Música é uma ode às rimas e a liberdade de expressão, com mistura de rap e samba
Em tempos de censura da arte no Brasil, o rapper e educador carioca Allan de Souza, o Pevírguladez lança, no próximo dia 16 de novembro o clipe “Direito de Rimar”, em uma homenagem a poetas e MCs, pela liberdade de expressão e que levam a rima como profissão. O clipe é parte do disco Manual Prático de Malandragem – volume 2, que vem sendo produzido há quatro anos.
Com participação de poetas da cena dos slams – campeonatos de poesia falada – como Mel Duarte e demais integrantes do Slam das Minas –SP o rapper que tem mais de 15 anos de carreira aposta na força da expressão para este trabalho.
Nos primeiros minutos do vídeo, Mel Duarte dá o tom: “foi a melhor escolha que fiz na vida”, disse, ao se referir à profissão poeta. Na letra, Pevírguladez canta para o que ele chama de “griôs das ruas. A canção traz ainda um refrão adaptado do samba “É proibido sonhar”, de Batatinha, mesclando o rap com o samba.
“O direito de rimar é algo nobre, uma dádiva de quem foge do lugar comum para habitar no universo das palavras, levando sabedoria e vivências às pessoas. O direito é do poeta, do cantor, do slammer, do artista de rua, do compositor, enfim, o direito de rimar é do povo”, comentou Pevírguladez.
O vídeo que tem direção de Higor Cabral foi gravado em São Paulo, com captação de cenas em diferentes slams. “A cena dos slams tem crescido muito no Brasil, mas é muito forte em São Paulo e eu queria captar esse movimento, que é diferente do universo das batalhas de rap, mas que traz na poesia falada a mesma força e o impacto de uma letra de rap. Acho que são mundos bem próximos e que devemos valorizar”, disse.
Sobre Pevírguladez
Com mais de 15 anos de atuação no hip-hop brasileiro, Pevírguladez é educador no Rio de Janeiro e faz “hip-hop malandro”, em uma mistura de rap com samba ao cantar o cotidiano dos subúrbios cariocas.
O novo álbum, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2018, terá participações de Carlos Dafé, Aleh Ferreira, Raphão Alafim, Dj Nato PK, Xará e Lu Fogaça.
Já o videloclipe contou, além da direção e edição de Higor Cabral, que também captou cenas, com Camila Guimarães, produção musical de Bruno Danton e mixagem e masterização de Luiz Café.
A redução das desigualdades territoriais e o horizonte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 são os temas escolhidos para a décima edição do Fórum Rio, realizado pela Casa Fluminense, neste sábado (25). O evento vai promover convergências da sociedade civil para debater as prioridades do Rio metropolitano em 2018.
Lá você vai encontrar feira de integração, exposição de trabalhos acadêmicos, debates, oficinas, apresentações culturais e ótimos motivos para se unir a este movimento. Vamos nessa?
O Fórum acontece duas vezes ao ano e sempre é realizado em um território diferente da metrópole. Dessa vez ocorre no Galpão do Ação da Cidadania, na região portuária do centro do município do Rio (Av. Barão de Tefé, 75), para marcar os 20 anos sem Betinho e o retorno da Campanha Natal Sem Fome. Ele está localizado em uma área de grande importância histórica, onde desembarcaram milhares de negros africanos escravizados no Rio, ancestrais de grande parte dos trabalhadores que constroem hoje a metrópole: O cais do Valongo!
De volta à atividade, depois de algum tempo de recesso, BNegão & Seletores de Frequência chegam ao teatro do Sesc Bom Retiro, para transmutar, selecionar e sintonizar as frequências.
O show conta com músicas dos três discos do grupo: TransmutAção (2015) – que figurou no ranking dos melhores discos do ano, de acordo com a crítica musical
do Brasil. O premiado “disco do ano no Video Music Brasil (VMB)” Sintoniza Lá (2012). O primeiro Enxugando Gelo (2003), que já é um clássico e – spoiler! – contará com edição em vinil duplo em 2018. E ainda: duas novas faixas instrumentais e uma releitura de “Sorriso Aberto” (música composta por Guará e imortalizada por Jovelina Pérola Negra, que o rapper gravou com o DigitalDubs, em 2006).
O repertório deste show é cuidadosamente dedicado à memória do baixista fundador do grupo, Fábio Kalunga.
Sobre BNegão:
BNegão está à frente de uma das bandas mais versáteis e prolíficas da música brasileira atual – e definitivamente uma grande embaixadora dos novos sons feitos no país. BNegão & Seletores de Frequência é reverenciada por sua mistura única de ritmos quentes com a retórica sempre consciente de seu vocalista.
