Autor: Marcello Comuna

  • Mais do mesmo

    Mais do mesmo

    Acho mais do que legítimo o debate entre eleitores sobre seus candidatos. O que acho chato, infantil e incoerente é acusar o partido A de corrupto como se o partido B também não fosse.

    Desculpe-me a arrogância, mas se o debate é por aí eu nem entro.

    O fenômeno é interessante e paradoxal, pois em um país como o Brasil, onde o ditado “política e religião não se discute”, é ecoado aos quatro ventos como sinônimo de sabedoria, a onda de ódio eleitoreiro cresce cada vez mais. Já não são raras amizades sendo desfeitas nas redes sociais por conta das paixões ideológicas.

    Opa, pera! Paixão ideológica? Será?

    Lembre-se do dito popular mais comum no Brasil: “política e religião não se discutem”. Então, por que tanta desavença eleitoreira em um país tão despolitizado como o nosso?

    Incitação da mídia? Emburrecimento coletivo? Aumento do egoísmo humano? Talvez um pouco de todas.

    Encerro dizendo: Amigos tucanoides e petralhas, vamos relaxar um pouco e deixar a tensão para eles. Porque na real, a gente que é do bem vai continuar fazendo a diferença e sendo relevante na vida próximo independente deles.

    Porém, para isso, precisamos manter a unidade, porque afinal, juntos somos mais fortes!

  • Eleição não muda nada

    Eleição não muda nada

    Um ano após o advento de junho de 2013, chegamos às eleições. Para muitos, o dia 05 de outubro seria o dia em que mudaríamos o futuro do Brasil; ou para melhor ou para pior.

    Esse clichê de que o destino do país está condicionado às urnas, penso eu, é uma grande falácia. Não amigos, no dia 05 de outubro não decidimos o futuro do Brasil, nem mesmo no dia 26, quando teremos o segundo turno. Votar é apenas um passo.

    Não temos nenhum candidato messiânico que solucionará todos os problemas da nação. A mudança é feita no coletivo. Nossa democracia representativa nos lobotomizou (ou fomos lobotomizados). Achamos que dez segundos diante de uma urna é tudo que devemos fazer. Absurdo!

    É preciso ir além.

    No dia 05 foi o que iniciamos um contrato de experiência com nossos representantes. Se eles ficarem aquém do esperado, devemos demiti-los, e não precisamos esperar quatro anos para isso. Exercemos nosso direito. Façamos barulho. Contudo, não adianta ir para as ruas e depois reeleger fichas sujas e descendentes dos velhos coronéis, como no caso do Rio, onde Pezão, vice do Cabral durante quase oito anos, segue liderando as pesquisas.

    O problema é que somos péssimos patrões. Não sabemos cobrar e tão pouco acompanhar nossos empregados. Vivemos a embriaguez do sucesso, suportando tudo a base de pão e circo.

    Então, caro leitor, entendamos que a eleição é apenas um importante passo para dias melhores, mas sua responsabilidade não se encerra nas urnas. Se você não fiscalizar o empregado, depois não vai adiantar reclamar do prejuízo ao seu bolso.

    Vote consciente.

    Marcello Vieira

  • Fé, Ideologia e Revolucionários até a página 2

    Fé, Ideologia e Revolucionários até a página 2

    Na minha vida, o socialismo foi um arquétipo do Evangelho de Cristo.

    Quando Ele (o Evangelho) tomou o seu lugar na minha consciência, Che virou a arca da aliança e Marx o véu que foi rasgado ao meio. Ou seja, meu envolvimento ideológico com o socialismo, na verdade, foi um apontamento para aquilo que estava por vir – a crença absoluta no Reino de Deus, onde todas as demandas das causas dos pobres e injustiçados são atendidas.

    Onde a justiça prevalece. Não há vingança.

    Estar no jogo do debate político desde 1996 (iniciado pelo rap) me deu uma mente suficientemente arejada para dialogar com todos e, empiricamente convicta para não arregar para a retórica da nova ou velha escola socialista, esse fenômeno que percebemos nas redes sociais. (não pensem que virei à direita, boyzinhos. Eca!).

    Mas pra mim, “revolts” que não se sustenta não tem minha atenção e meu respeito.

    A esses digo: Vão fumar sua maconhazinha e curtir seus quinze minutos de sexo livre endossado por seus discursos decorados, previsíveis e pirracentos, típico dos revolucionários que fazem severas afirmações sobre a vida, enquanto ainda tomam o Nescau capitalista na casa dos pais.

