E quando o ‘justiceiro’ erra na ‘justiça’?!

Apareceram ali, uns 5/6 jovens tentando me assaltar. Mas senti que o assalto parecia apenas a desculpa para algo mais violento. Corri. E a uns cinco metros apareceu um cara caminhando com uma bicicleta do lado. Ele me acertou o pé nos peitos, eu voei pra rua na hora que o ônibus passou. Me jogou longe mas não passou em cima de mim.”

O trecho acima foi retirado de um depoimento postado recentemente numa rede social. Um amigo, ao sofrer uma tentativa de assalto, correu pela avenida. Enquanto corria, entrou no campo de visão de um transeunte que de nada sabia. A partir daí, passou da condição de mocinho para possível malfeitor. Foi brutalmente agredido. Moral da história: se livrou da agressão dos assaltantes, mas não se safou da implacável e cruel violência de um “justiceiro”.

Partindo da moral dessa história eu lanço a pergunta: somos capazes de julgar e condenar alguém em frações de segundos? Se a sua resposta for positiva, de que servem os inúmeros processos de investigação instaurados e julgados pelo nosso judiciário?! Pense bem antes de responder. Não seja injusto! Já pensou no quão tênue é a linha que separa o ser justo do que faz a justiça?! Um julgamento errado pode ter suas consequências julgadas?

E ainda que a acusação proceda, que o réu seja de fato culpado, qual ser humano merece ser espancado, torturado, violentado?! Aaahhh! Já sei: um assassino merece ser assassinado. E um estuprador merece ser estuprado. Mas, e se esse assassino em questão for seu filho? Se o estuprador em questão for seu filho?

Se seu filho, ou filha, ou irmão, ou irmã sofrem uma violência sexual? Morte ao abusador. Se uma vida é levada por alguns ou por muitos trocados? Morte ao malfeitor. Mas pera aí: a mesma razão que te infla de direitos sobre o destino dos que fazem o mal não seria a que move o mal? Como romper esse ciclo? Olho por olho e dente por dente não legitima a ação do malfeitor no momento em que, de algum modo, por alguma de nossas mazelas sociais, ele se sente injustiçado?!

E se for você no lugar do outro?!

E se…

E se…

Na dúvida, a única certeza que nós  temos é de que a vida é uma só e não aceita reparação ou retratação em cima de vidas perdidas.

Não, meu caro leitor. Eu não sou santa. Sou mãe, mulher e reflexiva quanto aos males desse nosso mundo.

Castigos e punições são de fato necessários quando o intuito é de reprimir o erro e evitar a reincidência. Espancar, torturar e matar é só o jeito mais fácil de se isentar das responsabilidades sociais.

Então, parceiro… Antes de julgar, apontar, e principalmente: antes de condenar alguém por algo, tenha tempo para ter certeza da necessidade de punição. E antes de punir, pense que essa mesma punição poderá um dia ser aplicada a você ou a outro de sua família.

 
Se liga nesta passagem bíblica em Mt 7, 1-2:
Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.”

 

Sobre Cristiane de Oliveira

Produtora Cultural, Head na Agência #TudoNosso, CupCake Designer na CupCake da Cris, mãe, mulher, escorpiana e absolutamente mutante nesse mundo de imperfeições.

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2 comentários

  1. Muito bom amiga. O caso do seu amigo é apenas mais um de muitos. Sabemos que muitos inocentes morrem por serem julgados antes de serem vistos. Já foram julgados préviamente nas mentes de muitos por terem um perfil de um “merecedor” de morte. Sabemos que, muitas vezes por imposição do Estado, a violencia sempre existiu mas, nos tempos recentes, elas estão sendo praticadas a troco de nada ou, simplesmente,
    por existir o PRÉ-CONCEITO.

    • Pois é amiga, e hoje mais um trágico caso chega a mídia: professor de história teve que “provar” ser de fato professor dando aula sobre a revolução francesa para escapar de linchamento. E assim caminha a humanidade…

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