Esta jornada começou com o sucesso alcançado pelo grupo Planet Hemp. A banda ficou famosa nacionalmente nos 90, misturando funk, hip hop, hardcore, ragga e música psicodélica. Antes, BNegão foi integrante da Funk Fuckers, ícone do undergroud carioca na mesma década.
2003 foi o ano chave para a banda, que lançou seu primeiro disco, Enxugando Gelo, e definiu seus membros oficiais: BNegão (voz), Pedro Selector (trompete e voz), Fábio Kalunga (baixo), Robson Riva (bateria e voz) e Fabio Moreno (guitarra e voz).
Em 2012, a banda lançou seu segundo disco, Sintoniza Lá. Bastante aclamado, o álbum ganhou prêmios como “Melhor Disco do Ano”, no Video Music Brasil (VMB) da MTV; “Melhor Disco de Hip Hop”, pelo iTunes Brasil e “Melhor Disco de Black Music” no Prêmio Dynamite, importante premiação da música independente do Brasil, na época.
Neste mesmo ano, BNegão foi convidado para representar a música brasileira na cerimônia de encerramento das Olimpíadas em Londres. Ao lado de Seu Jorge e Marisa Monte, dividiu o palco com Queen, Madonna, Metallica e Bruce Springsteen. A cerimônia foi transmitida ao vivo para bilhões de pessoas em todo o mundo.
Além de excursionar extensivamente com os Seletores de Frequência, BNegão acha espaço e criatividade para colaborar com grandes artistas nacionais e internacionais como Autoramas, Matanza, Bomba Estéreo, Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, Baiana System, Marcelo D2 e muitos outros. Em 2016, o Planet Hemp – que estava fazendo shows esporádicos – também anunciou a volta oficial.
Inquieto, BNegão ainda possui projetos paralelos, como o BNegão Trio (ele chamou Pedro Selector, trompetista dos Seletores de Frequência, e DJ Castro, ex-Quinto Andar e Black Alien, para montar um setlist que reúne todas as possibilidades que envolvem três vozes, um instrumento de sopro e um par de toca-discos), o BNegão Bota Som (onde o artista coloca os sons garimpados em suas pesquisas musicais e divide com a pista suas dicas sonoras numa espécia de bate papo musical – ele não é DJ!) e BNegão & Seletores de Frequência em: O Sítio do Pica Pau Amarelo (espetáculo musical para crianças e adultos, onde a banda se
apresenta caracterizada).
Com o terceiro álbum, TransmutAção (Natura Musical, 2015), com o grupo BNegão & Seletores de Frequência, o artista sintetiza perfeitamente a infinidade de sons de todos os estilos da black music.
Estamos de volta com mais uma matéria falando sobre Mobilidade Urbana. Na primeira, eu (Dorgo) e Beatriz Dias, afim de respondermos algumas questões relacionadas com a juventude e a mobilidade urbana, decidimos acompanhar três outros jovens que cortaram cinco cidades, em uma trajetória de mais de 40 quilômetros, em busca de uma nova experiência cultural. <<leia aqui>>
Beatriz Dias e Dorgo
A matéria de hoje tem a mesma dinâmica, mas com uma missão diferente: curtir o Rap Free Jazz, em Duque de Caxias.
O Rap Free Jazz é um evento no formato de Roda Cultural, realizado pelo Coletivo FALA há dois anos, com o intuito de ser itinerante e levar os acontecimentos da Baixada Fluminense para a própria Baixada, através das artes.
No dia 21 de outubro, rolou a edição do Rap Free Jazz com seletiva para o Duelo Nacional de MC’s, de onde saiu um representante da Baixada Fluminense. O evento aconteceu na Praça do Galo, no Parque Fluminense, em Duque de Caxias, e teve seu início ás 18:30.
Nossos personagens neste artigo são:
• Albert Paula (Einstein NRC), 21 anos, Mc e Beatmaker.
• Camila Lemos, 22 anos, Produtora e empreendedora.
• Victor Carvalho, 22 anos, Produtor cultural e técnico em eletrônica.
A ideia desse artigo, assim como no último, é responder algumas questões relacionadas com a mobilidade urbana sob a ótica da juventude periférica, como opções de transporte, valor das passagens, estado de conservação do coletivo e segurança.
Para que você possa se situar, o Parque Fluminense é um bairro do município de Duque de Caxias, com cerca de 13 mil habitantes, que faz divisa com o município de Belford Roxo. A Praça do Galo se localiza próximo a estrada do China, uma das principais vias do bairro, que fica a 23,6 quilômetros de distância de Morro Agudo, bairro mais populoso da cidade de Nova Iguaçu, local de partida da nossa jornada.
