No início de tudo, quando entrei pela primeira vez no site da UFF, para me informar sobre o Mestrado em Educação, não tinha certeza de nada. Inclusive tinha bastante dúvida, mas o que importava pra mim naquele momento era o percurso, a viagem, então somente viajei.
As etapas foram experiências incríveis, desde a elaboração da proposta de pesquisa, a atualização do meu curriculum vitae na plataforma Lattes, do CNPQ, da estratégia de estudo para a minha preparação para a prova, depois para a prova de inglês, até a tão esperada entrevista. O relógio era meu amigo em todos os momentos, o controlador do tempo.
Cada degrau que eu subia me colocava mais perto do chão, até que veio a “inesperada” notícia, eu estava dentro, eu era o mais novo mestrando da UFF, e então meus pés se fincaram de uma vez por todas no chão da realidade.
Eu tinha uma prazo muito curto para organizar minha vida para enfim receber o desafio do mestrado. A missão de escolher uma creche para o meu pequeno filho de apenas um ano talvez tenha sido a parte mais dolorosa, mas foi apenas uma delas.
Era tudo muito novo, uma nova realidade que me causava calafrios e angústias.
O mundo às vezes ficava em câmera lenta e derrepente acelerava, o relógio já não era uma aliado como antes.
E então chegou o grande dia. A primeira aula. Acordei às 04:30 da manhã, pois não queria me atrasar. Minhas mãos suavam cada vez mais a cada um dos cinquenta quilômetros que separavam a minha casa da universidade Federal Fluminense.
Minha barriga doía, eu sentia um forte aperto no peito como se estivesse engolido uma bola de tênis. Um peso sobre os ombros que eu não conseguia explicar e nem mesmo entender o motivo. Talvez fosse a tal ansiedade.
Quando pisei na sala de aula, olhei para cada um dos meus cinco novos colegas e imediatamente reparei o quanto éramos diferentes fisicamente. A professora, com toda sua experiência, conduzia com maestria a aula, tentando – e conseguindo – nos deixar mais à vontade, as suas palavras eram como uma massagem que me trazia tranquilidade e deixava o meu corpo e minha alma mais leves.
Em uma dinâmica de apresentação pude perceber que eu e meus colegas não éramos diferentes só fisicamente, pois cada um de nós tinha um histórico de vida totalmente diferente do outro, contudo ao mesmo tempo sentia que cada um deles era uma parte de mim, principalmente em suas angústias.
Enfim fiquei bem. Minha respiração aos poucos voltava ao normal, meu coração já não estava tão acelerado e as dores foram desaparecendo.
Neste momento eu procurava me dedicar em apenas prestar a atenção em cada uma das histórias contadas por meus colegas. Quando necessário a professora intervia com comentários que nos orientava a respeito dos nossos próximos dois anos juntos, principalmente no controle do nosso ego. Afinal, somos mestrandos da UFF.
Nós somos diferentes sim, nossas histórias de vida são bem diferentes uma das outras, mas nossas vontades e objetivos são os mesmos.
Desejamos transformar o mundo em um lugar melhor, menos desigual, e cada um de nós acredita que o caminho para o sucesso dessa empreitada é a educação, e é isso que nos move, foi essa certeza que colocou cada um de nós sentados ali.
Esta é a utopia que nos move e faz com que nossas diferenças sejam habilidades individuais para uma luta coletiva.
Somente pessoas diferentes são capazes de construir um mundo mais igualitário.
Espero, sinceramente, que a história acima te motive a lutar pelo que acredita, que te mostre que “é possível”, talvez não seja fácil, ou melhor, não será fácil, mas é possível.
E se eu puder ajudar de alguma forma, por favor, entre em contato comigo. dududemorroagudo@gmail.com
Olá leitores e leitoras da minha coluna no Portal Enraizados, hoje vou tratar de um assunto que já venho falando há algum tempo: “o rumo que o rap tá tomando”.
Sem querer bancar o paizão ou o dono da verdade, mas sinceramente acho que minha opinião tem que valer alguma coisa, pois já são 20 anos da minha vida que me dedico a essa cultura e fico triste em presenciar algumas coisas que vão contra o que aprendi no hip hop, principalmente os valores dessa cultura.
