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De belchior à brechó

O que conhecemos como brechó surgiu por volta do século XIX, quando um homem abriu a primeira lojinha de produtos usados no Rio de Janeiro. O comerciante se chamava Belchior e assim ficaram conhecidas tais lojas, que chegam a ser citadas no conto “Ideias de Canário” de Machado de Assis.

“… sucedeu que um tílburi à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de uma loja de belchior… A loja era escura, atulhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio.”

Com o tempo e a rápida reprodução, a palavra belchior acabou se transformando em berchior e depois em brechó, como falamos hoje.

O belchior é primo da sebo (loja que vende apenas livros, revistas e discos de vinil de segunda mão), mas diferente de seu parente, nele se encontram também roupas, sapatos, acessórios, utensílios domésticos e mais um monte de coisa que se queira dar uma nova vida útil por um preço acessível.

Hoje em dia conseguimos distinguir também os bazares, que em sua maioria são beneficentes, sendo propostos geralmente por igrejas, onde recebem doações de roupas e as vendas são revertidas pra angariar fundos para Instituições Solidárias.

Assim como as alterações que o termo sofreu, as formas como encontramos brechós também mudaram, se modernizando junto com a tecnologia. Hoje é possível encontrar brechós itinerantes; feiras com diversas exposições e araras; vitrines online, contando com reservas e entregas, facilitando assim a compra e propagando a ideia de consumo consciente. Tudo isso faz com que o garimpo seja uma alternativa inteligente e sustentável, trazendo opções não só mais baratas como também de melhor qualidade, capazes de ter um tempo de vida mais longo que a das roupas de departamento produzidas em larga escala.

Sobre Beatriz Dias

DJ, fotógrafa e gerente de conteúdo do Portal Enraizados.

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