Autor: Dudu de Morro Agudo

  • Como criar uma nova cena para o rap a partir das periferias? Uma nova cena para o rap ainda é possível nos dias de hoje?

    Como criar uma nova cena para o rap a partir das periferias? Uma nova cena para o rap ainda é possível nos dias de hoje?

    Estas perguntas permeiam as novas e as antigas gerações do rap há anos. Desde quando eu comecei a fazer rap ouvia dizer que “esse ano é o ano do rap”. Normalmente algum grupo se destacava, com um estilo novo e diferenciado, e logo depois aparecia uma leva de MCs os imitando. Vi isso acontecer com SNJ, com o Sabotage e com o Pregador Luo, depois com Emicida e Criolo. Mais recentemente com Filipe Ret, Bk e Djonga.

    Para responder rapidamente a estas perguntas logo no início do texto, algumas pessoas certamente diriam que sim, é totalmente possível criar uma nova cena de rap nos dias de hoje.

    Pois o gênero evoluiu de uma cultura urbana mais frequentemente associada à criminalidade para um estilo musical mais acessível, com letras positivas e refletindo preocupações mais amplas sobre as comunidades de hoje.

    Os artistas de rap estão cada vez mais dedicados à produção de conteúdo novo original e à promoção dos seus pontos de vista. O crescimento da internet também tornou mais fácil a produção e distribuição da música dos artistas independentes, o que criou espaço para experimentação e expressão criativa.

    Mas, a partir deste texto, desejo aprofundar e complexificar mais esta discussão. Desejo refletir um pouco sobre isso e convido vocês para esse rolézinho. Vamos nessa?

    Há  tempos tenho percebido que muitos artistas, principalmente os que estão iniciando, mas não somente estes, não tem um planejamento de suas carreiras artísticas e musicais. Muitos não amadurecem seus estilos, copiam o artista que mais gostam, escrevem letras que beiram o plágio e ficam fissurados para entrar logo no estúdio e gravar. Alguns, após essa façanha, se esforçam para gravar um videoclipe, que, ou é cópia do clipe do seu artista favorito ou é ele próprio cantando em frente a câmera, sem ao menos ter se debruçado na elaboração de um roteiro medíocre. Depois disso jogam tudo no youtube e fé!!! Bóra fazer outra música.

    Quando eu comecei a rimar, lá pelos anos de 1994, a gente nem tinha acesso a um beat, somente os beats americanos chegavam pra nós. Ao conversar com o MC Marechal durante a bienal da UNE, que aconteceu na Fundição Progresso, no início de fevereiro de 2023, um pouco antes de dividirmos uma mesa sobre educação e cultura, ele me lembrou que era uma prática comum irmos para São Paulo atrás de CDs de beats.

    Já participei de eventos onde vários grupos de rap cantavam suas músicas no mesmo beat, que a gente chamava de “base”. Não tinha público também. A gente era limitado, mas bastante criativos. Aqui na Baixada Fluminense, por exemplo, era um celeiro de rappers e grupos de rap. Um diferente de outro. Lembro que tinha o Fator Baixada, o Ultimato a Salvação, o Kappela, o Pêvirguladez, o Slow da BF, o Bob X, o Vozes do Gueto e muitos outros. Cada um com sua singuralidade.

    Nosso sonho era gravar um CD. Poucos de nós conseguiu. Mas depois disso, também não tínhamos planos. Normalmente ficávamos com um milheiro de discos encalhados dentro de casa. Muitos de nós vendeu carro, terrenos e outros bens para realizar esse sonho, que logo se tornou um pesadelo de frustrações.

    Mas o tempo passou, houve o barateamento tecnológico e a gente teve acesso a vários equipamentos de áudio, muitos de nós montou seu próprio homestudio, aprendeu a usar uns softwares e começou a produzir suas próprias bases e gravar as próprias músicas no quarto de casa. Logo depois as câmeras de fotografia e vídeo ficaram mais acessíveis e os videoclipes explodiram.

