávamos embaixo da marquise, ao lado da Casa de Cultura. Conversava com o André Viana, com o DMT (que posicionou o seu carro de uma forma que pudéssemos continuar curtindo um som). Acredito que logo depois fui embora, porque as minhas lembranças do “B_eco Festival” terminam aqui.
Só sei que essa festa me aproximou de uma galera aparentemente “muito” diferente e me motivou bastante. Agora vamos aguardar a segunda edição.
Se você quiser conferir tudo o que leu, pode dar uma olhada na cobertura que a Hulle Brasil fez, pelas lentes de Samuca Azevedo e Beatriz Dias:http://bit.ly/EventosHulle
Zapeando pelo facebook me deparei com algo que realmente me deu muita vontade de escrever a respeito. É a iniciativa do tatuador Miro Dantas que utiliza sua arte para amenizar o “sofrimento” de mulheres que sofrem com a mutilação causada pela mastectomias.
Mastectomia é o nome dado à cirurgia de remoção completa da mama e consiste um dos tratamentos cirúrgicos para o câncer de mama. Existem vários tipos de mastectomia, listados a seguir: Mastectomia radical (Halsted), Mastectomia Radical Modificada, Mastectomia total simples e Mastectomia subcutânea.
Em seu perfil o tatuador diz que segue em frente com seu projeto para ajudar mulheres que tiveram câncer de mama sem cobrar as tatuagens de quem o procura.
A foto acima é o resultado da primeira tatuagem que ele fez este ano, onde ele alerta para o fato da melhora do quadro estético e da estima de quem faz a tattoo. A cliente desta foto afirmou que sua vida mudou.
Ele ainda comemora que algumas tatuagens já foram agendadas, o que significa que o projeto está dando certo e espera que o Facebook não censure a foto.
Fiquei muito feliz em colaborar para que esta atitude louvável chegue ainda mais longe e inspire e ajude cada vez mais pessoas. Minha vontade é fazer uma entrevista com esse mano. Vou fazer a proposta, se rolar, em breve vocês lerão por aqui também.
Após um post – no facebook – um tanto quanto polêmico do rapper Ualax MC, questionando amigos e fãs sobre a união do rap na Baixada Fluminense, decidi escrever esta coluna tentando aprofundar e problematizar ainda mais o tema.
O post já rendeu cerca de 134 comentários e 69 curtidas até o momento, por isso resolvi fazer minha coluna sobre esse tema me baseando nos comentários mais interessantes que li.
Minha opinião é uma só, e já deixei claro em meus comentários. Considero o rap da Baixada unido, talvez não considere o rap do Estado do Rio de Janeiro unido, muito menos o nacional, porque sempre vejo uma nota ou outra falando mal do Filipe Ret, da Cone Crew, Emicida, Projota e até do Racionais, mas nunca vi uma treta entre rappers da Baixada Fluminense. Sempre que acontece algo do tipo é apontando pra alguém que já tem uma projeção maior.
Considero o rap da Baixada Fluminense unido porque sempre vejo os eventos cheios de MCs, bebendo, trocando ideia, participando um da música do outro, entre outras coisas, contudo algumas pessoas, assim como o Ualax, consideram o rap da região desunido. Vamos tentar entender o porque.
O Bhaman Melo, levanta uma questão instigante em seu cometário: – O que é união no rap (na visão do autor do post)? (Como eu disse acima, na minha visão união é não ter treta, e não tem treta, pelo menos eu não vejo, o que me é passado superficialmente é que tá todo mundo no mesmo barco e pro que der e vier).
O MC Mateus Amoeba, levanta outra questão importante, quando objetiva ainda mais a pergunta: – Se unir em que ponto Ualax ??? musicalmente, financeiramente??? ( É muito interessante quando o Amoeba faz esse questionamento, pois ele afunila o problema e nos coloca em uma bifurcação que nos leva a lugares totalmente distintos, pois se a união citada pelo autor do post é musical, a conversa não segue seu curso normal, pois as parcerias são diversas, desde sempre, o evento Dia da Rima, organizado pelo Movimento Enraizados, pro exemplo, proporcionou diversas destas parcerias musicais entre artistas da região. Porém se a pergunta nos leva para uma “união financeira”, a palavra união pode ser mudada para investimento ou patrocínio, e isso não acontece – pelo menos eu nunca vi – entre MCs de lugar nenhum do mundo, a não ser que os MCs sejam também empresários).
