Tag: UPP

  • DMA participa de grupo, da Casa Fluminense, que entrevistou o coronel Robson Rodrigues

    DMA participa de grupo, da Casa Fluminense, que entrevistou o coronel Robson Rodrigues

    DMA (Dudu de Morro Agudo) fez parte de um time formado por Pedro Strozemberg, Henrique Silveira, Silvia Ramos, Tião Santos, Chris dos Prazeres, André Rodrigues e Anabela Paiva, que ontem (03/02) entrevistou o chefe do Estado-Maior, coronel Robson Rodrigues, para o portal ForumRio.Org, no formato Roda Viva.

    20150204-01-coronelrobsonO Coronel Robson Rodrigues da Silva é formado em Direito pela UERJ e mestre em Antropologia pela UFF. Autor do livro “Entre a caserna e a rua: o dilema do “pato””, uma análise antropológica da identidade policial militar, a partir da Academia Dom João VI. Integrou a PM em 85, e de lá pra cá já comandou o Batalhão Choque, foi Coordenador da Coordenadoria de Análise Criminal (CAC) e Coordenador Geral de Polícia Pacificadora (CPP), ajudando a estruturar e a implantar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no estado do Rio de Janeiro.

    DMA focou sua pergunta na abordagem da polícia militar, que segundo ele, se diferencia baseada em três fatores: étnico, social e territorial. Exemplificando que uma abordagem a um jovem negro da Baixada Fluminense é sempre mais truculenta do que uma abordagem a um jovem branco da zonal sul do Rio de Janeiro.

    O resultado dessa entrevista será publicado em breve no portal ForumRio.Org, mas você já pode conferir outros artigos muito interessantes do portal.

  • Governar pra quem?

    Governar pra quem?

    No próximo domingo, dia 26/10/2014 haverá o maior acontecimento da história do planeta, é verdade, também haverá eleição, mas nesse caso eu falo do meu aniversário.

    E nada mais extraordinário do que comemorar um aniversário exercendo o meu papel de cidadão votando em alguém que vai MANDAR no meu bairro, na minha rua com e sem buracos, na minha cidade, no meu bolso, nos hospitais que eu usarei, na escola que o meu filho vai frequentar, na universidade que eu estudo, na polícia que me achaca na rua, no controle da bandidagem que invadiu o meu bairro, no poste que fica em frente a minha casa sem iluminação pública enquanto eu pago 14 reais por mês pra ter direito a essa iluminação, na minha conta de água, de luz, de internet, no gás de cozinha, no combustível do meu carro, em fim, em tudo que se relaciona com a minha vida, porque na minha vida mesmo, quem governa é Deus.

    Eu fiz essa pequena explanação para que as pessoas que votam em qualquer um tentem imaginar o quanto é importante o voto. E para finalizar essa sacodidela, ainda me resta dizer que nas eleições é um dos 2 momentos em que o pobre e o rico se equiparam em valor, todos os dois valem a mesma coisa (um voto), a outra forma do pobre se equiparar ao rico é quando estamos no banheiro e escutamos alguém bater na porta, ambos falamos: “Tem gente!”. Fora isso, somos bem diferentes e é por isso que precisamos prestar muita atenção em quem votamos, porque podemos estar votando justamente na pessoa que vai governar para o outro lado e desfavorecer o nosso, ou melhor, puxar a brasa pra outra sardinha e deixar a gente na mão.

    Eu já escolhi os meus candidatos e usei os seguintes critérios:

    – Não votarei em candidato barulhento que me tiram a paz e sossego do meu silêncio, principalmente se eu estiver na minha casa, o que significa dizer que pode ser o melhor candidato do mundo se passou o seu carrinho de som na porta da minha casa ligado, perde o meu voto.

    – Não votarei em candidato que tornou a minha vida mais perigosa, o que significa dizer que aquele candidato do governo que implantou as UPPs na capital e que por isso os bandidos armados até os dentes, alguns com armas que são maiores que eles, vieram pro meu bairro ou proximo a ele, perdeu o meu voto.