    A forma de distribuição musical mudou, chegou o Spotify e o Youtube. Eles estão estão aí, são realidades, mas a gente continua com o mesmo modus operandi.

    Minha crítica não é musical, pois isso é muito subjetivo, a música que agrada um, desagrada outro. A minha crítica é sobre a forma como nós, artistas, administramos nossas carreiras.

    Quantos de nós tem um site, uma rede social bem administrada, um telefone de contato, um email, um release, um mapa de palco e um business rider?

    Quantos de nós entende minimamente sobre direitos autorais e direitos conexos, quantos sabem dizer o que é ISRC, quantos sabem dizer a diferença de uma agregadora para uma associação de gestão coletiva? Quantos de nós registra a própria música?

    Quantos de nós tem um show decente para apresentar para os fãs? Sim, nós temos fãs. Às vezes a nossa base de fã é pequena, mas merece tanto respeito quanto se fossem milhares de pessoas. Nossos poucos fãs merecem assistir a uma apresentação de qualidade, nossos fãs merecem receber o nosso melhor. Para isso a gente precisa se dedicar, a gente precisa ser profissional. A gente precisa cuidar e administrar essa base de fãs, entender que são eles.

    Lembro que no ano de 2010 tinha uma escolinha de hip hop no Enraizados. Muitas pessoas me criticavam dizendo que hip hop não se ensina (e não se aprende), que a gente nasce com o dom e etc. Nem discuto porque realmente tem gente que acredita nisso daí, da mesma forma que tem gente que acredita que futebol não se aprende em escolinha. Enquanto isso a classe média tá tomando o espaço da favela nos times de futebol do Brasil inteiro.

    Mas a minha questão é: Que tipo de artista você quer ser?

    Vi vários meninos e meninas chegarem no Enraizados sem saberem como se portar no palco. Vários que gaguejavam na frente de uma câmera durante uma entrevista. Mas que com o tempo, a partir de muita prática, muito treino, foram se desenvolvendo. Eu vi esse desenvolvimento em muitos deles. Sem contar que suas rimas e suas poesias ficavam cada vez melhores. Não era um “projeto social” para crianças carentes, era um espaço onde todos nós podíamos nos desenvolver artisticamente.

    Infelizmente tivemos que parar com a Escola de Hip Hop Enraizados na Arte, e alguns desses artistas, formados ali, tenho orgulho de dizer que sou fã da arte que produzem até hoje. Inclusive já contratei alguns para se apresentarem nos eventos que produzo. Contratei porque eram bons artistas e tinham o que entregar, não porque eram meus amigos e amigas.

    Mas esse barateamento tecnológico, ao mesmo tempo que foi muito bom para a nossa liberdade e desenvolvimento enquanto artistas, nos dando independência pra produzir e gravar a nossa própria música, também formou um monte de artistas que só funcionam dentro de estúdio, que estão produzindo em escala industrial, sem nenhum planejamento. E alguns deles não fazem ideia de como se portar em cima de um palco. Me parece que a única coisa que importa é colocar as os videoclipes no youtube e seguir gravando músicas e mais músicas.

    A pergunta é: Pra que? Pra quem?

    Durante a pandemia, fui contratado para fazer uma apresentação em uma cidade vizinha. Chamei alguns MCs para me acompanhar nesse show. Antes, propus um ensaio. Me espantou que parte dos artistas não sabia a própria música, cantavam olhando a letra no celular, outros chegaram com o beat no telefone, outros cantavam olhando pro chão. Uma decepção pra mim. Tenho certeza que se tivessem participado da escolinha de hip hop do Enraizados, não se portariam de tal forma.

    Outro jovem MC, num outro momento, havia gravado um CD, na época estava na moda gravar EPs. Lembro que três meses depois ele já estava preparando outro disco. Ninguém ainda tinha ouvido o disco de lançamento, a não ser o círculo de amigos, o que nós chamamos hoje de “nossa bolha”. Levei ele pra se apresentar em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e ele ficou maravilhado.