As nossas opções de transporte eram:
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1. Trem da Super Via, sentido Central do Brasil. Baldeação na estação Maracanã, novo trem sentido Gramacho e descer na estação Duque de Caxias e outra condução até a praça. Um trajeto total de 02:20 (duas horas e vinte minutos) de duração, com o custo de R$8,20 (oito reais e vinte centavos).
2. Ônibus até a rodoviária de Nova Iguaçu. Ônibus da viação Flores “115-Duque de Caxias” até a Estrada do China e andar cerca de 05 minutos até a Praça do Galo, trajeto com 02:00 (duas horas) de duração e custa de R$7,80 (sete reais e oitenta centavos).
3. Ônibus na Dutra (várias opções) até o “Posto 13”, com trajeto de cerca de 15 minutos. Ônibus da viação Flores “115-Duque de Caxias” ou o “116-Duque de Caxias”, também da viação Flores, até a estrada do China e andar cerca de 05 minutos até a Praça do Galo, num trajeto com 01:30 (uma hora e trinta minutos) de duração, com o total de 01:50 (uma hora e cinquenta minutos) custando R$8,60 (oito reais e sessenta centavos).[/padding]
As principais metas desse rolé eram economizar e não chegar tarde no evento. Como a faixa de preço não diferenciava muito entre as opções, demos preferência ao tempo de viagem e fomos pela Dutra, por ser um trajeto mais curto e mais rápido.
Saímos de Morro Agudo às 18:00 e esperamos cerca 40 minutos pelo ônibus, que demorou 25 minutos pra chegar ao Posto Treze, lá esperamos cerca de 01 hora pelo ônibus que nos levaria até o Parque Fluminense, num trajeto que durou cerca de 01:50 (uma hora e cinquenta minutos), tendo como tempo total da viagem 03:55 (três horas e cinquenta e cinco minutos), contrariando a estimativa de tempo apresentada pelas empresas de ônibus.
O mesmo trajeto de carro leva em média 36 minutos de duração.
O Einstein diz que “é muito complicado pra todo mundo circular, até mesmo dentro da Baixada Fluminense, pois muitas vezes temos que pegar 2, 3 e até 4 conduções pra chegarmos no local que desejamos. Se tiver sem dinheiro e precisar esperar um ônibus específico, pode ficar horas no ponto esperando”.
Camila acrescenta a fala de Einstein dizendo que “não é uma experiência muito agradável, se você não tem dinheiro, perde o direito de ir e vir, que teoricamente seria um direito de todos”.
Albert Paula (Einstein NRC), 21 anos, Mc e Beatmaker
Como já foi dito, escolhemos esse trajeto para poupar tempo, porém os atrasos e as estradas cheias de buracos tornam o percurso cada vez mais difícil e demorado.
Quando perguntamos ao Victor sobre os obstáculos de transitar entre as cidades da Baixada Fluminense, ele comenta com humor “que tem vários obstáculos, literalmente”.
“É muito complicado gastar cerca de R$20,00 com transporte estando desempregada, é uma situação muito difícil. O que culmina também na perda de muitas oportunidades de emprego, por conta das empresas darem preferência a pessoas que gastam menos passagem”, diz Camilla.
A segurança é uma das maiores preocupações dos jovens que se aventuram para curtir eventos em outras cidades, o perigo que estávamos correndo com os equipamentos na rua acabou resultando na falta de dinâmica na hora de tirarmos algumas fotos, por mais que estivéssemos em grupo, o medo falava mais alto.
Rap Free Jazz
Para Einstein “o gasto não compensa, por que as ruas são muito danificadas, os transportes são de péssima qualidade, os horários são muito incertos e além de tudo isso, os passageiros sofrem com a falta de segurança”. “Não sei se mais policiamento nas ruas resolveria” comenta Camilla, em tom de descontração.
Chegamos ao nosso destino com 01:55 (uma hora e cinquenta e cinco minutos) de atraso, já estava no segundo round da batalha de MC’s e mesmo assim valeu muito a pena. Vimos um representante da Baixada Fluminense levando a vaga para a seletiva do Duelo Nacional de MCs, além do show de Felipe Westt com a participação do Einstein.
Victor Carvalho, 22 anos, Produtor cultural e técnico em eletrônica.
Próximo ao fim do evento, nos deslocamos um pouco e fomos até o fim da praça conversar sobre o tema abordado. Como ainda eram 03:30 da manhã conversamos com bastante calma, já que os ônibus só voltariam a circular às 05 horas da manhã.
Camilla afirma que “os principais problemas de mobilidade são, além do valor alto das passagens, o perigo de transitar pelos lugares e a baixa rotatividade dos ônibus que, além de demorar, param de circular cedo muitas das vezes”.