Hoje, dando um rolé pelo feed do twitter vi uma postagem de um mano da antiga falando sobre uma briga entre rappers numa festa do Rio de Janeiro. Depois de um tempo ví o vídeo da tal briga no facebook, onde um rapaz narrava euforicamente que o BK estava colocando o Costa Gold pra ralar. Depois ele gritava: – Rala São Paulo, rala São Paulo.
Logo depois li que o BK e o cara do Costa Gold disseram que nem estavam na tal festa ou na tal briga, contudo a briga rolou e o nome deles estava sendo citado, o que indica que já rola alguma treta. Na minha época de pista, se rolasse esse tipo de treta, metade tava morto e metade tava preso. O rap é pra ter respeito pelo outro, é coisa de “sujeito homem” ou “sujeita mulher”, ou seja, lugar de quem tem compromisso.
Outro dia um louco falou merda do Dexter e ele foi atras pra cobrar, pra tirar satisfação.
Outro dia meu nome tava rolando em grupinho de WhatsApp e fui atrás pra cobrar também, mas como sempre não passava de recalque. E é sempre a mesma história, quem fala merda pela internet, quando chega no cara a cara amarela.
Mas a imaturidade desse tipo de atitude pode gerar um mal-estar muito grande dentro do movimento, além de prejudicar o trabalho de quem realmente tá levando o negócio a sério.
Enquanto isso o Brasil tá vivendo um caos e parece que parte do hip hop tá vivendo na Matrix, no “Fantástico mundo de Bob”.
Mano Brown disse em uma entrevista que ele não é pessimista, e sim realista. Ele se posiciona e toma porrada o tempo todo. O Emicida se mantém longe das tretas e sempre se posiciona por aquilo que realmente é relevante, o coletivo, e toma porrada o tempo todo.
A gente tinha que estar mais unido, respeitando e fortalecendo os nosso irmãos, principalmente os que estão trabalhando em prol da cultura.
Mas a maioria tá buscando cliques e views, e às vezes coloca os pés pelas mãos, querem ser descolados(as) e se mostram racistas. Atos racistas dentro do hip hop!!! Inimaginável há tempos atrás.
Nesse caos gravo meu novo disco, cujo o nome provisório é “O Dever Me Chama”, previsto pra ser lançado no dia 06 de março, onde defendendo meu ponto de vista, e mostro que estou pronto pra lutar pelo que acredito.
Principalmente porque o parte do rap está brigando ao invés de lutar.
Os artistas fake do hip hop prejudicam os que querem trabalhar com profissionalismo
Olá leitores da minha coluna aqui no Portal Enraizados, hoje vou tratar de um assunto delicado, que pode mexer com egos, mas que é extremamente necessário. Vou falar dos MCs, grafiteiros, Bboys e DJs que não levam suas carreiras a sério, os chamarei aqui de “artistas modinha”.
Vamos lá?
Vejo diariamente artistas cujo objetivo principal está em esperar o fim de semana chegar para ir pras rodas culturais participar das batalhas de MCs com suas “rimas decoradas”, ou fazer graffitis com “os mesmos traços” do gringo que ele segue no instagram, ou mostrar que sabe fazer um “moinho de vento” que aprendeu há dez anos, ou, no caso dos DJs modinha, “syncá” em sua controladora.
O que eu vejo todos os dias são os “artistas modinha”, uns imitando os outros.
Se o seu objetivo não é se tornar um fenômeno viralizador, precisará trabalhar duro para construir uma carreira sólida, que conseguirá passar pelas adversidades que certamente virão, e trabalhar duro significa estudar muito, gerenciar sua carreira e investir pesado nela.
Os pseudo-artistas fazem um desserviço à cultura hip hop, criando uma bolha que faz parecer que o movimento está em alta, quando na verdade está cheio de artistas medíocres que ocupam o lugar dos que realmente têm algo relevante para mostrar.
Você que é MC, BBoy, Grafiteiro e/ou DJ, já se perguntou onde você quer chegar e até onde você está disposto a ir?
