Militância: Como se aplicaria ao Hip Hop? Qual é o papel de um militante?

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No Hip Hop não existem apenas MC’s, dançarinos(as), grafiteiros(as) e DJ’s. O Hip Hop é muito mais que expressão artística e cultural, acrescenta-se a isso a responsabilidade social. Quando surgiu na década de 70 nos EUA, este movimento propôs através da arte de rua pregar uma ideologia baseada em coisas como: paz, união, amor e diversão.

No Brasil, o Hip Hop chegou com os mesmos objetivos, embora a realidade brasileira fosse diferente  tudo combinava. O que permaneceu em maior evidência foi o rap com suas letras políticas e de protesto e reivindicação por melhores condições ao povo negro e pobre da periferia. A despeito o rap ser considerado a voz do Hip Hop, isto não significa que ele seja o elemento mais importante desta cultura. Não basta falar numa música ou palestra. Faz-se necessário que o indivíduo pratique as militâncias diárias, sendo realmente o que diz o seu discurso em cima dos palcos. Infelizmente nem todos agem dessa forma. Não basta fazer um show, ganhar seu cachê e sair fora. O Rap é um grande formador de opinião, pois leva informação, conscientização, protesto, reivindicação, etc. Sendo assim, o sujeito tem que ter responsabilidade enquanto estiver com um microfone na mão, pois alguém irá ouvi-lo e tomar o que for dito como verdade em sua vida.

Qual é o meu papel como militante?

Sabendo dessa responsabilidade eu (Peter MC), Léo Da XIII, Ualax MC e MC Marcão fomos convidados a cantar numa escola municipal em Belford Roxo, RJ no dia 17 de Setembro. Fomos representar o Movimento Enraizados, já que somos militantes da referida organização.Tratava-se de uma celebração à cultura brasileira realizada por alunos e professores do Projovem Urbano. Qual seria o nosso papel ali? Seríamos os artistas da noite? Até que a gente poderia ser, entretanto, não era essa a nossa missão. O objetivo não era fazer um show e sim uma celebração. Eu sei, o Hip Hop não é uma cultura de raiz brasileira, mas eles não sabiam disso.

Não era um público pertencente ao Rap nem ao Hip Hop. Aquele momento era o primeiro encontro deles com o nosso movimento e cultura, ali representados por nós. Tamanha era a responsabilidade que nós tínhamos em mãos. Não estava em jogo o melhor flow em nossos Raps ou freestyles. O que pesou para nós foi transmitir uma mensagem produtiva aos presentes. Era um momento único, tínhamos que aproveitar e dar o nosso melhor.

Como você apresenta o Hip Hop às pessoas? Como elas reagem ao mesmo?

Após apresentações de forró, samba e o hino nacional brasileiro, chega o nosso momento. Eu comecei o barulho cantando o meu som “Sobrevivendo na Selva” que narra as dificuldades que os habitantes de metrópoles enfrentam ao se deslocarem de suas casas para o trabalho, além de protestar contra o governador do RJ, por chamar trabalhadores de vagabundos em rede nacional, devido a um fato ocorrido no ano passado dentro de um trem lotado na Baixada Fluminense. Eu dei a resposta que o povo queria dar a ele através do meu rap. O público que estava frio no início se amarrou na mensagem e se enxergaram retratados naquela música.

Da mesma forma foi quando o Léo Da XIII cantou seu som “Não Dá Mais”, tratando da violência contra as mulheres por parte de companheiros e parentes. A apresentação desse rap, que faz parte da coletânea “Hip Hop Pela Não Violência Contra As Mulheres” foi um grande sucesso. Ualax MC também mandou um som, desta vez, com uma letra reflexiva e de motivação.

E o Freestyle?

E então. Naquela bela noite de celebração, a gente não poderia deixar de mandar um Freestyle pro povo presente. Dessa vez, o MC Marcão, que anteriormente não tinha mandado um som participou com a gente na roda de Freestyle e representou com firmeza as suas idéias.

Freestyle pra quê?

