Quanto vale o show?

No último final de semana, além das eleições, eu tive um outro momento “de muita emoção”. Aí você pensa, caro leitor: lá vem historinha! Pois é, meu caro, minha cara, senta, que essa história vai ser das boas!

Sexta feira (03/10), eu e marido embarcamos a trabalho rumo a “Terra da Garoa”. Isso mesmo, a terra que, segundo as músicas, não tem amor. Embarcamos felizes e entusiasmados no Rio de Janeiro, com reservas para retorno no domingo, a tempo de irmos as Urnas cumprir nosso papel cidadão. Até aí tudo bem. Tudo correu muito bem no antes e no durante. Os problemas começaram no depois (volta pro Rio):

1º – Ao chegar ao aeroporto de Congonhas – SP, no checkin avistei o Tony Tornado, tranquilo, de camisão florido, óculos escuros, e eu, louca por uma foto com esse ícone da black music, estava atrasada para o embarque. Resultado?! Nada de fotos. Nesse instante eu pensei: fazer o que, né?! Acontece. Quem sabe um outro dia, em uma outra vida…

2º – Já na sala de embarque, perdida, ouvindo meu nome pela terceira vez nos auto falantes, avisto “explendorosa” a deliciosa Elke Maravilha!  Oi?! Tá de sacanagem comigo, Cosmos?! Só a nata das décadas de 70 e 80 resolveram “cruzar” comigo hoje?! Eu correndo feito louca, ainda tive tempo de vê-la abrir um largo sorriso em minha direção — não sei se ela ria de mim ou pra mim — com um batom vermelho “bôcalôka” e “esvuaçantes” cabelos platinados. Fazer o quê?! Estava mega atrasada, não podia messsmooo parar pra tirar foto. Perdi o vôo. Sem foto com a Elke e sem o vôo é ph@$#!!!!

3º – Pensa que acabou?! Desembarquei no Rio e pensei: tá tranquilo… Porra nenhuma! Extraviaram minha mala! Uma lágrima desce dos meus olhos quando eu me lembro que meu casaco dourado “bafônico” estava dentro. Arrasada começo a alterar minha voz, questionando os funcionários da empresa aérea sobre quais os procedimentos para reaver meus pertences. Pessoas passavam e me olhavam de lado. Leio em silêncio alguns de seus pensamentos: “Pra que esse show?”; “Quanto valem as roupas dessa aí?” Naquele instante me perguntei: quanto vale o meu show?! Após fazer a ocorrência, seguindo os tramites da empresa, decidimos ir embora…

4º Pra lacraaaaarrrrrrrrr! Na esteira, com lágrimas nos olhos e percebendo atentamente cada mala, cada viajante que conseguia sair com seus pertences dali, olho mais atentamente uma jaqueta preta, um corte de cabelo, óculos escuros, comento mais que arrasada com o meu marido e com o funcionário da empresa aérea: hoje já me aconteceu de tudo: Elke Maravilha, Tony Tornado, mala… Daí, ver o Evandro Mesquita e estar arrasada demais para tietar uma selfie, é demais para um dia só.

Quem me conhece sabe que eu não “pago pau” pra qualquer um, mas esses, foram artistas marcantes na minha infância e juventude. Eu estive no show da Blitz na primeira vez em que eles subiram ao palco do reveillón de Copa. Eu “sinto” várias músicas, como “geme-geme” e a consagrada como patrimônio musical “A dois passos do Paraíso”. Eu assisti a “Top Model”, “Radical Chique”… Como não tietar esse cara?!

Quase sentei e chorei, li-te-ral-men-te! E com tudo isso, me responda você, caro amigo leitor: quanto vale o meu show no aeroporto?! Quanto valem os transtornos causados?! Ah, sobre a mala, com roupas de valor inestimado (minha camisa florida, meu pretinho básico, minha calça levanta bumbum) nem sei, só sei que deveria ter parado tudo, desde o começo… Deveria ter feito a selfie com o Tony…

 

Sobre Cristiane de Oliveira

Produtora Cultural, Head na Agência #TudoNosso, CupCake Designer na CupCake da Cris, mãe, mulher, escorpiana e absolutamente mutante nesse mundo de imperfeições.

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