    Assim como vingança não é justiça, desconstrução pura e simples não é liberdade nem evolução.

  • Meias verdades dos dois lados. Eu, Marina e o PT.

    Meias verdades dos dois lados. Eu, Marina e o PT.

    Na guerra das informações, é preciso investigar muito se quiser ter realmente um voto consciente.

    Minha era das paixões ideológicas passou, por isso, consigo pensar em outra possibilidade sem ser o PT. Porém, é inquestionável que a gestão do Partido dos Trabalhadores afetou positivamente minha realidade social de pobre e de milhares de pessoas.

    Minha frustração se dá pelos escândalos, pela corrupção entre os antigos heróis e principalmente pela omissão perante a forte campanha dos Estados e da mídia em criminalizar os movimentos sociais.

    Faltou postura firme de uma presidente que já foi torturada na ditadura!

    Marina tem o benefício da dúvida. Até aqui não há escândalos com seu nome e sua história política merece respeito e admiração. Isso me motivou a decidir por ela em um primeiro momento. Contudo, nos últimos dias tenho lido bastante sobre a principal proposta de Marina – a autonomia do Banco Central legislada por lei.

    De fato, já temos um BC autônomo operacionalmente desde Henrique Meirelles, a questão agora é se isso vai ser regulamentado ou não por lei. Lula só conseguiu se eleger porque deixou o radicalismo de lado e passou confiança ao mercado financeiro. Nada diferente do que Marina faz agora, por isso esse terrorismo do PT em relação a ela é cinismo hipócrita.

    Se por um lado a campanha do PT ilustra um terrorismo contra Marina, também não podemos ser ingênuos e acreditar nesse discurso da Marina de “o Banco Central estará a serviço do povo e não dos interesses do partido que está no poder”.

    O BC nunca estará a serviço do povo. O BC sempre estará a serviço dos Bancos!

    O que Marina precisa deixar claro é se a proposta de lei para autonomia do Banco Central trará a clausula de demissão da diretoria caso metas estipuladas pelo Executivo não forem alcançadas. Se for assim, teremos um livre mercado com responsabilidades sociais, então, creio que dá para arriscar a mudança.

    Caso contrario, creio que apesar de tudo, a política econômica do PT ainda seja a mais segura, mesmo com o intervencionismo partidário.

    Se quiser debater o assunto sem paixonites ideológicas, partidarismos e com a razão, puxa uma cadeira e chega aê.

    #votoaindaemconstrução

  • O fetiche dos rótulos

    O fetiche dos rótulos

    Quem tem coragem de sair da zona de conforto intelectual? Do conforto das ideias preestabelecidas?

    Fazer perguntas incomoda os preguiçosos que querem que tudo permaneça exatamente do jeito que está – afinal, para eles a inércia é um Oasis. Parece-me que suas convicções são tão rasas que não resistem a menor dúvida lançada.

    Eles adoram os rótulos.

    Se sou cristão, não posso ser comunista, porque todo comunista é ateu e comedor de criancinhas. Se sou comunista, não posso ser cristão, porque todo cristão é alienado e direitista. Se desejo o Evangelho e o Cristo, mas rejeito as contradições do cristianismo, então sou liberal, marxista, gay, ecumênico ou falso profeta.

    Eles se dizem defensores da democracia, mas para eles, ela só é boa quando todo mundo é democraticamente igual. Por isso me identifico tanto com os versos do Mano Brow: “Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal”.

  • Pela necessidade ou pela vaidade?

    Pela necessidade ou pela vaidade?

    Quarta feira, 20:30 da noite e essa rapaziada responsa até essas horas vendendo uns lances aqui no Japeri lotado. Gente negra, gente branca, gente jovem, gente velha, homens, mulheres e até crianças.

    Criado na periferia, aqui nos prédios da CHEAB, conhecido como Pombal do IBC para os íntimos, sem a figura paterna como referencial, tendo o rap como paradigma de masculinidade e o esquerdismo como tutor político ideológico, logicamente que meu discurso sobre a criminalidade entre os pobres periféricos que convivem com o tráfico era tão previsível como de qualquer outro garoto na minha condição:
    A culpa é da necessidade.

    Será? A resposta não é tão simplista assim. Não é mesmo!

