quinta-feira, 25 julho, 2024
Colunista Dudu de Morro Agudo
Colunista Dudu de Morro Agudo

Como a imprensa carioca e fluminense enxergam a Baixada Fluminense

Olá amigos que sempre dedicam um tempinho lendo minhas colunas aqui no Enraizados. A de hoje é importante, espero que gostem e comentem.

Hoje, assim que acordei, como faço todos os domingos, fui ao jornaleiro e comprei todos os “principais” jornais. O Dia, O Globo e o Extra.

Já havia conversado com alguns amigos jornalistas e com outros amigos que trabalham com comunicação de uma forma mais ampla, e já expus a minha insatisfação com o fato de ter um caderno Baixada. Acho que é mais uma forma de nos segregar, pois nossa arte fica limitada na nossa região, quando poderia chegar a um número maior de pessoas.

Mas alguns deles não concordaram comigo e disseram que era uma forma de valorizar e dar visibilidade para a região. Outros concordaram comigo, mas acharam normal, pois “sempre” foi assim, o que acontece na Baixada não interessa para o restante do Estado. Ops… O que acontece culturalmente não interessa, pois a nossa desgraça vende.

Vocês já repararam que a Baixada só aparece na capa dos jornais ou em grandes matérias quando o assunto em questão é a violência?
Quase sempre, alguns de nós, artistas, ficamos segregados até mesmo dentro do caderno Baixada, pois como já mostrei hoje – em minhas potagens no facebook, só mostra eventos pagos, de produtores de médio porte, casas de shows grandes ou com influências político partidárias. Isso me faz questionar de forma dura a real intenção – ou função – da imprensa carioca e fluminense.

Se você acha que estou mentindo ou exagerando, faça um exercício, compre os jornais, todos os que puder comprar e faça um trabalho de recorte, relembrando as épocas de crianças, das aulas de educação artística.

Recorte todas as matérias do jornal que falem da Baixada Fluminense. Faça seu caderno Baixada, recorte apenas as notícias dos eventos que são gratuitos ou dos que não façam propaganda para as empresas da cidade, restaurantes, lojas de carro, etc, e os que não façam a descarada propaganda político partidária.

Veja o que nós da Baixada Fluminense representamos para a imprensa carioca e fluminense.

Nesta semana estive em um evento de música alternativa (rap, rock e reggae) no Nativo Bar Clube, em Miguel Couto, na quinta feira, estive também em outro, cujo o nome é MusicAção na Pista, no sábado, que integrou ao festival internacional Grito Rock, aconteceu na Praça de Skate de Nova Iguaçu e reuniu mais de 200 jovens e mais de 10 artistas se apresentaram, muitos deles ainda adolescentes. Hoje, domingo, está acontecendo um evento no Ananias Bar, que reúne bandas de Rock da cidade e libera o microfone para que outros artistas possam se apresentar, e também aconteceu uma roda de samba no Marko II, na rua.

Sabe o que todos esses eventos tem em comum?
Eu respondo. Todos são gratuitos.
Sabe de outra coisa em comum?
Não saiu nenhuma nota, de nenhum deles, em nenhum dos “grandes” jornais e nem mesmo no segregador caderno “Baixada”.

Pra que serve esse caderno Baixada?

Sobre Dudu de Morro Agudo

Rapper, educador popular, produtor cultural, escritor, mestre e doutorando em Educação (UFF). Dudu de Morro Agudo lançou os discos "Rolo Compressor" (2010) e "O Dever Me Chama" (2018); é autor do livro "Enraizados: Os Híbridos Glocais"; Diretor dos documentários "Mães do Hip Hop" (2010) e "O Custo da Oportunidade" (2017). Atualmente atua como diretor geral do Instituto Enraizados; CEO da Hulle Brasil; coordenador do Curso Popular Enraizados.

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