    – Não votarei em candidato que trabalha para uma pequena parcela da sociedade e deixa os pobres morrendo a mingua e fingem com o maior descaramento que trabalha para a “integração nacional”.

    – Não voto em candidato que não respeita a autoridade, porque se ele não respeita a autoridade agora que ele é apenas candidato, quem ele vai respeitar quando estiver no poder?

    – E por último, mas não menos importante, não votarei em candidato que não respeita as mulheres, eu fui criado por minha avó que me ensinou a respeitar as mulheres simplesmente pelo que elas são, criaturas mais frágeis fisicamente que os homens, mas com grande força moral, intelectual e sensibilidade, além de ter o dom divino da maternidade que é o veículo pelo qual todos nós, bons ou ruins, baixos e altos, ricos e pobres, independentemente de credo, raça ou costume, viemos ao mundo. Isso inclui, agressão verbal, moral e física, e no caso da física, o meu asco é particularmente maior.

    Desta forma acho que me sobraram raríssimas opções. Mas, mesmo assim eu consegui escolher as minhas opções e só não vou falar aqui nessa coluna porque não é o veículo apropriado para isso.

    Grande abraço.

    Boas eleições.

    E não se esqueça do meu presente… 😮

  • DMA fala ao Jornal O Dia sobre a segurança pública na Baixada Fluminense

    DMA fala ao Jornal O Dia sobre a segurança pública na Baixada Fluminense

    Hoje (29) o rapper e líder comunitário Dudu de Morro Agudo foi entrevistado pelo Jornal O Dia para falar sobre a segurança pública na Baixada Fluminense.

    A matéria, que provavelmente será publicada no próximo domingo, foi uma indicação da Casa Fluminense, que tem uma parceria com o jornal. Tássia Di Carvalho foi a jornalista responsável pela entrevista, que segundo o próprio rapper foi bem dinâmica e as vezes até divertida por conta do fotógrafo Carlos, que é uma figura ímpar.

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    Linha férrea de Morro Agudo

    DMA reafirmou o que vem dizendo a tempos em suas palestras e nas redes sociais, que a Baixada Fluminense é ignorada pelo poder público. Que a abordagem da polícia na Baixada é diferenciada da abordagem da mesma polícia na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Que não acredita que UPP seja solução de política pública, principalmente porque não tem como fundamento proteger o cidadão, e sim os interesses do Estado.

    Muitas histórias reais acontecidas na Baixada Fluminense nos últimos anos ilustram as falas do rapper, que presenciou o carro de seu tio ser roubado na porta de sua casa à alguns meses.

    Atualmente bairros de Nova Iguaçu, que antes eram tranquilos, se tornaram campos de guerra, onde traficantes chegam quase que diariamente expulsos de suas antigas comunidades por causa da ocupação da polícia militar para a implantação das UPPs. Assaltos e mortes são frequentes na região, fato que tem deixado os moradores aterrorizados.

    Quando questionado sobre qual seria a solução para este problema, DMA rebate: – “Não sou eu quem tem que dar solução, eu sou cidadão”.

     

  • O pior cego, é o que não quer ver

    O pior cego, é o que não quer ver

    Não é novidade que sempre botamos o dedo na ferida, apontamos erros e denunciamos quem quer que seja, mas também precisamos mostrar experiências exitosas, como o caso da Colômbia, que chegou a ser considerada como extremamente perigosa, principalmente na época em que reinavam traficantes do calibre de Pablo Escobar (80/90), entre outros, na América do Sul.

    Porta de saída de grande parte da cocaína exportada para a Europa e os EUA, esse país tinha uma posição estratégica no escoamento da produção da coca, produto esse muito valorizado devido a sua pureza em relação a outros países produtores e a facilidade de ser transportada e produzida.

    A quantidade era tão extensa, que havia coca suficiente para cada habitante sul-americano cheirar, tanto que as negociações com os distribuidores eram feitas em toneladas devido as fronteiras com pouca fiscalização, densas florestas e altas taxas de corrupção dos agentes envolvidos.

