sexta-feira, 23 fevereiro, 2024

Viver numa grande cidade brasileira.

Conheço muitas capitais do país, São Paulo onde moro, Rio de Janeiro-RJ, Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Vitória-ES, Rio Branco-ACRE, Goiânia-GO, Fortaleza-CE, São Luís-MA, Salvador-BA…

Só muda o sotaque, mas a segurança da população é um dos principais problemas e temores da população.
Não tem sido nada fácil viver numa grande cidade. Insegurança por toda parte, pessoas se blindando em condomínios e outros construindo em favela, palafita, morro.

Esses dias o Datena disse que o condomínio que ele mora é muito seguro, até demais….
Pra quem pode né, quem não pode vive a rua, porque é nela que busca o pão de cada dia.

Se a cultura não estivesse nas quebradas, o esporte… com certeza o numero de meninos e meninas que iriam se envolver com o crime, seria muito maior.
Gravei em projetos culturais pra TV por 6 anos (3 na TV Cultura e 3 no SPTV da Globo) e afirmo.
– A cultura e o esporte salva muitas vidas, transformam sonhos em realidade, traz outras possibilidades.

Só no SPTV da Globo de Set/2011 à 2014 foram 147 quadros exibidos e em todos eles vimos o quanto cada um é importante pra sua comunidade.
Apoio é pouco, grande maioria dos fazedores de cultura tem um “trabalho formal” paralelo, pra sustentar sua própria família. Se esses profissionais e lideres culturais fossem contratados pra continuar a fazer o que já faz, mudaria o mundo…

Porque sem precisar passar a maior parte do tempo na metalúrgica, na obra, na portaria, na cozinha, no escritório…. ele iria produzir muito mais e alcançar mais resultados.

Mas a quem interessa ? Quem se preocupa.

Apoiar um evento cultural na sua quebrada não está nos planos de quase nenhuma empresa e comércio, preferem comprar câmeras de segurança.
Se pensarmos sempre no “presente”, nunca iremos projetar um “futuro” melhor.
A periferia e a favela é predominantemente de homens e mulheres trabalhadores, senão…. não adiantaria as grandes, cercas eletrificadas, câmeras…. eles iam te pegar.
Precisa mudar, a forma de pensar… a gente, de agir.

As empresas no investir. O governo no apoiar mais diretamente, sem edital, porque muitos que “Fazem” não escrevem projetos e tem gente comendo nosso dinheiro, na literatura, no teatro, no cinema. Desde sempre.

Pessoas responsáveis por Casas de Cultura, bibliotecas, teatros, não são pessoas que produzem cultura e deveria ser. Quem não faz não sabe o que precisa.
Na quebrada é mais gritante, o coordenador da casa de cultura do bairro, deveria ser um fazedor de cultura do bairro. Ninguém melhor que ele pra saber o que precisa ser feito, quem merece ser valorizado, contratado.

O diálogo não é aberto e pra periferia ainda querem dar farelo, olha o cachê de um escritor de “renome” e um TOP da Literatura Marginal, em feiras do livro e eventos literários, a diferença é gritante.

Compara os maiores nomes do Hip Hop e os sertanejos e artistas da mídia, muitos deles enlatados e sem conteúdo. É muita diferença.
Misturei segurança com cultura, mas poderia misturar escola com cultura, precisa fazer isso pros nossos jovens não ficarem brigando pra filmar e por no facebook, viu como misturando com educação com cultura da segurança de novo.

Rápido, o ar está sufocante fora do carro blindado e do condomínio fechado.
Tem gente roubando morador na quebrada, ta sem limite e respeito.
Vocês empresários e classe média alta…. se não mudar o pensar, o “problema” um dia vai encontrar você. Tome uma atitude solidária hoje. Aumenta em 20% o salário da sua empregada, babá, motorista e diminua em 1 hora a carga horária deles, vai estar melhorando a cidade e aumentando sua segurança.

Não adianta mais polícia, nem mais cadeia.
Só a cultura, educação e o esporte, podem combater a violência.

Sobre Alessandro Buzo

Alessandro Buzo tem 42 anos, nascido e criado no Itaim Paulista, extremo da zona leste de São Paulo. Vida comum de periférico, trabalhando pra sobreviver desde os 13 anos de idade. No ano de 2000, lançou independente o livro , O TREM - BASEADO EM FATOS REAIS. (500 exemplares) A partir daí mudou sua trajetória........ Hoje, Alessandro Buzo é..... Autor de 11 livros, entre eles Guerreira, Hip Hop - Dentro do Movimento.... Lançou em 2014 .... Favela Toma Conta 2 - A Literatura e o Hip Hop Tranformaram Minha Vida. Organizador de 7 coletâneas literárias, 5 vol. do Pelas Periferias do Brasil e 2 Vol. do Poetas do Sarau Suburbano. Diretor (junto com Toni Nogueira) do filme Profissão MC (ficção, 2009, 52 min), disponível no YOUTUBE , traz no elenco Criolo Doido, Da Antiga, Dj Dan Dan, Rappin Hood e grande elenco. Fez o quadro Buzão - Circular Periférico por 3 anos no Programa Manos e Minas da TV Cultura. De setembro de 2011 à setembro de 2014, apresentou o quadro SP CULTURA no Jornal SPTV 1a edição da Rede Globo, quadro semanal com a cultura da periferia. Pai do Evandro Borges (14 anos) e casado a 16 anos com Marilda Borges que além de esposa é minha produtora e fotografa. Organiza a coletânea literária "Pelas Periferias do Brasil", já foram 4 volumes. Apresenta o quadro "Buzão - Circular Periferico", no Programa Manos e Minas da TV Cultura. É proprietário da "Livraria Suburbano Convicto" no Bixiga em SP (Rua 13 de Maio, 70 - 2o and), única do país, especializada em Literatura Marginal. Diretor (junto com Toni Nogueira) do filme "Profissão MC" (ficção, 52 min). Ganhou 2 vezes o Prêmio Hutúz (2007 e 2008) na categoria "Ciência e Conhecimento". A partir de agosto, inaugurou o "Espaço Suburbano Convicto" no Itaim Paulista (Extremo Leste de SP), com Biblioteca, Sarau, cinema e 6 oficinas culturais. No mesmo bairro, idealiza e realiza desde 2004 o tradicional evento de Hip Hop "Favela Toma Conta", que sempre foi gratuíto em suas 22 edições já realizadas, apresenta ainda os eventos "Suburbano no Centro", "Encontro com o Autor" e "Suburbano em Debate". Atualiza diversos BLOG´s e todos podem ser acessados via site: www.buzo.com.br Além disso é palmeirense e sempre será um "Suburbano Convicto"

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Falta de respeito e calote

Em nome de uma amizade tomei um calote de R$1.200,00 da prefeitura de Poá-SP, mas esse foi o último da minha vida.

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