“Ter 20 de carreira, faz a diferença”. Entrevista com Japão (Viela 17)

“Ter 20 de carreira, faz a diferença”. Essa é a frase com a qual o rapper Japão (Viela 17), inicia a canção “AH TAH”, prévia do seu novo disco. Confira a entrevista com um dos linhas de frente do Rap nacional, que acompanhou e fez parte da consolidação do rap em Brasília:

Marcão: Você acompanhou a consolidação da cultura Hip-Hop em Brasília, como foi ver a cena se firmando, e como ela está atualmente?
Japão:
Brasília sempre foi um pólo importante para o Hip Hop desde a metade dos anos 80, onde apontou alguns grupos de rap, DJs de baile e Crew de Break, sou desta geração e acompanhei muitas mudanças, atualmente os elementos do Hip Hop estão ainda mais fortes, muitos grupos brasilienses freqüentaram a cena do Hip-Hop paulista, carioca, sulista e nordestino, facilitando assim a expansão do nosso movimento e cultura.

Brasília está sempre na mídia, por ser palco de escândalos políticos, apesar disso, a cidade possui uma cena cultural muito forte, e que luta pra mostrar esse lado da cidade que nem todos conhecem. Qual a importância disso?
Se preocupar com a cena política é dever de todos os brasileiros, eu particularmente já estou descrente há anos, vejo na cultura que pratico um modo de disfarçar tal descontentamento e mudar o rumo da estória agindo culturalmente, Ceilândia, por exemplo é conhecida pelo rap que faz e não pelos escândalos políticos, o Plano Piloto e Guará são conhecidas pelas bandas de rock e reggae que se espalharam para todo Brasil, Sobradinho e outras cidades, pelos esportistas e tal, e por ai vai, a cultura brasiliense é mais forte do que toda esta cachorrada política que está ai.

Junto com o Viela 17, você cantou no aniversário da cidade, para um pouco mais de 1,3 milhões de pessoas. Em algum momento antes ou durante a apresentação, se sentiu com uma grande responsabilidade?
Sempre sinto um frio na barriga de tocar na cidade em que moro e represento, fui convidado por Daniela Mercury pessoalmente para representar o rap no aniversário de 50 anos da capital que vivia em meio a escândalos políticos, mas cumpri minha missão de uma forma digna e respeitosa a toda população, a responsabilidades sempre pesa mais a partir de quando tocamos em casa.

Você trabalhou ao lado de GOG e DJ Raffa, que são duas pessoas que representam e contribuem muito para com o Hip-Hop. Como é trabalhar com os dois?
O Gog e o Raffa sempre foram parceiros musicais, cada um em sua função, é claro. Com o Raffa foi o ponto de partida para minha inserção ao mundo da cultura Hip-Hop, foi através dele que conheci o rap e me profissionalizei musicalmente, o Raffa também me apresentou o Gog e então ingressei ao grupo onde aprendi muitas coisas e também ajudei a concretizar o grupo como um dos linhas de frente do Rap Nacional montando o alicerce de minha carreira.

O Viela 17 possui muitas canções que mesclam outros gêneros musicais como samba, funk, reggae, entre outros. Qual a importância dessa mesclagem?
Sou um cara que sempre fui fiel ao Funk Groove dos anos 70, mas gosto muito de misturar todas as tendências musicais que são ouvidas em comunidade, gosto de mudar, fazer algo diferente e de inovação, algo que o rap sempre precisa para se manter vivo.

Você lançará seu primeiro disco solo, como está sendo o processo de criação?
O CD está sendo produzido e dirigido com muita calma, não tenho pressa para terminá-lo com urgência, este CD é muito importante, tenho ele como um marco importantíssimo para minha vida e carreira, na qual farei usando tudo que sempre sonhei, e fazer geral dançar e entreter.

Como surgiu a ideia do videoclipe “AH TAH”?
O vídeo surgiu a partir de uma parceria com uma empresa e a vontade de lançar algo inicial para mostrar como será o CD que lançarei até outubro de 2011, o vídeo faz alusão ao aniversário de 40 anos de Ceilândia, minha comunidade, a comemoração dos meus 20 anos de carreira e a vontade de fazer algo em prol do meu filho que não para de me falar “AH TAH”, em tudo que peço pra ele fazer, ou quando não concorda com algo que falo… (Risos).

Confira o videoclipe “AH TAH”, do rapper Japão:
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Como está sendo o retorno do projeto?
Este ano estou feliz com tudo que está acontecendo, precisava amadurecer muito as ideias profissionais e pessoais, o retorno como sempre no rap nacional é lento, mas satisfatório.

Além do disco, quais são os projetos pra 2011?
Estou neste ano de 2011, com o projeto do CD, a gravação do meu 1º DVD e alguns projetos sociais tais como: Roda de Rap que será feito nas unidades prisionais juvenis e a caravana Hip-Hop contra o Crack que será um mesclado de apresentações artísticas, palestras e discotecagem em todas as cidades satélites do DF.

Japão, valeu mesmo pela entrevista, deixe sua mensagem aos leitores do Portal…
“Não se pode ter tudo quando seu pensamento foge do ato de amar o próximo! Para todos que apóiam o Rap Nacional: VIDA, para os que reprovam: AH TAH!”

Confira o trabalho do rapper japão em seu site: http://japaoviela17.com.br/

Sobre Marcão Baixada

Rapper, compositor e produtor. Take Back the Mic’s Hip Hop World Champion (2015). Curador e host do projeto Hip Hop Conhecimento.

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5 comentários

  1. Loka a intrevista, Japão manda bem a pampa, sucesso irmãos, um só…

  2. entrevista foda , representa mt mesmoo irmão’ paaaz !

  3. massa!!!!! japão muito bom o som!! dale DF

  4. Muita garra, talento, representando e fortalecendo o Rap Nacional!

  5. Sou suspeito de Falar é sempre bom ouvir refletir nas palavras de quem tem base pra falar salve ao meu cumpadi Japão e ao o sempre inteligente marcão.
    mistura inteligente e eficaz salve manos

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