O Marral Vasconcelos também vai por essa linha do investimento, mas de uma forma bem mais realista: – Não vinga porque a maioria não tem foco, não quer investir e acha que rap é brincadeira. Simples. O problema não é união, é falta de foco e profissionalidade. Se o cara mora na savana da Africa do Norte, tem talento e corre atrás do sonho, ele “explode”. (Concordo com ele, qualquer pessoa que invista em seu trabalho com mais seriedade certamente alcançará um resultado melhor do que os que não trabalham com profissionalismo).
O Ualax Mc já acreditou que o rap da região poderia ser uma grande coorperativa, como ele deixa claro em seu post: – Já acreditei que fosse possível, mas hoje eu acho que a união geral é utopia. (Ele mesmo se corrige e diz que isso é utopia, essa também é minha opinião).
E o Frávio SantoRua Antiéticos vai além e explica essa questão utópica comentada acima: – Se une quem possui os mesmos interesses. “União geral” é utopia. Mas, enquanto isso, para alcançarmos nossos objetivos, e para que não aja fragmentação em quem deseja estar junto, vamos todos na velocidade do mais lento!! (Aí sim, um vai ajudando o outro “na medida do possível”, sem onerar nenhum dos lados, contudo sempre estarão mais juntos os que têm algo em comum, os que tem uma proximidade natural maior, ou seja, interesses em comum).
Pra finalizar, o João Otávio faz um comentário que eu entendo como “quem está trabalhando tá unido” e quem não tá, tá falando: – Os de verdade, os verdadeiros, tão unido sim mano. Quem vem com essas fitas de intriga e desunião nem merecem fazer parte do movimento. O rap de verdade da Baixada, está unido sim e crescendo cada vez mais com novas uniões. (Eu não sou a favor desse negócio de rap de verdade, mc que representa, etc, porém eu consigo entender que há quase uma unidade de MCs trabalhando com vontade, produzindo. Os objetivos não são os mesmos, o investimento não é o mesmo e o talento não é o mesmo, mas estão quase sempre juntos no que eles tem de fundamental, o rap).
O que fica para reflexão é o que cada um de nós está fazendo verdadeiramente para a evolução do rap na região? Quase sempre cobramos o que queremos que os outros façam por nós. A Baixada Fluminense é formada por 13 municípios, mas quando falamos de #RapBXD, quase sempre estamos nos referindo a Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Mesquita, Belford Roxo, Queimados e São João de Meriti. Mas e Nilópolis, Magé, Paracambi, Seropédica, Itaguaí, Japeri e Guapimirim? Quem tá fortalecendo esses MCs que tão na sombra da Baixada Fluminense?
Chegou a hora de um MC parar de cobrar do outro e ambos cobrarem do poder público políticas públicas para a juventude. Alguém pode me explicar porque em Nova Iguaçu a “Semana do Hip Hop” não é lei?Alguém sabe me dizer em quais municípios da Baixada já existe essa lei? Alguem sabe como conseguiram?
Talvez seja hora de parar de falar um pouco de maconha e buceta nas letras de rap e começarmos a entender o rap como ferramenta de exibilidade de direitos. Vamos na Câmara de Vereadores trocar essa ideia com os vereadores da cidade?
Quem quiser entrar na debate pode comentar abaixo e quem quiser conferir o post original com outros comentários, basta clicar aqui http://on.fb.me/17HtNFP
João Luiz Silva Ferreira, conhecido como Juca Ferreira é um sociólogo baiano. No passado foi líder estudantil, bateu de frente com o regime militar, ficou anos exilado no Chile, blá, blá, blá… Foi filiado ao Partido Verde, desenvolveu importantes trabalhos em importantes ONGs da Bahia, onde também foi vereador algumas vezes, até que em 2003 foi convidado para ser Secretário Executivo do Ministério da Cultura, quando Gilberto Gil era o Ministro e o Lula era o presidente.
Foi mais ou menos nessa época que eu o conheci. Anos depois, as rápidas trocas de ideia davam a entender que algo de muito importante e revolucionário poderia acontecer na política cultural do país, e isso me enchia de esperança. As esperanças se materializaram no Programa Cultura Viva e principalmente em sua ação prioritária, o Ponto de Cultura, que impactou diretamente o embrião que logo depois veio a se tornar a instituição que eu coordeno até hoje, o Movimento Enraizados.