    Para não ficar apenas nas críticas e provocações, que nem é o meu objetivo com esse texto, trago também sugestões, pois minha ideia aqui é que possamos praticar reflexões a partir da nossa própria vivência enquanto artistas. Esse texto não é para todo mundo, mas para nós artistas que ainda não estão “hypados”, contudo seguem na luta por um lugar ao sol, desejando trabalhar de forma organizada, pensando suas carreiras e investindo nela.

    Importante dizer também que quando falo em investimento não estou falando somente de dinheiro, mas de tempo, de dedicação, de olhar com mais seriedade e respeito para o seu próprio “trabalho” artístico. Há cinco anos, o WSO, junto com vários amigos lançou o melhor videoclipe que já vi por esses lados de cá. O que faltou pra esse clipe explodir? São essas perguntas que devemos tentar responder.

    Mano Brown disse que todos os dias trabalha oito horas no seu projeto artístico, ou seja, na sua carreira. É disso que estou falando. Investimento.

    Minhas propostas são (e não serve somente para Baixada Fluminense, isso, no meu ponto de vista, serve para qualquer região do Brasil que esteja disposta a se organizar):

    • Fomentar uma rede dinâmica e de ajuda mútua: Definir um raio geográfico e estabeler parcerias com artistas dessa região, formando um coletivo horizontal, uma espécie de observatório para mapear produtores musicais, beatmakers, proprietários de estúdios, curadores, produtores culturais, fotógrafos, jornalistas, influenciadores, videomakers, cineastas, comunicadores, roteiristas, etc…
    • Criar um protocolo que sirva como farol para “todos” os artistas da rede:
      • Ter uma rede social organizada para interação com fãs;
      • Administração da base de fãs;
      • Um email profissional;
      • Um telefone de contato;
      • Um release produzido por um jornalista ou alguém que saiba o que está fazendo;
      • Fotografias profissionais para disponibilizar para os contratantes.
    • Desenvolver uma protótipo de uma “Produtora Cooperativa”: Centralizar todo o “comercial” (venda de shows, produtos, etc) num só lugar. Administrar um calendário com todos os eventos que acontecem na região (não somente de rap, mas saraus e outros), para que os artistas possam se revezar apresentando seus shows.

    Olha que interessante.

    Lembrando que, para o desenvolvimento do coletivo, também é importante desenvolver o individual, para a máquina funcionar, é necessário que cada engrenagem esteja funcionando bem, por isso digo que o desenvolvimento individual é tão importante quanto o coletivo.

    Cada artista precisa desenvolver sua identidade musical, buscar uma música única, a tal batida perfeita que o Marcelo D2 tanto disse. Isso requer um mergulho pra dentro de si. (Mas talvez isso seja um assunto para uma outra coluna).

    Quem sabe percorrendo este caminho, a gente não crie uma nova cena musical com uma linha que conecte todos os artistas envolvidos, seja no beat, no flow ou no tema a ser desenvolvido?

    Sei lá, é uma proposta.

    Aceito críticas e sugestões nos comentários.

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  • Jornalista Glória Maria, referência preta para toda uma geração, morre no Rio de Janeiro.

    Jornalista Glória Maria, referência preta para toda uma geração, morre no Rio de Janeiro.

    Hoje, dia 02 de fevereiro de 2023, uma das principais e mais importantes jornalistas brasileiras nos deixa. A jornalista Glória Maria morreu após uma longa luta contra um câncer que começou no pulmão, e depois, em decorrência de uma metástase, se espalhou para outras partes do corpo, como o seu cérebro.

    Sem dúvidas essa é uma nótícia triste e que impactou todo o país, mas a Glória Maria, para nós, pessoas negras, era muito mais que uma importante jornalista, ela era um referência, um símbolo, pois foi precursora em diversos momentos, foi a primeira mulher negra a ocupar muitos lugares importantes e parte dessa história vem se tornando pública agora com a sua morte.