    Uma profunda reforma precisou acontecer na estrutura da polícia para que os resultados começassem a aparecer, pois todos os comandantes tinham ligações diretas com os narcotraficantes.

    A crise chegou a tal ponto que os EUA chegaram a negar o visto de entrada para o presidente Ernesto Samper, na época, acusado de receber dinheiro do tráfico.

    Após essa crise, 6 anos se passaram para que as mudanças surgissem, lideradas pelo General Serrano, após as ações, a confiança da população na polícia saltou de 11% para 80%.

    Foi feito um intenso trabalho para restaurar a confiança na polícia, isso incluiu a formação dos policiais que tiveram uma nova rotina e preparação, e imersão nos problemas crônicos que viviam.

    Muitas dessas formações eram feitas nas universidades, para aproximá-los da juventude.

    Várias ações foram implantadas, como: Ações educativas nas escolas, criação de escolas de segurança cidadã, frentes de segurança comunitárias que capacitavam as populações em maior risco social, guarda comunitária.

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    O tráfico também tinha seus métodos pedagógicos, eles aliciavam jovens sem perspectivas, os treinava e os tornava criminosos perigosos, a cada policial morto era pago uma recompensa, ainda haviam os assassinos de aluguel denominados “Sicários”, e com toda essa problemática a segurança tinha que combater traficantes, gangues e grupos paramilitares como: FARC, ELN, AUC, M-19; e conviver com a COMUNA 13, um conglomerado de 25 favelas gigantes que parecia um país independente dentro da Colômbia.

    O exército precisou tomar uma medida extrema, ocupou essas favelas criando bases próprias e se instalando permanentemente.

    Somente as ações de força causaria uma guerra civil, então várias decisões complementares foram adotadas como: nos eventos com jovens não poderiam haver bebida alcoólica, as casas noturnas tinham que fechar a 01:00 da manhã, a lei seca foi implantada, os shows eram controlados e a circulação a noite era monitorada, as casas de jogos, bares e prostíbulos eram controlados com mão de ferro.

    Mas o que mais impactou e foi fundamental para mudar aquela realidade, foram ações que motivavam e mostraram às crianças e jovens, que uma mudança era possível, então o foco foi na base do povo, as estruturas e as bases de conhecimento foram orientadas a trilhar um caminho voltado à paz e a cultura, com esse foco as ações educativas eram absorvidas mais facilmente sem medo e de uma forma saudável sem imposição, a convivência se fortaleceu dentro dos guetos devidos as atividades nos centros culturais, e as comunidades se sentiam donas dos espaços, pois lá recebiam também, assistência médica, social, praticando esportes e entendendo que não é pela punição severa ou o colocando em um depósito de criminosos que se vai reeducar um jovem infrator, basta querer fazer que as coisas acontecem, tanto que o que realmente surtiu efeito foram as ações que aumentaram a auto estima do povo, não o extermínio por si só, não é uma fórmula mágica, mas são coisas simples e objetivas que surtem os melhores resultados.

    Se os gestores das capitais e da Baixada Fluminense pensassem um pouquinho em realmente mudar a realidade da população, isso já teria começado, mas a única coisa que eles pensam é em fortalecer suas contas bancárias, exemplos existem, muita gente boa com ótimos projetos a serem desenvolvidos podem contribuir nesse processo, então senhor gestor, basta querer enxergar!!

  • Parabéns, você foi promovido a favela!

    Parabéns, você foi promovido a favela!

    “Eu queria morar numa favela, o meu sonho é morar numa favela…” Há duas décadas, Gabriel o Pensador, rapper brasileiro, deu voz a um personagem morador de rua que sonhava em morar numa favela. Na música, o jovem Gabriel, ainda aspirante ao sucesso chamava a atenção da sociedade para os moradores de rua, o tratando como um problema de todos.