Quando eu imaginei que o Programa Cultura Viva era uma política cultural sólida, o vi dissolver-se na minha frente. Vi Ministros da Cultura passarem e cada um deles jogar uma pá de cal no programa. A Cultura que acredito e pratico diariamente havia perdido “novamente” o título de “cultura” para o Governo Federal e sido colocada na gaveta e sem perspectiva de retorno ao posto.
Quando a Senadora Marta Suplicy assumiu o Ministério da Cultura cheguei a achar que algo de bom aconteceria para as organizações de base e para as periferias do país, mas estava redondamente equivocado.
Mas quando, em meio ao furacão das eleições, a ex-ministra Ana de Hollanda publicou um texto, em seu perfil na Rede Social Facebook, criticando a escolha do senhor Juca Ferreira para coordenar a campanha da presidenta Dilma Roussef no campo cultural, me parecendo total recalque e desespero, vi novamente uma ponta de esperança, pois se a Ana de Hollanda é contra, certamente eu sou a favor.
Hoje (30DEZ14) recebi a notícia de que o Planalto anunciou Juca Ferreira como o novo Ministro da Cultura. Todo o meu breve passado veio a tona e a minha esperança se renovou mais uma vez, contudo tenho tido tanta decepção nos últimos quatro anos, que tenho até medo de cantar vitória antes do tempo, mas estou mais confiante que nunca. Dando um rolé na time line do facebook percebi que muitos dos meus importantes amigos produtores culturais também estão confiantes.
E apesar de a senadora Marta Suplicy também se mostrar contra a anunciação do novo Ministro, esperar é existir.
O que você fez nos últimos 09 anos? Sailson José das Graças matou 43 pessoas.
Será que se aos 17 anos ele cometesse o primeiro assassinato no Leblon (área nobre do Rio de Janeiro), chegaria a essa marca de 43 assassinatos sem ser preso? A resposta é… NÃO!!! CLARO QUE NÃO!!!
Porque certamente a imprensa cairia em cima, o Governador colocaria toda a polícia do Rio de Janeiro para investigar, invadir, torturar e matar até achar o assassino, mas na Baixada não é bem assim, a realidade aqui é outra. As mortes de conta-gotas não chamam atenção, uma morte aqui e outra lá são apenas mortes do cotidiano, a vida aqui vale menos, pra não dizer que não vale nada.
Atualmente a região da Baixada Fluminense se encontra mais violenta do que a cidade colombiana de Medelin, que foi classificada pela revista Time, em 1988, como “a cidade mais violenta do mundo”, com uma taxa de 440 homicídios por 100 mil habitantes. Hoje em dia Medelin exibe a marca de 40 homicídios por 100 mil habitantes, uma taxa bastante alta se comparada com a média mundial de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes, contudo bem menor do que a taxa de 52 homicídios por 100 mil habitantes da Baixada Fluminense.
Para quem está assistindo de fora, isso pode até ser um choque, contudo para quem mora nos municípios da Baixada Fluminense é algo quase normal. Crimes aqui são cometidos e não são investigados, dificilmente alguém vai preso por um homicídio, ainda mais quando a vítima é pobre.
Sempre tive a desconfiança de que a Baixada nunca esteve nos planos de segurança pública do Estado, porém tive essa certeza ao ouvir a fala do Vinicius George, delegado da polícia civil, durante uma mesa que participamos no Observatório de Favelas no sábado passado (13), onde ele afirmou que a polícia funciona do jeitinho que tem que funcionar e o Estado está presente em todos os lugares, inclusive na Baixada. O problema, segundo ele, é que a polícia e o Estado não funcionam e estão presentes do jeito que nós queremos. A polícia foi criada para atender os interesses da corte (hoje governantes e elites) e controlar o resto (o povo). Afirmou que enquanto a sociedade não mudar, a polícia não muda. As atitudes da polícia só mudam com uma maior pressão popular.
Segundo dados do Governo Federal, Duque de Caxias e Nova Iguaçu são a segunda e terceira cidade do Estado do Rio de Janeiro mais perigosas para um jovem negro, com idade entre 15 e 29 anos viver. Aqui é onde os jovens mais matam e mais morrem. Aí eu te pergunto: – Quais são as políticas públicas de segurança para a juventude negra na cidade? NENHUMA!!!