    Recentemente, Glória foi entrevistada no podcast Mano a Mano, captaneado por Mano Brown, e nos mostrou um outro lado, que talvez muitos não conheciam, pois ela era, ao mesmo tempo uma mulher combatente, por motívos óbvios, pois quem chegou onde Glória Maria chegou, teve de enfrentar – e vencer – um leão a cada dia. Mas ela também se mostrou bem humorada, simples e conhecedora de muitos assuntos, ela não fugiu de nenhum, e ainda fez elogios ao Mano Brown que pareceram uma xavecada marota.

    Glória Maria é um símbolo pra nós porque entendemos que a mulher preta é a base da pirâmide social, a que mais sofre com o racismo, gênero e pobreza, que é impactada triplamente pelo que chamamos agora de interseccionalidade. E ela venceu. Utilizou suas táticas de luta, que muitas vezes foi o silêncio para que depois pudesse gritar, ou melhor, para que depois todos nós pudéssemos gritar.

    Glória Maria por muito tempo foi o único corpo preto que víamos na TV aberta, disputando também o nosso imaginário, disputando símbolos. Ver a Glória Maria na televisão, em tantos momentos vitoriosos, importantes e gloriosos, fez uma geração inteira ter orgulho de ser preto. Por isso hoje vimos centenas de manifestações pelas redes sociais, tanto de seus colegas jornalistas, como Heraldo Pereira e Anielle Franco, atual Ministra da Igualdade Racial, quanto atrizes como Zezé Motta prestaram suas homenagens.

    Um adeus a Glória Maria.

  • Curso Popular Enraizados: Inscrições abertas para o pré-vestibular gratuito

    Curso Popular Enraizados: Inscrições abertas para o pré-vestibular gratuito

    O Curso Popular Enraizados é um curso voltado para a educação crítica e preparação para a vida universitária.

    A iniciativa nasce com a proposta de proporcionar um ambiente de troca para a formação política e cidadã para jovens e adultos da Baixada Fluminense que desejam adentrar no universo universitário, contudo os coordenadores e coordenadoras do curso salientam que entrar na universidade não é o objetivo central do curso, a ideia principal é a formação política. Porém, as estudantes e os estudantes que entrarem na universidade poderão continuar fazendo parte da rede do curso, e terão um acompanhamento durante todo o percurso universitário.

    Além do acesso ao conteúdo para “disputar” o ENEM, os estudantes também serão incentivados a particiaparem de atividades culturais que acontecem no Quilombo Enraizados (sede do Instituto Enraizados), e também a passeios por outros espaços culturais e educacionais do Rio de Janeiro.

    O curso é gratuito e as aulas acontecem de segunda à quinta, das 18:30 às 21 horas.

    Para se inscrever, acesse o link: INSCREVA-SE AQUI

    SAIBA MAIS:

    Quem tiver dúvidas sobre o curso, favor entrar em contato via whatsapp (21)9.6566-8216 ou por email cp.enraizados@gmail.com

  • O “Amanhecer” e o “Esperançar”, juntos na música de Rodrigo Caê

    O “Amanhecer” e o “Esperançar”, juntos na música de Rodrigo Caê

    Sexta-feira, 27 de janeiro, acordei às 06 horas da manhã, porque no dia anterior resenhei com dois amigos que não via há tempos. Como de costume sento-me no sofá para despertar, enquanto isso olho minhas redes sociais e confiro quem me mandou mensagem no Whatsapp.

    Dentre as mensagem havia uma mensagem do Rodrigo Caê, onde dizia: “Bom dia! É hoje! Você pode ouvir “Amanhecer” em todas as plataformas!”.

    Amanhecer!!!

    O título dessa música me fez pensar que todo amanhecer é esperançoso, todos os dias a gente espera um dia melhor, a gente espera que o dia seguinte traga novos ares, apesar de nem sempre a gente se esforçar pra isso. Mas mesmo assim a gente espera um dia de sol, uma proposta de emprego, que um amor não correspondido enfim corresponda. A gente espera, mas como diria Paulo Freire, a gente deveria esperar agindo, na esperança do verbo esperançar.

