quarta-feira, 17 julho, 2024

Zamba: 40 anos de escravidão

Pra quem viu o filme “12 anos de escravidão” e ficou impressionado/revoltado – assim como eu, precisa ler o livro “A vida e aventuras de Zamba, um Rei Negro Africano”. 

Eu tenho que admitir que não conhecia a história de Zamba Zembola, um príncipe africano que escreveu sobre os 40 anos que ficou escravizado. Só fiquei sabendo da história após um desafio feito pelo projeto #RapLAB, o qual coordeno, onde pedi para que os jovens batizassem um dos personagens.

Um dos participantes do desafio, o jovem Gabriel Rangel, sugeriu o nome Zamba. Nós da produção gostamos da sonoridade do nome, e também gostamos por que de alguma forma este nome nos remetia à África, mas realmente não sabíamos de quem se tratava, acredito que nem o próprio Gabriel sabia.

Como de costume, comecei a pesquisar sobre o nome, para ter um argumento na hora da defesa. Num primeiro momento, minhas buscas não me levaram a lugar nenhum. Contudo quando me aprofundei um pouco mais, me deparei com um pequeno texto falando sobre o jovem príncipe do Congo.

Tentei organizar um pouco o texto para compartilhar com vocês. Leia abaixo.

Zamba Zembola

Zamba foi um príncipe nascido em 1780, filho de um rei de uma pequena comunidade do Congo. Foi capturado durante uma de suas viagens para a América e então vendido como escravo, trabalhou por 40 anos como escravo em uma fazenda em Carolina do Sul, e neste período escreveu sua autobiografia narrando seu sequestro e os anos de sofrimento.

A obra, cujo o nome é “The Life and Adventures of Zamba, an African Negro King” (A vida e aventuras de Zamba, um Rei Negro Africano) só foi publicada em 1847 por Peter Neilson, um abolicionista escocês.

Infelizmente o livro só está disponível em inglês, e encontrei na Amazon por uma bagatela de US$137,59 [Compre aqui] ou se preferir, tem de GRAÇA no Google Books, presente do tio Dudu 🙂 >>> http://bit.ly/1IUVDzs

Sobre Dudu de Morro Agudo

Rapper, educador popular, produtor cultural, escritor, mestre e doutorando em Educação (UFF). Dudu de Morro Agudo lançou os discos "Rolo Compressor" (2010) e "O Dever Me Chama" (2018); é autor do livro "Enraizados: Os Híbridos Glocais"; Diretor dos documentários "Mães do Hip Hop" (2010) e "O Custo da Oportunidade" (2017). Atualmente atua como diretor geral do Instituto Enraizados; CEO da Hulle Brasil; coordenador do Curso Popular Enraizados.

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Este texto reflete sobre o conceito de "Educação Clandestina", destacando sua abordagem contrária ao ensino formal. Explora as lacunas do sistema educacional brasileiro, particularmente em relação à alfabetização e ao letramento nas escolas periféricas. Descreve como movimentos sociais reúnem conhecimentos diversos, ausentes das instituições formais, promovendo uma troca que desafia o status quo. Aponta a importância da conscientização política e da ação crítica na transformação da realidade. Destaca a educação clandestina como um processo contínuo de formação política, capaz de despertar indivíduos para a realidade e capacitá-los a questionar, refletir e agir em prol da mudança social.

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