Funkeiros de São Gonçalo transformam escola desativda em Centro Cultural

Eles são empreendedores natos. Jovens funkeiros que há cerca de 14 anos enxergaram que o poder do funk ia bem além dos palcos, que poderia ser uma perfeita ferramenta de inclusão social para os jovens da periferia de São Gonçalo. Depois de muita luta e sonho, conseguiram o primeiro espaço onde funcionará a sede do Movimento Cultural Rede Funk Social, através de uma difícil articulação com o próprio governador do Estado do Rio de Janeiro.

Foi assim que a Escola Estadual José Augusto Domingues se transformou no CENTRO CULTURAL CASA DO FUNK, uma atitude louvável do governo do Estado que precisa ser replicada por todo o Estado do Rio de Janeiro, através da ocupação de equipamentos públicos desativados, por instituições culturais da região. Uma discussão já levantada por pessoas como o Leandro Santana, do Espaço Cultual Queimados Encena, que criou um grupo no facebook para discutir o assunto com outras instituições.

Certamente esse é o início de uma grande luta que dependerá fundamentalmente do apoio de outras organizações culturais e sociais, empresas privadas e poder público, mas quem luta há mais de uma década por um sonho, certamente não deixará escorrer pelas mãos uma oportunidade de ouro como essa. E o Movimento Enraizados está lado a lado porque acreditamos que a luta de nossos irmãos também é a nossa luta.

Leia a entrevista que Dudu de Morro Agudo fez com Renato Patrão, fundador do Movimento Cultural Rede Funk Social.

DMA – Há quanto tempo existe o “Movimento Cultural Rede Funk Social”?

Renato Patrão – Foi fundado em 19 de junho de 2001

Qual o objetivo do Movimento?

Utilizar o ritmo funk como ferramenta de inclusão social e estimulo à arte-educação e a cultura, gerando ações e iniciativas que promovam a capacitação de jovens e adolescentes da cidade de São Gonçalo e cidades vizinhas.

Quem foram os criadores e quem faz parte atualmente?

José Renato (Patrão), Cristiano Tavares (Cristiano DJ), Reginaldo Andrade (R MC) e Júlio Cesar (Mr Brother).

Porque decidiram o ocupar a escola estadual José Augusto Domingues?

Na verdade não decidimos ocupar a escola. Nós estávamos à procura de uma sede há muito tempo.
Como aqui em São Gonçalo foram fechadas diversas escolas há cerca de três anos, decidimos ocupar esta unidade, principalmente pela importância que ela tem pra comunidade.

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Frente da escola que se transformou no Centro Cultural Casa do Funk

Como aconteceu a aproximação com o governador Pezão?

Há cerca de seis meses nós começamos a tentativa dessa aproximação com o Governador para que ele nos permitisse ocupar esta unidade desativada. Um dia ele veio em São Gonçalo para o evento “FALE COM A GENTE”, ficamos o dia inteiro para conseguir falar com ele.

Quando começamos contar nossa história ele nos disse que já sabia quem nós éramos. Disse que o Marcelo, do Afroreggae, fala muito de nós e que queria nos conhecer. Quando falamos da escola desativada, ele chamou os secretários de Cultura e o de Educação e disse que era pra eles tomarem conta do nosso processo de perto, pois ele estava nos cedendo a escola. O Governador me passou seu contato pessoal e disse eu manter ele informado de todo o processo. Desde então mantemos contato e a escola se tornou o CENTRO CULTURAL CASA DO FUNK.

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“Ainda há muita coisa para se fazer no local e toda a ajuda é bem vinda”.

Em que fase está o processo de concessão do Espaço?

Está em fase de tramitação pela SEPLAG, na coordenadoria de acompanhamento processual.

O que pretendem fazer no novo espaço?

A casa do funk é um espaço de articulação e desenvolvimento cultural que promove e incentiva a cultura funk afim de potencializar o ritmo e fomentar o protagonismo juvenil. Um espaço que busca contribuir na construção social e cultural de cada jovem e adolescentes envolvido, compartilhando ideias e ações. Capacitação dos jovens em um local de atividades e encontros, de discussão e debates, além de mostras e exposições voltadas ao ritmo.
Queremos um Polo Cultural em São Gonçalo, pois a possibilidade de prática cultural é muito escassa.

Como está a estrutura do local? Como pretendem reformar?

A estrutura está OK, segundo a Secretaria de Infra Estrutura que foi enviada a pedido do Governador, porém é preciso realizar muitas obras, pois o local está há mais de 3 anos abandonado e foi depredado. Roubaram telhas, canos, fios, caixas d’água, enfim, pretendemos reformar com ajuda de doações de pessoas físicas e jurídicas.

Estamos tentando parcerias para essa nossa caminhada.

Como imaginam essa parceria com o Movimento Enraizados, já que o movimento de vocês é funk e o do Enraizados é hip hop?

O funk e o hip hop são movimentos que nascem da mesma proposta de valorização. A Rede Funk Social busca trazer para o artista do funk  o mesmo comprometimento que o cantor de rap tem com o hip hop.

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Parceria estabelecida com o Movimento Enraizados

Acha que haverá alguma dificuldade em trabalhar em parceira?

Acreditamos que não, pois mantermos uma boa relação entre as entidades e entre os articuladores das mesmas, o que possibilita um bom dialogo entre as partes.

Quem quiser ajudar, o que tem que fazer?

Entrar em contato, acreditar no trabalho e ter um tempo pra dedicar a causa.

Quais são os contatos de vocês e o endereço do novo Espaço.

centroculturalcasadofunk@gmail.com
redefunksocial@ig.com.br
joserenatorfs@ig.com.br
priscilarebeca@ig.com.br

021 964820016
021 964820017
021 3583 4770

Endereço: Rua José Argel da cruz barroso s/nº – boassu – São Gonçalo RJ.

Sobre Hulle Brasil

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