    Quanto coloquei a música pra tocar, percebi que ela começa com um som de pássarros, com algo que lembra um sintetizador, mas tudo bem suave. Parece que assim como eu, a música está tentando despertar. Logo depois entra uma bateria marcando como um tarol, mas ainda assim suave, naquele nosso processo do despertar. Em seguida entram o bumbo, a caixa, o hihat e por incrível que pareça, a única frase da música: “Dias melhores, eu quero dias melhores”. Enfim a ela “desperta” e nos convida pra dançar em busca de dias melhores.

    Talvez ela esteja tentano nos dizer que hoje será o nosso melhor dia, basta nós acreditarmos e esperançarmos. Basta chegarmos o sofá para o lado e dançarmos olhando a vida por outra perspectiva, como por exemplo, a do “copo meio cheio”.

    Obrigado por essa obra Rodrigo Caê!!!

    SAIBA MAIS:

    Voz, synth, beats, produção musical: Rodrigo Caê
    Mixagem: DJ Demmer
    Masterização: Rick Barcelos
    Video: Rodrigo Caê
    Selo: Quarto Escuro Sounds

    Contato: rodrigocaemusic@gmail.com

  • Coletivo ‘Colher Urbano’ visita o Quilombo Enraizados e prepara oficina de Horta Comunitária pra outubro

    Coletivo ‘Colher Urbano’ visita o Quilombo Enraizados e prepara oficina de Horta Comunitária pra outubro

    Na última segunda-feira (22), o coletivo Colher Urbano visitou o Quilombo Enraizados. A ideia era, além de conhecer o Quilombo, saber como poderíamos trabalhar juntos em algumas colaborações.

    O Colher Urbano é um coletivo formado por estudantes e professores da Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu. O coletivo mantém uma horta no campus, que intitulam como um espaço de experimentação de práticas agro-ecológicas e de incentivo à economia solidária.

    Nós do Instituto Enraizados, no ano de 2018, em parceria com o SESC de Nova Iguaçu iniciamos uma modesta horta no Quilombo, e a partir dela inspiramos e nos conectamos com a “Horta Comunitária Raízes”, coordenada pela Dona Lúcia, na comunidade Tancredo Neves, em Nova Iguaçu; e com o Instituto EAE, no projeto “Eles Queimam, Nós Plantamos”, capitaneado pelo ambientalista Alex Vieira, com o qual colaboramos com um replantio de mudas originárias da Mata Atlântica, no ano de 2021, durante o Festival Caleidoscópio.

    A pessoa responsável pela conexão entre o Enraizados e o Colher Urbano foi a Gabrielle Almeida, professora de Geografia do Curso Popular Mãe Beata de Iemanjá, estudante da UFRRJ que também faz parte do coletivo. Há meses conversamos sobre a possibilidade desse encontro acontecer, e enfim o grande dia chegou e a turma super alto astral aportou na nossa sede.

    Nos apresentamos e logo começamos a pensar nas possíveis parcerias. Muitas coisas legais já estão no nosso radar, mas o que saiu de concreto desse encontro é que em outubro teremos uma oficina de horta comunitária, que será ministrada por uma das integrantes do coletivo. A oficina visará incentivar que as pessoas possam manter hortas em suas casas, mesmo que não tenham quintal,

    Fiquem ligades que logo teremos mais novidades.

    GALERIA

    Samuca Azevedo plantando muda
    Samuca Azevedo plantando muda na Serra de Madureira, numa parceria entre o Instituto Enraizados e o Instituto EAE.
    Galera do Enraizados na Serra do Vulcão durante o reflorestamento
    Galera do Enraizados na Serra do Vulcão durante o reflorestamento
    Samuca, Dona Lúcia, Dudu e Átomo na Horta Comunitária Raízes
    Samuca, Dona Lúcia, Dudu e Átomo na Horta Comunitária Raízes
    Dona Lúcia com as crianças na Horta Comunitária Raízes
    Dona Lúcia com as crianças na Horta Comunitária Raízes

     

     

     

     

     

  • FML: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    FML: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Eu me chamo Fagner Medeiros de Lima, e no graffiti eu assino FML, porque na época eu estava pensando em criar um nome [artístico] pro graffiti.