O quanto você acredita na sua carreira?
E quanto você está disposto(a) a investir nela?
Não é novidade que as Rodas Culturais– ou também conhecidas como Rodas de Rima – são um fenômeno em todo o estado do Rio de Janeiro, principalmente para as juventudes das periferias. Um fenômeno que surge a partir da necessidade de a juventude se expressar, se divertir e driblar a miséria social.
Nota-se que com o sucesso da atividade vieram também uma série de problemas que nem sempre está ao alcance de quem produz, resolver.
Lembro-me que há um ano, ou um pouco mais, tentei iniciar uma discussão cujo a finalidade era enumerar as diversas demandas do hip hop local, culminando num Fórum de Hip Hop da Baixada Fluminense, pontuando nossas fraquezas, mas também nossas forças, pois acreditava – e ainda acredito – que na Baixada existe um mercado de cultura urbana auto-suficiente que ainda não foi explorado.
Juntos percebemos que em algumas rodas havia um consumo excessivo de drogas; a estrutura do local não era adequada; havia uma resistência do poder público em conceder as autorizações para ocupação do espaço; a segurança era nula; entre outros problemas. Por outro lado estávamos mais profissionais, mais organizados, o diálogo entre os produtores e artistas estava satisfatório e o público estava satisfeito com os eventos.
Nossos encontros que começaram com cerca de 50 pessoas foi definhando até o ponto onde só haviam pessoas ligadas ao Enraizados, então joguei a toalha, pois acreditei que as pessoas não queriam fazer a parte chata do dever de casa e pra mim não fazia nexo criar um Fórum de Hip Hop da Baixada Fluminense somente com integrantes do Enraizados, seria mais fácil criar um Fórum de Hip Hop do Enraizados. O que estou muito tentado a fazer.
Roda de conversa na Casa de Cultura de Nova Iguaçu
Contudo, no dia 29 de julho, sábado, surgiu uma luz no fim do túnel. Aconteceu uma reunião com as Rodas de Rima de Nova Iguaçu, convocada pela Secretaria de Cultura da Cidade. Compareceram representantes de 05, das cerca de 15 rodas, e também representantes de Rodas de Rimas de outras regiões, além do Capitão Pacífico, da Polícia Militar.
Após uma roda de apresentação, foi colocado em pauta as fragilidades das Rodas de Rima da cidade, que nada se diferenciavam das identificadas nas reuniões anteriores, contudo desta vez parecia que parte da solução estava presente, pois a Secretaria de Cultura se comprometeu em, junto com os produtores, criar um Circuito de Rodas de Rima, com uma agenda única, para facilitar a liberação dos locais por parte do poder público (essa liberação será solicitada pela própria Secretaria de Cultura) e também um mapeamento dos locais que precisam de reparos, pois através do projeto Praça Viva, da própria Secretaria de Cultura, é possível revitalizar as praças para que receba melhor os eventos.
O capitão Pacífico por sua vez disse que o diálogo com os produtores fica mais fácil quando os mesmos estão organizados e que a polícia atualmente chega reprimindo as rodas de rima porque sempre há denúncias relacionadas ao uso e venda de drogas nos eventos, mas se a conversa partir de forma organizada e com a prefeitura como parceiro, o policiamento será preventivo.
Eu, Dudu de Morro Agudo, saí bastante animado da reunião, e disposto a colaborar com a Roda Cultural de Morro Agudo, com a Batalha do Federa, com a Roda Cultura de Rima de Santa Eugênia e tantas outras. E ainda convenci a galera do Portal Enraizados a criar um mapa com todas as Rodas de Rima da Baixada Fluminense, para que fique mais fácil para nós agendarmos a nossa diversão da semana.
Certamente que com os produtores, os artistas e o poder público jogando no mesmo time, as Rodas de Rima da cidade saem fortalecidas.
Quem tá ligado nas redes sociais viu que o Prefeito de Belford Roxo, Waguinho, do PMDB, tá dando exemplo de mau uso do dinheiro público.