Ao ser questionado sobre a experiência de se deslocar de Morro Agudo até o Parque Fluminense (local onde aconteceu o evento) Victor diz: “Pô, a gente tem que gastar uma grana boa e ainda ficar no mínimo duas horas em condução, se eu tivesse carro, com certeza iria preferir transitar de carro, tudo bem que tem os problemas de trânsito e etc, mas o custo-benefício acaba compensando mais”.
Após cerca de uma hora de conversa fomos andando até o ponto de ônibus, e na saída da Praça encontramos uma menina que perguntou se estávamos indo para o ponto de ônibus, e ao afirmarmos ela perguntou se podia nos acompanhar, pois estava sozinha e com medo, fato que infelizmente já faz parte de nossas rotinas, ainda mais quando se é mulher.
Chegamos no ponto de ônibus, mas dessa vez não esperamos muito, em menos de 10 minutos passou o primeiro ônibus para Nova Iguaçu, embarcamos e durante o trajeto, a cena cotidiana se repetiu, Beatriz foi assediada dentro do transporte público.
Camila Lemos, 22 anos, Produtora e empreendedora
Ao chegarmos em Nova Iguaçu, aproximadamente às 06:20 da manhã, esperamos mais uns 20 minutos até pegarmos o ônibus para Morro Agudo. Chegamos às 07:10 em casa.
O rolé teve 13 horas e 10 minutos de duração, desde a hora que saímos de casa até a hora que chegamos, porém 06 horas e 15 minutos foram destinados ao deslocamento, o que é um absurdo se tratando de um trajeto que pode ser feito em menos de uma hora de carro.
No final das conversas com cada um, os questionei sobre algumas soluções que segundo eles poderiam ser tomadas para melhorar o transporte público.
Einstein acha que “a principal melhoria a ser realizada é a manutenção dos ônibus, que são precários e obviamente a passagem, que já ultrapassou o absurdo, porém o poder público deveria intervir nisso, fazendo algum tipo de fiscalização quanto ao serviço oferecido pelas empresas de transporte público”.
Na opinião de Camilla “só aumentar a rotatividade dos ônibus já resolveria bastante coisa”.
Para Victor “as empresas deveriam disponibilizar mais linhas de ônibus, uma grade de horários melhor e seguida à risca”. Ele diz também que “as empresas deveriam fazer alguma espécie de plataforma onde os passageiros pudessem acompanhar os ônibus, para saber o horário exato em que ele chegará ao ponto, evitando transtornos ao esperar os coletivos por muito tempo”.
Dia dia 26 de setembro a Academia Latina da Gravação divulgou a lista dos indicados ao Grammy Latino 2017, que acontecerá em Las Vegas, na próxima quinta-feira, dia 16 de novembro.
Nomes como Mano Brown e alguns novatos da música brasileira estão concorrendo aos prêmios.
Confira a lista dos indicados
Canção do Ano (prêmio aos compositores)
Amárrame – Mon Laferte, compositor (Mon Laferte featuring Juanes)
Chantaje – Kevin Mauricio Jiménez Londoño, Bryan Snaider Lezcano Chaverra, Joel Antonio López Castro, Maluma e Shakira, compositores (Shakira featuring Maluma)
Desde Que Estamos Juntos – Descemer Bueno & Melendi, compositores (Melendi)
Despacito – Daddy Yankee, Erika Ender e Luis Fonsi, compositores (Luis Fonsi featuring Daddy Yankee)
Ella – Ricardo Arjona, compositor (Ricardo Arjona)
Felices Los 4 – Mario Cáceres, Kevin Mauricio Jiménez Londoño, Maluma, Servando Primera, Stiven Rojas e Bryan Snaider Lezcano Chaverra, compositores (Maluma)
Guerra – Residente e Jeff Trooko, compositores (Residente)
La Fortuna – Diana Fuentes e Tommy Torres, compositores (Diana Fuentes featuring Tommy Torres)
Tú Sí Sabes Quererme – Natalia Lafourcade, compositores (Natalia Lafourcade featuring Los Macorinos)
Vente Pa’ Ca – Nermin Harambasic, Maluma, Ricky Martin, Mauricio Montaner, Ricky Montaner, Lars Pedersen, Carl Ryden, Justin Stein, Ronny Vidar Svendsen e Anne Judith Stokke Wik, compositores (Ricky Martin featuring Maluma)
Categorias para Música em Língua Portuguesa:
Melhor Álbum Pop Contemporâneo
AnaVitória – AnaVitória
Boogie Naipe – Mano Brown
Troco likes ao vivo: um filme de Tiago Iorc – Tiago Iorc
Tudo nosso – Jamz
A Danada sou eu – Ludmilla
Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa
Brutown – The Baggios
Aventuras II – Blitz
Boca – Curumim
MM3 – Metá Metá
Jardim-Pomar – Nando Reis
Melhor Álbum de Samba/Pagode
+ Misturado – Mart’nália
Na luz do samba – Luciana Mello
Alma brasileira – Diogo Nogueira
Delírio no Circo – Roberta Sá
SAMBABOOK Jorge Aragão – Vários Artistas
Melhor Canção
Noturna (nada de novo na noite) – Marisa Monte, Silva & Lucas Silva
Pé na Areia – Cauique, Diogo Leite & Rodrigo Leite
Novembro já está aí e o já tradicional Sarau Poetas Compulsivos promete agitar o primeiro sábado do mês.