    Eu comecei no graffiti em 1998. É a data que eu marco, pois não tenho uma data precisa. Marco de 98 pra 99 porque eu não sou bom nessa coisa de data.

    Nessa época eu conheci eu conheci a pixação na escola, só que eu não fiquei muito tempo nesse movimento da pixação, eu tava procurando uma coisa a mais e foi nesse momento eu conheci o graffiti.

    Quando conheci o graffiti eu precisava de um nome, eu precisava ter uma marca, e aí eu pensei em FML por que além de ser as iniciais do meu nome, acaba sendo uma coisa pra mim que significa família.

    E isso acabava incluindo as duas famílias, tanto da parte do meu pai quanto da parte da minha mãe, e mais as famílias que a gente consegue na rua, que vieram através do hip hop.

    Esse sim é o real significado de eu assinar FML.

    Eu não conhecia muita gente que fazia graffiti, a maioria tinha uma marca mesmo. Dificilmente a gente vê pessoas com três letras assim no graffiti, os únicos da época, que eu lembre, era o [Fábio] Ema e o [Marcelo] Eco. Eram as duas pessoas que eu via que tinha três letras, pois geralmente era de quatro pra cima. Então eu resolvi adotar essa tag FML justamente por isso, é bem a mais do que somente as iniciais do meu nome, pra mim significa família, mas não somente aquela família de sangue, é de ultrapassar essas barreiras.

  • DJ Julio Moska: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    DJ Julio Moska: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Me chamo Júlio Cesar de Oliveira da Silva, tenho 40 anos, sou conhecido como DJ Júlio Moska.

    Sou criado em Vigário Geral, radicado na Baixada há muito tempo. Tô aqui há praticamente 20 anos. Eu consegui, junto com os aliados, trazer muita coisa pra cá e fazer uma união maneira na Baixada Fluminense, fortalecendo a cena.

    Em 1998 eu comecei a vir pra Baixada, mas não ficava aqui direto. Minha mãe veio pra cá primeiro e eu continuei lá em Vigário, eu vim pra cá realmente em 2002, mas por questão de adaptação, por que lá tinha algumas facilidades. Mesmo assim eu já vinha pra cá, já conhecia a rapaziada que fazia rap.

    Comecei a ouvir rap em 1993, porque eu gostava muito de rasteiro. Meu tio me apresentou algumas coisas que tocava nos bailes.

    Eu tive muita influência do meu tio porque ele frequentava muito baile soul, e tudo o que tocava no baile tinha na casa dele. Eu chegava lá e sempre tinha um Soul Grand Prix rolando, tinha um Kaskatas.

    Teve uma coleção da Kaskatas que eu não me lembro bem, mas a capa era um muro grafitado, tinha uns caras fazendo posição de break. Ele não sabia explicar o que era, o que era a concepção daquela capa, mas eu pirava na música. Depois de um bom tempo que eu vi as pessoas dançarem break, mas eu não sabia o que era, porque canal de acesso não tinha.

  • Mad: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Mad: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Eu sou nascido na Baixada Fluminense, nascido em Mesquita. Fui menino de Mesquita nos anos 70, com toda aquela dificuldade, da pobreza mesmo.

    A gente nos anos 70 e 80 era diferente, era muito pobre, todas as famílias eram pobres. A gente tinha uma dificuldade muito grande. Não que a gente não tenha hoje, mas é que as dificuldades eram outras.

    Tem essa questão de ter a família dividida. Num certo momento meu pai foi embora de casa, minha mãe ficou sozinha. Ficamos eu, meus dois irmãos e minha mãe, e nessa época me lembro que minha mãe trabalhava fora… trabalhava pra comprar comida, e a gente só não andava pelado porque minha mãe era costureira.

    Fala-se que a Baixada hoje é violenta, mas eu nunca vivi momento de paz na Baixada. A Baixada de hoje é violenta, mas a Baixada que eu vivi era muito violenta também, e era uma baixada onde existia a ignorância, onde as pessoas não respeitavam aquilo que tava fora do padrão, a mulher era muito desrespeitada, o gay era muito desrespeitado.

