Pela necessidade ou pela vaidade?

Quarta feira, 20:30 da noite e essa rapaziada responsa até essas horas vendendo uns lances aqui no Japeri lotado. Gente negra, gente branca, gente jovem, gente velha, homens, mulheres e até crianças.

Criado na periferia, aqui nos prédios da CHEAB, conhecido como Pombal do IBC para os íntimos, sem a figura paterna como referencial, tendo o rap como paradigma de masculinidade e o esquerdismo como tutor político ideológico, logicamente que meu discurso sobre a criminalidade entre os pobres periféricos que convivem com o tráfico era tão previsível como de qualquer outro garoto na minha condição:
A culpa é da necessidade.

Será? A resposta não é tão simplista assim. Não é mesmo!

Acontece que depois de 34 carnavais, com a responsabilidade de ser um chefe de família e com a mente muito mais arejada e liberta dos guetos ideológicos, abre-se espaço de sobra para questionamentos sinceros que são impulsionados pela realidade, sem medo das pedradas dos radicais.

O fato é que essa Gente toda do Japeri lotado com quem convivo todos os dias, arrebenta com um monte de argumento de neguim de esquerda que paga pau e passa a mão na cabeça de quem se entrega ao crime por causa da pobreza.

Na maioria dos casos não é a necessidade que fisga essa moleca das favelas, é a vaidade, a mãe de todos os males.

Como cantava o MV Bill: “O Nike é armadilha pra pegar negão”.

Não vou entrar no mérito da cultura, lazer, saúde e educação porque é chover no molhado. Todo mundo já sabe que o Estado é omisso e corrupto e que a privação desses direitos fragiliza ainda mais as pessoas em extrema pobreza, que tem a criminalidade como vizinha e aliciadora.

Hoje, em um dia, vemos mais propaganda do que uma pessoa via em toda sua vida na década de 40. O conceito diabólico de que somos o que temos, e que o que temos é o que nos traz respeito, seduz e sequestra para o crime muito mais do que uma barriga vazia.

Além de todos os direitos básicos que devem ser garantidos no combate a marginalidade, é preciso urgentemente à subversão do pensamento pós moderno sobre os valores.
Pessoas valem mais do que as coisas.

Sobre Marcello Comuna

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Acho mais do que legítimo o debate entre eleitores sobre seus candidatos. O que acho chato, infantil e incoerente é acusar o partido A de corrupto como se o partido B também não fosse.

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