    Hoje – vinte anos depois – eu sonho em morar numa favela! Não entendeu? Não, eu não sou moradora de rua, e não estou aqui me igualando ao personagem sabiamente roteirizado por Gabriel. Hoje, em meio a alguns dos mesmos problemas, surgem novas inquietações. Hoje, tem mais gente querendo, sonhando e desejando morar numa favela! Ou você já viu a Baixada Fluminense ilustrando cartão postal?

    Na capital do nosso Rio de Janeiro os investimentos públicos e privados tornam as favelas um celeiro de jovens talentos promissores em variadas áreas de representatividade mundial. Querendo ou não, demonstrando interesse ou não, na favela se dança, se canta, se atua, se joga e se cria. E no final, é claro, se viaja: Nova Iorque, Bélgica, Austrália, França, Berlim… São muitas as possibilidade e muitos os interessados em ver e ouvir o que os “ favelados”  têm a dizer. Aí eu pergunto: o que seria a Baixada Fluminense se não uma grande – enooorme – favela?!

    Aqui tem tráfico nas esquinas, tem fuzil na mão.
    Tem criança com fome de pé no chão.
    Falta saneamento básico em bairros inteiros.
    Falta acesso a cultura até pro funkeiro.

    O esporte e o lazer estão na TV, no bar da esquina.
    Também tem gente grande aliciando menina.
    Tem vida e tem morte de braços dados.
    Tem desejos e sonhos amargurados.

    E tem muita inveja da capital.
    Dos seus gringos e de seu safari social.

    Nossa, como eu queria ver um jeep cheio de gringos circulando na minha quebrada!

    Até quando estaremos à margem desse contexto?! Até quando seremos vistos como marginais acéfalos desprovidos de talentos para o bem?! Será que em meio a tantos milhões de habitantes nenhuma criança se destaca no futebol?! Nenhum prodigioso ator mirim?! Nenhuma formosa bailarina?!

    Confesso que esse confronto com a nossa realidade me entristece… Quase desisto de continuar escrevendo sobre este assunto… Quase desisto.

    É frustrante saber que ONGs da Baixada – com trabalhos seríssimos e importantíssimos para inúmeras crianças e jovens – vivem à míngua, enquanto na capital, até mesmo os jovens que claramente e declaradamente não “querem nada” são “obrigados” a permanecerem em projetos inflados de apoio e visibilidade. Enfim.

    Uma promessa de que uma Unidade de Policia Pacificadora (UPP) será erguida no meu bairro – Comendador Soares, vulgo Morro Agudo, em Nova iguaçu – nos traz esperança… Quem sabe o comandante não traz consigo um certificado com os dizeres: Parabéns, você acaba de ser promovido a Favela!

  • Meu Depoimento pra Revista Européia

    Meu Depoimento pra Revista Européia

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    A Eurocom Magazine,  é uma edição especial da Objectif Grand Paris Nouveau Magazine, foi lançada na MIPIM 2014 (Le marché international des professionnels de l’immobilier), um evento de investidores do mercado imobiliário que acontece todo a ano e atrai empresários de todo o mundo. A Eurocom Magazine trouxe uma série de matérias especiais sobre as 25 maiores cidades do mundo, incluindo o Rio de Janeiro, onde eu dou um depoimento sobre a Cidade Maravilhosa na página 33. Apesar da revista ser bastante técnica, tem sempre um depoimento de algum morador que eles consideram interessante sobre a sua Cidade.

    Quem quiser curtir o documento original, que infelizmente não foi vendido no Brasil, clipei a parte do Rio de Janeiro no meu Blog (http://dumontt.com/clipping/), é só ir lá e conferir.

    Abaixo segue uma versão quase original em português:

    Grande abraço.

    —x—

    O Rio de Janeiro, continua sendo uma Cidade Maravilhosa, cidade que já foi descrita de várias formas, pra vários gostos distintos, retratada e escrita em versos e prosas, mas o que me chama mais atenção sobre essa bela cidade são suas contradições, e é disso que trata essas linhas.