Com tantas coisas para fazer na cidade, ele viu prioridade em destruir o “pórtico” que dava boas-vindas na entrada da cidade e, claro, construir outro.
Por conta desse e outros descasos por parte do governo, o povo vai para a praça gritar para ser ouvido pela prefeitura, por uma prefeitura democrática.
Quem está organizando o “Ato Contra o Desmonte” é um notório morador da cidade, Rafael Andrade, professor e militante.
“Esperamos reunir todos os indignados com as atrocidades que a atual prefeitura tem feito. Isso é um desmanche de uma história e a retirada dos símbolos na tentativa de apagar a nossa memória, a nossa história. Queremos questionar o poder público sobre as prioridades do município”, disse Rafael.
SERVIÇO
Ato Contra o Desmonte de Belford Roxo – Qual a Prioridade?
Praça Eliaquim Batista
Centro de Belford Roxo
28 de julho – 17 horas
Em uma ordem cronológica apresento pra vocês os 10 videoclipes de rappers da Baixada Fluminense que considero mais emblemáticos. Os critérios que utilizei são roteiro, performance dos MCs, produção, locação, entre outros…
Neste ano de 2017 foram produzidos muitos videoclipes, e muitos são bons de verdade, contudo alguns mais antigos tiveram um impacto muito positivo para a região na época, então também precisei considerar este fator.
Espero que gostem da lista, mas lembrem que não coloquei do melhor videoclipe para o pior e nem vice-versa, os clipes estão em ordem cronológica e o intuito aqui é apresentar para vocês alguns artistas e clipes que eventualmente vocês não conheçam, e não instigar uma disputa sem sentido (mas se rolar tudo bem, rsrsrsr).
Quem discordar da minha lista pode deixar mensagens nos comentários, vai ser um prazer trocar essa ideia com vocês e também conhecer mais clipes.
01) WSO – Crime perfeito (2017)
02) Aogiro – Muda nada (2017)
03) Léo da XIII – Novos Planos (2016)
04) Einstein NRC – Einstênio (2016)
05) Marcão Baixada – Baixada em cena (2014)
06) Slow da BF – Baixada (2013)
07) Marcio RC – Virtudes (2012)
08) Kapella – Noiztapafica (2012)
09) Pêvirguladez – Eles não moram no morro (2011)
10) Vou deixar o décimo por conta de vocês.
Qual o clipe que não citei aqui que vocês acham que deveriam entrar nesta lista? Coloque o link nos comentários.
Após mais de um mês sem Ministro da Cultura, o presidente fora-Temer indica o jornalista Sérgio Sá Leitão como o novo Ministro.
Pra quem não tá ligado(a) logo depois de efetivar o golpe, fora-Temer acabou com o Ministério da Cultura, juntando-o com o Ministério da Educação, o que gerou uma série de protestos pelo Brasil agora, inclusive a ocupação do prédio Gustavo Capanema, onde funciona o Minc no Rio de Janeiro.
Fora-Temer voltou atrás e anunciou o Marcelo Calero– na época secretário de cultura do Rio de Janeiro – como novo Ministro. O fato é que ele já havia convidado uma série de pessoas para o cargo, mas ninguém aceitou.
Calero pede demissão sete meses depois, após revelar uma sujeira osquestrada pelo, na época Ministro de Governo, Geddel Vieira Lima, que estava o pressionando para que ele intervisse para que o Iphan liberasse uma obra em Salvador, onde Geddel teria um apartamento (conseguido sabe-se lá de que forma), mas fora-Temer defendeu Geddel e então Calero meteu o pé.
Geddel foi preso no último mês por outros crimes, mas infelizmente agora está em prisão domiciliar.
Com a saída de Calero, quem assumiu a Ministério da Cultura foi o Deputado Federal Roberto Freire (PPS-SP), que pediu demissão seis meses depois, assim que divulgaram a gravação do fora-Temer como Joesley Batista, o dono da JBS (Friboi e Havaianas), sim ele também é dono das sandálias Havaianas que tá no teu pé.
Então João Batista de Andrade assumiu a batata quente como interino, mas pediu pra sair antes mesmo de entrar.
