Hip Hop sem escapatória

É isso, gente amiga: passo agora a ser um dos colunistas do Portal Enraizados a convite dos amigos desse movimento que acompanho há mais de uma década e do qual sou fã desde que eu dirigia o portal Baixada On, lá no comecinho dos anos 2000.

Pretendo aqui compartilhar experiências e observações que venho construindo nas aŕeas de arte, cultura e política sobretudo nesse pedaço maluco do planeta que é a Baixada Fluminense.

Pra começo de conversa, achei razoável começar falando sobre minha relação com hip hop, eu que não sou da área, mas que venho embolado já um tempo com uma malucada desse universo. E porque hip hop circula nas veias da rapaziada aqui com muita força e vibração.

A primeira menção que me recordo do hip hop me veio via televisão aberta, quando começaram a aparecer os primeiros grupos de break no país, sendo um deles uns caras moleques dançando de um jeito engraçado num clip do Fantástico e depois nos Trapalhões, e que só vim a lembrar o nome deles graças à Internet muitos anos depois. Eram os Black Juniors e era uma parada só de dança mesmo, o break que também viria a rolar na abertura de uma novela da Globo.

Alguns filmes blockbusters da época também começavam a apresentar paras as massas as primeiras ideias sobre vestimenta, gírias, músicas, já apontando que algo muito forte ia sacudir o universo pop. Comecei a ouvir falar em Run DMC nessa época com seus tênis Adidas.

Depois já adolescente é que o rap começou a chegar em algumas outras referências.

Uns exemplos: por conta da Fluminense FM veio a banda Gueto com a música G.U.E.T.O, que era muuito foda; e Thaíde e DJ Hum, com uma música que incrivelmente tocava em alguns programas da rádio rock. Depois lembro de uma coisa engraçada que rolou com a banda Antrax, respeitadíssima no meio do metal, um som porradeiro que tinha fãs à pampa, entre eles vários amigos. Os caras vão e gravam um disco unindo rock e rap e foi um fracasso retumbante…

Já no início dos 90 teve o fenômeno dos Racionais, mas aí já é outra parada; prentendo escrever um texto só sobre os Racionais em breve. Na minha opinião ainda não se mediu o impacto avassalador que os Racionais Mcs tiveram na juventude das áreas urbanas de vários cantos do país.

E ainda nos 90 tiveram as bandas que flertavam com a estética e com a pegada do rap, como o Funk Fuckers, o Planet Hemp, o Rage Against The Machine entre outras que não recordo de pronto assim. Mas ainda não era rap no sentido mais estrito mesmo. Isso pra mim só rolou já no comecinho dos 2000, principalmente depois que fui fazer uma matéria pra o Baixada On com um cara que tinha ganho uma batalha nacional de MCs. Eu sempre fui fã de repente e embolada e foi esse cara, Slow DaBF, que me apresentou o freestyle, que chapei na hora.

Depois, já no início do cineclube Mate Com Angu foi que adentrei de fato no meio do hip hop por conta de Cacau Amaral e DJ DMC, que na época formavam o Baixada Brothers. E daí foi direto e na veia: conheci a ReFem, o P,10, o Kajá Man e Posse 471, o João Xavi; comecei a conhecer as músicas e letras do Dudu de Morro Agudo; festival Hutuz; bordejos na CDD com a Cufa; fui apresentado a um monte de DJs; chapei com Sabotage; comecei a frequentar festas e a ler o que estava sendo escrito. O Cacau, por exemplo, naquele momento escrevia aqui no Enraizados e no portal Real Hip Hop, na época um ótimo site também.

E hoje vejo os elementos da cultura hip hop como fundamentais em tudo o que a gente vem fazendo na periferia, fechamentos com aliados de primeira hora no nosso front cultural. Com prazer, com alegria e também com muita admiração.

Fico por aqui deixando o registro e a homenagem ao Nino Rap, que nos deixou há um pouco mais de um mês, moleque talentosíssimo que trazia o rap no próprio nome, com orgulho. Me lembro dele na dupla com o Eddi MC, lá no Centro Cultural Donana; todo mundo moleque ainda, estrutura precária, sem nem bases gravadas nem nada, mas já dando pra sacar que o moleque era foda.

Depois com o Blecaute, que virou Nocaute, o talento dele rodou o mundo. Pena que a vida tem dessas tramas e dramas que às vezes por um fio mexem com o chão das certezas e cada um lida como isso do jeito que dá. Alguns tem mais dificuldade de segurar as ondas loucas da vida e não cabe a ninguém julgar ninguém.

Viva o Nino, viva o rap, viva o #Comboio e o Enraizados. E é isso: estarei aí na aŕea oferecendo perigo de gol.

‘té+
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Quando digo que mantenho um altarzinho em casa dedicado à Internet, pode parecer um exagero, uma figura de estilo, e quando digo que a Baixada sempre produziu uma arte bastante contemporânea muitas vezes fica soando como uma frase populista, dessas de se jogar pra plateia.

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