Depende. Pra quem será esse Freestyle? No nosso caso era para pessoas que não curtiam rap e que não conheciam nada acerca de hip hop. Mas aí acontece uma coisa muito massa e o barato ficou mais louco ainda. A galera já estava totalmente envolvida em nossa vibe e interagiu conosco colaborando com temas para as nossas improvisações. Os temas que nos sugeriram foram: homofobia, violência doméstica, educação, drogas, violência entre outros. Não recebemos cachê, não ficamos famosos, provavelmente já nos esqueceram. Mas… E daí? Tenho certeza que a mensagem ali plantada trará um bom fruto. Isso é fazer Hip Hop para mim.

Conclusão

Eu poderia concluir esse texto com as minhas palavras, entretanto, a união faz parte do Hip Hop. Minha verdade não é absoluta, nunca será. Mas tenho certeza que outros indivíduos a compartilham comigo, e os que não compartilham não deixam de ser verdadeiros.

PAZ, AMOR, UNIÃO e DIVERSÃO. Quatro palavras que desejo aos meus irmãos!

Com a palavra: o Hip Hop Brasileiro

“A militância dentro do hip-hop deve ser intensa e contínua. Baseada nos pilares de quando ele foi criado e deveria ser guiado por “paz, amor, diversão e união”. Para mim, militar é tentar transformar em coisas melhoresJéssica Balbino (Escritora de MG) via Twitter (@jessicabalbino).

Miltânica no hip hop é fazer a cultura crescer tanto artística como politicamente. Dia após dia, sem massagem” – Alexandre de Maio (Jornalista, quadrinista e educador de SP) via twitter (@alexandredemaio).

“Papel da ideia certa e da postura social”DJ Joh 189 (DJ e produtor da PB) via twitter (@djjoh189)
“A militância se faz na ação do discurso feito pelo militante, o qual tem o papel de discursar e agir com consciência sempre!”Lindomar 3L (Rapper de MG) via twitter (@lindomar3l)

“Creio que militância no hiphop se aplica no cotidiano de cada um. Um militante é aquele que não se conforma em andar nas ruas e ver um idoso na rua pedindo comida, uma criança no farol limpando vidros de carros de luxo para ganhar centavos, um militante luta diariamente para que essa mudança aconteça, e que seja feita via Hip Hop. A militância que todos nós precisamos é essa. E é na paciência que ela se aplica, é no suor que ela se demonstra, e é no resultado que você pode bater no peito e convidar o próximo a ser militante igual a você, e falar de boca cheia  que isso foi o hip hop quem trouxe!” –  Felipe Eduardo (Blog Escrita Hip Hop – www.escritahiphop.blogspot.com) via MSN.

“A Militância no Hip Hop pode ser muito importante, porque, é a questão do respeito e do conhecimento, ética e hierarquia”. Porque hoje em dia os manos tanto que dança quanto que canta man, não tem respeito e considerarão na cultura. Com um estabelecimento de uma militância seria uma boa para colocar uma ética, e entusiasmar os manos a estudar a cultura a fundo, e com isso vem o respeito e valor acima de tudo.” – Thales Diego (B. boy do RJ) via msn.

“É um individuo que apoia e segue a idiologia do HIP HOP arrisca”. E o papel do militante é desenvolver o Hip Hop  em todas as áreas, principalmente na área social.” – Mordekai (Rapper da PB) via msn.

Bom pessoal, espero que vocês tenham tido paciência de ler tudo isso, mas acredito ser de suma importância o conteúdo acima apresentado. Meu muito obrigado a todos que participaram do debate, tanto via twitter como através do msn.

Sobre @PetterMC

Rapper, jornalista, pesquisador e videomaker. Head na Agência #TudoNosso e tutor de projetos de comunicação na Agência de Redes para Juventude. Escreve sua coluna no #PortalEnraizados todas as quartas.

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2 comentários

  1. Já havia respondido via twitter, mas foi uma coisa bem rápida. Tava escrevendo algumas coisas pro blog e aproveitei a deixa pra escrever mais a fundo sobre o tema em questão:
    O papel de um militante dentro do Hip-Hop é desenvolver o pode de transformação através da cultura e seus elementos, influenciando pessoas e disseminando ideias de maneira positiva.
    E creio que o papel mais importante, não seja disseminar isso em quem já faz parte da cultura, mas sim levar isso à pessoas que não conhecem a cultura, e que passem a conhecê-la e ver a proporção que o seu poder transformação possui.

    Paz família!

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