Rappers e poetas – e porque não poetas rappers, estarão reunidos e entrelaçados em apresentações ímpares no Buteco da Juliana.
Quem já esteve em alguma, das mais de 60 edições do Sarau Poetas Compulsivos, sabe bem da energia que circula no local durante as três horas do evento.
Na próxima edição, do dia 04 de novembro, os convidados serão Jess Lucas, Bruno Silva, Caslu e Ninja, que transformarão uma noite simples de sábado em uma noite poética e cheia de ritmo, pois como vocês sabem é o hip hop que dá o tempero e o balanço da nossa festa.
Sabe o que vai rolar de bom?
Tudo e mais um pouco. Além das intervenções com sorteios, microfone aberto e DJs, também vai rolar a exibição do vídeo da música “dinheiro”, gravado em plano sequência pela galera da Rolo B, na Arena Jovelina, durante o projeto Desafio RapLAB.
A rapper e poeta Lisa Castro comandará a festa, enquanto DJ Dorgo seleciona as músicas que vão colorir a nossa noite e Dudu de Morro Agudo joga um tempero nas intervenções e interações com o público.
E aí, vai ficar em casa ou vai vir confraternizar conosco?
Então vem!!!!
SERVIÇO
Quando: 04 de novembro
Horas: A partir das 19 horas
Onde: No Buteco da Juliana, na rua Ângelo Gregório, 145, Morro Agudo >> Veja o mapahttp://bit.ly/MapaButecoJuliana
Depois da entrevista com o DJ Dorgo, a galera da Hulle Brasil soltou a entrevista com o rapper Passarinho, onde ele fala para o canal da Hulle Brasil sobre sua participação no Desafio RapLAB, no processo de criação da música “dinheiro”, ao lado de Dudu de Morro Agudo, Shu e DJ Dorgo.
No dia 09 de outubro de 2017, uma segunda-feira, eu (Marlon Gonçalves) e a Beatriz Dias, afim de respondermos algumas questões relacionadas com a juventude e a mobilidade urbana, decidimos acompanhar três outros jovens que cortaram cinco cidades, em uma trajetória de mais de 40 quilômetros, em busca de uma nova experiência cultural.
A missão era curtir o“Slam Grito Filmes”, um evento itinerante de poesia falada, criado por um coletivo formado por cineastas, fotógrafos, cinegrafistas e midiativistas, que funciona como uma batalha de poesias desde 2016 e tem o objetivo de criar conexões e subjetividades vitais para a passagem de cultura oral no país.
A final desta batalha aconteceria na Praça Mauá, no Centro de Rio de Janeiro, às 19 horas. Então partimos pra lá.
Nossos personagens neste artigo são:
Caroline Tavares (MoonJay), 20 anos, DJ, fotógrafa, brecholeira, produtora cultural e idealizadora do projeto Literatura das Ruas;
Luiz Gustavo Oliveira (Guga), 22 anos, integrante do coletivo Ohana, produtor e empreendedor;
Jovens saindo do bairro de Morro Agudo para curtir um saral na Praça Mauá.
A ideia desse artigo é responder algumas questões relacionadas com a mobilidade urbana sob a ótica da juventude periférica, como opções de transporte, valor das passagens, estado de conservação do coletivo, segurança e todas as dificuldades que os jovens da Baixada Fluminense encontram para se circular pela cidade metropolitana.
Para situar nossos leitores, é importante informar que a Praça Mauáfica situada no bairro do Centro, e foi revitalizada há dois anos, no projeto do Porto Maravilha, que visava revitalizar toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro. Todos os jovens que participam desta matéria residem em Morro Agudo, o bairro mais populoso da cidade de Nova Iguaçu, a cidade mãe da Baixada Fluminense, bairro este que fica a exatos 41,3 quilômetros de distância do nosso destino final.
