terça-feira, 28 maio, 2024

Jornalista Glória Maria, referência preta para toda uma geração, morre no Rio de Janeiro.

Hoje, dia 02 de fevereiro de 2023, uma das principais e mais importantes jornalistas brasileiras nos deixa. A jornalista Glória Maria morreu após uma longa luta contra um câncer que começou no pulmão, e depois, em decorrência de uma metástase, se espalhou para outras partes do corpo, como o seu cérebro.

Sem dúvidas essa é uma nótícia triste e que impactou todo o país, mas a Glória Maria, para nós, pessoas negras, era muito mais que uma importante jornalista, ela era um referência, um símbolo, pois foi precursora em diversos momentos, foi a primeira mulher negra a ocupar muitos lugares importantes e parte dessa história vem se tornando pública agora com a sua morte.

Recentemente, Glória foi entrevistada no podcast Mano a Mano, captaneado por Mano Brown, e nos mostrou um outro lado, que talvez muitos não conheciam, pois ela era, ao mesmo tempo uma mulher combatente, por motívos óbvios, pois quem chegou onde Glória Maria chegou, teve de enfrentar – e vencer – um leão a cada dia. Mas ela também se mostrou bem humorada, simples e conhecedora de muitos assuntos, ela não fugiu de nenhum, e ainda fez elogios ao Mano Brown que pareceram uma xavecada marota.

Glória Maria é um símbolo pra nós porque entendemos que a mulher preta é a base da pirâmide social, a que mais sofre com o racismo, gênero e pobreza, que é impactada triplamente pelo que chamamos agora de interseccionalidade. E ela venceu. Utilizou suas táticas de luta, que muitas vezes foi o silêncio para que depois pudesse gritar, ou melhor, para que depois todos nós pudéssemos gritar.

Glória Maria por muito tempo foi o único corpo preto que víamos na TV aberta, disputando também o nosso imaginário, disputando símbolos. Ver a Glória Maria na televisão, em tantos momentos vitoriosos, importantes e gloriosos, fez uma geração inteira ter orgulho de ser preto. Por isso hoje vimos centenas de manifestações pelas redes sociais, tanto de seus colegas jornalistas, como Heraldo Pereira e Anielle Franco, atual Ministra da Igualdade Racial, quanto atrizes como Zezé Motta prestaram suas homenagens.

Um adeus a Glória Maria.

Sobre Dudu de Morro Agudo

Rapper, educador popular, produtor cultural, escritor, mestre e doutorando em Educação (UFF). Dudu de Morro Agudo lançou os discos "Rolo Compressor" (2010) e "O Dever Me Chama" (2018); é autor do livro "Enraizados: Os Híbridos Glocais"; Diretor dos documentários "Mães do Hip Hop" (2010) e "O Custo da Oportunidade" (2017). Atualmente atua como diretor geral do Instituto Enraizados; CEO da Hulle Brasil; coordenador do Curso Popular Enraizados.

Além disso, veja

O papel da educação clandestina na formação Política

Este texto reflete sobre o conceito de "Educação Clandestina", destacando sua abordagem contrária ao ensino formal. Explora as lacunas do sistema educacional brasileiro, particularmente em relação à alfabetização e ao letramento nas escolas periféricas. Descreve como movimentos sociais reúnem conhecimentos diversos, ausentes das instituições formais, promovendo uma troca que desafia o status quo. Aponta a importância da conscientização política e da ação crítica na transformação da realidade. Destaca a educação clandestina como um processo contínuo de formação política, capaz de despertar indivíduos para a realidade e capacitá-los a questionar, refletir e agir em prol da mudança social.

Deixe um comentário