No momento especialistas forenses, psicólogos e psiquiatras estudam o caso para saber se Sailson é ou não um Psicopata. Mas qual diferença isso faz agora? 43 pessoas já morreram e a culpa é do Estado. Um estado omisso. Que entrega toda uma população, cerca de 4 milhões de habitantes, à própria sorte.
Pra mim, a mensagem surreal que Sailson passa com sua prisão é de que a Baixada Fluminense é “Terra de Malboro”: – Venham matar aqui, não serão presos. A Baixada Fluminense está sitiada e o Estado assiste nossas mortes de camarote.
Há alguns meses venho me sentindo mal com aquela barriguinha de chopp que cisma em fazer uma forma de bola em minhas blusas.
Contudo me encontro entre a cruz e a espada, pois não consigo parar de comer as imundices deliciosas que me cercam desde os “Chinas” até aos “Subways”– que inclusive acaba de chegar com uma linda lanchonete aqui na comunidade – e não me imagino trancado dentro de uma academia, pagando R$100/mês para levantar pesos insuportáveis (pelo menos para um cara sedentário como eu).
Não nego, sou sedentário. Sei que isso faz muito mal à minha saúde. Trabalho há cerca de 800 metros da minha casa e vou de carro. Até para comprar pão, em uma padaria que fica próxima da minha casa, também vou de carro. Confesso que me sinto mal quando passo de carro pelas ruas e encontro meu amigo Átomo praticando sua corrida diária.
Mas em uma curta reflexão, percebi que tenho praticado alguns exercícios mesmo sem querer, e acho que isso é uma empreitada de Deus, respondendo às minhas preces, pois todos os dias, antes de dormir, peço a Deus em minhas orações que me dê disposição para malhar ou “arrume uma forma de eu entrar em forma”.
Aprendi que quando você pede a Deus paciência, por exemplo, ele te dá a oportunidade de praticar a paciência, colocando as criaturas mais perturbadas no seu caminho, para que você pratique.
Mas no meu caso, eu queria disposição.
Foi então que eu percebi que, no mês de novembro choveram todos os finais de semana, de quinta a domingo. Até aí tudo bem, mas acontece que eu aceitei o desafio de produzir 16 eventos em Morro Agudo, durante todos os finais de semana, de quinta a domingo, e choveu somente nesses dias.
Por causa dessa chuva eu tive que subir em escadas, estender lonas, carregar caixas e correr muito de um lado para o outro. Tudo o que fosse necessário para que o evento acontecesse. De segunda a quarta não caia uma gota do céu, mas quinta-feira a chuva caía com raiva. Porém, quando acabou o mês de novembro, e consequentemente todo o meu trabalho, findou-se a chuva também.
Daí eu pensei: E agora? Minha vida sedentária voltará ao normal?
Não!!! Deus ainda tem muitos planos pra mim.
Ontem, por volta da meia noite, estávamos eu e minha digníssima namorada em casa, conversando sobre a vida, quando aquela fome avassaladora se abateu sobre nós. Foi então que decidimos pedir uma pizza, porém como já era muito tarde, a pizzaria não entregava mais, sendo assim tivemos que ir buscá-la.
Aí você pergunta: Foram caminhando?
Claro que não, fomos de carro.
Lá chegando, ficamos cerca de 05 minutos, pegamos a pizza e quando entramos no carro para voltar pra casa. Adivinhem…
Meu pneu estava furado. Fiquei cerca de 20 minutos fazendo diversos exercícios que passaram por afrouxar parafusos que pareciam estar soldados na roda, levantar o carro em um macaquinho que parecia ser um brinquedo de criança, centenas de agachamentos e retirar o estepe (que é algo extremamente bizarro de se fazer no meu carro).
Conclusão: – Hoje amanheci na porta da academia, com um sorriso que não cabia no meu rosto e cheio de disposição.
E uma dica pra vocês: – Cuidado com o que pedem em suas orações.
Olá leitores e leitoras da minha coluna semanal no Portal Enraizados. Hoje falarei de algo que percebi e experimentei nesse último final de semana, identificando uma nova perspectiva para nós do hip hop.