    Acontece que depois de 34 carnavais, com a responsabilidade de ser um chefe de família e com a mente muito mais arejada e liberta dos guetos ideológicos, abre-se espaço de sobra para questionamentos sinceros que são impulsionados pela realidade, sem medo das pedradas dos radicais.

    O fato é que essa Gente toda do Japeri lotado com quem convivo todos os dias, arrebenta com um monte de argumento de neguim de esquerda que paga pau e passa a mão na cabeça de quem se entrega ao crime por causa da pobreza.

    Na maioria dos casos não é a necessidade que fisga essa moleca das favelas, é a vaidade, a mãe de todos os males.

    Como cantava o MV Bill: “O Nike é armadilha pra pegar negão”.

    Não vou entrar no mérito da cultura, lazer, saúde e educação porque é chover no molhado. Todo mundo já sabe que o Estado é omisso e corrupto e que a privação desses direitos fragiliza ainda mais as pessoas em extrema pobreza, que tem a criminalidade como vizinha e aliciadora.

    Hoje, em um dia, vemos mais propaganda do que uma pessoa via em toda sua vida na década de 40. O conceito diabólico de que somos o que temos, e que o que temos é o que nos traz respeito, seduz e sequestra para o crime muito mais do que uma barriga vazia.

    Além de todos os direitos básicos que devem ser garantidos no combate a marginalidade, é preciso urgentemente à subversão do pensamento pós moderno sobre os valores.
    Pessoas valem mais do que as coisas.

  • Os reféns da Babilônia e o plano de fuga

    Os reféns da Babilônia e o plano de fuga

    Mais uma sexta feira de trabalho que se finda – mais uma semana vencida. Às 18:00 eu pego o elevador junto com a rapaziada da repartição e vamos para a fase final, o último round de quem enfrentou um dia inteiro do trabalho a 40km de casa – Centro do Rio – Nova Iguaçu Baixada.

    Cara a cara com o amigo dentro do metrô abarrotado, eu nunca me sinto confortável em ficar tão próximo do rosto desse negão maior do que eu, por mais gente boa que ele seja.

    Muitas vezes o comentário é redundante: “Situação medíocre hein?!”. De fato, mas pior que a mediocridade dessa nossa rotina de gado proletariado, é o conformismo estampado no rosto de muitos. Os comentários indignados que não causam nada. Apenas um desabafo de quem parece estar sentado na janela vendo a vida passar. Vitimas do lugar comum. Reféns da cobrança da sociedade em ter que ser alguém, que suplanta o que realmente deveria ser a prioridade na vida: Ser quem você quer ser!

    Nos últimos dias, quando entramos no metrô abarrotado, eu tenho disparado a mesma pergunta: Dá pra suportar isso durante mais 30 anos?

    Talvez até dê. Todo dia eu vejo as rugas de quem suportou e ainda suporta. Gente que sacrifica os melhores anos da sua existência esperando a aposentadoria chegar para enfim descansar e aproveitar. Essa é a piada mais sem graça da vida.

    Contudo, eu decidi que não vai ser assim comigo. Essa semana eu recebi a tão batalhada e esperada promoção. Apesar da minha sincera gratidão a Deus pela força que meu deu para correr atrás, minha euforia durou apenas um dia. Hoje, quando acordei e enfrentei a realidade do translado Baixada/Centro do Rio , quando vi o rosto das pessoas nos trens da SuperVia, eu pensei: A Babylon tem suas artimanhas para nos manter conformados reféns.

    Use o sistema e não deixe o sistema usar você. Estude, investigue as brechas e seja tudo que fostes vocacionado para ser. Liberte-se!
    Correria e fé em Deus.

  • Viver a tensão de ser quem é e aquilo que deveria ser (Manifesto da angústia)

    Viver a tensão de ser quem é e aquilo que deveria ser (Manifesto da angústia)

    Aquela inquietação angustiante de quem não tem dedos hábeis o suficiente para acompanhar tudo que o cérebro processa.
    Enquanto dormem nos quartos, crianças e primeira dama,
    Eu levito na sala, pois não caibo na cama.

    Em nenhuma cama,
    Meu corpo para – minha mente avança.

    Ferramentas de torturas do passado – lembranças.
    Antibióticos do presente – esperança.
    Efeitos colaterais do futuro – dessemelhança.

    Não me pareço com o que sonhei,
    Apesar da Babilônia, apesar de ter conhecido o Rei.