As nossas opções de transporte eram:
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o ônibus direto, da linha 1491B, da empresa Tinguá, que faz a ligação entre o bairro de Austin, em Nova Iguaçu, e a Praça Mauá, no Rio de Janeiro. A passagem custa R$23,65 (vinte reais e sessenta e cinco centavos) e para de circular às 21 horas em dias úteis. É uma viagem de cerca de duas horas;
tínhamos também a opção de pegar outro ônibus da empresa Tinguá, da linha 491B, que faz a ligação do bairro de Austin, em Nova Iguaçu com a Central do Brasil, e depois pegar outra condução ou continuar o trajeto a pé até o nosso destino. O valor da passagem é R$8,20 (oito reais e vinte centavos), uma viagem de que dura cerca de duas horas e o ônibus para de circular à meia-noite.
outra opção seria a integração entre o ônibus da empresa Vila Rica, que faz a ligação do bairro de Morro Agudo, em Nova Iguaçu, com o bairro da Pavuna, no Rio de Janeiro, e o Metrô. A passagem custa R$8,00 (oito reais) se pago com o RioCard e a viagem dura em média duas horas no total;
a última opção é o trem, que custa R$4,20 (quatro reais e vinte centavos) e a viagem dura em média uma hora. No site da Supervia– empresa que tem a concessão para a operação comercial e manutenção da malha ferroviária urbana de passageiros da região metropolitana do Rio de Janeiro – informam que a estação fecha antes da passagem do último trem, que em dias úteis é até às 23 horas, e nos fins de semana até às 22 horas no sábado e às 21:30 aos domingos. Segundo a Supervia o intervalo entre um trem e outro é de oito minutos.
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A primeira meta do rolé era economizar no transporte para poder curtir no evento, então a galera decidiu ir de trem, porque em Morro Agudo, segundo nossos personagens, a maior parte da população ainda dá o famoso calote, utilizando um buraco, feito pelos próprios moradores, há décadas, pra entrar na estação de trem sem ter que pagar a passagem.
Buraco no muro da estação por onde os moradores costumam passar para evitar pagar a passagem de trem.
Saímos de Morro Agudo às 18 horas e esperamos por cerca de 15 minutos até a chegada do trem, contrariando a versão do site da Supervia que diz que o intervalo entre um trem e outro é de oito minutos. Partimos em direção à estação Central do Brasil, chegamos 19:40, ultrapassando o tempo médio de aproximadamente uma hora de viagem.
Moonjay explica que apesar de o valor da passagem de trem ser o mais barato, a galera ainda assim dá o calote porque “o preço das passagens é um absurdo e a qualidade não condiz com o valor que a gente paga, além do péssimo serviço oferecido” e que apesar disso, ainda assim é vantagem ir de trem porque “tem engarrafamento pra caralho, em todo lugar”.
Shu concorda com a amiga e ainda complementa dizendo que “o valor da passagem também complica muito, a passagem do trem, por exemplo, custa R$4,20 pra andar apertado, fodido, pegamos o trem 18:00 e não tinha mais lugar, nunca vai ter, se for de ônibus é um engarrafamento doido, perde maior tempão e é muito caro também”.
Como economizar dinheiro era o fator determinante nesse passeio, andamos cerca de 20 minutos até chegarmos à Praça Mauá, o trajeto era extremamente perigoso, mal iluminado, e só encontramos policiamento quando chegamos no local do evento. Estávamos com alguns equipamentos, e se não estivéssemos em grupo, teríamos que ir de ônibus ou VLT.
“É uma experiência maneira, mas é bem complicado, a gente mora bem distante e pra chegar aqui é ‘parcelado’, tem que pegar várias conduções, parece até que é de propósito, demos uma caminhada da Central até aqui, mas o certo seria pegar ônibus. Quem tem uma condição, faz isso”, completa Shu.
A segurança é uma grande preocupação da juventude que se arrisca em sair para se divertir em outras cidades e uma estratégia comum entre eles é andar sempre em grandes grupos, se possível com cinco ou mais pessoas.
Para Guga, transitar pelo Rio é perigoso, independente da hora, pois “hoje em dia a violência faz parte da nossa realidade diária, tanto no Centro do Rio de Janeiro quanto na Baixada. Você sai de casa sem saber se volta”.
Moonjay diz que a violência está em todos os lugares, inclusive dentro dos transportes públicos, e afirma que corre risco maior por ser mulher, pois é comum encontrar homens dentro da condução que acham que podem fazer o que querem com as mulheres. “É difícil”, lamenta.