Pra quem não sabe, aceitei o desafio de integrar à equipe do projeto #AquiTemPalco, da Ambev em parceira com o “Mistério da Cultura – Funarte”.Quem quiser saber mais sobre o projeto, bastar clicar aqui.
Mas explicando de forma rápida, o #AquiTemPalco é um circuito de shows, que vai acontecer todos os finais de semana de novembro, com artistas locais em bares da comunidade, não importa a expressão artística, tem lugar pra todo mundo, e sendo assim o hip hop não poderia ficar de fora dessa. O piloto do projeto está acontecendo no Vidigal e em Morro Agudo.
O que pensei ao saber do projeto? Simples, percebi que pela primeira vez a nossa Baixada Fluminense foi lembrada e os nossos artistas, inclusive a galera do hip hop, podem ter uma visibilidade maior.
Nos 04 primeiros – dos 16 eventos que acontecerão em Morro Agudo, o rap esteve presente sendo muito bem representado por Lisa Castro, NRC, Ualax MC e Slow da BF, e ainda pegando de rebarba o One Way, WSO e Blahka Tao, que literalmente saíram da sua zona de conforto para apresentarem sua arte, ou melhor, nossa arte, para pessoas que não conhecem e que estão pre dispostas a ouvir estilos mais populares que tocam nas rádios, como o pagode.
Não sei se vocês se dão conta do tamanho do desafio que essa galera enfrentou, mas eu estive lá em todos os dias e pude perceber que é uma experiência no mínimo tensa, mas que eles conseguiram executar com maestria. Cada um da sua forma e maneira, mas todos com excelência. É importante ressaltar que não sou obrigado a estar todos os dias acompanhando os eventos, mas estou porque tenho um compromisso, primeiro com o hip hop, segundo com minha comunidade e terceiro com os artistas.
E sinceramente acredito que TODOS E TODAS que acreditam na força do hip hop da Baixada Fluminense devem chegar junto nos shows da galera, e digo isso não pela Ambev ou pelo Ministério da Cultura, mas pra valorizar o trabalho dos manos e minas que estão na mesma correria que nós. É a hora de mostrar que estamos unidos para podermos abrir mais e mais portas.
Nas próximas semanas se apresentarão Marcão Baixada, Léo da XIII, Diego Teckniko com sua Cypher, uma intervenção de graffiti e uma batalha de rimas, como podem conferir na programação abaixo. O desafio continua, mas no final é sempre o hip hop quem ganha.
E aí, tâmo junto ou não tâmo nessa porra?
Veja a programação para as próximas semanas:
13 de novembro (Quinta-Feira)
Onde: Bar do Mauro – Rua Lopes de Araújo, 16 – Ouro Preto, Morro Agudo Shows com: Felipe Ribeiro, Lisa Castro e Marcão Baixada
14 de novembro (Sexta-Feira)
Onde: Bar Vâmo Ali – Rua Professor Leonardo, 135 – Cerâmica, Morro Agudo Shows com: Banda Genômades e Léo da XIII
(+) Batalha de Rap
15 de novembro (Sábado)
Onde: Bar do Kaká – Rua Ipojuca, 315 – Jardim Nova Era, Morro Agudo Shows com: Só Damas e Marcão Baixada
16 de novembro (Domingo)
Onde: Bar do Magalhães – Rua Conselheiro Jorgino, 26 – Compactor, Morro Agudo Shows com: Regis Clement e show de comédia com Kwesny
20 de novembro (Quinta-Feira)
Onde: Bar do Chico – Rua Turíbio da Silva, 19 – Tenda Mirim, Morro Agudo Shows com: Em Cima da Hora e Macedo Griot
(+) Intervenção de Graffiti
21 de novembro (Sexta-Feira)
Onde: Bar da Loira – Jardim Nova Era, Morro Agudo Shows com: Robson Gabiru e LM Cia de Dança
22 de novembro (Sábado)
Onde: Bar do Dilais – Rua Ministro Lafaiete de Andrade, 1827 – Marco II, Morro Agudo Shows com: Em Cima da Hora e comédia com Flávio Show
23 de novembro (Domingo)
Onde: Bar da Denise – Rua Conselheiro Jorgino, 101 – Compactor, Morro Agudo Shows com: LM Dança + “Grupo a confirmar”
27 de novembro (Quinta-Feira)
Onde: Ratoeira do Gordo – Rua Lopes de Araujo, 309 – Ouro Preto, Morro Agudo Shows com: Só Damas e comédia com Flávio Show
No dia 22 de outubro minha time line do facebook ficou movimentada por conta do programa Profissão Repórter que foi veiculado no último dia 21 de outubro, na Rede Globo, onde o tema era o sempre polêmico Rap.