Em uma entrevista para a BandNews ele disse que o Ministério da Cultura é uma verdadeira furada porque não tem dinheiro na pasta, não dá pra fazer nada, é só aborrecimento.
A pasta já sofria vários cortes no orçamento desde os últimos governos. Mas só em 2017 houve um corte de 47% no orçamento do Minc, sim, eu disse 47%, diminuindo pela metade aquilo que já estava ruim.
A partir daí, ninguém em sã consciência queria segurar esse elefante branco, mas sabe-se lá Deus porque, Sérgio Sá Leitão aceitou.
Quem é Sergio Sá Leitão?
Sérgio Sá Leitão é graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi repórter e editor do Jornal do Brasil e da Folha de S.Paulo, e na década de 2000 migrou para a carreira de cineasta, como diretor de filmes, documentários e propagandas.
É co-autor dos livros “Futebol-arte: a cultura e o jeito brasileiro de jogar” (1998) e “Marketing esportivo ao vivo” (2000), entre outros.
Entre 2003 e 2006, Sá Leitão foi Chefe de Gabinete do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, e Secretário de Políticas Culturais do MinC. Em maio de 2006, assumiu o posto de assessor da presidência do BNDES, atuando na criação do Departamento de Economia da Cultura e do Programa de Apoio à Cadeia Produtiva do Audiovisual (Procult). No MinC, coordenou os programas Copa da Cultura, Música do Brasil, CulturaPrev e Economia da Cultura, entre outros.
Em 2007, foi nomeado assessor de diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine). No ano seguinte passou a diretor do órgão, com mandato até 2010. No entanto, em janeiro de 2008 deixou o cargo para presidir a RioFilme, a convite do prefeito Eduardo Paes.
Também foi secretario municipal da Cultura do Rio de Janeiro entre 2012 e 2015.
É possível realizar uma uma transformação cultural num bairro decadente e abandonado pelo poder público e torná-lo uma das áreas mais promissoras e visitadas da sua cidade?
A primeira vez que falei que faria algo do tipo em Morro Agudo algumas pessoas riram de mim, imagino que quando Tony Goldman, empresário americano, falou que faria o mesmo em Little San Juan, conhecida atualmente como o distrito de Wynwood, em Miami, nos Estados Unidos, as pessoas também riram dele.
O bairro era até pouco tempo atrás um território bastante hostil. Violência, drogas, armas, prostituição e gangues se sentiam confortáveis em um enclave não muito distante do centro de uma cidade que ainda tem na memória o estigma do crime e da corrupção, que a marcou na década de oitenta. Cinco anos atrás, Wynwood ainda era um desses lugares onde é melhor não entrar por engano.
Hoje, mal restam vestígios desse passado sinistro, e a região está vivendo uma efervescência cultural, social e econômica quase sem comparação nos Estados Unidos. O milagre foi da obra da arte de rua, das centenas de artistas que transformaram, e continuam transformando diariamente, a fisionomia antes deprimente de suas ruas, que se tornaram uma gigantesca pintura que salpica de cores vivas de cada casa, cada loja e cada esquina.
Marcão Baixada em Wynwood, Miami
Em 2015, o Wynwood Art District foi nomeado como um dos 4 melhores bairros dos Estados Unidos pela American Planning Association (APA).
Eu, por outro lado cresci longe de Miami, mas num bairro tão zoado quanto Wynwood. Em Morro Agudo, bairro da cidade de Nova Iguaçu, área onde inicialmente era a Fazenda Japeaçaba, de propriedade do Conde de Iguaçu, e que tempos depois passou a receber o nome de Bonfim de Riachão, e posteriormente, Morro Agudo, em homenagem à Fazenda Morro Agudo. Hoje em dia o bairro também é conhecido como Comendador Soares, graças ao comendador Francisco José Soares, dono da fazenda. Mas a população prefere Morro Agudo.
Durante todo o esse tempo o bairro teve pouco progresso e as melhorias urbanas mais relevantes iniciaram-se no ano de 1931, quando foi aberta a Rua Tomás Fonseca, principal rua do bairro, ligando até a estação de trem, que foi pavimentada em 1951.