    E quem serei? Por quem serei?
    Me necessita a pele – me necessita o delay,
    Acidente cardio vascular, no improvável estarei,
    Tire as crianças das salas na hora de apertar o play.

    Sou filme trash ao mesmo tempo angélico – poético,
    Energético, são minhas inquietudes carregadas de complexos,
    São abafadas todas as dores, não haverá sons histéricos,
    Na vitória de mais uma noite virada sem sintéticos.

    “Pro girassol o sol, pra São Jorge a lua”.
    Pra solidão da sua alma os versos do Comuna.
    Identifique-se.

    Comuna.

  • Sobre o fiasco da Faixa de Gaza e o fracasso da humanidade

    Sobre o fiasco da Faixa de Gaza e o fracasso da humanidade

    Quando alerto para não confiar nos EUA, na Veja e na direita, não estou dizendo necessariamente para confiar em Cuba, na Carta Capital e na esquerda.

    Lembre-se que direita e esquerda disputam poder pelo poder. Por isso, não seja papagaio de pirata repetindo chavões do seu folhetim preferido. Entre Israel e Palestina existem muito mais coisas do que direita e esquerda dizem. Antes da guerra bélica vem a guerra propagandista. Fica esperto!

    O Estado de Israel não é a Terra Santa e nem o Hamas é o Leão Libertador de Alá.

    A história está aí acessível a qualquer um. Basta ter o trabalho de investigar, mas a geração Facebook gosta de fazer severas afirmações sem ter trabalho

    Tem morrido mais gente na Palestina? Sim, é verdade e é mais um fracasso para humanidade. Porém, você já se aprofundou no assunto pra saber o porque? Você já ouviu o porta voz do Hamas declarando que eles usam civis como escudo antimíssil e que isso para eles é uma honra?

    Sami Abu Zuhri diz: “convocamos o nosso povo para que adote essa política, a fim de proteger as casas palestinas.”

    Ora, o Hamas usa escudo humano. Israel usa bateria antiaérea. Em qual lado terão mais vítimas?

    Você sabe a quantidade de mísseis lançados contra Israel e a quantidade mísseis lançados contra a Palestina? Só nos últimos 30 dias o Hamas lançou 1000 mísseis contra Israel.

    1000, parceiro! 1000!

    Então, amigo, muita calma nessa hora. Não estou aqui com aquele papo babaca de evangélico judaizante idiotizado, mas amigo, contra os fatos não há argumentos.

    Eu também fico puto pra cassete e profundamente deprimido ao ver aquelas crianças vitimizadas por essa estupidez dos adultos. Mas, parceiro, já caminhei bastante para ficar sendo massa de manobra de discursinho político cheio de segundas intenções.

    Por isso que minha oração é: Maranata! Desesperadamente, Maranata!

  • Males que vem para o bem

    Males que vem para o bem

    Chegamos ao fim!

    Segunda feira o país volta a sua normalidade. Sem título de campeão do mundo em casa e sem grandes legados. A Copa das Copas só foi grande mesmo em sua festa, diversidade cultural e ótimos jogos de futebol.

    Como já compartilhei nesse blog, carreguei uma mágoa e frustração por ter perdido a minha inocência para vibrar com a seleção brasileira depois de todos os super faturamentos para a construção da Copa do Mundo da FIFA em meu país.

    Na verdade, na verdade, minha maior torcida foi pelos feriados. Sendo assim, a seleção canarinha, a meu ver, cumpriu o seu papel. Deu descanso para o proletariado sofrido, e agora, na reta final, deu um vexame digno de todas as vergonhas imposta pelo Estado ao povo brasileiro, para a realização das Copas das Copas.

    A surra dada pela Alemanha virou piada: “enquanto eu “escrevo” esse texto a Alemanha faz mais um gol”.

    Mas agora, acabou a comédia, porque na festa há o entorpecimento, porém, no luto, a meditação, a indignação que bem canalizada pode gerar mudanças construtivas.

    Então, quero te lembrar de algo realmente importante; enquanto eu escrevo texto, mais um míssil caiu na Faixa de Gaza. As crianças de lá estão chorando porque perderam pais, irmãos e irmãs, não porque seu time perdeu. Maldita mídia que potencializa banalidades e ameniza prioridades.

    Voltemos à luta, porque as batalhas não dão trégua.