A preocupação de Moonjay pode ser explicada facilmente em uma pesquisa sobre a segurança das mulheres no espaço público feita pela organização humanitária internacional ActionAid, realizada em 2013 em seis cidades de quatro estados brasileiros:
“77% das mulheres têm medo ao esperar o transporte público. Em Heliópolis, São Paulo, e no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, os números são acima da média geral: 92% (SP) e 91,1% (RJ) respectivamente têm medo de esperar sozinhas pelo transporte. No total, 43% de todas as mulheres perguntadas já sofreram algum tipo de assédio sexual dentro do transporte público. O número no Rio de Janeiro é superior ao da metade nacional: 66,1%” (apud PAULA & BARTELT, 2016, p.99).
Para Shu, a falta de segurança está também nas estações de trem, pois “só vemos os guardas nas estações de tarde, pra aloprar com os camelôs, depois eles somem, na rua o policiamento é escasso, mesmo quando tem, não dá pra confiar 100%”. E Guga complementa dizendo que “sua segurança pode depender do simples fato de o assaltante ir com a sua cara ou não, tanto os que estão lá pra te assaltar, quanto os que estão pra te ‘proteger’. Somos abordados por policiais como se fossemos marginais e até que se consiga provar o contrário, já levamos aquela revistada bruta, muito tapa, bico na canela… e a gente vai fazer o que em relação a isso?”
Chegamos e o evento já estava rolando, o Slam foi lindo, uma poesia mais bonita que a outra, visivelmente haviam muitos moradores de periferia que estavam ocupando um espaço geralmente frequentado pela classe média carioca.
Alguns poetas abordaram temas relacionados com a dificuldade de se deslocar pra outros lugares e a maior parte do público se identificou com os versos recitados, deixando bem nítido o descaso do governo com muitas regiões do Rio de Janeiro.
O evento terminou às 23h, então a galera se reuniu ao lado do Museu do Amanhã para bater papo. A conversa foi bem descontraída e após o Slam as mentes estavam fervendo, conversamos muito sobre os temas que foram abordados pelos poetas.
Quando o relógio marcou meia-noite todos ficaram apreensivos com o tal“Efeito Cinderela”.
Efeito Cinderela é quando os relógios marcam zero horas e os ônibus desaparecem como em um passe de mágica.
Moonjay afirma que “se der 23 horas e você estiver longe de casa, já sabe que não volta mais. Melhor arrumar um canto pra ficar porque sabe que não vai ter como voltar”.
Para Guga “é complicado sair da Baixada e ir pra qualquer lugar, porque não tem volta, o trem acaba às 22h. Por exemplo, já perdemos o trem hoje. Tem o ônibus que acaba às 23h e se a gente não correr, vamos perder até o ônibus da Tinguá que é R$8,20″.
Jovens de Morro Agudo trocando ideia sobre as várias dificuldades de se locomover no Rio de Janeiro.
E ele continua, “aí ficamos dependendo de van, que chega a cobrar R$10,00 por ser o único transporte, ou quando os amigos tão com uma condição maneira, geral junto, rola a ‘intera’ do Uber, que é o que tem salvado ultimamente, pois muitas vezes fica mais barato que a passagem, e o Uber ainda te deixa no seu destino exato”.
Partimos caminhando em direção à Central do Brasil, dessa vez fomos pela Pedra do Sal, pelo lado do Morro da Providência, pois o caminho da vinda era muito deserto e estávamos com receio de passar por lá, passamos por cinco viaturas da polícia militar até chegarmos ao nosso destino e uma cena intrigante se repetiu nas cinco vezes que passamos pelos policiais. Um policial estava fora do carro, com o fuzil de lado e o celular na mão, enquanto o outro dormia na viatura. Nós nos entreolhamos e continuamos andando, torcendo para que nada de ruim acontecesse.
Chegamos na Central do Brasil às 00:10, e, como imaginado, não havia mais ônibus, nem o ‘tarifão’, pois o próximo seria às três horas da madrugada, então fomos tentar a sorte na van, e depois de uma hora esperando chegou uma, e após dez minutos ela partiu sentido Queimados.
A passagem custou R$9,00 (nove reais), pois como era o único transporte disponível por ali naquele horário, eles costumam aumentar o preço a reveria.
Chegamos em Morro Agudo às 01:50 e pudemos concluir que o saldo do rolé de quase 08 horas, para curtir 04 horas e passar as outras 03 horas e 50 minutos em trânsito, foi até positivo, se levarmos em consideração que era uma segunda-feira, e que fomos de trem no contra-fluxo e na volta não havia transito.
Certamente essa experiência poderia ter sido ainda mais demorada e dolorosa num final de semana.