    Eu posso falar de Mesquita, da minha área, dos arredores da minha casa, mas acho que a Baixada toda tinha essa questão muito forte dos grupos de extermínio, e a população assinava embaixo.

    Tinha uma máxima que dizia que “ninguém more a toa”.

    Eu também participava dessa máxima. Morreu é porque devia.

    Muito tempo depois eu fui descobrir que isso tudo era mentira, que se morria por muito pouca coisa. Até de você usar um baseado era motivo pros caras te matarem, então era muito latente a violência na Baixada nessa época que eu fui garoto, que eu fui jovem, isso era uma coisa constante aqui.

    Hoje as pessoas romantizam muito… “ah que naquela época…”, naquela época era foda também, era muito violenta e a gente tinha que andar no sapato, porque o risco de morrer por qualquer motivo era constante.

  • Slow da BF: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Slow da BF: As histórias do hip hop da Baixada Fluminense

    Meu nome é Slow da BF, eu nasci na Zona Oeste porque meu pai era militar, mas só por isso. Em seguida já voltei pra Baixada. Morei em Nilópolis, São João, Caxias, sempre fui de lá.

    Comecei muito cedo a ir pra baile porque meu pai era DJ. É DJ até hoje. Desde que eu me entendo por gente, até antes de ir pra baile, eu já ia pra feira dos discos com meu pai, então sempre ficava ouvindo essas músicas e tal.

    Pra mim, a minha parada com arte, com cultura, começou com vinil, ouvindo disco, queria saber o que era, e quando eu menos esperei estava escrevendo pra poder fazer o que eu via os caras cantando.

    Eu não comecei inspirado em gente que eu conheço, amigo, comecei dentro da minha casa, ouvindo o disco do Afrika Bambaata, e tinha aqueles caras fazendo a rima. Eu era muito bom na escola também, sempre fui.

    Eu fazia redação, então ficava pensando, na minha cabeça, antes de saber que existia hip hop, que se eu conseguisse colocar rima nas coisas que eu escrevia, aquilo ia parecer com o que aqueles caras estavam cantando, em inglês primeiro, porque a gente não tinha referência brasileira, em oitenta e pouco não, foi ter a primeira referência com o Black Junior, que era um rapper meio breaker, isso em 84. Eu ouvi, mas não era meu o disco, ouvi uma vez em algum lugar e alguém falou que era Black Junior.

    <continua…>

  • Passistas Dancy, de Minas Gerais, lançam clipe da música ‘Vamos Dançar’

    Passistas Dancy, de Minas Gerais, lançam clipe da música ‘Vamos Dançar’

    Na semana passada estive em São Paulo para uma formação do Sebrae com o British Council, sobre economia criativa, e tive a honra de conhecer dois dos integrantes do grupo Passistas Dancy. O grupo é formado por cinco pessoas, sendo quatro rapazes e uma moça, contudo em Sampa estive com dois deles, que diga-se de passagem são rapazes muito animados e que emanam uma energia super positiva, além de  dançarem bem demais.

    Por conta disso, logo após uma apresentação deles na Fábrica de Criatividade, no Capão Redondo, me aproximei para trocar ideia.

    Vitinho, o aparentemente mais novo da dupla, me disse que lançariam o clipe da música Vamos Dançar, no Red Bull Station, ainda naquela semana, então decidi ir ao lançamento para conferir o vídeo, e posso dizer que eles literalmente levantaram a galera do Brasil inteiro, pessoas que estavam presentes no evento. Essa galera cantarolou a música durante o restante da semana.

    Animado por conhecer parte do movimento do “passinho” de Minas Gerais, liguei para o Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, para contar sobre meu achado, e quem sabe proporcionar uma aproximação entre eles, mas não coincidentemente ele já os conhecia e mandou um super salve.

    Poucos dias depois e o clipe já está com mais de 15 mil visualizações no youtube, por isso escreve esta coluna/notícia, para apresentar essa molecada mineira pra vocês.

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