    Terra de rara beleza, cartão postal do Brasil, capital cultural da América Latina, hoje também é a terra dos grandes eventos esportivos e das Manifestações Juvenis. Onde uma das maiores florestas urbanas do Mundo convive pacificamente com a Rocinha, a maior favela da América Latina.

    É hoje uma das Cidades mais caras para se viver, morar e passear, mas que também tem uma rede hoteleira com uma altíssima taxa de ocupação. Onde o Governo promove construções gigantescas para esconder as favelas que estão entre o Aeroporto Internacional do Galeão e o Centro da Cidade, Favelas essas ocupadas constantemente pelas Polícias Militar e Civil do Estado, umas das polícias mais letais do mundo, a PMERJ e a Civil, como são chamadas, por ano, matam mais do que o somatório de todas as polícias de todos os Estados dos USA juntas. Mas a maquiagem do Rio é boa e consegue passar uma imagem de segurança e tranqüilidade para os turistas, graças as Unidades de Polícia Pacificadoras, as chamadas UPPs que empurrou o tráfico de drogas para as periferias, dando ao Rio um ar de limpa e higienizada em relação a segurança pública, a ponto de transformar a favela em atração turística – hoje tem teleférico no Pão de Açucar e na Favela do Alemão, tem visita guiada no morro com direito a baile funk pra turistas.

    A Cidade do Rio de Janeiro consegue assumir um papel singular no imaginário e no coração de cada visitante, cada morador e de cada pessoa que interaja com ela, seja pelo motivo que for: trabalho, lazer, turismo, esporte; Onde o feio e o belo se misturam, com passeatas, ruas históricas e monumentos. Cidade da música, da boemia, do samba e da maior festa popular do mundo, o carnaval. Onde o maior reveillon do mundo é feito nas ruas, na praia, no encontro de todas as raças, todos os credos, todas as cores, todas as riquezas, todas as culturas que se aliam para formar uma outra cultura, uma cultura carioca, com swing e sotaques próprios, de fala chiada e gingado no corpo suado e avermelhado do sol.

    O Rio tem vocação para ser amada, com todas as suas contradições, pois consegue ser cosmopolita sem perder o que tem de mais local, ser grande, conservando as suas diversas culturas, seus grupos informais, seu ar de feriado, mesmo em dia de trabalho. Seu povo contente, risonho, barulhento e feliz, sim, feliz por morar em uma das mais belas cidades do mundo.

  • Como assim não é bandido, ama futebol, mas não é a favor da UPP e da Copa do Mundo?

    Como assim não é bandido, ama futebol, mas não é a favor da UPP e da Copa do Mundo?

    Olá amigos(as) leitores(as)!!! Estou de volta!!!

    Perdoem-me, mas eu não deixaria de escrever sobre a Copa do Mundo às vésperas do evento. Como diriam meus amigos jornalistas, não perderia este gancho por nada, e ainda mais tendo a oportunidade de rechear com as UPPs. Perdoem-me novamente, mas vou pra cima deles.


    Como diria Roberto Carlos: – Esse cara – do título – sou eu!
    E volto a afirmar: – Não sou bandido e amo futebol, mas não sou a favor da UPP e da Copa do Mundo. 

    Coloquei um sinal de interrogação, porque as pessoas com as quais converso, seja “cara a cara” ou via redes sociais, sempre me questionam com um sonoro: – Como assim?

    Me faltariam argumentos se eu morasse no bairro com o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro, tivesse tido uma criação que se resumisse em olhar para o meu próprio umbigo e consequentemente achasse que o Estado se resume ao playground do meu prédio.

    Mas não, sou de uma parte do Rio de Janeiro onde o azul está desbotado, da galáxia onde moram os motoristas, empregadas domésticas, garçons, pedreiros e tantos outros que são humilhados diariamente no bairro em questão.

    E aí você me pergunta:

    – DMA, não estou entendendo. O que tem a ver uma coisa com outra?

    Simples caro(a) leitor(a).
    O mundo não passa despercebido por mim, pois sinto as pessoas.