Eu ouvi muitas vezes que nada de bom havia no local. Cansei de ouvir também que quem melhorasse de vida financeiramente deveria sair do bairro, e vi muitos irem embora.
Na minha infância muitos dos meus amigos foram assassinados, quase sempre um matava o outro por conta de brigas sem sentido, crimes menores e drogas. Nunca um crime foi investigado. Não havia policiamento. O esgoto era a céu aberto na maioria das ruas. Não haviam atividades culturais para os jovens. A única coisa que havia era um total descaso por parte do poder público. Estávamos literalmente entregues a nossa própria sorte.
Contudo, sempre enxerguei em Morro Agudo um grande potencial, pois além de atualmente ser um dos bairros mais importantes da cidade de Nova Iguaçu, há uma grande concentração de artistas – muito bons – e está localizado estrategicamente entre a rodovia Presidente Dutra e a linha férrea, possibilitando diversas formas de entrar e sair do bairro.
Comecei a viajar para alguns lugares do mundo e conheci alguns bem legais, e sempre imaginei que algumas coisas poderiam ser replicadas em Morro Agudo, meu objetivo sempre foi criar algo para ‘enriquecer’ a comunidade, impactar positivamente na economia local, na educação, aumentar a auto-estima dos moradores e inspirar iniciativas semelhantes ao redor do país e quem sabe do mundo.
Dudu de Morro Agudo em Wynwood, Miami
De todos os locais que conheci, Wynwood foi o que mais me chamou atenção, pois lá o graffiti fez toda a diferença e eu tenho certeza que o graffiti também será o carro chefe que realizará essas transformações no meu bairro e consequentemente na minha cidade.
Há um ano idealizei o Galeria 20-26, projeto que tem como objetivo criar painéis grafitados nas principais ruas do bairro, principalmente nas ruas por onde passam os ônibus intermunicipais, criando uma galeria de arte urbana a céu aberto. A ideia é iniciar uma relação com os moradores para que cedam seus muros para a arte, e também um intercâmbio entre grafiteiros do bairro com grafiteiros de outras regiões.
Com isso pretendo deixar a arte do graffiti em mais evidência na região, assim como os artistas, e consequentemente aumentar a procura pela arte, principalmente pela juventude local, pois assim formaremos novos artistas e haverá uma expansão natural do projeto. O intuito é deixar o local mais bonito e fazer com que cada vez mais pessoas circulem pelo bairro, para pintar ou somente para apreciar os graffitis.
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É claro que tudo isso orbita em torno do Instituto Enraizados, organização de hip hop que criei há 18 anos e cujo a sede é o bairro de Morro Agudo. Veja bem que eu não disse que a sede é “em” Morro Agudo, mas “o” bairro de Morro Agudo, pois acredito que vamos impactar todo o bairro através da cultura hip hop, e quando eu digo impactar, quero dizer nas escolas, na economia, na segurança pública, no transporte, na política, resumindo, impactar a sociedade de diversas formas diferentes, porém conectadas.
Durante esses 18 anos, os quais 10 anos foram dedicados quase que exclusivamente ao bairro, já tivemos um grande progresso, pois centenas de pessoas de diversos países como Estados Unidos, França, Alemanha, México, Curaçao, Chile, Cuba, Portugal, Etiópia, Irlanda, Itália, Uruguai, Colômbia, Canadá, entre outros, já estiveram no bairro para colaborar com o Enraizados, praticar suas artes e/ou interagir com outros artistas, tudo de forma bem orgânica, contudo nos próximos dez anos, pretendo intensificar e focar em atividades que tragam cada vez mais pessoas para o bairro.
Nossas atividades de intercâmbio são eventos como o Caleidoscópio e o Sarau Poetas Compulsivos que tem a missão de conectar o bairro com outros locais, assim como os artistas. E anualmente atingimos diretamente 2.000 pessoas, trazendo muita gente de fora para o bairro.
