No dia 27 de Dezembro de 2010, terça-feira, alguns dos militantes do Movimento Enraizados estavam reunidos na sede da organização, em Morro Agudo, para realizar alguns trabalhos, quando surgiu Dudu de Morro Agudo dizendo que receberiam a visita de Wilson Neném (Jah Bless) que viria de Santa Catarina para gravar uma música no Estúdio Enraizados.
LICENÇA POÉTICA
Obs: Para baixar a música clique do lado direito do player, na seta para baixo.
MC’s do Movimento Enraizados se reúnem e gravam disco em apenas uma noite.
Logo depois surgiram outros MC’s, que se juntaram ao grupo com o intuito de gravarem juntos algumas músicas. A escalação do time ficou a seguinte: Dudu de Morro Agudo, Wilson Neném, Léo Da XIII, Átomo e Petter MC.
A ideia inicial de fazer apenas uma música caiu por terra, e desenvolveu-se um plano maluco de gravar um disco em apenas uma noite. Isso seria possível? Talvez. Mas um disco não seria suficiente, pois quem acreditaria nesses indivíduos quando eles afirmassem ter gravado um disco numa noite só?
Foi aí que entrou em cena o Samuca Azevedo. Com uma câmera na mão ele registrou cada momento da audaciosa produção musical. Surge aí, um documentário que acompanha a produção do disco, contendo depoimentos dos envolvidos no processo, cenas das composições, produção das bases instrumentais e gravações.

“Participar dessa empreitada foi algo novo e desafiador. Captar o momento de criação e de maturação de ideias foi algo único, ao mesmo tempo, estar antenado com os movimentos de cada integrante e captá-los. Ver também a técnica de cada um sendo utilizada de forma que ficasse um material homogêneo no final”, disse Samuca Azevedo ao ser indagado a cerca do documentário por ele dirigido durante o processo de produção do disco.
Nasce então “Licença Poética” primeira composição da noite. A ideia foi do Átomo, porém, todo o coletivo abraçou o tema, arregaçou as mangas e foi ao trabalho. Terminado o processo de composição da música o grupo adentrou ao estúdio, escolheu uma base produzida por Léo Da XIII e gravou as vozes.

“Os caras me ligaram e disseram o seguinte: qual é Léo Da XIII? Chega aí no espaço que tá geral aqui. No começo eu achei que era pra beber, zoar e falar de mulheres. Como um bom ‘galudo’ eu fui mesmo sem saber o propósito. Chegando lá, a missão era gravar músicas, pois tava pra ‘colar na grade’ Wilson Neném e Átomo. Daí então começamos a trocar ideias, e uma das ideias mais loucas foi sair dali só de manhã com um CD pronto. O processo foi meio cansativo, mas muito divertido. Alguns com sono, alguns desanimados, mas é isso. Esquadrão Zumbi!” – Disse Léo Da XIII, MC e produtor de rap responsável pela produção do álbum.
As próximas composições começaram a surgir de forma livre e descontraída. Numa dessas, chamada “Clube dos Cinco”, chegaram ao consenso de que seria este o nome do disco.
Já eram 03 horas, e madrugada a dentro o “Clube dos Cinco” continuava a compor e gravar suas músicas. Para adiantar o processo, o coletivo enlouquece de vez e decide gravar uma faixa inteira em forma de Freestyle – rap improvisado. A ideia vingou e a música “Dormir Pra Quê?” promete ser uma das melhores faixas da coletânea.
Em Janeiro de 2011, o disco “Clube Dos Cinco” será vendido por camelôs, lojas parceiras, pela internet e pelos próprios integrantes do grupo, que venderão de mão em mão. Aguarde!
LICENÇA POÉTICA
Obs: Para baixar a música clique do lado direito do player, na seta para baixo.
Licença Poética é um rap escrito a cinco mãos.
Os MCs – ou simplesmente poetas, metaforizaram a tal “licença poética” que os permitiria utilizar incorreções de linguagem em seu sentido mais amplo e se colocaram como a própria linguagem.
O poeta pode fazer uso da chamada licença poética para extrapolar o uso da norma culta da língua, assim como o MC pode fazer uso do rap para extrapolar no mundo na música.
Os MCs estrapolaram o uso do rap e hoje, no Brasil, transitam nos mais variados territórios e classes sociais, utilizando de sua própria existência e aceitação.
Em análise mais profunda, pode-se perceber que essa música vai além da arte e nos leva a uma crítica político-social mostrando de cinco diferentes formas a inserção da periferia no centro, através dos mais variados modos, onde a arte é somente um deles.
GALERIA
Deixe um comentário para Suelen Becker Cancelar resposta