Muitas mensagens de protesto foram postadas contra o programa, porém também foram postadas muitas outras mensagens de apoio ao rap, que está cada vez mais presente nas telinhas.
Mas uma pergunta não quer calar:
– Será que o povo do rap dá o devido valor às conquistas que o movimento tem nos grandes meios de comunicação?
Já vi e ouvi críticas ferrenhas ao Programa Esquenta, da Regina Casé, que abriu as portas não só para o rap, mas para toda uma estética totalmente diferente do perfil da emissora. Lembro que no programa já se apresentaram Edi Rock – o que causou um mau estar no fãs do Racionais – e o Emicida algumas vezes.
Em São Paulo tem o Manos e Minas, na TV Cultura, no ar desde 2008, apresentado atualmente pelo MC Max BO, mas que já teve os rappers Rappin Hood e Thaíde no comando. Centenas de MCs já passaram pelo programa, que teve seu fim decretado em 2010, mas devido a muitos protestos nas redes sociais o programa retornou e continua firme até hoje, acompanhando a produção atual da música urbana em suas várias vertentes (rap, funk, soul, reggae, samba, MPB), além de mostrar iniciativas e realizações da cultura de periferia e hip-hop em seus diversos segmentos.
Pioneiro do hip hop no Brasil,Thaíde, que hoje faz sucesso no programa A Liga, da Band, já é um veterano das telinhas, começando na MTV, apresentando o programa “Yo! MTV Raps” e propagando o videoclipe de milhares de grupos do país.
Não posso deixar de citar o MV Bill e a Nega Gizza, com o importante programa Aglomerado, na TV Brasil.
Lembro-me que o Emicida também atuou como repórter do programa Manos e Minas, e o escritor Alessandro Buzo iniciou o seu quadro Buzão Circular Periférico dentro do mesmo programa e por lá ficou durante 03 anos até ser contratado pela Rede Globo, para apresentar um quadro sobre cultura de periferia, o SP Cultura.
Durante os últimos 03 anos, todos os sábados, foi ao ar no SP Cultura alguma iniciativa cultural da periferia de São Paulo e o rap e o hip hop quase sempre estiveram presentes, com seus artistas e toda a sua complexidade. Alessandro Buzo comandava essas visitas com maestria e bom senso, gerando oportunidades e atendendo a todos, na maioria “anônimos”, o que sempre o diferenciou, por exemplo, de programas como o Esquenta, onde o valor maior está entre os já consagrados e famosos.
Há cerca de um mês o quadro saiu do ar. Ninguém sabe se volta ou não. Mas o que realmente me impressionou é que NÃO VI NAS REDES SOCIAIS UM MOVIMENTO #FicaSPCultura, como aconteceu no Manos e Minas.
Algumas pessoas dizem que são contra a Rede Globo e contra o rap na TV, acredito que temos que respeitar os que tem essa opinião.
Mas e os que não são contra?E os que se beneficiaram com os quase 150 quadros que foram ao ar? E as centenas de artistas, de iniciativas, de projetos e de comunidades que ganharam visibilidade justamente porque o quadro era em uma emissora do porte da Rede Globo? Porque esses não iniciaram esse movimento #FicaSPCultura?
Eu, apesar de não morar em São Paulo, assim como muitas outras pessoas pelo Brasil, assisti pela internet cada um dos 147 quadros que foram ao ar e por causa deles aprendi muito sobre a cultura da periferia de São Paulo e seus fazedores. Fico orgulhoso por um cara da periferia e com representatividade dentro do movimento ser o apresentador. Seria um sonho ter um programa parecido aqui no Rio de Janeiro, seria um avanço para periferia, uma grande oportunidade para o hip hop.
Mas e aí, vamos deixar escorrer por nosso dedos um dos canais mais importantes para o hip hop paulista e brasileiro?
Já pararam pra pensar quem realmente ganha quando o rap não está na TV?