No próximo ano inauguraremos o Espaço Enraizados, um centro cultural para prática e promoção da cultura urbana, e tenho certeza que terá um impacto muito positivo no bairro e e será muito importante para o hip hop na região. Será um espaço com biblioteca, estúdio de gravação, núcleo de comunicação (rádio, TV e revista), espaço multi-uso para cursos, seminários, ensaios e co-working e um dormitório para que artistas de outros locais possam passar a noite no bairro.
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Com um ano e meio do projeto Galeria 20-26 conseguimos realizar cerca de 07 painéis no bairro, com 26 grafiteiros, da Baixada, do Leste Fluminense, da Zona Oeste e da Zona Norte. Nossa expectativa era que somente a partir de 2019 os turistas começassem a circular pelo bairro, contudo em 2016 a Casa Fluminense e os parceiros da Campanha #Rio2017, que estavam num projeto que previa pedalar de Japeri a São Gonçalo, fizeram uma parada em Morro Agudo para conhecer a Galeria 20-26 e ainda almoçaram no Buteco da Juliana, um bar onde acontecem muitas atividades culturais no bairro.
Em 2017 aconteceram 03 intercâmbios internacionais no Espaço Enraizados, trazendo pessoas dos Estados Unidos e da França para Morro Agudo.
Esses fatos me faz acreditar que em 2018, quando o Espaço Enraizados será inaugurado, poderemos trazer cerca 120 grafiteiros de diversas partes do mundo para o bairro para pintar pelo menos 12 painéis durante o ano, contudo acreditamos também que outros painéis serão criados por iniciativa dos próprios artistas e moradores. Além destas atividades, o Instituto Enraizados realizará também muitas outras com os outros elementos da cultura hip hop, tudo isso sendo divulgado e documentado pela nossa equipe de mídia alternativa, criando um ecossistema de inovação.
A referência a “ecossistemas de inovação” remete claramente para a analogia aos ecossistemas biológicos pondo em evidência a multiplicidade, a interdependência e o fenômeno de co-evolução entre os atores que o compõem, todos irmanados num objetivo comum, a evolução dos participantes.
Esse conjunto de atividades e atores nos dá força o suficiente para fazer com que 10.000 pessoas se desloquem para vivenciar e contribuir com nossas atividades culturais anualmente.
Os vídeos em 360 estão em alta, até a televisão está fazendo programas utilizando o formato. O ruim é que uma câmera que grava em 360 graus é muito caro (e não é todo mundo que quer ver sua vida sem graça em 360 graus), então porque investir?
Eu, particularmente, não tenho vontade de comprar um equipamento desses, mas gostaria de testá-lo.
Baseado nisso, a empresa Papero Inc, criou um app que permite fazer vídeos 360 interessantes sem uma câmera 360.
Na verdade é uma rede social que te permite gravar uma “fatia” de vídeo panorâmico das pessoas ao seu redor ao mover seu celular em um arco, a partir daí adicionar filtros e textos e compartilhar com seus seguidores. Sim, você também pode seguir outros usuários e ser seguido. E o melhor, você pode salvar os vídeos no seu celular e compartilhar em outras redes sociais.
Eu ainda estou me acostumando com o aplicativo, ainda não estive num lugar legal, mas o pouquinho que fiz, ficou bem legal.
O ruim (ou não) é que o app só é compatível com iPhone, iPad, and iPod touch.
O sol nem havia nascido e a casa de Yatta já estava um caos. Jamila aos prantos, fazia a mesma pergunta dezenas de vezes: – Por que?
Yatta assustado, ainda de pijamas, com os olhos entreabertos não entendia bem o que estava acontecendo. Aos poucos observou que havia um objeto na mão de sua esposa. Pôde identificar. Era o seu telefone celular.
Concluiu que o problema estava em seu celular, mas o que seria?
– Por quê? Perguntou mais uma vez Jamila.
– Não estou entendendo Jamila, pode me explicar o que está acontecendo?
– Quem é essa mulher Yatta? Você não poderia ter feito isso comigo. Logo eu que me dedico tanto ao nosso casamento.
– Mas que mulher? Do que você está falando?
Então Jamila o entrega o aparelho telefônico, e nele havia uma mensagem bastante incriminadora.