    Esse ano de 2014 é um ano de amadurecimento, pois tudo fica mais claro, parece final de novela.
    Sendo assim é importante esclarecer que quando digo que não sou a favor, não quer dizer que sou contra.
    Vamos analisar os fatos.

    ESCLARECIMENTO 01

    Não sou bandido, mas não sou a favor da UPP. Porque?

    Você acha que o governador, quando implantou as UPPs, queria proteger os moradores das comunidades dos bandidos que ali estavam durante décadas? Pense um pouco antes de responder.

    Ou será que o governador queria proteger os turistas que chegariam aos montes por causa dos mega eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Simplesmente limpar os caminhos e entornos de onde os gringos vão passar.

    Mas espere um pouco aí, para onde vão os bandidos depois que instalam as UPPs? 

    Talvez por estar na Galaxia Baixada Fluminense, eu sinta minha pele queimar a cada bandido novo que chega na região. A cada toque de recolher, a cada pessoa que morre, a cada novo jovem que se entrega para as drogas.

    ESCLARECIMENTO 02

    Vamos então analisar a outra parte.
    Amo futebol, mas não sou a favor da Copa do Mundo.
    Como assim?

    Simples. O nosso país tem outras prioridades. A Copa do Mundo foi a oportunidade de algumas pessoas ganharem dinheiro que não conseguirão gastar em 3 vidas. Posso estar sendo leviado em afirmar algumas coisas sem ter provas, mas deixei de ser inocente a algum tempo.

    Nossa Copa do Mundo custou cerca de R$30 bilhões, é a mais cara que as três últimas Copas do Mundo JUNTAS!!!

    Mas como o Ronaldo disse: – Não se faz Copa do Mundo com hospitais.

    Então Ronaldo, foda-se a Copa do Mundo, porque eu quero hospital, escola, emprego…

    Como eu havia dito, as UPPs não são pra proteger a população de origem popular do Rio de Janeiro, mas proteger os turistas e seu rico dinheiro e evitar que o filme do Governador seja queimado. Sendo assim, o governo instala as UPPs e não prendem ninguém. Depois o policial truculento reprime o povo e tá tudo dominado.

    Esse é o nosso legado!!!

    A SOLUÇÃO

    O que nós podemos fazer para mudar essa situação?

    Primeiramente parar de reproduzir tudo o que os outros falam, parar de compartilhar o que é engraçadinho nas redes sociais sem ao menos analisar antes. Como já disse em outras colunas, não é que sejamos plano B, nós da Baixada Fluminense não estamos nos planos, assim como São Gonçalo não está.

    Precisamos mostrar nosso próprio ponto de vista sobre o que acontece no Estado, mostrar nossa força juntos.

    Na próxima quinta-feira, dia 12 de junho, começa a Copa do Mundo. Um dia antes (quarta-feira, 11 de junho) eu lanço o videoclipe da música legado, pois essa é a minha forma de dizer que eu não estou de acordo com o que está acontecendo na minha cidade, no meu estado e no meu país. Minha meta é mostrar isso pro mundo, pois nós já estamos cansados de saber.

    Se quiser/puder me ajudar a propagar essa ideia, inscreva-se aqui.

    Filmar as injustiças e compartilhar não é só arte, é luta!!!

    O IDEAL

    Porque não sou contra?

    Imagine como seria se as UPPs fossem uma política de segurança que visasse os interesses da população, para trazer a paz efetivamente. Como seria se o Brasil fizesse o dever de casa, estivesse com os hospitais em condições de receber a população com um mínimo de dignidade e estando tudo em ordem, recebesse um evento como a Copa do Mundo.

    Mas infelizmente o mundo precisa saber, sob a ótica da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, o que significa a Copa do Mundo e a política de segurança do Estado para as periferias.

    Depois da Copa do Mundo, as coisas tendem a esfriar um pouco, então a hora é essa.

    SUGESTÕES PARA COMPARTILHAR:

    Agência Papagoiaba – Romário Régis e o bonde
    Lurdinha – Heraldo HB e o bonde
    Agência #TudoNosso – Petter MC e o bonde