Quando os questionei sobre que solução poderia ser tomada para melhorar a qualidade do transporte público, Guga disse que as empresas de ônibus deveriam “primeiramente melhorar as condições de trabalho dos funcionários, pois eu já trabalhei em uma e era tratado como um escravo“.
Para Moonjay “os serviços são de péssima qualidade, a maioria não recebe uma limpeza apropriada, alguns motoristas não tem o menor cuidado pelas pessoas que transportam, outros sequer chegam a ter o preparo adequado antes de começarem a trabalhar”.
Já Shu, acha que “colocar mais trens, mais ônibus e organizar os horários” melhoraria bastante.
E quando o assunto foi o preço das passagens, Guga disse que “fazer as empresas pararem de sonegar impostos e baixar o valor da passagem pra no máximo R$2,50” já seria justo. E para Shu, justo mesmo seria “pensar em um jeito de aumentar os impostos das empresas e colocar algumas passagens de graça”.
Tô passando pra informar que o DJ Dorgo falou para o canal da Hulle Brasil sobre sua participação no Desafio RapLAB, onde participou de todo o processo de criação da música “dinheiro”, ao lado de Dudu de Morro Agudo, Shu e Passarinho.
Música produzida colaborativamente faz parte de projeto piloto que será lançado em 2018 pela startup Hulle Brasil e o Instituto Enraizados.
Dudu de Morro Agudo, Shu Rodrigues, Passarinho e DJ Dorgo se uniram em uma experiência inédita.
Durante cerca de um mês e meio, cinco artistas se reuniram para fazer música no subúrbio do Rio de Janeiro. Até aí não teria nada de novo, se estes artistas não estivessem conectados a um projeto que visa fortalecer e estruturar a cena do hip hop na região metropolitana do Rio, principalmente nos bairros de periferia.
A ideia é, além de desenvolver um guia para quem deseja empreender no rap, com informações sobre direitos autorais, registro, distribuição e comercialização das músicas nos meios físicos e digitais, também realizar formações e encontros entre intelectuais, profissionais da música e artistas.
DMA, Passarinho, Dorgo, Baltar e Shu
Por isso estão documentando todas as etapas da cadeia produtiva de um rap: formação, produção, distribuição, promoção, comercialização e exibição de serviços musicais, reunindo informações importantes e medindo a eficiência de algumas estratégias já utilizadas freqüentemente pelos artistas contemporâneos.
O piloto do projeto foi chamado de “Desafio RapLAB” e como produto surgiu a música “dinheiro”, que os rappers Dudu de Morro Agudo (38), Shu Rodrigues (24), Passarinho (19) compuseram depois de uma discussão filosófica sobre o significado do dinheiro na nossa sociedade. O interessante é que os rappers têm idades, visões, vivências e estilos completamente diferentes, o que deixou o música com um formato totalmente experimental e respeitando a “cultura do DJ”, o refrão, ao invés de ser cantado, foi construído com colagens e scratches do DJ Dorgo (23).
Compuseram a música depois de uma discussão filosófica sobre o significado do dinheiro na nossa sociedade
A música e o videoclipe da música “Dinheiro” foram lançados no último dia 12 de outubro, no canal da Hulle Brasil, no Youtube.
Gravar um videoclipe não é tarefa fácil, mas gravar um videoclipe inteiro em plano sequência é uma tarefa bem mais complicada, ainda mais quando tem quatro personagens, roteiro e direção.
Sabendo que seria um desafio grande, Dudu de Morro Agudo chamou quem tem experiência na área, a galera da produtora RoloB, Camila Guimarães e Higor Cabral, especialistas em produzir clipes de rap de baixo custo e altíssima qualidade.
“Eu estava muito preocupado com a estética do clipe também, além de ser em plano-sequência, eu queria que fosse algo com uma pegada documental, meio teatral, e a RoloB sabe bem como fazer isso”, revela Dudu de Morro Agudo, idealizador do projeto.
O projeto, que contou com a parceria de uma série de profissionais e empresas, faz parte de um projeto bem maior que será lançado em 2018 e, segundo os realizadores, mexerá com a cena hip hop em todo o Rio de Janeiro.
“Estamos conversando com a OneRPM, a Spotify, o SEBRAE, a UBC e outros parceiros para realizar um primeiro seminário que acontecerá na Casa de Cultura de Nova Iguaçu”, afirma Fernanda Rocha, da produtora da Hulle Brasil.
Os fãs do hip hop começarão a sentir a diferença em meados de 2018, quando a Hulle Brasil promete inflar a cena com dezenas de novas músicas e videoclipes de artistas iniciantes e veteranos do rap carioca. A empresa afirma que não agenciará nenhum artista, apenas colocará em execução um novo modelo de negócios.
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