Nesse momento, Yatta, que era um jovem bastante sério e dedicado a sua família, se viu entre a cruz e a espada, pois para se livrar dessa sinuca de bico teria que entregar o segredo de um de seus melhores amigos, Kashore.
Acontece que na noite anterior, Kashore pediu o telefone de Yatta para enviar um SMS para Zaina, uma jovem negra, de olhos bem grandes que mais pareciam jabuticabas maduras, e que trabalhava na imobiliária onde Kashore havia alugado seu novo escritório.
Eles haviam se encontrado algumas vezes para tomar uns drinks no centro da cidade. Yatta já havia avisado a Kashore que isso certamente não daria certo, pois Hudham, sua esposa, era brava e esperta demais e certamente descobriria a aventura do amigo. Contudo deixou claro também que não queria participar disso, pois poderia sobrar pra ele.
Dito e feito.
A vida de Yatta havia se tornado um inferno, o próprio demônio orquestrava o caos em sua sala de estar. Então ele não teve escolha e contou toda história para sua esposa.
– Jamila, você me conhece e acredita no meu amor por você? Você acha que eu teria motivos para te trair?
– Eu já não sei mais em que acreditar. Meu ódio é justamente por isso, não consigo entender.
– Vou te contar o que está acontecendo. Essa mensagem que você viu, foi o Kashore que enviou para uma mulher chamada Zaina, uma jovem com quem ele está tendo um caso.
– Yatta, você não tem vergonha de envolver seus amigos em seus problemas? Você está acusando o Kashore, isso é sério demais. Se a Hudham sonha com uma coisa dessas, o mata.
– Mas é a verdade, você pode perguntar pra ele, ele não vai negar.
– Yatta, eu já liguei pra ela. Ela em momento algum falou no nome do Kashore.
– Mas ela falou meu nome? Questionou Yatta.
Nesse momento a esposa ficou quieta.
Jamila já havia ligado para Zaina e descarregado todo seu ódio na jovem, que por sua vez disse não saber que “ele” era casado.
– Senhora, desculpe-me!!! Ele não disse que era casado. Eu jamais me envolveria com um homem casado.
– Senhora? Você está me chamando de senhora sua vagabunda? Você está se achando?
– Não, isso é apensa um sinal de respeito, pois não a conheço.
– Nem queira me conhecer. Fique longe do meu marido senão eu te mato… e mato ele também.
– Nunca mais chegarei perto do seu marido, pode ficar tranquila.
Nesse momento Jamila percebe que tempo algum tocou no nome do marido e que talvez a história dele pudesse ser verdade, contudo a bomba maior ainda estava para explodir.
Yatta conseguiu acalmar sua esposa e a chamou para dormir, pois ainda eram 07:30 da manhã. E prometeu que assim que acordassem resolveria as coisas.
Por volta das 08:00 da manhã, Zaina já havia ligado para Kashore e dito que a mulher dele ligou pra ela e a humilhou. Ela realmente não sabia que ele era casado.
Quando recebeu a ligação, Kashore estava a caminho do trabalho e em total desespero pegou o primeiro retorno e voltou pra casa. Chegando, encontrou sua esposa sentada na sala de estar, com a cabeça baixa, olhos lacrimejantes e com uma leve olheira.
Kashore achando que a mulher estava triste por causa de seu caso extraconjugal começou a desculpar-se:
– Querida, eu posso explicar. Ela não significa nada pra mim.
Hudham olhou para o marido e mesmo sem entender, não esboçou nenhum tipo de reação, pois sabia que algo de muito errado estava acontecendo.
Então Kashore continuou sua confissão.
– Foi um momento de fraqueza. Isso não vai mais acontecer.
– Kashore, senta aqui do meu lado e me conte a sua versão desta história.
Nesse momento Kashore abriu seu coração e contou tudo, tudo mesmo.
Horas depois Kashore chega com uma mala na casa do Yatta dizendo pro amigo que algo de muito estranho havia acontecido e perguntando se ele poderia ficar uns dias no seu quarto de hóspedes, até que ele pudesse resolver as coisas.
No fundo da sala estava Jamilla fuzilando Kashore com os olhos.